terça-feira, 18 de agosto de 2026

CANAVIEIRAS SEDIA A 5ª EDIÇÃO DO FESTIVAL LITERÁRIO SUL BAHIA

CANAVIEIRAS SEDIA A 5ª EDIÇÃO DO FESTIVAL LITERÁRIO SUL BAHIA


A partir de quinta-feira (20), Canavieiras sediará a 5ª edição do Festival Literário Sul Bahia (Flisba). A programação prossegue até sábado (22), com mesas de discussões literárias, rodas de conversa, exposições, mostra de Slam (competição de poesia falada), feira de economia solidária, lançamentos e vendas de livros e apresentações musicais de artistas locais. O festival deste ano celebra a “Literatura e Sustentabilidade: um encontro com a cultura popular”.

A maior parte das atividades será concentrada no Sítio Histórico de Canavieiras, um dos mais antigos e mais bem preservados da região. Além de histórico, o município do sul da Bahia é também um importante polo de produção da literatura grapiúna, sendo a terra natal da escritora Elvira Foeppel e onde morou o escritor Afrânio Peixoto, imortal da Academia Brasileira de Letras.

O Festival Literário Sul Bahia é gratuito e aberto a todos os públicos, o que inclui uma programação específica para o público infantil. No Flisbinha, as crianças de todas as idades poderão participar de diversas ações, como contação de histórias e brincadeiras.

O Flisba chega também para impulsionar a inserir definitivamente no calendário turístico e cultural de Canavieiras o Festival Literário da Academia de Letras e Artes de Canavieiras (ALAC), segundo avalia Ely Carvalho, presidente da Academia de Letras de Canavieiras e professora no município. “É um momento de valorizar o que é nosso, de fortalecer nossas raízes e de mostrar ao mundo que Canavieiras é terra de palavras, de arte e de cultura”.

O objetivo do Flisba é organizar um encontro literário e cultural do Sul da Bahia, em que a literatura dialoga com a diversidade, as tradições e os saberes do povo. A proposta do Coletivo Flisba é aproximar os escritores da população local e promover reflexões no âmbito da literatura regional e dos fazedores de cultura.

EX-SECRETÁRIO DE CULTURA


A abertura do evento, na quinta-feira (20), contará com a palestra de Albino Rubim, ex-secretário de Cultura do Estado da Bahia e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba). No mesmo dia, às 16h, será promovido o Cortejo Cultural da Sustentabilidade. Haverá ainda a exposição “Adonias Filho – A voz literária do sul da Bahia” e a exibição do documentário “Adonias“, numa parceria com a Academia Grapiúna de Artes e Letras (AGRAL).

Serão promovidas ainda mesas de debates desde o primeiro dia, com a participação de escritores, fazedores de cultura e ambientalistas do sul da Bahia, a exemplo de Tácio Dê, Pawlo Cidade, Luh Oliveira, Silmara Oliveira, Rogério Medrado, Roger Ferreira, Maria Rita Prudente, Sheilla Shew, Alderacy Júnior, Valdir Rios e Marcos Luedy.

Além de Tallýz Man, Amélia Torres, Hitxá Pataxó, Mona Kizola, Sara Araújo, Adroaldo Almeida, Clarissa Melo, Gilberto Leôncio, Elialda Avelino, Eufra Modesto, Walmir do Carmo, Mirian Oliveira, Franklin Costa, mestra Lainha, Aline Gonçalves, Lúcio Solis, Rodrigo Ramos, Coletivo Casa dos Sonhos, Erikson Walla, Efson Lima e Igor Luiz e diversos outros, por meio dos lançamentos de livros e participação das editoras.

Um dos incentivadores da 5ª edição do Flisba em Canavieiras é o professor Vitor Fábio, das redes municipal e estadual de educação. Para ele, Canavieiras merece sediar o festival literário porque carrega em sua história séculos de memória, cultura e identidade, expressos em seus cenários, em suas tradições e nas narrativas construídas por meio da literatura e da oralidade.

O Flisba deste ano conta também com os apoios do Centro Público de Economia Solidária (Cesol) do Litoral Sul, gerido pela organização social Querinos, mantido pelo Governo do Estado da Bahia; das Academias de Letras de Canavieiras e de Ilhéus; e da Prefeitura de Canavieiras, por meio das secretarias de Educação e Cultura, do Conselho Municipal de Cultura e Associação Viver e Construtores em Ação.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

PINGA SE JUNTA À NATA DO FUTEBOL DO PASSADO - POr.: Walmir Rosário

 

PINGA SE JUNTA À NATA DO FUTEBOL DO PASSADO

Os craques Amilton (E) e Pinga (D)

Por Walmir Rosário*

Os torcedores de Itabuna e Ilhéus que não conheceram a rivalidade entre as duas torcidas perderam uma grande fase da história entre as duas cidades, principalmente no futebol de alta qualidade jogado naquela época. O mais grave é que poucos têm conhecimento que foi um ilheense quem marcou o fatídico gol da Seleção de Itabuna, contra o selecionado de Alagoinhas (na casa adversária) responsável pelo Hexacampeonato Baiano de Amadores do ano de 1965, finalizado em 30-01-1966.

E o nosso herói atendia pelo nome de Wilson Dias da Costa, embora batizado no meio futebolístico como Pinga, como ficou conhecido pelos torcedores e os amigos Itabunense por toda a sua vida. Nascido no distrito ilheenses de Banco Central, em 1953 veio morar em Itabuna, e como todo o menino daquela época era presença garantida nos babas dos inúmeros campinhos de Itabuna.

Não demorou muito para ser reconhecido pela diretoria do Náutico Juvenil como um garoto bom de bola, futuro garantido no futebol amador. E não deu outra, Pinga ganhou destaque no Janízaros, único time amador pelo qual jogou. Com a criação e entrada do Itabuna no futebol profissional, lá estava Pinga, o centroavante, fazendo seus importantes gols.

E Pinga não se limitava a se postar na área à espera de bola para partir para o gol, se o jogo estivesse “devagar” ele sabia recuar e buscar a bola no meio de campo para “espremer” o adversário na defesa até fazer os gols. Aos poucos, sua atuação em campo chamou a atenção de dirigentes de outras equipes, inclusive fora de Itabuna, mas Pinga se recusava a sair de Itabuna.

Em terras Grapiúna tinha emprego garantido no Banco Baiano da Produção, e em seguida, aprovado no concurso do Banco do Brasil, não descuidou da bola, embora tivesse o futebol com um esporte que lhe garantia uma segunda fonte de renda. Com Marinho e Nelsão era um trio artilheiro “matador” que conhecia cada pedaço do velho e famoso Campo da Desportiva.

Sua história na Seleção de Itabuna iniciou em 1963, ao ser convocado para a disputa e vitória do Tetracampeonato, repetindo a dose no ano seguinte na conquista do Pentacampeonato. Certa feita me confidenciou que não existia nada igual ao jogar na Seleção Amadora de Itabuna ao lado de Santinho, Fernando e Carlos Riela, Tombinho, Ronaldo, Abiezer e tantos outros craques de verdade.

Certa feita em férias no Rio de Janeiro se encontra com o amigo e colega de futebol, Bel para acompanha-lo a um treino no Botafogo carioca, onde faria teste. Convite aceito, ao chegarem em General Severiano, o técnico Paraguaio quis saber quem era o colega de Bel e o convidou para participar. Não deu outra: dos cinco gols, três deles foram marcados por Pinga e os outros dois por Bel.

Convidado por Paraguaio para participar de outro treino, Pinga simplesmente agradeceu ao técnico, declinando do honroso convite, explicando que se encontrava a passeio no Rio de Janeiro. Com a simplicidade de sempre, retornou a Itabuna para cuidar dos seus afazeres futebolísticos e bancários, com a mesma naturalidade que marcava seu perfil.

Os que conheceram Pinga em sua vida profissional e no futebol o admiravam pela sua conduta exemplar e a responsabilidade com futebol. Alguns diziam que o futebol fazia parte do seu sangue, e tinham razão. Outros irmãos de Pinga também jogaram futebol amador em Itabuna, a exemplo de Nau, goleiro do Flamengo, Fluminense e Seleção; Régis, lateral esquerdo do Janízaros e Seleção; Gílson, quarto zagueiro do Janízaros; e Dilson, meio-campo do Janízaros.

E como o DNA da Seleção de Itabuna era marcado por moléculas vencedoras, Pinga não desbotava quando entrava em campo qual fosse o adversário. Jogava para vencer. Certa feira, após sofrer uma derrota para a Seleção de Ilhéus, não perdoou, mesmo sendo ilheense e sofreu como se a Seleção Itabunense tivesse perdido para um adversário qualquer, sem a qualidade dos ilheenses.

Essa história de peso da camisa era mera firula, segundo Pinga, tanto assim que dizia respeitar cada adversário, mas que entrava em campo para fazer gols e vencer, pois tinha consciência da qualidade dos companheiros. Ele dava risada quando perguntado pelas táticas empregadas pelos técnicos daquela época. Sabíamos como eles jogavam mas se não desse certo, nós mesmos em campo éramos quem tínhamos que resolver.

De toda a sua carreira de futebol Pinga fala com satisfação de sua convocação para a Seleção de Itabuna. Para ele, o Tetra e o Penta foram bons, embora sua consagração tenha sido definida no Hexa. Era um jogo na casa do adversário e que tínhamos a responsabilidade de vencer, pois empatamos no Campo da Desportiva, portanto, em casa, por 3X3. Bastava marcar um gol e pronto.

Só que nossos adversários complicaram o jogo e Pinga conseguiu marcar aos 35 minutos do segundo tempo. Foi uma festa sem igual, que iniciou em Alagoinhas e só terminou em Itabuna uma semana depois. Enfim, estava garantida a superioridade itabunense, conquistando o Campeonato Baiano Intermunicipal de Amadores, por seis vezes consecutivas.

Mas neste mundo nem tudo é alegia e cada coisa tem seu tempo, tanto é assim que no sábado, 8 de agosto de 2026, Wilson Dias da Costa, o Pinga, aos 83 anos, nos deixa, para a tristeza dos seus familiares e muitos amigos. Seu corpo foi velado e sepultado em Itabuna, a cidade que adotou e que amava, com a presença de seus parentes e amigos. Com certeza está reunido com os amigos futebolistas no Oriente Eterno, os quais formam uma seleção fenomenal.


*Radialista, jornalista e advogado.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

QUANDO VOCÊ MORRER

 QUANDO VOCÊ MORRER


Quando você morrer, não se preocupe com seu corpo... seus parentes, farão o que for preciso de acordo com suas chances.
Eles vão tirar-te a roupa.
Eles vão te lavar.
Eles vão vestir-te.
Eles vão te tirar de casa e te levar para a sua nova morada.
Muitos virão ao seu funeral para se despedir. Alguns vão cancelar compromissos e até faltar ao trabalho para ir ao seu enterro.
Seus pertences, até o que você não gostava de emprestar, serão vendidos, oferecidos ou queimados.
Suas chaves
Suas ferramentas
Seus livros
Seus cds
Seus sapatos
As tuas roupas...
E tenha certeza que ele
o mundo não vai parar para chorar por você.
A economia vai continuar.
No seu trabalho, você será substituído. Alguém com as mesmas ou melhores capacidades vai assumir o seu lugar.
Seus bens vão para seus herdeiros...
E não duvide que você ainda será citado, julgado, questionado e criticado pelas pequenas e grandes coisas que você fez em vida.
As pessoas que te conheciam só pelo teu semblante dirão; Pobre homem! Ou Ele estava se divertindo muito!
Seus amigos sinceros vão chorar algumas horas ou alguns dias, mas depois voltarão a rir.
Os “amigos” que te puxaram para as pachangas, vão esquecer-te mais rápido.
Seus animais vão se acostumar com o novo dono.
Suas fotos, por algum tempo, ficarão penduradas na parede ou continuarão em algum móvel, mas depois serão guardadas no fundo de uma gaveta.
Alguém mais vai sentar no seu sofá e comer na sua mesa.
A dor profunda na sua casa durará uma semana, dois, um mês, dois, um ano, dois...
Depois você será adicionado às memórias e então sua história terminou.
Acabou entre as pessoas, acabou aqui, acabou neste mundo.
Mas comece sua história na sua nova realidade... na sua vida após a morte.
Sua vida para onde você não pôde se mudar com as coisas daqui porque além disso, ao sair, perderam o valor que tinham.
Corpo
Beleza
Aparência
Sobrenome
Conforto
Crédito
Status
Posição
Conta bancária
Casa
Carro
Profissão
Títulos
Diplomas
Medalhas
Troféus
Amigos
Locais
Cônjuge
Família...
Na sua nova vida, você só precisa do seu espírito. E o valor que lhe acumulou aqui será a única fortuna com que contará lá.
Essa fortuna é a única que você vai levar e amassa durante o tempo que você está aqui. Quando você vive uma vida de amor ao próximo e em paz com o próximo, você está amassando sua fortuna espiritual.
Por isso tente viver plenamente e seja feliz enquanto estiver aqui porque, como disse Francisco de Assis; “Daqui você não vai levar o que tem. Você só vai levar o que você deu”
Portanto VIVA...!!!
Ernani Leal Paula

sábado, 8 de agosto de 2026

O GÉNIO ESTRATÉGICO DE DONALD TRUMP...CONSEGUIU TRANSFORMAR UMA PASSAGEM LIVRE...NUMA PORTAGEM DE 100 MIL MILHÕES DE DÓLARES

 

O GÉNIO ESTRATÉGICO DE DONALD TRUMP...CONSEGUIU TRANSFORMAR UMA PASSAGEM LIVRE...NUMA PORTAGEM DE 100 MIL MILHÕES DE DÓLARES

 


"Foi preciso muita coragem. Durante décadas, apesar de todas as crises no Golfo, o Estreito de Ormuz permaneceu uma via navegável internacional onde os navios podiam passar sem terem de pagar portagens ao Irão ou ao Omã. Depois veio a diplomacia ao estilo de Donald Trump: muitas ameaças, muitas bombas, muitas declarações triunfantes… e, se os relatos forem verdadeiros, um resultado absolutamente notável: oferecer ao Irão uma nova fonte de rendimentos inesperada.

De acordo com estes relatos, Teerão e Mascate estão a preparar um acordo que estabelece taxas de trânsito para todos os navios que passam pelo Estreito de Ormuz. O Irão arrecadaria 5% do valor da carga e o Omã 2%, totalizando 7%. Os navios chineses e russos, por sua vez, seriam isentos, enquanto o resto do mundo suportaria os custos desta nova portagem.

Portanto, aí está: o “acordo” do séc. Antes da escalada militar dos EUA, a passagem era livre. Após os ataques, pode tornar-se uma das rotas marítimas mais rentáveis ​​do mundo. Foi necessário um talento excepcional para transformar uma via navegável aberta num fundo comum que alimenta o Irão com a bênção involuntária de Washington.

A parte mais irónica é que os Estados Unidos afirmavam querer estrangular economicamente Teerão. Se este mecanismo de portagens entrasse em vigor, o resultado seria exactamente o oposto: até 100 mil milhões de dólares em receitas anuais potenciais para o tesouro iraniano, simplesmente porque praticamente todo o comércio global de energia não tem uma alternativa viável ao Estreito de Ormuz.

Enquanto isso, a China e a Rússia observam o espetáculo com um sorriso. Isentas destas taxas de trânsito, segundo os mesmos relatos, Pequim e Moscovo continuariam a garantir os seus abastecimentos enquanto os aliados ocidentais suportam os custos. Um feito geopolítico que quase merece um troféu.

Toda esta sequência exemplifica uma política externa baseada em demonstrações de força: prometer enfraquecer o adversário, encenar repetidas demonstrações de força… apenas para descobrir que as consequências económicas, na verdade, beneficiam precisamente aquele que se procurava subjugar."

(B.Partisans)

Mais uma vez, os nossos parabéns a Donald Trump. É raro um líder conseguir transformar um estreito livre num sistema de taxas de trânsito capaz de enriquecer o seu principal adversário a longo prazo. Foi necessário um verdadeiro virtuoso da geopolítica improvisada para realizar tal feito.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

COMO OS CAPUCHINHOS TRANSFORMARAM A EDUCAÇÃO EM ITABUNA - Por. Walmir Rosário

 

COMO OS CAPUCHINHOS TRANSFORMARAM A EDUCAÇÃO EM ITABUNA

Frei Justo (em pé), Padre Nestor Passos (E) e o presidente do
Rotary, Adélcio Benício (C), debatem a educação dos jovens
(foto Diário de Itabuna)

Por Walmir Rosário*

Na década de 1950 a educação em Itabuna passava por avanços, embora as instituições de ensino implantadas ainda não eram capazes de atender toda a demanda existente. Nos bairros, então, as dificuldades eram ainda maiores, pois as poucas escolas e colégios pertenciam aos particulares, às entidades católicas e pouquíssimas dos governos estadual e municipal.

O único recurso – embora dispendioso – para o público em geral era matricular seus filhos nas escolas particulares, desde o estudo do ABC e Cartilha e as séries do primário. No ginásio, pouquíssimas vagas – pagas –, e as famílias que tinham boa condição financeira enviavam seus filhos para estudar em Ilhéus.

No bairro da Conceição foi inaugurado o Colégio Estadual General Osório para o atendimento ao primário, e a Prefeitura mantinha duas salas de aula para o ensino das primeiras letras (ABC e Cartilha). O restante da criançada ingressava nas escolas particulares, pagando um preço módico, nem sempre disponível à maioria das famílias.

Com a chegada dos frades Capuchinhos, em 1958, além da construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, os religiosos projetaram a construção de um colégio. Com isso, retirava uma parcela da juventude das ruas, integrando-os à educação formal e a informal, esta religiosa, o famoso catecismo, com a Cruzada Eucarística, os coroinhas, e futuros seminaristas.

Um destaque nesse trabalho foi a professora Maria Zélia Couto, soteropolitana, rígida na sala de aula do Colégio General Osório e nas aulas de catecismo, o que lhe imprimia status importante junto às famílias. Maria Zélia não era uma simples professora da educação formal e católica, e sim uma formadora de caráter aos católicos praticantes.

Para os capuchinhos, a educação e a religião tinham que andar de mãos dadas na formação dos jovens, até porque além do caráter, a liturgia católica dependia da compreensão do Latim, principalmente nas missas. É que elas eram celebradas por meio da última flor do Lácio, como dizia o poeta Olavo Bilac, no soneto Língua Portuguesa.

Com a Igreja de Nossa Senhora da Conceição quase pronta, o projeto da Escola  entrou na ordem do dia. Em 23 de setembro de 1958 Frei Justo foi convidado para uma reunião do Rotary Club de Itabuna. No encontro, o presidente Adélcio Benício dos Santos, Calixto Midlej Filho, presidente do Protocolo; o Padre Nestor Passos e todos os rotarianos tiveram ciência do grande projeto de educação.

Aos rotarianos, o frade fez um levantamento das obras empreendidas no bairro da Conceição, expressando o sentimento cristão, empenhando em concluir a obra da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, e uma escola para menores, importante devido à falta de atenção às crianças, muitos delas desviadas do bom caminho, um dos grandes problemas.

Daí é que Frei Justo batia às portas das instituições da sociedade e de pessoas reconhecidamente benfeitoras, sempre encontrando a acolhida do povo generoso de Itabuna. E ele lembrava grandes vultos do catolicismo no Brasil, a exemplo dos padres José de Anchieta e Manoel da Nobrega, jesuítas, que implantaram igrejas e importantes escolas. E Itabuna repetiria esses feitos.

Maquete do futuro Colégio São José, no bairro da Conceição
(foto Diário de Itabuna)
E o frade apresentou uma maquete aos rotarianos, mostrando o projeto de uma escola, de autoria do arquiteto João Maschesini. O colégio seria uma contribuição importante a ser dada a Itabuna e ao bairro da Conceição pelos frades Capuchinhos no Cinquentenário de Itabuna, no ano de 1960. Presente melhor não existiria, pois além da religião, promovia a cultura e a sabedoria.

E Frei Justo descreveu o projeto, com dois pavimentos, equipados com duas salas para o Jardim de Infância (Educação Infantil), seis salas para o curso Primário (hoje Fundamental I). O prédio escolar também abrigaria a Educação Profissional, uma sala para o curso de Corte e Costura e outra sala para o Curso de Datilografia, abrangendo as crianças no contraturno da sala de aula.

E para completar, uma sala para a assistência médica, e um salão destinado aos divertimentos e reuniões. Cada uma das salas levaria o nome de seus financiadores, uma homenagem dos capuchinhos à ajuda prestada pelos expoentes da sociedade. A apresentação encantou os rotarianos, que prometeram doações e ainda por cima, a mobilização da sociedade.

Só que em meados de 1961/62 as salas 1, 2 e 3 já estavam financiadas e pagas, já as salas 4, dedicada às mães e a 5, da Cruzada Eucarística e a da educação infantil ainda não estavam pagas, aguardando o cumprimento da obrigação pelos financiadores. O mesmo acontecia com as salas 6 a 15, cuja conclusão seria um forte impulso à luta travada contra o analfabetismo.

Embora as obras não tenham seguido conforme o cronograma pretendido – segundo alguns pela mudança da equipe de frades – a Escola foi inaugurada ainda em construção e batizada de São José, homenagem dos Frades Capuchinhos ao Padroeiro de Itabuna. Um avanço a ser reconhecido na história de Itabuna.



*Radialista, jornalista e advogado.

terça-feira, 28 de julho de 2026

Filhos herdam cacau sustentável e fomentam nova geração no agro baiano

Filhos herdam cacau sustentável e fomentam nova geração no agro baiano

Jovens, filhos de produtores rurais, preparam o terreno para continuar a pujança da cacauicultura


Amêndoas de cacau - Foto: Dani Hispagnol/ Divulgação

Grávida de 5 meses, Sirlane de Jesus Santos já sabe qual a maior herança que deixará para a sua filha. É a mesma que os seus pais deixaram para a jovem: a cacauicultura.

Natural de Wenceslau Guimarães, no sul da Bahia, a produtora de 27 anos conta que o sonho inicial de seus pais era de que ela saísse do campo e conseguisse outras oportunidades na cidade - um entendimento de que a roça não dariam os frutos necessários para o futuro de Sirlane.

“Essa cultura de incentivar a sair do campo é muito forte dos pais, e comigo não foi diferente”, relata a jovem.

Campo como oportunidade

Filha mais nova dos quatro filhos dos meus pais, aos 14 anos, Sirlane ingressou na escola técnica agrícola na Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves, no baixo sul da Bahia e começou a entender que o mundo de possibilidades, na verdade, estava no campo.

“Fui incentivada a cuidar do campo. O curso nos mostrou que é possível ter uma renda maior e uma maior qualidade de vida no campo. Isso me fez querer ter áreas próprias, querer crescer em minhas áreas, querer tecnificar as minhas áreas. Transformar a propriedade em uma empresa rural”, continuou Sirlane.


Sirlane de Jesus Santos, 27 anos - Foto: Divulgação | Nestlé

Apesar de Sirlane ter nascido na terra na banana, foi na produção de cacau sustentável que a sua família encontrou a oportunidade de potencializar as suas produções e renda. Além de ter orgulho da renda que consegue tirar da cacauicultura, o fruto permite incentivar a história e a cultura do produtor.

“Foi o cacau que nos criou, que nos formou e que nos permitiu estar aqui hoje. O cacau hoje para nós é muito mais importante do que só uma cultura, é a nossa herança, é a nossa história”, finaliza ela.

A propriedade da família da produtora faz o cultivo do cacau em sistema de cabruca - método agroflorestal tradicional em que os pés de cacau são plantados sob a sombra das grandes árvores nativas da Mata Atlântica. Além disso, ela investe em áreas cultivadas em pleno sol, de áreas clonadas, áreas de renovação e áreas consorciadas com banana da prata.

Além do cacau comum, Sirlane conta com a produção de outras variedades de clonados, entre elas:

·         PS1319

·         CCN51

·         BN34

·         CEPEC 2204.

·         SJ 02

Sucessão familiar e o futuro do cacau

São essas novas espécies as responsáveis por aumentar a produção durante a safra do cacau e ampliar a resistência do commoditie contra doenças e pragas. O pontapé para que a técnica agrícola ampliasse essa visão dentro do campo contou com a apoio e assistência técnica do Cocoa Plan, um programa global da Nestlé voltado para a cadeia produtiva do cacau, focado em boas práticas agrícolas, melhor qualidade de vida e cacau de qualidade.

A iniciativa permitiu que cerca de 6,5 mil produtores sustentáveis se conectassem a moageiras - indústrias responsáveis por transformar a amêndoa em derivados -, e consequentemente à Nestlé para a produção de chocolates, achocolatados e derivados do cacau. São empresas como Cargill, Barry Callebaut e Olam Food Ingredients (OFI) responsáveis por intermediar a venda e compra dos produtos.

Além disso, o programa permite a realização de outros projetos com maiores impactos socioambientais. Diversos estudantes, produtores rurais e filhos de agricultores, de 18 a 29 anos, são imersos ao "Cacauicultores do Futuro", um projeto da Nestlé junto a Ampliê, capacitando os jovens com as habilidades e o conhecimento necessários para continuar o legado de sucesso da indústria do cacau no Brasil.

“Os Cacauicultores do Futuro é um programa pensado em sucessão familiar. A nossa expectativa é incentivar esses jovens e mostrar para eles que ficar na propriedade cacau da família ou trabalhar em uma propriedade cacau é algo interessante do ponto de vista econômico, do ponto de vista social, mostrar que é possível ter tecnologia, produtividade e consequentemente, uma vida digna e rentável, sempre com sustentabilidade”, explica Igor Mota, gerente de Agricultura da Nestlé.

Na 7ª edição, os jovens passaram por capacitação na Bahia e puderam aprender sobre cultivo e cuidado com o solo, métodos de plantio e práticas sustentáveis na cacauicultura. Além disso, o projeto incentiva a continuidade da indústria do cacau principalmente para jovens e filhos do campo.

Cacaueicultores do Futuro, programa da Nestlé - Foto: Divulgação | Nestlé

Êxodo urbano na Bahia

É o que também pensa Tábito Araújo, de 18 anos. Apesar da pouca idade, o conhecimento técnico e agrícola do jovem foi um dos pontapés para que o futuro da cacauicultura continuasse na família, nascida em Ituberá, no baixo sul da Bahia.

Neto e filho de produtores rurais, o jovem se diverte em meio aos relatos com a família no campo. Como uma aula repleta de conhecimento técnico sobre a cacauicultura, ele recorda de quando seu pai não ouviu uma orientação sobre enxerto da planta para ampliar a produção e acabou tomando um prejuízo.

“Eu disse: tá vendo? Eu avisei”, riu o jovem.

A propriedade familiar de Tábito tem 6 hectares, cuja 3,8 hectares da área é própria para o cultivo do cacau. São 3.600 plantas com grande variedade de cacau enxertado e clonado. Ele hoje critica o êxodo rural, principalmente pelos jovens.

“Eu não gostava de roça. Achava que era castigo, até entrar na Casa Familiar Rural, que mudou minha visão e me mostrou que se a gente não planta, a cidade não janta. Nós jovens, temos que priorizar o estudo nessa área técnica. Então minha visão do futuro é essa: se a gente não se atentar a cuidar de nossas áreas agora, infelizmente, não vai ter um futuro certo para o cacau”, disse ele.

Ele explica ainda que, com o impulsionamento do modelo sustentável do cacau e a geração de maior valor agregado, a produção cacaueira virou o ouro do campo.

“Se os jovens não adquirirem visão de que o campo é uma empresa, que a gente tem que gerir essa empresa de forma certa, vai haver monopólios nas propriedades rurais e esses jovens se tornarão empregados do campo e não gestores. O cacau é a principal fonte de renda do baixo sul, e se nós jovens não implementarmos isso agora, daqui a 5 a 10 anos, não vai ter cacauicultor para atender as demandas da área”, explica o técnico agrícola.

Cacau: o ouro da Bahia


A Bahia é o maior produtor de cacau do país. Em 2025, o estado registrou uma produção de 119,63 mil toneladas, o equivalente a 40,4% do total nacional, com projeção de crescimento para 125,36 mil toneladas em 2026, de acordo com dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Nos últimos anos, o modelo sustentável de produção do fruto tem sido uma forte tendência de mercado impulsionada por sistemas agroflorestais, rastreabilidade e agricultura familiar. Diversas empresas e iniciativas baianas têm se debruçado a essas potências.

Cerca de 80% a 90% das propriedades produtoras pertencem a agricultores familiares ou utilizam métodos tradicionais de baixo impacto ambiental

De acordo com o agrônomo George Sodré, a cultura do cacau está cada vez mais atenta às mudanças do mercado e os desafios que vêm cercando a produção do fruto. Ele destaca o mercado internacional, como a África, que segue sendo o maior exportador de cacau através da Costa do Marfim.

O professor Titular da Universidade Estadual de Santa Cruz - Uesc/ DCAA explica ainda que o êxodo dos campos de cacau para a mineração e as doenças do cacau têm preocupado o mercado. Para ele, essa instabilidade internacional, mas também nacional, é a oportunidade para que jovens brasileiros pensem caminhos mais assertivos ao futuro do cacau.

“Jovens são muito mais fáceis de refletir porque estão num processo de conhecimento. O que fazemos não é trazer soluções, mas mostrar para eles o que é que eles vão encontrar. Hoje o maior problema da cacauicultura é a mão de obra. Nós estamos num momento de oportunidade, sempre estivemos. O cacau sempre dá oportunidades. Vamos ter preço alto, ter preço baixos, mas nós temos que ter produtividade”, explica o professor.

“O mais importante é que eles tenham orgulho de ser cacauicultores.Ter orgulho do que produz: um alimento de excelente qualidade e que é fantástico. Até há pouco tempo atrás só se fazia amêndoa, hoje se fala em mel, em geleia, em suco, em licores, quer dizer, o cacau tá avançando e quem trabalha com essa cultura tem N possibilidades”, finalizou ele. Jornal A Tarde