sexta-feira, 21 de agosto de 2026

FOI A CANAVIEIRAS E VOLTOU SEM CONHECER A CIDADE

 

FOI A CANAVIEIRAS E VOLTOU SEM CONHECER A CIDADE


E o colega Damasceno não conheceu a bela Canavieiras

Por Walmir Rosário*

Certa feita, o colega jornalista Tyrone Perrucho convida os colegas da Divisão de Comunicação da Ceplac (Dicom) para uma visita de fim de semana a Canavieiras. Aprovação geral, diante das histórias contadas pelo anfitrião sobre a cidade, a hospitalidade dos nativos, as praias, as belezas naturais e a hospitalidade. Fretariam um ônibus, sairiam às primeiras horas da manhã e retornariam na boca da noite.

Saída agendada para as 5 da manhã, a partida foi adiada por dois períodos de tolerância de 15 minutos para completar a lotação do ônibus pelos passageiros retardatários. Já com a porta fechada, eis que chega esbaforido Nisvaldo Damasceno, recém-saído do último estabelecimento etílico onde passara a noite em uma memorável farra.

E a chegada de Damasceno foi uma festa, afinal, todos estavam ansiosos para conhecer pessoalmente Canavieiras, a conhecida Princesinha do Sul, Terra Mater do cacau, contada em prosa e verso pelo colega Perrucho. E os turistas ceplaqueanos estavam ávidos para chegar cedo, haja vista que a estrada não era lá essas coisas, ainda de terra batida.

Todos já faziam planos sobre a visita, os comes e bebes tão propalados, as preciosas moquecas de peixes pescados quase na hora, a famosa “Cabeça de Robalo”. Iguaria tida como a mais fina da culinária local, ganhou fama após as grandes encomendas feitas por Antônio Carlos Magalhães (ACM) para as grandes recepções no Palácio de Ondina.

Alguns mais chegados ao turismo etílico não viam a hora de visitarem os barzinhos de ponta de rua, que serviam cerveja bem gelada nos velhos refrigeradores que funcionavam a querosene e a gás. Também comeriam os tira-gostos de carne de jabá, cortada na hora, e assada no papel de embrulho alimentado com álcool. Tudo como nas histórias contadas por Perrucho.

Com Nisvaldo Damasceno já acomodado nas últimas poltronas dormindo o sono dos justos, somente era lembrado assim que roncava mais alto. Na primeira parada na estrada continuou dormindo, e estrada afora refastelado nos braços de Morfeu. Ao ser acordado pelos colegas em solo canavieirense se deu conta que calçara um par de meias trocadas, o que pouco importava.

Ainda acometido pela farra da noite anterior, a contragosto, desce do ônibus e embarca numa canoa com destino à ilha da Atalaia (ainda não existia a ponte). Canoa lotada, na travessia após algumas brincadeiras feitas pelos colegas, sem querer faz um movimento brusco e quase cai da embarcação, sendo salvo providencialmente pelos colegas.

Na ilha da Atalaia, os visitantes iniciam uma nova farra, e para se livrar da ressaca do dia anterior “mergulham em águas profundas”, armazenadas em garrafas e litros, quentes ou geladas. Tira-gostos de peixes e camarões fritos, a famosa Cabeça de Robalo, e outras iguarias servidas por Domingão no não menos famoso “Meu Cacete”, nome de batismo do boteco e restaurante mais conhecido da Atalaia.

E era uma festa sem igual, uns tomavam banho no riacho ao lado, outros foram conhecer a praia. Sem a menor cerimônia provavam todas as bebidas que lhes eram oferecidas, quentes ou bem geladas, demonstrando bom apetite com os acepipes servidos e que faziam jus às histórias contadas pelo colega Tyrone sobre sua terra natal.

Após o festival de tira-gostos e moquecas, retornam a centro de Canavieiras, entram no ônibus e fazem um rolê pela cidade. Mais uma parada foi feita na saída da cidade para o reabastecimento da bebida. Na saída é que sentem a ausência de Damasceno, encontrado nas últimas poltronas do ônibus, dormindo como um anjinho, não fosse o barulho do ronco. Acordou já em Itabuna, sem saber que estaria em terra firme e próximo de casa.

No dia seguinte, em plena segunda-feira de trabalho, eis que Nisvaldo Damasceno chega à Divisão de Comunicação (Dicom) meio desanimado. Logo ao assinar o livro de ponto ouviu os colegas comentando as peripécias da viagem, os atos, fatos e gozações, o que eram novidades para ele. E aí Damasceno não resiste e pede a Tyrone Perrucho: “Eu preciso que você marque nova viagem, pois passei um dia inteiro por lá e não tenho a menor ideia de como é Canavieiras”.

Após sua aposentadoria da Ceplac, Damasceno – grande digitador e revisor sem igual – o convidei para trabalhar nos jornais Agora e A Região. Sempre que comentávamos sobre a viagem ele renovava o pedido de um segundo passeio e, apesar das constantes solicitações não foi atendido na nova excursão. E Damasceno partiu deste mundo sem jamais ter conhecido Canavieiras.

*


*Radialista, jornalista e advogado.

A trajetória de Emerson entre os calçados e as lentes que eternizaram Itabuna

 

A trajetória de Emerson entre os calçados e as lentes que eternizaram Itabuna


Nascido em 30 de junho de 1918 na cidade baiana de Paripiranga, Emerson teve um início de vida marcado pela perda precoce do pai aos quatro anos de idade. Essa ausência exigiu um amadurecimento rápido, levando-o a ingressar no mercado de trabalho aos doze anos na fábrica de calçados do tio. Antes de encontrar o seu caminho definitivo nas artes visuais, ele experimentou diversas profissões. Atuou como modelador de sapatos, vendeu apólices de seguro da previdência e capitalização, além de trabalhar como escrivão do júri e de execuções criminais.

A busca por novas oportunidades o guiou para o sul da Bahia em maio de 1948, quando começou a atuar na venda de ampliações fotográficas. Estabeleceu-se inicialmente em Itajuípe e, na antiga localidade de Pirangi, casou-se com Estelita, união da qual nasceram seus sete filhos. Mostrando sua veia empreendedora e aproveitando o conhecimento adquirido na juventude, montou sua própria fábrica de calçados em Itajuípe, estruturando uma vida aparentemente consolidada no ramo coureiro.

Os caminhos da vida pessoal e profissional passaram por desvios significativos e mudanças de rota. Após o desquite, ele tomou a decisão de retornar com os filhos para Paripiranga, buscando o apoio da família para criá-los. Algum tempo depois, o magnetismo da região cacaueira falou mais alto e ele voltou ao sul da Bahia, fixando residência definitiva em Itabuna. Nessa nova fase, encontrou sua segunda companheira, Bernadete, que se tornaria seu braço direito e o auxiliaria cotidianamente ao longo de sua jornada.

Em Itabuna, a transição para a fotografia não ocorreu de forma imediata. Primeiramente, ele abriu uma loja de sapatos na Avenida Cinquentenário, no prédio onde funciona o Lord Hotel. Anos mais tarde, decidiu abandonar o comércio varejista para abraçar de vez a profissão de repórter fotográfico, transformando uma inclinação pessoal em um projeto de vida duradouro. Curiosamente, apesar de sua dedicação intensa a esse ofício, nenhum de seus sete filhos decidiu seguir a carreira com as câmeras.

Totalmente dedicado à nova profissão, ele se tornou uma testemunha ocular de momentos cruciais da região. Realizou coberturas históricas, como a eleição da itabunense Maria Olívia Rebouças a Miss Brasil e a vitória de Telma Brandão como Miss Bahia. Também documentou tragédias marcantes, a exemplo da grande enchente do rio Cachoeira em 1967. A empresa Foto Emerson funcionou por 47 anos no número 437 da Avenida Cinquentenário, consolidando-se como uma referência no centro da cidade até encerrar suas atividades sete anos antes dos relatos históricos sobre sua vida.

O acervo construído ao longo de quase sessenta anos de carreira é composto por imagens simples e ricas, preservando ritos do cotidiano e paisagens livres do esquecimento. Embora o pioneirismo fotográfico no município pertença a Omar Cana Brasil, que já atuava na área em 1915 e fundou o Cine Teatro Itabuna, o trabalho contínuo de Emerson garantiu a ele o status de personalidade cultural de grande relevância. Ele soube flagrar os instantes da existência humana sob sol e chuva, sendo reconhecido pelos concidadãos como um verdadeiro mestre da imagem.

Para além da técnica, sua postura diante do mundo chamava a atenção de todos ao seu redor. Ele provou ser possível alcançar metas ambiciosas sem atropelar os semelhantes, cultivando a solidariedade, a verdade e a honestidade. Era um homem simples, desprovido de ressentimentos e dotado de uma clareza de pensamento notável. Sabia reconhecer o lado positivo das pessoas, entendendo que a razão e a emoção nos diferenciam dos bichos e nos tornam de fato humanos.

Residente no número 517 da Rua Francisco Ferreira da Silva, no bairro de Fátima, ele manteve a lucidez e a serenidade até os seus últimos momentos. O reconhecimento público por seus serviços prestados à comunidade culminou com o recebimento do título de Cidadão Itabunense, honraria concedida um ano antes de seu falecimento. Aos 98 anos de idade, no ano de 2016, Emerson despediu-se da vida em Itabuna, bem de corpo e alma, deixando a história da região perpetuada em seu vasto arquivo visual.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

CANAVIEIRAS SEDIA A 5ª EDIÇÃO DO FESTIVAL LITERÁRIO SUL BAHIA

CANAVIEIRAS SEDIA A 5ª EDIÇÃO DO FESTIVAL LITERÁRIO SUL BAHIA


A partir de quinta-feira (20), Canavieiras sediará a 5ª edição do Festival Literário Sul Bahia (Flisba). A programação prossegue até sábado (22), com mesas de discussões literárias, rodas de conversa, exposições, mostra de Slam (competição de poesia falada), feira de economia solidária, lançamentos e vendas de livros e apresentações musicais de artistas locais. O festival deste ano celebra a “Literatura e Sustentabilidade: um encontro com a cultura popular”.

A maior parte das atividades será concentrada no Sítio Histórico de Canavieiras, um dos mais antigos e mais bem preservados da região. Além de histórico, o município do sul da Bahia é também um importante polo de produção da literatura grapiúna, sendo a terra natal da escritora Elvira Foeppel e onde morou o escritor Afrânio Peixoto, imortal da Academia Brasileira de Letras.

O Festival Literário Sul Bahia é gratuito e aberto a todos os públicos, o que inclui uma programação específica para o público infantil. No Flisbinha, as crianças de todas as idades poderão participar de diversas ações, como contação de histórias e brincadeiras.

O Flisba chega também para impulsionar a inserir definitivamente no calendário turístico e cultural de Canavieiras o Festival Literário da Academia de Letras e Artes de Canavieiras (ALAC), segundo avalia Ely Carvalho, presidente da Academia de Letras de Canavieiras e professora no município. “É um momento de valorizar o que é nosso, de fortalecer nossas raízes e de mostrar ao mundo que Canavieiras é terra de palavras, de arte e de cultura”.

O objetivo do Flisba é organizar um encontro literário e cultural do Sul da Bahia, em que a literatura dialoga com a diversidade, as tradições e os saberes do povo. A proposta do Coletivo Flisba é aproximar os escritores da população local e promover reflexões no âmbito da literatura regional e dos fazedores de cultura.

EX-SECRETÁRIO DE CULTURA


A abertura do evento, na quinta-feira (20), contará com a palestra de Albino Rubim, ex-secretário de Cultura do Estado da Bahia e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba). No mesmo dia, às 16h, será promovido o Cortejo Cultural da Sustentabilidade. Haverá ainda a exposição “Adonias Filho – A voz literária do sul da Bahia” e a exibição do documentário “Adonias“, numa parceria com a Academia Grapiúna de Artes e Letras (AGRAL).

Serão promovidas ainda mesas de debates desde o primeiro dia, com a participação de escritores, fazedores de cultura e ambientalistas do sul da Bahia, a exemplo de Tácio Dê, Pawlo Cidade, Luh Oliveira, Silmara Oliveira, Rogério Medrado, Roger Ferreira, Maria Rita Prudente, Sheilla Shew, Alderacy Júnior, Valdir Rios e Marcos Luedy.

Além de Tallýz Man, Amélia Torres, Hitxá Pataxó, Mona Kizola, Sara Araújo, Adroaldo Almeida, Clarissa Melo, Gilberto Leôncio, Elialda Avelino, Eufra Modesto, Walmir do Carmo, Mirian Oliveira, Franklin Costa, mestra Lainha, Aline Gonçalves, Lúcio Solis, Rodrigo Ramos, Coletivo Casa dos Sonhos, Erikson Walla, Efson Lima e Igor Luiz e diversos outros, por meio dos lançamentos de livros e participação das editoras.

Um dos incentivadores da 5ª edição do Flisba em Canavieiras é o professor Vitor Fábio, das redes municipal e estadual de educação. Para ele, Canavieiras merece sediar o festival literário porque carrega em sua história séculos de memória, cultura e identidade, expressos em seus cenários, em suas tradições e nas narrativas construídas por meio da literatura e da oralidade.

O Flisba deste ano conta também com os apoios do Centro Público de Economia Solidária (Cesol) do Litoral Sul, gerido pela organização social Querinos, mantido pelo Governo do Estado da Bahia; das Academias de Letras de Canavieiras e de Ilhéus; e da Prefeitura de Canavieiras, por meio das secretarias de Educação e Cultura, do Conselho Municipal de Cultura e Associação Viver e Construtores em Ação.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

PINGA SE JUNTA À NATA DO FUTEBOL DO PASSADO - POr.: Walmir Rosário

 

PINGA SE JUNTA À NATA DO FUTEBOL DO PASSADO

Os craques Amilton (E) e Pinga (D)

Por Walmir Rosário*

Os torcedores de Itabuna e Ilhéus que não conheceram a rivalidade entre as duas torcidas perderam uma grande fase da história entre as duas cidades, principalmente no futebol de alta qualidade jogado naquela época. O mais grave é que poucos têm conhecimento que foi um ilheense quem marcou o fatídico gol da Seleção de Itabuna, contra o selecionado de Alagoinhas (na casa adversária) responsável pelo Hexacampeonato Baiano de Amadores do ano de 1965, finalizado em 30-01-1966.

E o nosso herói atendia pelo nome de Wilson Dias da Costa, embora batizado no meio futebolístico como Pinga, como ficou conhecido pelos torcedores e os amigos Itabunense por toda a sua vida. Nascido no distrito ilheenses de Banco Central, em 1953 veio morar em Itabuna, e como todo o menino daquela época era presença garantida nos babas dos inúmeros campinhos de Itabuna.

Não demorou muito para ser reconhecido pela diretoria do Náutico Juvenil como um garoto bom de bola, futuro garantido no futebol amador. E não deu outra, Pinga ganhou destaque no Janízaros, único time amador pelo qual jogou. Com a criação e entrada do Itabuna no futebol profissional, lá estava Pinga, o centroavante, fazendo seus importantes gols.

E Pinga não se limitava a se postar na área à espera de bola para partir para o gol, se o jogo estivesse “devagar” ele sabia recuar e buscar a bola no meio de campo para “espremer” o adversário na defesa até fazer os gols. Aos poucos, sua atuação em campo chamou a atenção de dirigentes de outras equipes, inclusive fora de Itabuna, mas Pinga se recusava a sair de Itabuna.

Em terras Grapiúna tinha emprego garantido no Banco Baiano da Produção, e em seguida, aprovado no concurso do Banco do Brasil, não descuidou da bola, embora tivesse o futebol com um esporte que lhe garantia uma segunda fonte de renda. Com Marinho e Nelsão era um trio artilheiro “matador” que conhecia cada pedaço do velho e famoso Campo da Desportiva.

Sua história na Seleção de Itabuna iniciou em 1963, ao ser convocado para a disputa e vitória do Tetracampeonato, repetindo a dose no ano seguinte na conquista do Pentacampeonato. Certa feita me confidenciou que não existia nada igual ao jogar na Seleção Amadora de Itabuna ao lado de Santinho, Fernando e Carlos Riela, Tombinho, Ronaldo, Abiezer e tantos outros craques de verdade.

Certa feita em férias no Rio de Janeiro se encontra com o amigo e colega de futebol, Bel para acompanha-lo a um treino no Botafogo carioca, onde faria teste. Convite aceito, ao chegarem em General Severiano, o técnico Paraguaio quis saber quem era o colega de Bel e o convidou para participar. Não deu outra: dos cinco gols, três deles foram marcados por Pinga e os outros dois por Bel.

Convidado por Paraguaio para participar de outro treino, Pinga simplesmente agradeceu ao técnico, declinando do honroso convite, explicando que se encontrava a passeio no Rio de Janeiro. Com a simplicidade de sempre, retornou a Itabuna para cuidar dos seus afazeres futebolísticos e bancários, com a mesma naturalidade que marcava seu perfil.

Os que conheceram Pinga em sua vida profissional e no futebol o admiravam pela sua conduta exemplar e a responsabilidade com futebol. Alguns diziam que o futebol fazia parte do seu sangue, e tinham razão. Outros irmãos de Pinga também jogaram futebol amador em Itabuna, a exemplo de Nau, goleiro do Flamengo, Fluminense e Seleção; Régis, lateral esquerdo do Janízaros e Seleção; Gílson, quarto zagueiro do Janízaros; e Dilson, meio-campo do Janízaros.

E como o DNA da Seleção de Itabuna era marcado por moléculas vencedoras, Pinga não desbotava quando entrava em campo qual fosse o adversário. Jogava para vencer. Certa feira, após sofrer uma derrota para a Seleção de Ilhéus, não perdoou, mesmo sendo ilheense e sofreu como se a Seleção Itabunense tivesse perdido para um adversário qualquer, sem a qualidade dos ilheenses.

Essa história de peso da camisa era mera firula, segundo Pinga, tanto assim que dizia respeitar cada adversário, mas que entrava em campo para fazer gols e vencer, pois tinha consciência da qualidade dos companheiros. Ele dava risada quando perguntado pelas táticas empregadas pelos técnicos daquela época. Sabíamos como eles jogavam mas se não desse certo, nós mesmos em campo éramos quem tínhamos que resolver.

De toda a sua carreira de futebol Pinga fala com satisfação de sua convocação para a Seleção de Itabuna. Para ele, o Tetra e o Penta foram bons, embora sua consagração tenha sido definida no Hexa. Era um jogo na casa do adversário e que tínhamos a responsabilidade de vencer, pois empatamos no Campo da Desportiva, portanto, em casa, por 3X3. Bastava marcar um gol e pronto.

Só que nossos adversários complicaram o jogo e Pinga conseguiu marcar aos 35 minutos do segundo tempo. Foi uma festa sem igual, que iniciou em Alagoinhas e só terminou em Itabuna uma semana depois. Enfim, estava garantida a superioridade itabunense, conquistando o Campeonato Baiano Intermunicipal de Amadores, por seis vezes consecutivas.

Mas neste mundo nem tudo é alegia e cada coisa tem seu tempo, tanto é assim que no sábado, 8 de agosto de 2026, Wilson Dias da Costa, o Pinga, aos 83 anos, nos deixa, para a tristeza dos seus familiares e muitos amigos. Seu corpo foi velado e sepultado em Itabuna, a cidade que adotou e que amava, com a presença de seus parentes e amigos. Com certeza está reunido com os amigos futebolistas no Oriente Eterno, os quais formam uma seleção fenomenal.


*Radialista, jornalista e advogado.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

QUANDO VOCÊ MORRER

 QUANDO VOCÊ MORRER


Quando você morrer, não se preocupe com seu corpo... seus parentes, farão o que for preciso de acordo com suas chances.
Eles vão tirar-te a roupa.
Eles vão te lavar.
Eles vão vestir-te.
Eles vão te tirar de casa e te levar para a sua nova morada.
Muitos virão ao seu funeral para se despedir. Alguns vão cancelar compromissos e até faltar ao trabalho para ir ao seu enterro.
Seus pertences, até o que você não gostava de emprestar, serão vendidos, oferecidos ou queimados.
Suas chaves
Suas ferramentas
Seus livros
Seus cds
Seus sapatos
As tuas roupas...
E tenha certeza que ele
o mundo não vai parar para chorar por você.
A economia vai continuar.
No seu trabalho, você será substituído. Alguém com as mesmas ou melhores capacidades vai assumir o seu lugar.
Seus bens vão para seus herdeiros...
E não duvide que você ainda será citado, julgado, questionado e criticado pelas pequenas e grandes coisas que você fez em vida.
As pessoas que te conheciam só pelo teu semblante dirão; Pobre homem! Ou Ele estava se divertindo muito!
Seus amigos sinceros vão chorar algumas horas ou alguns dias, mas depois voltarão a rir.
Os “amigos” que te puxaram para as pachangas, vão esquecer-te mais rápido.
Seus animais vão se acostumar com o novo dono.
Suas fotos, por algum tempo, ficarão penduradas na parede ou continuarão em algum móvel, mas depois serão guardadas no fundo de uma gaveta.
Alguém mais vai sentar no seu sofá e comer na sua mesa.
A dor profunda na sua casa durará uma semana, dois, um mês, dois, um ano, dois...
Depois você será adicionado às memórias e então sua história terminou.
Acabou entre as pessoas, acabou aqui, acabou neste mundo.
Mas comece sua história na sua nova realidade... na sua vida após a morte.
Sua vida para onde você não pôde se mudar com as coisas daqui porque além disso, ao sair, perderam o valor que tinham.
Corpo
Beleza
Aparência
Sobrenome
Conforto
Crédito
Status
Posição
Conta bancária
Casa
Carro
Profissão
Títulos
Diplomas
Medalhas
Troféus
Amigos
Locais
Cônjuge
Família...
Na sua nova vida, você só precisa do seu espírito. E o valor que lhe acumulou aqui será a única fortuna com que contará lá.
Essa fortuna é a única que você vai levar e amassa durante o tempo que você está aqui. Quando você vive uma vida de amor ao próximo e em paz com o próximo, você está amassando sua fortuna espiritual.
Por isso tente viver plenamente e seja feliz enquanto estiver aqui porque, como disse Francisco de Assis; “Daqui você não vai levar o que tem. Você só vai levar o que você deu”
Portanto VIVA...!!!
Ernani Leal Paula

sábado, 8 de agosto de 2026

O GÉNIO ESTRATÉGICO DE DONALD TRUMP...CONSEGUIU TRANSFORMAR UMA PASSAGEM LIVRE...NUMA PORTAGEM DE 100 MIL MILHÕES DE DÓLARES

 

O GÉNIO ESTRATÉGICO DE DONALD TRUMP...CONSEGUIU TRANSFORMAR UMA PASSAGEM LIVRE...NUMA PORTAGEM DE 100 MIL MILHÕES DE DÓLARES

 


"Foi preciso muita coragem. Durante décadas, apesar de todas as crises no Golfo, o Estreito de Ormuz permaneceu uma via navegável internacional onde os navios podiam passar sem terem de pagar portagens ao Irão ou ao Omã. Depois veio a diplomacia ao estilo de Donald Trump: muitas ameaças, muitas bombas, muitas declarações triunfantes… e, se os relatos forem verdadeiros, um resultado absolutamente notável: oferecer ao Irão uma nova fonte de rendimentos inesperada.

De acordo com estes relatos, Teerão e Mascate estão a preparar um acordo que estabelece taxas de trânsito para todos os navios que passam pelo Estreito de Ormuz. O Irão arrecadaria 5% do valor da carga e o Omã 2%, totalizando 7%. Os navios chineses e russos, por sua vez, seriam isentos, enquanto o resto do mundo suportaria os custos desta nova portagem.

Portanto, aí está: o “acordo” do séc. Antes da escalada militar dos EUA, a passagem era livre. Após os ataques, pode tornar-se uma das rotas marítimas mais rentáveis ​​do mundo. Foi necessário um talento excepcional para transformar uma via navegável aberta num fundo comum que alimenta o Irão com a bênção involuntária de Washington.

A parte mais irónica é que os Estados Unidos afirmavam querer estrangular economicamente Teerão. Se este mecanismo de portagens entrasse em vigor, o resultado seria exactamente o oposto: até 100 mil milhões de dólares em receitas anuais potenciais para o tesouro iraniano, simplesmente porque praticamente todo o comércio global de energia não tem uma alternativa viável ao Estreito de Ormuz.

Enquanto isso, a China e a Rússia observam o espetáculo com um sorriso. Isentas destas taxas de trânsito, segundo os mesmos relatos, Pequim e Moscovo continuariam a garantir os seus abastecimentos enquanto os aliados ocidentais suportam os custos. Um feito geopolítico que quase merece um troféu.

Toda esta sequência exemplifica uma política externa baseada em demonstrações de força: prometer enfraquecer o adversário, encenar repetidas demonstrações de força… apenas para descobrir que as consequências económicas, na verdade, beneficiam precisamente aquele que se procurava subjugar."

(B.Partisans)

Mais uma vez, os nossos parabéns a Donald Trump. É raro um líder conseguir transformar um estreito livre num sistema de taxas de trânsito capaz de enriquecer o seu principal adversário a longo prazo. Foi necessário um verdadeiro virtuoso da geopolítica improvisada para realizar tal feito.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

COMO OS CAPUCHINHOS TRANSFORMARAM A EDUCAÇÃO EM ITABUNA - Por. Walmir Rosário

 

COMO OS CAPUCHINHOS TRANSFORMARAM A EDUCAÇÃO EM ITABUNA

Frei Justo (em pé), Padre Nestor Passos (E) e o presidente do
Rotary, Adélcio Benício (C), debatem a educação dos jovens
(foto Diário de Itabuna)

Por Walmir Rosário*

Na década de 1950 a educação em Itabuna passava por avanços, embora as instituições de ensino implantadas ainda não eram capazes de atender toda a demanda existente. Nos bairros, então, as dificuldades eram ainda maiores, pois as poucas escolas e colégios pertenciam aos particulares, às entidades católicas e pouquíssimas dos governos estadual e municipal.

O único recurso – embora dispendioso – para o público em geral era matricular seus filhos nas escolas particulares, desde o estudo do ABC e Cartilha e as séries do primário. No ginásio, pouquíssimas vagas – pagas –, e as famílias que tinham boa condição financeira enviavam seus filhos para estudar em Ilhéus.

No bairro da Conceição foi inaugurado o Colégio Estadual General Osório para o atendimento ao primário, e a Prefeitura mantinha duas salas de aula para o ensino das primeiras letras (ABC e Cartilha). O restante da criançada ingressava nas escolas particulares, pagando um preço módico, nem sempre disponível à maioria das famílias.

Com a chegada dos frades Capuchinhos, em 1958, além da construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, os religiosos projetaram a construção de um colégio. Com isso, retirava uma parcela da juventude das ruas, integrando-os à educação formal e a informal, esta religiosa, o famoso catecismo, com a Cruzada Eucarística, os coroinhas, e futuros seminaristas.

Um destaque nesse trabalho foi a professora Maria Zélia Couto, soteropolitana, rígida na sala de aula do Colégio General Osório e nas aulas de catecismo, o que lhe imprimia status importante junto às famílias. Maria Zélia não era uma simples professora da educação formal e católica, e sim uma formadora de caráter aos católicos praticantes.

Para os capuchinhos, a educação e a religião tinham que andar de mãos dadas na formação dos jovens, até porque além do caráter, a liturgia católica dependia da compreensão do Latim, principalmente nas missas. É que elas eram celebradas por meio da última flor do Lácio, como dizia o poeta Olavo Bilac, no soneto Língua Portuguesa.

Com a Igreja de Nossa Senhora da Conceição quase pronta, o projeto da Escola  entrou na ordem do dia. Em 23 de setembro de 1958 Frei Justo foi convidado para uma reunião do Rotary Club de Itabuna. No encontro, o presidente Adélcio Benício dos Santos, Calixto Midlej Filho, presidente do Protocolo; o Padre Nestor Passos e todos os rotarianos tiveram ciência do grande projeto de educação.

Aos rotarianos, o frade fez um levantamento das obras empreendidas no bairro da Conceição, expressando o sentimento cristão, empenhando em concluir a obra da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, e uma escola para menores, importante devido à falta de atenção às crianças, muitos delas desviadas do bom caminho, um dos grandes problemas.

Daí é que Frei Justo batia às portas das instituições da sociedade e de pessoas reconhecidamente benfeitoras, sempre encontrando a acolhida do povo generoso de Itabuna. E ele lembrava grandes vultos do catolicismo no Brasil, a exemplo dos padres José de Anchieta e Manoel da Nobrega, jesuítas, que implantaram igrejas e importantes escolas. E Itabuna repetiria esses feitos.

Maquete do futuro Colégio São José, no bairro da Conceição
(foto Diário de Itabuna)
E o frade apresentou uma maquete aos rotarianos, mostrando o projeto de uma escola, de autoria do arquiteto João Maschesini. O colégio seria uma contribuição importante a ser dada a Itabuna e ao bairro da Conceição pelos frades Capuchinhos no Cinquentenário de Itabuna, no ano de 1960. Presente melhor não existiria, pois além da religião, promovia a cultura e a sabedoria.

E Frei Justo descreveu o projeto, com dois pavimentos, equipados com duas salas para o Jardim de Infância (Educação Infantil), seis salas para o curso Primário (hoje Fundamental I). O prédio escolar também abrigaria a Educação Profissional, uma sala para o curso de Corte e Costura e outra sala para o Curso de Datilografia, abrangendo as crianças no contraturno da sala de aula.

E para completar, uma sala para a assistência médica, e um salão destinado aos divertimentos e reuniões. Cada uma das salas levaria o nome de seus financiadores, uma homenagem dos capuchinhos à ajuda prestada pelos expoentes da sociedade. A apresentação encantou os rotarianos, que prometeram doações e ainda por cima, a mobilização da sociedade.

Só que em meados de 1961/62 as salas 1, 2 e 3 já estavam financiadas e pagas, já as salas 4, dedicada às mães e a 5, da Cruzada Eucarística e a da educação infantil ainda não estavam pagas, aguardando o cumprimento da obrigação pelos financiadores. O mesmo acontecia com as salas 6 a 15, cuja conclusão seria um forte impulso à luta travada contra o analfabetismo.

Embora as obras não tenham seguido conforme o cronograma pretendido – segundo alguns pela mudança da equipe de frades – a Escola foi inaugurada ainda em construção e batizada de São José, homenagem dos Frades Capuchinhos ao Padroeiro de Itabuna. Um avanço a ser reconhecido na história de Itabuna.



*Radialista, jornalista e advogado.