sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

A Cronica de Walmir Rosário

 

NOS ESCRÍNIOS DA MEMÓRIA – MAIS UMA BELA OBRA DE DURVAL

O mais novo livro do professor Durval

Por Walmir Rosário*

Um Raio X de corpo inteiro, ou uma tomografia computadorizada, para ser mais contemporâneo, foi o que achei do mais novo livro de Durval Pereira da França Filho, “Nos Escrínios da Memória”. Li e reli com bastante atenção. A primeira vez para elaborar a apresentação de mais uma consiste obra do amigo, bancário, poeta, historiador, professor e escritor canavieirense. A segunda, para estas linhas.

Falar sobre a capacidade intelectual do professor Durval é “chover no molhado”, haja vista sua farta obra deste graduado e pós-graduado em História, mestre em Cultura e Turismo pela Universidade Estadual de Santa Cruz/Universidade Federal da Bahia.  Também membro cofundador da Academia de Letras e Artes de Canavieiras (Alac).

De pronto, antes de tecer qualquer comentário sobre a obra ora em questão, me dou à permissão de ressaltar a coragem do homem e escritor Durval em autobiografar a si mesmo. Produziu um trabalho literário de alta qualidade, mais que isso: isento, perfeito, sem puxar a sardinha para sua brasa, dado o equilíbrio, desambição, sem qualquer apego ao estrelismo. Já era o esperado.

Como tive a oportunidade de ressaltar na apresentação, Nos Escrínios da Memória, “trata com fidelidade grande parte de sua vida, retratada na família, sua infância na fazenda, no outrora distrito de Jacarandá, hoje extinto como vila, mas perpetuado como história. O majestoso rio Pardo, o Caboclão e a Fazenda Córrego Verde fazem parte desta obra. E Como!”.

Com fidelidade e riqueza de detalhes, o título “Nos Escrínios da Memória” promete e entrega de forma franca a chegada da família em Canavieiras; a infância na Fazenda Córrego Verde, na burara Caboclão; a adolescência em Canavieiras, as experiências na Igreja Adventista, o ingresso no Ginásio Osmário Batista, a posse no Banco do Brasil e o despertar para a leitura.

Também conta suas experiências na juventude, a começar pela “escola” Banco do Brasil, o golpe militar de 1964, os estudos na Faculdade de Filosofia de Itabuna (Fafi). Participou da fundação do Jornal Tabu (que viveu 50 anos), seu casamento, a participação em congressos religiosos e culturais, inclusive nas comemorações do centenário do escritor Afrânio Peixoto e escreveu dois livros sobre a memória de Canavieiras.

Na maturidade não ficou quieto em seu canto e resolveu voltar aos estudos superiores na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), no curso de História, Especialização e Mestrado. Foi o primeiro secretário de Cultura de Canavieiras, escreveu livros, exerceu o magistério até o terceiro grau e é considerado o guru de centenas de jovens em Canavieiras e adjacências.

No Posfácio do livro, o professor Paulo Aguiar relembra que o professor Durval sempre esteve à frente do seu tempo e a despeito do status local sempre atento à sociedade, o que lhe permitia ver no outro, sobretudo entre os jovens mais humildes o potencial de crescimento pessoal, espiritual e intelectual. Ele mesmo se considera um desses.

Com toda a sinceridade, Nos Escrínios da Memória, o professor Durval – como insisto em nomeá-lo –, passa por um processo de lapidação como um diamante bruto, no qual um menino de roça começa a ser desbastado e a cada contorno se apresenta promissor. O garoto da roça, cabeçudo, pernas finas passa por etapas, ganha novos ângulos.

No polimento final, cintila seu texto escorreito na prosa e verso; na vida um ser resiliente, cuja capacidade de superação das adversidades se torna presente em si e na coletividade. Neste livro, o mestre, do próprio punho, conta a trajetória de uma pessoa simples, observadora, inteligente, que escolheu o modo de vida e o segue fielmente, sempre atento às possibilidades.

Na verdade, o livro nos mostra um Durval de cada época, situação, como no exemplo do diamante, lapidado por um Mestre Maior, temente a Deus, chefe de família exemplar, homem de muitos amigos, mestre de muitos discípulos. Não é sem motivos que se corresponde com amigos e intelectuais de boa parte deste mundo, sendo reverenciado pelo que é e o que produz.

Para os que o conhecem não foi nenhuma novidade ler Nos Escrínios da Memória um texto autobiográfico firme, correto, verdadeiro, sem tirar nem por e sem pieguice. É uma obra para ser lida e admirada, como o é e sempre foi o personagem de menino ao alto dos bem vividos 80 anos. Um admirador do bom futebol e botafoguense de quatro costados.

*


Radialista, jornalista e advogado.

Conheça Tatiana Sampaio, brasileira que pode ganhar Nobel

Conheça Tatiana Sampaio, brasileira que pode ganhar Nobel


Bióloga da UFRJ, Tatiana de Coekho Sampaio lidera pesquisa mundialmente promissora na regeneração da medula espinhal

A cientista brasileira Tatiana Coelho de Sampaio é uma bióloga, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) cujo trabalho inovador em biologia regenerativa e celular tem despertado atenção no Brasil e no mundo por seu potencial de transformar o tratamento de lesões da medula espinhal — e, segundo veículos nacionais, poderá até mesmo colocar um nome brasileiro na corrida por um Prêmio Nobel de Medicina.

Com formação acadêmica sólida em biologia e décadas de pesquisa dedicadas ao estudo da matriz extracelular — a rede de proteínas e moléculas que fornece suporte estrutural às células — Tatiana se especializou no papel das lamininas, proteínas fundamentais para a organização dos tecidos e a comunicação celular. Desde os anos 2000, ela coordena o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, onde orienta estudantes de diversas etapas da formação científica e lidera colaborações nacionais e internacionais.

Estudo revolucionário

O foco mais divulgado de sua pesquisa é o desenvolvimento da polilaminina, uma forma polimerizada da proteína laminina que age como um verdadeiro “andaime biológico” ao ser aplicada diretamente em áreas lesionadas da medula espinhal. Essa substância cria um ambiente favorável para que os axônios — fibras nervosas responsáveis pela transmissão de impulsos entre o cérebro e o corpo — possam reconectar-se após danos severos, um processo que até agora a medicina considerava praticamente impossível em casos de paraplegia e tetraplegia profunda.

Segundo relatos divulgados pela imprensa brasileira, 16 pacientes receberam autorização judicial para uso experimental da polilaminina, e pelo menos cinco deles apresentaram recuperação parcial de movimentos, um resultado considerado por especialistas um avanço enorme diante de décadas de pesquisa.

O trabalho de Tatiana ainda está em fases iniciais de ensaios clínicos, com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para estudos exploratórios de segurança e eficácia em humanos, passo fundamental para validar a 

tecnologia

 antes de permitir seu uso terapêutico em larga escala.

A repercussão desse avanço é grande: nas redes sociais e na mídia especializada, Tatiana tem sido apontada como uma das cientistas brasileiras com chances de ser reconhecida com um Prêmio Nobel, caso sua pesquisa se consolide e prove impacto clínico significativo para milhões de pacientes com lesões medulares no mundo — um feito que colocaria o Brasil em evidência na fronteira da medicina regenerativa.

Para além da polilaminina, a carreira de Tatiana Coelho de Sampaio é marcada por artigos científicos revisados por pares, 

participação

 em eventos acadêmicos e contribuições à compreensão dos mecanismos que regem a regeneração neural e a organização tecidual.

Felipe Sales Gomes

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

 

A PERDA DO TEMOR AO DIVINO PODE GERAR O CAOS

Antes e depois de furtada a placa - montagem nas fotos José Nazal

Por Walmir Rosário*

Recentemente recebi um zap do meu amigo José Nazal narrando o furto de uma placa da Igreja de São Jorge, em Ilhéus, paróquia que está entre as mais antigas do Brasil. Só para nos situarmos na história, ela foi criada pelo primeiro bispo do Brasil, Dom Pero Fernandes Sardinha, aquele que foi comido pelos índios em Alagoas, após o naufrágio do navio que o levava de volta a Portugal.

E conta Nazal que, quando a paróquia chegou ao seu quarto centenário, em 1956, o então bispo diocesano, Dom João Resende Costa, promoveu a realização de um Congresso Mariano para a comemoração. Para marcar a data, assentou uma placa comemorativa na parede frontal da Igreja, em 07 de outubro d 1956, até então Sé Diocesana de Ilhéus.

Pois bem, não é que às 22h05min de 07 de fevereiro último, a câmera do escritório de Geraldo Carvalho registra o furto da placa por uma pessoa de aparência drogada. Ao que tudo indica, buscava algo de valor para continuar na sua vida desregrada. “Um pobre em Cristo desajustado com a humanidade”, assim citou José Nazal, que fotografou a Igreja e a placa por diversas vezes.

Nesse mesmo período, recebi um vídeo do pároco da Igreja de Nossa Senhora de Lourdes, em Coaraci, também aqui no sul da Bahia, no qual o Padre lamentava a falsificação de bilhetes do caruru da Festa da Padroeira. Mais de 150 bilhetes foram vendidos pelos falsificadores – sem a menor cerimônia – na comunidade católica.

Visivelmente acabrunhado pela ação dos falsificadores, o padre mandou um recado para eles – os falsificadores – comentando os castigos divinos em que poderiam ser penalizados, além dos impostos pelos homens. “Quero dizer que as pessoas que tiveram a coragem de fazer isso esperem a torradeira do inferno, para que um dia sejam queimadas, por cometerem um crime inconcebível”, desabafou.

Como se esses crimes cometidos contra o respeito com a Igreja fossem poucos, em cerca de três meses a Igreja de São Judas Tadeu, em Itabuna, sofreu a ação do amigo do alheio. Mesmo equipada com câmeras de vigilância, os larápios retiraram fios da rede elétrica. Um desses furtos foi feito assim que o eletricista recuperou a rede elétrica da igreja, e sem a menor preocupação.

A cada instante somos surpreendidos por atos e fatos que nos deixam assombrados com a banalização dos costumes e até mesmo da própria vida, desvalorizada ao extremo. Os valores religiosos e morais são alvo de zombarias e vandalismo a todo o momento, como se tivéssemos sofrido um apagão em nossa memória.

Fomos acostumados a crer e respeitar a família, nossos semelhantes, e o que é considerado sagrado. Todas as divergências entre religiões eram toleradas, embora cada grupo defendesse sua crença internamente, considerando a vida em sociedade. Claro que cito exemplos de modo geral, embora as diferenças de alguns tenham chegado ao extremo, por vezes.

Cada grupo obedecia aos seus princípios, suas regras, sua ética ou convicções morais criadas ou impostas pelas autoridades dominantes. No tocante às religiões, as igrejas ou locais de reuniões sempre foram respeitados, intocáveis, mesmo por aqueles tidos como foras da lei, embora tementes a um Ser superior: Deus e os santos católicos.

Exemplos mais práticos como o que citei acima podem ser verificados nos casos de grupos armados, como os cangaceiros do Nordeste brasileiro, notadamente o liderado por Virgulino Ferreira, o Lampião. Seus atos de violência física ou os saques praticados em cada cidade se restringiam às residências e as igrejas eram preservadas por temor a Deus.

Com o tempo, esse costume vem mudando – cada vez mais rápido. No meu entender, é o embrutecimento da sociedade, provocado pela perda da sensibilidade espiritual, na mesma velocidade em que são desfeitas as famílias. Hoje o homem faz pouco caso da justiça divina, com ações egoístas, ausência do respeito ao próximo, arrogância e a falta de Deus no coração.

Esses atos de vandalismo – crimes, mesmo – são praticados sem a menor cerimônia, pois nem sempre existe o cumprimento da pena ao violador do patrimônio alheio. Na minha visão, a banalização do crime pelo Estado incentiva, ainda mais, o retorno do criminoso a agir criminosamente com mais tranquilidade, por ser considerado de menor potencial ofensivo.

Se por um lado não existe o temor do Estado contra seus atos aqui na terra, menos, ainda, o temor do juízo divino, sobretudo pelo distanciamento de Deus, levando-o ao pecado desenfreado. A falta ou desvirtuamento da família dá a sensação de que tudo é permitido, o que é corroborado pela falta da chamada punição dos homens.



*Radialista, jornalista e advogado.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

CRUZ DAS ALMAS DESBANCA PAPA-JACAS DE ITABUNA - Por Walmir Rosário

 

CRUZ DAS ALMAS DESBANCA PAPA-JACAS DE ITABUNA

Os papa-jacas de Cruz das Almas no terceiro encontro

Por Walmir Rosário*

Psicologicamente estou arrasado, abalado ou tantos sinônimos existam para classificar meu estado depressivo. E tudo começou na manhã desta segunda-feira (9), durante o café-da manhã, quando, inadvertidamente, passei a olhar o noticiário no celular. Senti uma punhalada, peixeirada, um golpe profundo no peito. Minhas vistas escureceram, fiquei sem ação por vários minutos.

Foi preciso ser chamado à atenção por minha mulher para saber o que se passava. Ainda sem me recuperar do tremendo golpe, apontei o celular pra ela e disse: “Leia, veja as fotos”. Parecia o fim do mundo. Logo no título estava estampado: ECOJACA 2026 É SUCESSO E ATRAI VISITANTES DE VÁRIAS CIDADES. A foto estampava mesas cercadas por multidões comendo jacas em fartura. Só que não em Itabuna e sim em Cruz das Almas, no dia anterior.

Há quase dois anos que me preparo para um evento deste tipo em Itabuna, cidade tida e havida como a capital da jaca, inclusive com direito a menções e referências nos livros do conterrâneo Jorge Amado. Mas a questão não parava por aí, e a rivalidade entre as cidades de Itabuna e Ilhéus, dão prova real desta hostilidade, em que se intitulam Papa-jacas e Papa-caranguejos, respectivamente.

De minha parte contribuí para manter a tradição e até escrevinhei uma crônica sobre o tema “Guerra e Paz entre papa-jacas e papa-caranguejos”, numa referência ao tema, sempre em voga entre itabunenses e ilheenses, uma tradição de mais de século. O que antes parecia uma pretensa ofensa moral se transformou em gentílico. Tempos de paz!

Afonso Dantas criou camisas para os papa-jacas de Itabuna 
O publicitário itabunense Afonso Dantas foi bastante perspicaz ao criar camisas com os temas papa-jaca e papa-caranguejo, que passei a usá-las com todo o garbo, aguardando apenas e tão somente uma oportunidade deste tipo da realizada em Cruz das Almas para exibi-las solenemente. Enquanto o evento não era programado eu apenas desfilava.

Lembro, ainda, de Pinguim e Bel, lá pras bandas do Bar de Leto, no bairro da Conceição; eu e Cláudio da Luz no Beco do Fuxico fazendo as honras da casa. Em vão. Além de exibir as camisas, por aqui me contento com as jacas moles e duras compradas nas feiras-livres, às quais me dou ao luxo de degustá-las solenemente a partir do café-da-manhã.

Admito que não esteja a chorar o leite derramado, mas me sinto acabrunhado enquanto via as fotos e lia o texto oficial ressaltando com louvor o sucesso do evento, haja vista o grande número de cruz-almenses e visitantes. Eles degustavam com a satisfação estampada nos olhos, aliada à gulodice das desejadas jacas, desde o seu estado in natura até nas receitas culinárias.

Mesas lotadas de pratos com tira-gostos dos mais diversos, doces e salgados, todos elaborados a partir da jaca. Bala, cocada, pudim, brigadeiro, trufa, sorvete, suco, pastel, coxinha, quibe, passando pelos pratos salgados e de sustança para qualquer cidadão. Pense aí no vatapá, feijoada, moqueca de camarão, todos esses pratos tendo a jaca como elemento principal, estrela.

Pelo que li, uma competição chamou a atenção de muitos participantes, que comiam jacas com bastante gulodice – como requeria a ocasião e o estômago de cada um deles – para vencer a gostosa peleja. Ainda fui informado que somente um filho de Deus comeu mais de dois quilos de jaca – sem os caroços, é claro – e ainda foi beliscar nas mesas de culinária.

Confesso minha falta de conhecimento em relação a Cruz das Almas e ao povo cruz-almense sobre esse gosto especial por jaca, mas tenho cá minhas intuições. Acredito que a popularização da jaca nesta cidade do Recôncavo tenha sido obra dos estudantes de agronomia de Itabuna e cidades circunvizinhas nos anos em que por lá permaneceram, o que se justifica.

Entretanto, não consigo compreender como o itabunense consegue perder a primazia de se consolidar como um autêntico papa-jaca, fruta abundante em nossa Mata Atlântica, embora seja uma árvore alienígena, forasteira adaptada e aclimatada entre nós. Originária da Índia, a jaqueira – Artocarpus heterophyllus – é rica em fibras, vitaminas e minerais, e versátil na culinária.

Bem que o poder público municipal e as instituições que representam o empreendedorismo de Itabuna poderiam considerar a importância da jaca na história da cidade e decidam promover evento de tal porte por essas bandas. Nada melhor para consolidar o itabunense como um autêntico Papa-jaca – de fato e de direito – e permitir a oportunidade de trajarmos nossas camisas em tão solene efeméride, recuperando nossa autoestima.


*Radialista, jornalista e advogado.

O Templário Jacques de Molay

O Templário Jacques de Molay

 


Jacques de Molay nasceu por volta de 1240, na região de Borgonha, provavelmente no pequeno senhorio de Molay. Não pertencia à alta nobreza, e isso é significativo: o Templo não elegia mestres por linhagem, mas por vida, voto e serviço.

Entrou na Ordem por volta de 1265, recebido por Humbert de Pairaud, conforme consta nas atas do processo Templário conservadas em Paris.

"O Templo não improvisou cavaleiros; formava-os durante anos antes de lhes confiar qualquer comando."

Molay lutou nos últimos anos dos Estados Cruzados, especialmente no Acre. Não foi uma testemunha distante, mas um combatente ativo no período mais difícil do Temple.

O cronista árabe Ibn Taymiyya menciona a ferocidade e disciplina dos monges-guerreiros nos últimos combates do Acre, e embora não cite Molay pelo nome, descreve exatamente o tipo de cavalheiro que foi:

“Lutaram como homens que já se sabiam mortos. ”

Após a queda do Acre em 1291, Molay evacuou com os sobreviventes para Chipre, levando consigo não apenas homens, mas arquivos, relíquias e a continuidade institucional da Ordem.

Em 1292, morto o Grão-Mestre Thibaud Gaudin, o Capítulo elegeu Jacques de Molay como Grão-Mestre do Templo.

O cronista francês Guillaume de Nangis escreve:

“Foi escolhido não por sua palavra, mas por sua constância. ”

Essa frase resume por que ele foi escolhido:

Não era diplomático brillante, não era teólogo,

Era um cavaleiro fiel à regra.

No Templo, a fidelidade antecedeu o talento.

Entre 1293 e 1306, Molay percorreu a Europa defendendo a viabilidade de uma nova cruzada. Até apresentou planos logísticos ao Papa Bonifácio VIII e depois Clemente V.

Em um memorial atribuído ao próprio Molay (conservado parcialmente), lê-se:

“Não se pode recuperar Jerusalém com príncipes divididos e promessas vazias. ”

Aqui Molay demonstra visão estratégica, mas também realismo. Eu sabia que o verdadeiro inimigo não estava só no Oriente, mas na desunião da Cristandade.

A proposta de fundir o Templo com os Hospitalares foi impulsionada a partir da Cúria e apoiada por Felipe IV da França.

Molay opôs-se claramente. Na sua declaração perante a comissão pontifícia afirmou:

“O Templo tem sua regra, seu voto e sua missão. Ninguém pode desfazê-los sem quebrar o juramento. ”

Isto não era orgulho institucional:

O Templo era militar e financeiro enquanto o hospital era hospitaleiro e assistencial.

A fusão teria destruído ambos os espíritos.

Filipe IV devia enormes somas ao Templo. Além disso, ambicionava controlar toda a autoridade dentro da França.

O cronista Geoffroi de Paris expressa sem rodeios:

“O rei desejava o ouro mais do que a verdade. ”

Na sexta-feira, 13 de outubro de 1307, Molay foi preso juntamente com centenas de irmãos. Não houve julgamento prévio, nem direitos de defesa.

Sob tortura, Molay confessou o que seus carrascos exigiam. Mas mais tarde, perante cardeais e notários, retirou solenemente:

“Confessei pela dor, não pela verdade. ”

Esta frase aparece repetida em várias atas do processo.

O Templo distinguia entre culpa moral e quebrada física.

De 1307 a 1314, Molay permaneceu preso. Viu como o Papa Clemente V, pressionado, dissolvia a Ordem em 1312 “não por heresia comprovada, mas por prudência”.

Esta frase papal é demolidora.

Em 18 de março de 1314, Molay foi levado a Notre Dame. Ao ouvir sua sentença de prisão perpétua, deu um passo em frente e proclamou:

“O Templo é puro, e eu morro inocente. ”

O cronista florentino Giovanni Villani escreveu:

“Morreu como um justo, e o povo acreditou. ”

Ele foi queimado vivo nessa mesma tarde, junto com Geoffroy de Charnay.

Jacques de Molay ensina três lições eternas:

Obediência não é servilismo: nunca obedeceu a uma ordem injusta.

Fidelidade não garante vitória, mas sim honra.

O Templo não foi destruído por heresia, mas por poder.

E é por isso que a sua figura não pertence ao passado, mas à formação interior de todos os Templários.

“Você pode perder tudo menos o voto. ”

FR José Manuel Sánchez.

- Preceptor Nacional.

- Mestre de Cerimônias do Priorado da Andaluzia.

Chanceler de caridade delegação da Andaluzia ONG Templários do Mundo.

Chanceler da Encomenda de Sevilha.

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Assim Tina Turner venceu

Assim Tina Turner venceu


No dia 1º de julho de 1976, Tina Turner esperou que o marido, Ike Turner, adormecesse no quarto de hotel em Dallas. O rosto estava inchado. O corpo, marcado por mais uma agressão. A alma exausta — mas ainda viva.

No bolso, havia apenas 36 centavos e um cartão de gasolina da Mobil. Nada mais. Nenhum plano. Nenhuma rede de apoio. Apenas a decisão que mudaria tudo.
Saiu em silêncio do Statler Hilton. Não chamou um táxi. Não pediu ajuda. Não havia ninguém para quem ligar.
Ela correu.
Correu pela autoestrada 30, no escuro, desviando do trânsito, quase sendo atingida por um caminhão. Cada passo era instinto puro. Não era fuga — era sobrevivência. Do outro lado da estrada, o Ramada Inn.
O gerente reconheceu-a imediatamente, mesmo ferida, mesmo sem glamour. Deu-lhe um quarto no 11º andar e colocou um guarda à porta.
Durante três dias, Tina permaneceu escondida ali. Machucada demais para comer direito. Deixando o corpo começar, lentamente, a cicatrizar.
Poucas semanas depois, pediu o divórcio. Quando lhe perguntaram o que queria após 16 anos de casamento, a resposta silenciou a sala:
não queria casa, nem dinheiro, nem direitos autorais.
Queria apenas o nome.
Tina Turner.
Um nome criado para controlá-la — e agora a única coisa que ela levaria para reconstruir a própria vida.
Saiu com dívidas, um embargo fiscal do IRS e uma indústria convencida de que estava acabada. Tinha quase 40 anos, era uma mulher negra em um mercado obcecado pela juventude e não possuía direitos sobre grande parte da música que ajudou a criar. As probabilidades eram brutais.
Mas Tina recusou-se a desaparecer.
Aproximou-se do budismo de Nichiren, cantando diariamente para encontrar forças. Aceitou todo trabalho possível: programas de auditório, salões de hotel, feiras do interior, eventos corporativos. Limpou casas entre apresentações. Enquanto o mundo a chamava de “passado”, ela se reconstruía em silêncio, peça por peça.
Então veio 1984.
Aos 44 anos, lançou Private Dancer. E tudo mudou. O álbum vendeu mais de 12 milhões de cópias. What’s Love Got to Do with It chegou ao primeiro lugar das paradas — seu primeiro grande sucesso solo. Vieram três prêmios Grammy, o Live Aid, Mad Max: Beyond Thunderdome. O mundo, finalmente, viu quem ela sempre foi.
Sua segunda vida artística durou décadas. Turnês históricas. Estádios lotados. Doze Grammys no total. Mais de 100 milhões de discos vendidos. Uma carreira reconstruída nos próprios termos.
E o amor também a encontrou. Erwin Bach conheceu Tina em um aeroporto em 1986 e nunca mais saiu de sua vida. Quando os rins dela falharam, ele não hesitou: ofereceu um dos seus. Em 2017, cumpriu a promessa e salvou-lhe a vida.
Em 24 de maio de 2023, Tina Turner faleceu em paz, na Suíça, aos 83 anos, com Erwin ao seu lado.
Ela deixou mais do que música.
Deixou uma prova.
Nunca é tarde para recuperar a própria vida.
É possível recomeçar aos 40. Aos 50. Em qualquer idade.
Às vezes, tudo o que você precisa é atravessar a estrada.
Trinta e seis centavos.
Um cartão de gasolina.
E uma vontade inquebrável.
É assim que as lendas são forjadas.
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