A Álcool - Academia de Letras, Cachaças, Onirismo, Outras inutilidades e Lorotas não tem cadeiras, a não ser cadeiras de bar. E nem tem patrono, apenas um Presidente de Honra, a catedrática e apreciadora a decana Heloisa "Longuinha" Alves, que substitui o decano João de Amâncio, que se tornou um imortalicio, democraticamente escolhido pela prerrogativa ditatorial de quem inventou esse troço.
sexta-feira, 15 de maio de 2026
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Chegamos a 1.000.018 de acessos - É festa!
alhos & bugalhos
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Gratidão,
Cláudio Luz – o Poeta de Pirangi
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domingo, 3 de maio de 2026
ÉTICA – DO PÚBLICO AO PRIVADO - Por: José Augusto Ferreira Filho
ÉTICA – DO PÚBLICO AO PRIVADO
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| José Augusto Ferreira Filho (IA) |
José Augusto Ferreira Filho*
02 de maio amanhece chuvoso no sul da Bahia – um sábado de feriado prolongado, como outros tantos que esse ano de 2026 nos reserva. Ruas mais vazias, repartições públicas fechadas, o silêncio ocupando o lugar da pressa habitual. O Brasil, por um instante, parece suspenso: sem filas, sem carimbos, sem balcões entre o cidadão e o Estado. E, ainda assim, é justamente hoje o Dia da Ética.
À primeira vista, poderia parecer uma ironia. Celebrar a ética num dia em que o serviço público descansa, logo este que é sempre o mais cobrado dentre todas atividades, como se ela dependesse apenas do expediente aberto. Mas talvez haja, nisso, uma oportunidade rara: pensar a ética fora da rotina, sem o ruído das urgências, sem o automatismo dos protocolos. Porque a ética não mora no prédio da repartição — ela habita quem, na segunda-feira, voltará a ocupá-lo.
Os servidores públicos, ausentes hoje de seus postos, não deixam de ser o que são. Carregam consigo — para casa, para o convívio familiar, para o descanso merecido — os mesmos valores que sustentam seu ofício. É no cotidiano invisível, longe dos olhos do público, que se forma o caráter que, depois, se manifesta no atendimento, na decisão, na responsabilidade com o bem comum.
Os servidores públicos, em sua imensa maioria, sustentam o cotidiano do Estado com dignidade silenciosa. São eles que garantem que a escola abra, que o hospital funcione, que o documento seja emitido. São a face concreta do compromisso com o bem comum. Mas também vivem sob a sombra de um sistema que, por vezes, cobra mais do que oferece — e que, não raramente, falha em reconhecer o valor da integridade cotidiana.
E, acima deles, ou melhor, à frente das decisões que orientam o país, estão os agentes políticos. Também em pausa, ao menos formalmente. Mas a ética que lhes cabe não conhece feriado. Não se interrompe com o fechar das portas nem com o apagar das luzes dos gabinetes. Ela os acompanha — ou deveria acompanhar — em cada escolha, em cada articulação, em cada pensamento sobre o uso do poder que lhes foi confiado.
O Brasil contemporâneo, mesmo num sábado silencioso, não se desliga de suas contradições. Elas persistem, latentes, esperando a retomada da semana para voltarem à superfície. Entre leis que apontam caminhos e práticas que insistem em atalhos, a ética continua sendo mais exigida do que exercida — mais lembrada em datas do que vivida na constância.
Mas talvez seja justamente neste intervalo, neste respiro coletivo, que se possa enxergar com mais clareza o que realmente importa. Sem a distração da rotina, resta a consciência. E nela, uma pergunta simples e incômoda: que tipo de serviço público queremos quando as portas se abrirem novamente? Que postura esperamos de quem nos representa?
Porque, mesmo no silêncio de um sábado prolongado, o Brasil continua sendo construído — ou negligenciado — pelas escolhas de cada um. E a ética, ainda que hoje não esteja de plantão, segue sendo chamada para o serviço que nunca deveria parar.
O Brasil contemporâneo conhece bem essa tensão. Entre leis bem escritas e práticas tortuosas, entre discursos moralizantes e condutas contraditórias, a ética muitas vezes parece um ornamento — algo que se veste em ocasiões solenes e se abandona na rotina do poder. E, no entanto, é na rotina que ela mais importa. Não nas grandes declarações, mas nas pequenas decisões repetidas todos os dias.
Há quem diga que o problema é cultural, como se fosse destino. Mas cultura não é sentença; é construção. E toda construção começa com escolhas. A escolha de não favorecer o próximo em detrimento do justo. A escolha de não usar o cargo como escada pessoal. A escolha de lembrar que o poder é transitório, mas suas consequências, não.
Porque, no fim das contas, a ética não transforma o Brasil de uma vez. Mas, sem ela, o Brasil não se transforma nunca.
*Procurador Municipal - Servidor Público
domingo, 26 de abril de 2026
A expressão Carpe Diem,
A expressão Carpe Diem,
Originária de um poema de
Horácio, é comumente traduzida como “colha o dia” ou “aproveite o momento”. No
entanto, seu significado vai além de um simples incentivo a viver intensamente,
sendo muitas vezes usada para justificar a busca pelo prazer imediato e a
negligência das consequências futuras.
A origem da frase está
relacionada a um período de decadência do Império Romano, quando as incertezas
sobre o futuro eram palpáveis. Horácio, ao escrever seus versos, refletia sobre
a instabilidade e a possibilidade de que cada dia pudesse ser o último. A
frase, portanto, não era apenas uma expressão de aproveitar a vida, mas uma
resposta ao desespero gerado pela destruição de um grande império, que estava à
beira do colapso.
Com o tempo, a ideia de
Carpe Diem evoluiu para um conceito mais otimista, associado ao incentivo de
viver plenamente o presente. No entanto, ao entender seu contexto histórico,
podemos perceber que ela também carrega consigo uma reflexão sobre a
fragilidade da vida e o fim de uma era de estabilidade, que levou à necessidade
de buscar prazer no imediato, diante da incerteza do amanhã.
No filme “A Sociedade dos
Poetas Mortos”, o personagem de Robin Williams, Professor Keating, utiliza-a
assim:
“Mas se você escutar bem
de perto, você pode ouvi-los sussurrar o seu legado. Vá em frente, abaixe-se.
Escute, está ouvindo? – Carpe – ouve? – Carpe, carpe diem, colham o dia
garotos, tornem extraordinárias as suas vidas.”
O poema relacionado à
ideia de Carpe Diem, de autoria de Walt Whitman, utilizado como mote no filme:
Aproveita o dia (Walt
Whitman)
Aproveita o dia,
Não deixes que termine sem
teres crescido um pouco.
Sem teres sido feliz, sem
teres alimentado teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo
desalento.
Não permitas que alguém te
negue o direito de expressar-te, que é quase um dever.
Não abandones tua ânsia de
fazer de tua vida algo extraordinário.
Não deixes de crer que as
palavras e as poesias sim podem mudar o mundo.
Porque passe o que passar,
nossa essência continuará intacta.
Somos seres humanos cheios
de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Nos derruba, nos lastima,
nos ensina, nos converte em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra
a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe.
Não deixes nunca de
sonhar, porque só nos sonhos pode ser livre o homem.
Não caias no pior dos
erros: o silêncio.
A maioria vive num
silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas.
Valorize a beleza das
coisas simples, se pode fazer poesia bela, sobre as pequenas coisas.
Não atraiçoes tuas
crenças.
Todos necessitamos de
aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos.
Isso transforma a vida em
um inferno.
Desfruta o pânico que
provoca ter a vida toda a diante.
Procures vivê-la
intensamente sem mediocridades.
Pensa que em ti está o
futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo.
Aprendes com quem pode
ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam.
Não permitas que a vida se
passe sem teres vivido…
Walter Whitman (1819 –
1892) foi um jornalista, ensaísta e poeta americano considerado o “pai do verso
livre” e o grande poeta da revolução americana.
sábado, 25 de abril de 2026
A Cronica de Walmir Rosário
NEM SEMPRE A HISTÓRIA SE REPETE EM FORMA DE FARSA
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| Muro erguido para proteger a privacidade de residência |
Por Walmir Rosário*
Caso ainda vivo estivesse o ex-governador da Bahia, Octávio Mangabeira (1947-1951) estaria a dar boas gargalhadas com o reconhecimento de uma de suas frases, talvez a mais famosa delas e que o tornou notável (não só por isso), mas que sempre é lembrado quando a reconhecemos em voga: “Pense num absurdo, na Bahia tem precedente”.
E Octávio Mangabeira não era um político qualquer, daqueles que ficam famosos pelo besteirol proferido numa frase infeliz. Era um político de respeito, com um currículo de fazer inveja: engenheiro civil, jornalista, professor, diplomata (ministro das Relações Exteriores), orador e ensaísta. Como político foi Membro do Conselho Municipal de Salvador, deputado federal e senador.
Voltando ao assunto desta crônica, depois de 25 anos um fato ocorrido na cidade mineira de Passos, finalmente, ganhou o noticiário internacional, embora poucas pessoas tenham conhecimento da relação que teria com o precedente baiano. Mas garanto que tem, pois me considero bem informado no tema, apesar dos 25 anos que distancia um do outro, o mais velho em Salvador, que não causou esse bochicho todo.
De pronto me ponho a discordar de Karl Marx, quando disse na obra “O 18 Brumário de Luís Bonaparte (1852), quando construiu a frase: "A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa". Não há nenhuma mediocridade ou mesmo conhecimento dos autores dos fatos, em Salvador ou em Passos. Uma simples coincidência, se é que ela existe.
A notícia amplamente divulgada pela imprensa sobre a construção de um muro no quintal de uma casa para preservar a privacidade dos moradores passou 25 anos incólume do largo conhecimento público, restringida apenas aos moradores de Passos, além de poucos “estrangeiros”. E o que é pior: a notícia é esmiuçada de todas as formas em busca dos culpados.
Num programa de TV que assisti no You Tube, o apresentador questionou até qual o motivo que o vizinho da casa baixa teria ao tentar esconder, como se sua privacidade não fosse um direito fundamental na preservação da dignidade humana. É que enquanto o prédio estava sendo construído ele tentou trocar a área por uma que tinha de maior preço, no centro da cidade, e foi recusada.
Em seguida, tentou comprar os apartamentos cujas janelas permitiriam vasculhar sua casa, seu quintal, sua piscina (?). Depois se propôs mandar fabricar e colocar, a custo zero, um sistema extra janelas que permitisse a ventilação e evitasse a indiscrição. Nova recusa. Aí teve a ideia de erigir um muro com 13 metros de altura para evitar olhares curiosos sobre sua família.
O mais curioso desta história é que os dois moradores estavam legalmente corretos com a legislação municipal que regulava e regula as construções e o direito de vizinhança. Construído o muro, isso lá pelo ano de 2001, a discussão rolou à vontade entre os moradores de Passos. Agora, com a passagem de um influencer o muro passou a ser questionado lá e alhures.
Ainda bem que o caso precedente, em Salvador, a capital da Bahia, aconteceu em 1976, com a comunicação sem os grandes avanços e alcances de hoje, que o fez permanecer paroquiano. Portanto, 50 anos após me veio à mente a luta do pai (cujo nome do saudoso preservo, por ser de família bastante conhecida) de um amigo para defender a privacidade de sua família dos olhos dos moradores do prédio vizinho, à movimentação de seu quintal e piscina.
O proprietário da casa era uma pessoa influente no cenário empresarial, social e político da Bahia, que poderia ter utilizado seu prestígio, mas preferiu abdicar das possíveis vantagens para agir na conformidade da lei. A residência, uma das bem postas e construídas do Horto Florestal, foi devassada por um prédio de três andares, cujo projeto também se encontrava dentro da legislação.
No caso baiano, o proprietário, ao sentir a devassa de sua privacidade, e não possuir os instrumentos legais para barrar a invasão, mandou construir uma estrutura de cano grosso galvanizado, na mesma altura e largura das janelas vizinhas. Ao que tudo parecia, bastaria plantar uma espécie de trepadeira de crescimento rápido que estaria protegido.
Ledo engano. Exatamente aí foi que novos problemas começaram, de verdade, pois as folhas teimavam em cair exatamente na piscina. Eu mesmo presenciei o dono da casa de altíssimo padrão, logo pela manhã retirando as birrentas folhas da límpida e bem tratada água. Hoje sabemos que se ele ou seus arquitetos tivessem pensado na construção de um muro as complicações teriam sido mais que passageiras.
Dois problemas diferentes, em épocas distintas, com soluções díspares, em que as duas partes possuíam direitos. A única diferença é que o avanço da comunicação tornou um dos fatos notórios, ao ponto de ganhar o mundo e debates nas mídias sociais. O pior é que a devassa familiar não foi vista como um bem, um direito por alguns dos comunicadores.
A meu ver, farsa não existiu por serem fatos isolados, acontecimentos díspares, sem qualquer tentativa da segunda tentar imitar a primeira, até por falta de conhecimento.
*
Radialista, jornalista e advogado.
sexta-feira, 24 de abril de 2026
Crise no cacau? Veja como a Jupará criou chocolate de luxo na Bahia
Crise no cacau? Veja como a Jupará criou chocolate de luxo na Bahia
Por
Jair Mendonça Jr/Jornal
A Tarde
A pacata vizinhança do bairro da Graça, em Salvador, esconde um segredo aromático que rompe com a lógica industrial. Onde muitos veem apenas um bairro residencial, Sérgio Lagares enxergou o local ideal para instalar a Kinka Jou, a fábrica urbana da Jupará Chocolates.
O
empreendimento é o ponto final de uma jornada de resiliência que começou há
décadas, no rastro da devastação causada pela "vassoura-de-bruxa" no Sul da Bahia.
Em entrevista
ao Portal A TARDE, Lagares detalhou como a transição de
produtor de matéria-prima para fabricante de chocolates finos não foi apenas
uma escolha comercial, mas uma estratégia de sobrevivência econômica e
preservação ambiental.
A
verticalização como salvação econômica
A história da Jupará é um exemplo prático de
verticalização. Enquanto o preço da amêndoa do cacau (commodity) é ditado pelas
oscilações da bolsa de Nova York, o chocolate de origem — conhecido pelo
conceito bean-to-bar (do grão à barra) — permite que o produtor agregue um
valor que pode superar em até 10 vezes o preço do cacau bruto.
"A verticalização era a única saída. Vender apenas a amêndoa não
sustentava mais a preservação da fazenda. O controle total, da fermentação na
fazenda em Itajuípe até a embalagem final em Salvador, é o que garante a nossa
sustentabilidade", explica Sérgio.
Tecnologia
e tradição: o chocolate "limpo"
Diferente dos chocolates de massa, segundo Sérgio, os produtos da Jupará
são formulados para um público consciente e com restrições alimentares. "A
fábrica produz barras livres de leite, lactose, glúten e conservantes
artificiais", disse.
O segredo, conforme o produtor, está na precisão técnica. Embora utilize
o sistema tradicional de Cabruca (plantio sob a sombra da mata nativa), a
tecnologia entra na fase de fermentação controlada.
"Sensores e rigor técnico garantem que o sabor amargo excessivo seja substituído pelas notas frutadas e florais naturais do cacau baiano, sem a necessidade de aditivos químicos", ressalta Sérgio.
Fábrica urbana e turismo de experiência
A instalação da fábrica na capital baiana dialoga com o conceito de
indústria de baixo impacto e inovação urbana. A Kinka Jou funciona como uma
vitrine viva:
·
Transparência: o público pode acompanhar as etapas da produção
artesanal.
·
Educação: o espaço oferece cursos para novos produtores, fortalecendo o
ecossistema de chocolates de origem na Bahia.
·
Proximidade: reduz a distância entre o campo e o consumidor final,
promovendo o consumo local.
O futuro
do cacau baiano
A Bahia se consolidou como o principal polo de marcas de chocolate de
origem no Brasil. Para a Jupará, o próximo passo reafirma o compromisso com a
rastreabilidade e a possível busca por selos de Indicação Geográfica (IG), que
chancelam a qualidade mundial do cacau do Sul do estado.
Com uma produção que respeita o ciclo da natureza e foca na saúde do
consumidor, a Jupará prova que a crise da vassoura-de-bruxa, embora dolorosa,
forçou a cacauicultura baiana a se reinventar com inteligência, tecnologia e
foco no mercado premium.
sábado, 18 de abril de 2026
A quem vai pertencer a derrota?
A quem vai pertencer a derrota?
Em 1989, Boni passou glicerina em Collor pra simular suor e o candidato representar uma imagem que “dialogasse com o povão”, pois viu que Lula era um fenômeno popular e fazia isso com naturalidade. A Globo interveio nas eleições pra tirar a vitória do então presidenciável novato Lula.
Em 1994, os editoriais deixam claro a preferência por FHC, assim como em 98, pois Lula era tido como “sindicalista doidão”. Em 2002, os maiores players de comunicação do país tentaram o último suspiro com Serra, mas viram a força popular de Lula, que foi pressionado pela Faria Lima até o último momento e obrigado a colocar um empresário como vice em sua chapa.
Ainda em seu primeiro mandato, Lula viu a bancada evangélica crescer, parlamentares levando grana e chantageando o governo como tática pra aprovar os projetos sociais administrados em sua gestão. Muitos quadros fisiológicos do Partido dos Trabalhadores, filiados ao partido apenas pra comporem quociente eleitoral, acabaram se debandando para o lado do centrão, inclusive ministros nomeados pela chapa com o antigo PMDB.
Os escândalos que eram abafados pela imprensa durante todo governo FHC e suas privatarias escusas foram amplificados nos governos Lula a partir do então deputado Roberto Jefferson, um conhecido personagem remanescente da ditadura, amigo dos deputados evangélicos envolvidos na Máfia das Ambulâncias, e que tinha rixa com o empresário Marcos Valério, chamando pejorativamente de “mensalão” o que sempre foi visto antes como “emendas parlamentares”, oportunamente ignorado por Jefferson. O objetivo era criar um rótulo forte que enfraquecesse o governo federal, e tudo com a chancela dos principais grupos de comunicação do país, que pegaram carona nas denúncias do deputado.
Mesmo assim, em 2010, Lula sai com aprovação popular recorde, na casa dos 80%, diante do sucesso de suas políticas sociais que transformaram o país nos anos 2000, tiraram o Brasil do mapa da fome, inseriram a classe média no perfil do consumo e garantiram pleno emprego à população.
Os grandes empresários e os principais veículos de comunicação do país nunca admitiram a continuação de um governo petista, a ponto de darem força na esquematização de um golpe parlamentar que viria a tirar Dilma da presidência. Nunca foi pedalada, mas sim uma “enfrentada” que Dilma tentou emplacar contra o forte Congresso de Eduardo Cunha, sem sucesso.
A demonização final do PT ficou a cargo de figuras ressentidas do PSDB, que viram em Sérgio Moro e Deltan Dallagnol o lawfare necessário a criar um espantalho demoníaco da figura de Lula, como se ele fosse o grande operador de toda corrupção política que sempre existiu no país, mas que, oportunamente, era abafada pelos veículos de comunicação hegemônicos em governos neoliberais privatistas.
Dito isso, a verdade nua e crua é que a imprensa foi contra o fim da escravidão lá atrás, no final do século XIX, assim como, já no século XX, foi contra a criação do salário mínimo, contra a criação do 13o salário e hoje se põe contra o fim da escala 6x1. Qualquer governo popular que se atreva a criar políticas sociais que se oponham aos interesses dos grandes latifúndios e dos setores financeiros, sempre será demonizado pelas famílias da comunicação do país, que se beneficiam de suas parcerias. Para emplacar uma terceira via, até Caiado, um grileiro de direita envolvido em crimes que foram abafados na época da ditadura, vira opção contra a “polarização” …
Lula é maior que tudo isso. Se Flávio Bolsonaro vencê-lo esse ano, a maior derrota será nossa, e não de Lula. A não ser que você seja acionista na Unilever, seja da família Marinho ou dono da Coca-Cola. Ou também um evangélico médio, que em geral é ignorante e não tem culpa de sua condição hipossuficiente. Mas se você for um funcionário público, um empregado CLT, dono de um mercadinho de bairro ou de uma oficina, ou tenha ações de baixo investimento na Bolsa e um BYD financiado na garagem, a derrota de Lula é a sua derrota, ainda que você se veja como um futuro entrevistado do Pequenas Empresas, Grandes Negócios por fabricar um abridor de sachê de maionese e fature 10 mil por mês com isso.






