QUANDO VOCÊ MORRER
Quando você morrer, não se preocupe com seu corpo... seus parentes, farão o que for preciso de acordo com suas chances.
A Álcool - Academia de Letras, Cachaças, Onirismo, Outras inutilidades e Lorotas não tem cadeiras, a não ser cadeiras de bar. E nem tem patrono, apenas um Presidente de Honra, a catedrática e apreciadora a decana Heloisa "Longuinha" Alves, que substitui o decano João de Amâncio, que se tornou um imortalicio, democraticamente escolhido pela prerrogativa ditatorial de quem inventou esse troço.
QUANDO VOCÊ MORRER
O GÉNIO ESTRATÉGICO DE
DONALD TRUMP...CONSEGUIU TRANSFORMAR UMA PASSAGEM LIVRE...NUMA PORTAGEM DE 100
MIL MILHÕES DE DÓLARES
"Foi preciso muita
coragem. Durante décadas, apesar de todas as crises no Golfo, o Estreito de
Ormuz permaneceu uma via navegável internacional onde os navios podiam passar
sem terem de pagar portagens ao Irão ou ao Omã. Depois veio a diplomacia ao
estilo de Donald Trump: muitas ameaças, muitas bombas, muitas declarações
triunfantes… e, se os relatos forem verdadeiros, um resultado absolutamente
notável: oferecer ao Irão uma nova fonte de rendimentos inesperada.
De acordo com estes
relatos, Teerão e Mascate estão a preparar um acordo que estabelece taxas de
trânsito para todos os navios que passam pelo Estreito de Ormuz. O Irão arrecadaria
5% do valor da carga e o Omã 2%, totalizando 7%. Os navios chineses e russos,
por sua vez, seriam isentos, enquanto o resto do mundo suportaria os custos
desta nova portagem.
Portanto, aí está: o
“acordo” do séc. Antes da escalada militar dos EUA, a passagem era livre. Após
os ataques, pode tornar-se uma das rotas marítimas mais rentáveis do mundo. Foi
necessário um talento excepcional
para transformar uma via navegável aberta num fundo comum
que alimenta o Irão… com a bênção involuntária de Washington.
A parte mais irónica é que
os Estados Unidos afirmavam querer estrangular economicamente Teerão. Se este
mecanismo de portagens entrasse em vigor, o resultado seria exactamente o
oposto: até 100 mil milhões de dólares em receitas anuais potenciais para o
tesouro iraniano, simplesmente porque praticamente todo o comércio global de
energia não tem uma alternativa viável ao Estreito de Ormuz.
Enquanto isso, a China e a
Rússia observam o espetáculo com um sorriso. Isentas destas taxas de trânsito,
segundo os mesmos relatos, Pequim e Moscovo continuariam a garantir os seus
abastecimentos enquanto os aliados ocidentais suportam os custos. Um feito
geopolítico que quase merece um troféu.
Toda esta sequência
exemplifica uma política externa baseada em demonstrações de força: prometer
enfraquecer o adversário, encenar repetidas demonstrações de força… apenas para
descobrir que as consequências económicas, na verdade, beneficiam precisamente
aquele que se procurava subjugar."
(B.Partisans)
Mais uma vez, os nossos
parabéns a Donald Trump. É raro um líder conseguir transformar um estreito
livre num sistema de taxas de trânsito capaz de enriquecer o seu principal
adversário a longo prazo. Foi necessário um verdadeiro virtuoso da geopolítica
improvisada para realizar tal feito.
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| Frei Justo (em pé), Padre Nestor Passos (E) e o presidente do Rotary, Adélcio Benício (C), debatem a educação dos jovens (foto Diário de Itabuna) |
Por Walmir Rosário*
Na década de 1950 a educação em Itabuna passava por avanços, embora as instituições de ensino implantadas ainda não eram capazes de atender toda a demanda existente. Nos bairros, então, as dificuldades eram ainda maiores, pois as poucas escolas e colégios pertenciam aos particulares, às entidades católicas e pouquíssimas dos governos estadual e municipal.
O único recurso – embora dispendioso – para o público em geral era matricular seus filhos nas escolas particulares, desde o estudo do ABC e Cartilha e as séries do primário. No ginásio, pouquíssimas vagas – pagas –, e as famílias que tinham boa condição financeira enviavam seus filhos para estudar em Ilhéus.
No bairro da Conceição foi inaugurado o Colégio Estadual General Osório para o atendimento ao primário, e a Prefeitura mantinha duas salas de aula para o ensino das primeiras letras (ABC e Cartilha). O restante da criançada ingressava nas escolas particulares, pagando um preço módico, nem sempre disponível à maioria das famílias.
Com a chegada dos frades Capuchinhos, em 1958, além da construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, os religiosos projetaram a construção de um colégio. Com isso, retirava uma parcela da juventude das ruas, integrando-os à educação formal e a informal, esta religiosa, o famoso catecismo, com a Cruzada Eucarística, os coroinhas, e futuros seminaristas.
Um destaque nesse trabalho foi a professora Maria Zélia Couto, soteropolitana, rígida na sala de aula do Colégio General Osório e nas aulas de catecismo, o que lhe imprimia status importante junto às famílias. Maria Zélia não era uma simples professora da educação formal e católica, e sim uma formadora de caráter aos católicos praticantes.
Para os capuchinhos, a educação e a religião tinham que andar de mãos dadas na formação dos jovens, até porque além do caráter, a liturgia católica dependia da compreensão do Latim, principalmente nas missas. É que elas eram celebradas por meio da última flor do Lácio, como dizia o poeta Olavo Bilac, no soneto Língua Portuguesa.
Com a Igreja de Nossa Senhora da Conceição quase pronta, o projeto da Escola entrou na ordem do dia. Em 23 de setembro de 1958 Frei Justo foi convidado para uma reunião do Rotary Club de Itabuna. No encontro, o presidente Adélcio Benício dos Santos, Calixto Midlej Filho, presidente do Protocolo; o Padre Nestor Passos e todos os rotarianos tiveram ciência do grande projeto de educação.
Aos rotarianos, o frade fez um levantamento das obras empreendidas no bairro da Conceição, expressando o sentimento cristão, empenhando em concluir a obra da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, e uma escola para menores, importante devido à falta de atenção às crianças, muitos delas desviadas do bom caminho, um dos grandes problemas.
Daí é que Frei Justo batia às portas das instituições da sociedade e de pessoas reconhecidamente benfeitoras, sempre encontrando a acolhida do povo generoso de Itabuna. E ele lembrava grandes vultos do catolicismo no Brasil, a exemplo dos padres José de Anchieta e Manoel da Nobrega, jesuítas, que implantaram igrejas e importantes escolas. E Itabuna repetiria esses feitos.
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| Maquete do futuro Colégio São José, no bairro da Conceição (foto Diário de Itabuna) |
E Frei Justo descreveu o projeto, com dois pavimentos, equipados com duas salas para o Jardim de Infância (Educação Infantil), seis salas para o curso Primário (hoje Fundamental I). O prédio escolar também abrigaria a Educação Profissional, uma sala para o curso de Corte e Costura e outra sala para o Curso de Datilografia, abrangendo as crianças no contraturno da sala de aula.
E para completar, uma sala para a assistência médica, e um salão destinado aos divertimentos e reuniões. Cada uma das salas levaria o nome de seus financiadores, uma homenagem dos capuchinhos à ajuda prestada pelos expoentes da sociedade. A apresentação encantou os rotarianos, que prometeram doações e ainda por cima, a mobilização da sociedade.
Só que em meados de 1961/62 as salas 1, 2 e 3 já estavam financiadas e pagas, já as salas 4, dedicada às mães e a 5, da Cruzada Eucarística e a da educação infantil ainda não estavam pagas, aguardando o cumprimento da obrigação pelos financiadores. O mesmo acontecia com as salas 6 a 15, cuja conclusão seria um forte impulso à luta travada contra o analfabetismo.
Embora as obras não tenham seguido conforme o cronograma pretendido – segundo alguns pela mudança da equipe de frades – a Escola foi inaugurada ainda em construção e batizada de São José, homenagem dos Frades Capuchinhos ao Padroeiro de Itabuna. Um avanço a ser reconhecido na história de Itabuna.
Filhos herdam cacau sustentável e fomentam nova geração no agro baiano
Jovens, filhos de produtores rurais,
preparam o terreno para continuar a pujança da cacauicultura
Grávida
de 5 meses, Sirlane de Jesus Santos já sabe qual a maior herança que deixará
para a sua filha. É a mesma que os seus pais deixaram para a jovem: a cacauicultura.
Natural de Wenceslau Guimarães, no sul da Bahia, a produtora de 27 anos
conta que o sonho inicial de seus pais era de que ela saísse do campo e
conseguisse outras oportunidades na cidade - um entendimento de que a roça não
dariam os frutos necessários para o futuro de Sirlane.
“Essa cultura de incentivar a sair do campo é muito forte dos pais, e
comigo não foi diferente”, relata a jovem.
Campo como
oportunidade
Filha
mais nova dos quatro filhos dos meus pais, aos 14 anos, Sirlane ingressou na
escola técnica agrícola na Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves,
no baixo sul da
Bahia e começou a entender que o mundo de possibilidades, na
verdade, estava no campo.
“Fui incentivada a cuidar do campo. O curso nos mostrou que é possível
ter uma renda maior e uma maior qualidade de vida no campo. Isso me fez querer
ter áreas próprias, querer crescer em minhas áreas, querer tecnificar as minhas
áreas. Transformar a propriedade em uma empresa rural”, continuou Sirlane.
Apesar
de Sirlane ter nascido na terra na banana, foi na produção de cacau
sustentável que a sua família encontrou a oportunidade de
potencializar as suas produções e renda. Além de ter orgulho da renda que
consegue tirar da cacauicultura,
o fruto permite incentivar a história e a cultura do produtor.
“Foi o cacau que nos criou, que nos formou e que nos permitiu estar aqui
hoje. O cacau hoje para nós é muito mais importante do que só uma cultura, é a
nossa herança, é a nossa história”, finaliza ela.
A propriedade da família da produtora faz o cultivo do cacau em sistema de
cabruca - método agroflorestal tradicional em que os pés de
cacau são plantados sob a sombra das grandes árvores nativas da Mata Atlântica.
Além disso, ela investe em áreas cultivadas em pleno sol, de áreas clonadas,
áreas de renovação e áreas consorciadas com banana da prata.
Além do cacau comum, Sirlane conta com a produção de outras variedades
de clonados, entre elas:
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PS1319
·
CCN51
·
BN34
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CEPEC 2204.
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SJ 02
Sucessão
familiar e o futuro do cacau
São essas novas espécies as responsáveis por aumentar a produção durante
a safra do cacau e ampliar a resistência do
commoditie contra doenças e pragas. O
pontapé para que a técnica agrícola ampliasse essa visão dentro do campo contou
com a apoio e assistência técnica do Cocoa Plan, um programa global da Nestlé
voltado para a cadeia produtiva do cacau, focado em boas práticas agrícolas,
melhor qualidade de vida e cacau de qualidade.
A iniciativa permitiu que cerca de 6,5 mil produtores sustentáveis se conectassem a moageiras - indústrias responsáveis por transformar a amêndoa em derivados -, e consequentemente à Nestlé para a produção de chocolates, achocolatados e derivados do cacau. São empresas como Cargill, Barry Callebaut e Olam Food Ingredients (OFI) responsáveis por intermediar a venda e compra dos produtos.
Além
disso, o programa permite a realização de outros projetos com maiores impactos
socioambientais. Diversos estudantes, produtores rurais e filhos de
agricultores, de 18 a 29 anos, são imersos ao "Cacauicultores do
Futuro", um projeto da Nestlé junto a Ampliê, capacitando os jovens
com as habilidades e o conhecimento necessários para continuar o legado de
sucesso da indústria do cacau no Brasil.
“Os Cacauicultores do Futuro é um programa pensado em sucessão familiar. A nossa expectativa é incentivar esses jovens e mostrar para eles que ficar na propriedade cacau da família ou trabalhar em uma propriedade cacau é algo interessante do ponto de vista econômico, do ponto de vista social, mostrar que é possível ter tecnologia, produtividade e consequentemente, uma vida digna e rentável, sempre com sustentabilidade”, explica Igor Mota, gerente de Agricultura da Nestlé.
Na
7ª edição, os jovens passaram por capacitação na Bahia e puderam aprender sobre
cultivo e cuidado com o solo, métodos de plantio e práticas sustentáveis na
cacauicultura. Além disso, o projeto incentiva a continuidade da indústria do
cacau principalmente para jovens e filhos do campo.
Cacaueicultores
do Futuro, programa da Nestlé - Foto: Divulgação | Nestlé
Êxodo urbano na
Bahia
É o que também pensa Tábito Araújo, de 18 anos. Apesar da pouca idade, o
conhecimento técnico e agrícola do jovem foi um dos pontapés para que o futuro
da cacauicultura continuasse na família, nascida
em Ituberá, no baixo
sul da Bahia.
Neto e filho de produtores rurais, o jovem se diverte em meio aos
relatos com a família no campo. Como uma aula repleta de conhecimento técnico
sobre a cacauicultura, ele recorda de quando seu pai não ouviu uma orientação
sobre enxerto da planta para ampliar a produção e acabou tomando um prejuízo.
“Eu disse: tá vendo? Eu avisei”, riu o jovem.
A propriedade familiar de Tábito tem 6 hectares, cuja 3,8 hectares da
área é própria para o cultivo do cacau. São 3.600 plantas com grande variedade
de cacau enxertado e clonado. Ele hoje critica o êxodo rural,
principalmente pelos jovens.
“Eu não gostava de roça. Achava que era castigo, até entrar na Casa Familiar Rural, que mudou minha visão e me mostrou que se a gente não planta, a cidade não janta. Nós jovens, temos que priorizar o estudo nessa área técnica. Então minha visão do futuro é essa: se a gente não se atentar a cuidar de nossas áreas agora, infelizmente, não vai ter um futuro certo para o cacau”, disse ele.
Ele
explica ainda que, com o impulsionamento do modelo sustentável do cacau e a
geração de maior valor agregado, a produção cacaueira virou o ouro do campo.
“Se os jovens não adquirirem visão de que o campo é uma empresa, que a
gente tem que gerir essa empresa de forma certa, vai haver monopólios nas
propriedades rurais e esses jovens se tornarão empregados do campo e não
gestores. O cacau é a principal fonte de renda do baixo sul, e se nós jovens
não implementarmos isso agora, daqui a 5 a 10 anos, não vai ter cacauicultor
para atender as demandas da área”, explica o técnico agrícola.
Cacau: o ouro
da Bahia
Nos últimos anos, o modelo sustentável de produção do fruto tem sido uma
forte tendência de mercado impulsionada
por sistemas agroflorestais, rastreabilidade e agricultura familiar. Diversas
empresas e iniciativas baianas têm se debruçado a essas potências.
Cerca de 80% a 90% das propriedades produtoras pertencem a agricultores
familiares ou utilizam métodos tradicionais de baixo impacto ambiental
De acordo com o agrônomo George Sodré, a cultura do cacau está cada vez mais atenta às mudanças do mercado e os desafios que vêm cercando a produção do fruto. Ele destaca o mercado internacional, como a África, que segue sendo o maior exportador de cacau através da Costa do Marfim.
O
professor Titular da Universidade Estadual de Santa Cruz - Uesc/ DCAA explica
ainda que o êxodo dos campos de cacau para a mineração e as doenças do cacau
têm preocupado o mercado. Para ele, essa instabilidade
internacional, mas também nacional, é a oportunidade para que jovens
brasileiros pensem caminhos mais assertivos ao futuro do cacau.
“Jovens são muito mais fáceis de refletir porque estão num processo de
conhecimento. O que fazemos não é trazer soluções, mas mostrar para eles o que
é que eles vão encontrar. Hoje o maior problema da cacauicultura é a mão de
obra. Nós estamos num momento de oportunidade, sempre estivemos. O cacau sempre
dá oportunidades. Vamos ter preço alto, ter preço baixos, mas nós temos que ter
produtividade”, explica o professor.
“O mais importante é que eles tenham orgulho de ser cacauicultores.Ter
orgulho do que produz: um alimento de excelente qualidade e que é fantástico.
Até há pouco tempo atrás só se fazia amêndoa, hoje se fala em mel, em geleia,
em suco, em licores, quer dizer, o cacau tá avançando e quem trabalha com essa
cultura tem N possibilidades”, finalizou ele. Jornal A Tarde
A fome em Cuba virou moeda eleitoral
O plano macabro de Trump e Rubio
Por LEANDRO DEMORI
JUL 20
Fui a Cuba em dezembro e a coisa já estava horrível. Não tinha
gasolina e nem óleo, o que significa não ter luz elétrica, porque boa parte da
geração de energia da ilha vem de termelétricas, que dependem de óleo
importado. Havia também um problema enorme no fornecimento de água: as estações
de bombeamento estavam paradas, sem luz O governo cubano vinha fazendo um
rodízio: a parte oriental ficava um dia com luz, depois outra região, depois
Havana, depois o centro, num revezamento de apagões pela ilha ao longo da
semana, resultado direto de um estrangulamento que se intensificou nos últimos
meses vindos dos Estados Unidos.
Parece estranho e sádico imaginar que a superpotência do Norte
perca tempo com uma ilha no caribe enquanto suas bases são arrasadas nas cercanias
do Irã. Demorou pouco para que me explicassem a estratégia. Enquanto eu estava
vivendo o caos de perto, do outro lado, em Washington, Marco Rubio vinha
tratando Cuba como prioridade pessoal.
A escala do aperto ajuda a explicar o blecaute que vi: desde
janeiro de 2026, o governo Trump aplicou mais de 240 sanções contra o regime
cubano, interceptou pelo menos sete navios-tanque com destino à ilha (um deles,
russo, chegou a ficar parado no mar, mas foi embora) e reduziu as importações
de energia de Cuba em algo entre 80% e 90%. Em maio, Rubio anunciou sanções
específicas contra a GAESA, o conglomerado empresarial controlado pelas Forças
Armadas cubanas, que ele descreveu como “o coração do sistema cleptocrático
comunista” e que responde por pelo menos 40% da economia da ilha. Não é
coincidência que a luz tenha faltado justamente onde eu estava: é a
consequência prática de cortar o combustível que alimenta as termelétricas de
um país que já não tinha margem nenhuma.
A lógica declarada da Casa Branca segue a Lei Helms-Burton, de
1996, que Rubio invoca como mandato legal, e não escolha política: o embargo só
é suspenso com “mudança de regime”, como ele chama o governo. Ele mesmo disse
que os EUA “adorariam ver uma mudança” em Cuba, mas que isso “não significa que
vamos provocá-la diretamente” — ou seja, o objetivo é fazer o sistema quebrar
por dentro, por fome e apagão, quem sabe com revolta de uma população
desesperada, sem precisar de uma intervenção direta que teria custo político
imprevisível.
E é aqui que entra a alavanca eleitoral. Isso é peça central
de um jogo maior, jogado de olho nas eleições de meio de mandato de novembro de
2026. A comunidade cubano-americana no sul da Flórida é um dos blocos
eleitorais mais valiosos do Partido Republicano, e mostrar resultado contra
Havana antes de novembro é uma forma de manter essa base mobilizada e o estado
sob controle republicano. A conexão entre política externa e cálculo doméstico
não é sutil: Rubio, filho de imigrantes cubanos, transformou a pasta de Cuba em
vitrine, e o discurso público mistura punição ao regime com promessa de “uma
nova relação” com o povo cubano — sempre em tom de campanha.
Só que essa alavanca tem um efeito colateral que pode se
voltar contra quem a puxou. Uma pesquisa recente mostrou que 68% dos cubanos e
cubano-americanos consultados no sul da Flórida desaprovam, total ou
parcialmente, as deportações de cubanos sem documentos e sem antecedentes
criminais promovidas pelo governo Trump. Isso ameaça diretamente cadeiras como
a da deputada Maria Elvira Salazar, hoje sob forte desafio. Ou seja: o mesmo
eleitorado que aplaude sanção à Cuba também tem parentes sendo deportados, sem
cometerem crime algum, e a conta dessa contradição chega exatamente no ano em
que o voto cubano-americano deveria estar garantido para os republicanos.
O que eu vi em dezembro — uma ilha sem óleo, sem luz,
revezando blecaute entre regiões — não é um acidente da economia cubana. É o
resultado visível de uma política desenhada em Washington para produzir colapso
como prova de eficácia diante de um eleitorado específico, na Flórida, antes de
uma eleição específica, em novembro.
A tragédia humanitária cubana (inclusive com fome forçada)
virou, mais uma vez, matéria-prima de campanha americana.