terça-feira, 22 de setembro de 2026

A Cronica de Walmir Rosário

 

TITE NO BOTAFOGO, VALHA-ME DEUS. TÔ FORA

O Botafogo atravessa mais uma famosa crise interna

Por Walmir Rosário*

De há muito o futebol vem deixando de ser apenas um esporte. Acredito que outros esportes também. Confesso que não sei classificar direito a realidade atual, e diante dos estranhos acontecimentos, tomo emprestado uma frase bem inteligente do meu saudoso amigo Carlito Alemão: “Nesses assuntos minha burrice chega a ser científica”. E não se fala mais nisso.

Ser botafoguense não é apenas torcer para o glorioso time da Estrela Solitária, e sim se incorporar à esquadra vencedora por mais de um século. Acredito que incorporar é muito pouco e o verdadeiro botafoguense se entrega de espírito, alma, o que mais por divino exista. Desde a década de 1950 assim tenho agido, nas soberbas vitórias, nas derrotas, muitíssimas delas roubadas.

Os momentos gloriosos do Botafogo são memoráveis e inesquecíveis por nós, ao mesmo tempo em que sabemos relevar as fases afrontosas, que preferimos relevar, porém nunca esquecer os motivos. E, pelo vi na imprensa, e que acabou se revelando verdade, a contratação do péssimo técnico Tite nos remete aos períodos mais tristes e desprezíveis do Botafogo, pelo comportamento dele em outras equipes.

Mas tudo nesta vida tem um peso e uma medida. Diferente em cada um, é verdade, mas real. Para mim, agora, encheu as bordas, transbordou, entornou o caldo. Aguentei, ou aguentamos calado anos de dissabores, incompetências de diretorias, esbórnias, até o momento que tivemos a certeza que tudo aquilo de ruim era coisa do passado, lixo varrido e jogado fora, após a SAF.

Num curtíssimo espaço de tempo verificamos que poderíamos viver nova vida, subir aos píncaros da glória com a simples mudança de gestão. Fizemos chorar nossos adversários, levando de roldão a imprensa comprada e doutrinada em ser, sempre, contra ao Botafogo. De tudo fizeram para tentar diminuir o Botafogo em ascensão. E no bolo entraram, ainda, árbitros, VARs e companhia.

De pouco valeu, em apenas um ano (2024) o Botafogo foi sagrado campeão em duas principais competições: a Copa Libertadores das Américas e o Campeonato Brasileiro. Uma façanha daquelas que somente o Botafogo consegue, superando uma enorme torcida do contra. Do jeitinho que nós botafoguenses de corpo e alma gostamos.

Como sempre, o Botafogo tem uma administração que torce contra o próprio clube, fazendo-o rolar ladeira abaixo sem qualquer controle e direção. Bastou uma briga de financiadores sócios da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) para que os dirigentes do Botafogo Social meterem os pés pelas mãos e desmontar o time, acredito para completar o que os donos da SAF não fizeram por completo.

De minha humilde parte, asseguro que não avalizarei as atitudes dos dirigentes do Botafogo que, ao que parece, tentam levá-lo ao status desesperador de tempos passados, enquanto eles nadavam de braçadas na crista da onda até chegarem ao fundo do mar. Mas podem todos perguntar: “Quem é esse torcedor que se intitula importante? Qual o seu currículo? Quais os cargos de prestígio que exerceu no Glorioso?”.

Dentro da minha insignificante participação no Botafogo nunca exerci cargo algum que não fosse de torcedor. O simples pagador de ingresso no Maracanã e outros estádios brasileiros, aquele que compra e veste a camisa do Glorioso, que refuta os adversários de forma séria ou jocosa, a depender do momento, nos comentários ao microfone e em páginas de jornais e sites a grandeza do Glorioso Botafogo.

Garanto que não tomarei atitudes drásticas, a exemplo do saudoso botafoguense e colega ceplaqueano Dudu Rocha, quando me enviou a faixa do Botafogo campeão, com um memorando anexo: “Amigo Walmir, cansei!!! Do amigo e ex-Bota, Dudu Rocha. 29-05-2008”. A correspondência me deixou pasmo e guardo até hoje.

Longe de mim cometer tamanho desatino, até porque me confidenciou que iria torcer para outro time, o inimigo da Gávea, aquele que desmoralizamos em campo no famoso “Jogo do Senta”, em General Severiano. Uma vergonha os jogadores do Flamengo se sentarem em campo quando o Botafogo vencia por 5X2, e prenúncio de uma goleada acachapante.

Jamais farei isso! Apenas farei meu protesto abdicando da gloriosa condição de torcedor do Botafogo enquanto o tal do técnico Tite se esforçará em esfacelar o time, criando problemas com os jogadores. Não verei um jogo sequer na televisão, nem ouvirei uma só partida numa emissora de rádio. Portanto, nem uma pequena resenha estarei capacitado a fazê-la.

Diferente de meu saudoso amigo Dudu Rocha, parceiro da Confraria do Alto Beco do Fuxico, continuarei botafoguense, amando e exaltando o Glorioso de tempos passados, que tanta alegria nos proporcionava. Como esquecer e exaltar Manga, Nilton Santos, Didi, Zagalo, Carlos Alberto, Carlos Roberto, Jairzinho, Arlindo, Paulo Cezar Caju, Canavieira e o inimitável Garrincha?

Outros tantos jogadores que deixei de citar aqui e fizeram a glória do Botafogo serão sempre lembrados, pois continuam no nosso coração botafoguense. Só que daqui para a frente, enquanto a direção social do Botafogo teimar em diminuir o Glorioso, não terá minha participação, nem mesmo como expectador. Minha atitude não é uma encrenca e sim respeito ao Glorioso Botafogo de todos os tempos. O tempo dirá!

*Radialista, jornalista e advogado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário