domingo, 23 de agosto de 2026

CARTA ABERTA À IMPRENSA BRASILEIRA

CARTA ABERTA À IMPRENSA BRASILEIRA


Nós, cidadãos brasileiros que ainda acreditam na função social do jornalismo, vimos a público manifestar nossa indignação diante do abismo entre o tratamento dado pela grande imprensa a um candidato à Presidência da República e a um cidadão comum, que não ocupa cargo público, não é candidato a nada e não pede voto.

A pergunta é uma só: por que um é caçado sem provas, enquanto o outro é blindado com provas?

O CASO DE FÁBIO LUÍS LULA DA SILVA

Filho do atual presidente, Fábio Luís não é candidato a nada, não ocupa cargo público, não pede voto. Ainda assim, sua vida foi devassada. Sigilos bancário, fiscal e telemático foram quebrados. Cada contrato, cada movimento, cada centavo foi vasculhado.

O resultado? Nenhuma condenação.

Mesmo assim, segue sendo manchete atrás de manchete, tratado como se fosse o chefe de uma organização criminosa. A fúria investigativa da imprensa contra ele é implacável, mesmo quando a realidade não a acompanha.

O CASO DE FLÁVIO BOLSONARO

Flávio Bolsonaro é senador da República e candidato à Presidência. Ocupa uma das cadeiras mais importantes do país. Pede votos e influencia leis. E qual é o seu currículo público?

Empregou em seu gabinete a mãe e a esposa de Adriano da Nóbrega, ex-PM apontado como chefe de milícia no Rio de Janeiro. O próprio Flávio o condecorou.

Seu gabinete foi o epicentro do esquema da "Rachadinha", com Fabrício Queiroz operando milhões em movimentações atípicas. Sabemos que a denúncia foi anulada por uma decisão técnica. Mas e o mérito? Cadê a investigação jornalística independente?

Acumulou imóveis comprados com dinheiro vivo, indício clássico de lavagem de dinheiro. Tudo documentado.

Pediu pessoalmente sessenta e um milhões de reais a Daniel Vorcaro, banqueiro preso por um rombo bilionário que lesou aposentados, para financiar um filme sobre seu pai. As mensagens e áudios mostram o senador cobrando, agradecendo e chamando o banqueiro de "irmão".

Mora em uma mansão avaliada em quinze milhões de reais, mas declarada por seis milhões de reais. Como? Quem vendeu? Como foi pago? Onde está o restante do valor? Essa é uma pergunta que qualquer jornalista sério deveria estar fazendo em manchete. Mas o silêncio é ensurdecedor.

E qual é o tratamento que a imprensa dá a este senador, candidato à Presidência?Tratamento de vítima. De "perseguido político". De "moderado".

Enquanto isso, a prova mais grave de todas é solenemente ignorada ou tratada como ruído de bastidor:

Jair Bolsonaro, então presidente, gravou uma reunião pedindo intervenção na Receita Federal para parar as investigações contra seu filho Flávio.

Isso não é suspeita. É um áudio. Um documento. Uma confissão de obstrução da Justiça.

Se eu não devo, eu não temo?

O presidente Lula foi claro e público: "Pode investigar." Seu filho foi investigado. E devassado. E exposto. Sem condenação.

Bolsonaro foi claro e público: "Não vou permitir que meus filhos sejam investigados." E a imprensa, em grande parte, tratou essa postura como normal.

Que show da Xuxa é esse?

O vice de Flávio foi relator na CPI do INSS. A sócia de Flávio é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, apontado pela Polícia Federal como sócio e operador do "Careca” do INSS. O dinheiro do Vorcaro, que financiou o filme, vem, em última instância, dos aposentados e poupadores lesados pelo Banco Master.

A ficha corrida de Flávio Bolsonaro é pública. Está nos autos, nos áudios, nos registros de imóveis, nas mensagens de celular, nas declarações de bens. E a imprensa, em sua maioria, finge que não vê.

EXIGIMOS RESPOSTAS:

Cadê a isonomia?Se o sigilo de Fábio Luís pode ser quebrado sem provas, por que a imprensa não exige o mesmo para os sigilos telefônicos, fiscais e bancários de Flávio Bolsonaro?

Cadê a cobertura aprofundada sobre os sessenta e um milhões de reais de Daniel Vorcaro para o filme "Dark Horse"?Quantos minutos de televisão e quantas páginas de jornal foram dedicados a esse escândalo em comparação com as suspeitas jamais comprovadas contra Fábio Luís?

Cadê a indignação com o áudio?Por que a admissão gravada de um presidente tentando obstruir a Justiça para proteger o filho não é a manchete principal de todos os noticiários, todos os dias?

Como a mansão de quinze milhões de reais foi comprada por seis milhões de reais?Cadê a matéria investigativa sobre a origem dos recursos e a identidade do vendedor?

E o que mais está escondido?O que mais foi varrido para debaixo do tapete enquanto a atenção se voltava para um alvo conveniente?

CONCLUSÃO

O povo não é bobo, mas parte da imprensa parece apostar que sim.

Um cidadão sem cargo público é caçado por suspeitas que se arrastam sem conclusão.

Um senador e candidato à Presidência, com um histórico documentado de relações com milicianos, dinheiro vivo, pedidos a um banqueiro preso, uma mansão inexplicável e um pai que tentou obstruir a Justiça por ele, é blindado e retratado como vítima.

A diferença não está na lei. Está no sobrenome e na orientação editorial.

Não aceitamos essa farsa. E cobramos de vocês, que detêm o dever de informar, a mesma energia, o mesmo rigor e a mesma coragem para investigar os dois lados.

Se há crimes, que se mostrem as provas e as algemas. Para todos.

A história cobrará de vocês. Nós já estamos cobrando hoje.

Atenciosamente,

Cidadãos brasileiros atentos e indignados.


sábado, 22 de agosto de 2026

CEPLAC, criada em 1957, ainda atua em Itabuna

CEPLAC, criada em 1957, ainda atua em Itabuna

 


CEPLAC, criada em 1957 para salvar o cacau, mantém raízes em Itabuna, na Bahia

Itabuna, no sul da Bahia, é o coração urbano da Costa do Cacau e carrega na identidade a herança da lavoura que consolidou a região grapiúna. A cidade também mantém uma ligação histórica com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), órgão federal criado em 20 de fevereiro de 1957 pela Lei nº 3.995 para recuperar e expandir a produção de cacau no Brasil. O contexto é detalhado em reportagem do Monitor do Mercado.

Por que a CEPLAC foi criada



Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a criação da CEPLAC ocorreu em um momento em que a lavoura cacaueira vivia uma crise grave e sustentava boa parte das exportações baianas. O objetivo do órgão era recuperar e expandir a lavoura cacaueira brasileira, com um modelo que reunia pesquisa, extensão rural e ensino agrícola em uma única estrutura desde o início.

O resultado apareceu nas décadas seguintes. Entre os anos 1960 e 1980, a produção nacional de cacau cresceu mais de 300%, segundo registros do ministério. A comissão manteve, ao longo desse período, a combinação entre ciência e assistência técnica que ajudou a modernizar a atividade.

A ligação do órgão com Itabuna

A relação entre a CEPLAC e a cidade é reivindicada pelo próprio município. Conforme a Prefeitura de Itabuna, o órgão é descrito como genuinamente grapiúna, termo usado para designar o povo da região cacaueira baiana, e foi fundamental para o estágio de desenvolvimento alcançado pela região.

A estrutura de pesquisa permanece no eixo que liga a cidade ao litoral. O Ministério da Agricultura e Pecuária registra que a coordenação regional para Bahia e Espírito Santo funciona na Rodovia Ilhéus-Itabuna, km 22, onde está concentrado o centro de pesquisas do cacau.

O que a cidade oferece hoje ao visitante

Itabuna assume hoje um perfil urbano e de serviços, funcionando como base para roteiros da região. O centro comercial é um dos maiores do interior baiano, herdeiro do período em que o cacau movimentava a economia regional.

  • Margens do Rio Cachoeira: área de lazer no centro, com espaço para caminhada e atividades ao ar livre.
  • Ita Pedro: grande evento festivo apresentado pela Prefeitura de Itabuna como política de desenvolvimento socioeconômico ligada ao turismo regional.
  • Fazendas de cacau: propriedades abertas à visitação, com produção de chocolate artesanal.
  • Base para o litoral: a cidade fica no eixo rodoviário que leva a Ilhéus e ao litoral sul baiano.
  • Costa do Cacau: circuito turístico regional do qual o município participa junto a cidades vizinhas.

·         A diversificação da economia não apagou a identidade cacaueira. As fazendas produtoras de chocolate artesanal e os roteiros até o litoral fazem de Itabuna um ponto de apoio para quem quer conhecer o interior e as praias do sul da Bahia.

·         Clima em Itabuna ao longo do ano

·         O clima no sul baiano é quente o ano inteiro, com chuva bem distribuída e sem estação seca marcada. No verão, entre dezembro e fevereiro, as temperaturas variam de 24°C a 31°C, com calor forte e umidade alta, além de pancadas de fim de tarde. O outono, de março a maio, é o período mais chuvoso, com 75 a 113 mm, e temperaturas entre 23°C e 29°C.

·         O inverno, de junho a agosto, é apontado como o melhor período para passeios culturais, com temperaturas amenas para o Nordeste, entre 21°C e 27°C, e céu frequentemente nublado. Na primavera, de setembro a novembro, o calor volta gradualmente, com dias mais abertos e temperaturas entre 22°C e 29°C.

·         Os dados de chuva têm como base o Climatempo. As condições podem variar de um ano para outro por influência de El Niño, La Niña e outros fenômenos, o que reforça a necessidade de consultar a previsão atualizada antes da viagem.

·         Como chegar a Itabuna

·         O acesso principal é rodoviário, pela BR-101, que corta o município e o liga ao norte e ao sul da Bahia. De Itabuna, a BR-415 segue para o litoral e para o aeroporto de Ilhéus, o mais próximo da região.

·         A posição geográfica transforma a cidade em base prática para quem pretende visitar as fazendas de cacau do interior e depois as praias do litoral, já que ambos os trajetos partem dali. O caso de Itabuna ilustra o legado de um ciclo econômico que perdeu força: a lavoura encolheu, mas permaneceram o comércio, a estrutura de serviços e um órgão federal de pesquisa ainda dedicado à cultura que ajudou a construir a identidade da economia regional.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

FOI A CANAVIEIRAS E VOLTOU SEM CONHECER A CIDADE

 

FOI A CANAVIEIRAS E VOLTOU SEM CONHECER A CIDADE


E o colega Damasceno não conheceu a bela Canavieiras

Por Walmir Rosário*

Certa feita, o colega jornalista Tyrone Perrucho convida os colegas da Divisão de Comunicação da Ceplac (Dicom) para uma visita de fim de semana a Canavieiras. Aprovação geral, diante das histórias contadas pelo anfitrião sobre a cidade, a hospitalidade dos nativos, as praias, as belezas naturais e a hospitalidade. Fretariam um ônibus, sairiam às primeiras horas da manhã e retornariam na boca da noite.

Saída agendada para as 5 da manhã, a partida foi adiada por dois períodos de tolerância de 15 minutos para completar a lotação do ônibus pelos passageiros retardatários. Já com a porta fechada, eis que chega esbaforido Nisvaldo Damasceno, recém-saído do último estabelecimento etílico onde passara a noite em uma memorável farra.

E a chegada de Damasceno foi uma festa, afinal, todos estavam ansiosos para conhecer pessoalmente Canavieiras, a conhecida Princesinha do Sul, Terra Mater do cacau, contada em prosa e verso pelo colega Perrucho. E os turistas ceplaqueanos estavam ávidos para chegar cedo, haja vista que a estrada não era lá essas coisas, ainda de terra batida.

Todos já faziam planos sobre a visita, os comes e bebes tão propalados, as preciosas moquecas de peixes pescados quase na hora, a famosa “Cabeça de Robalo”. Iguaria tida como a mais fina da culinária local, ganhou fama após as grandes encomendas feitas por Antônio Carlos Magalhães (ACM) para as grandes recepções no Palácio de Ondina.

Alguns mais chegados ao turismo etílico não viam a hora de visitarem os barzinhos de ponta de rua, que serviam cerveja bem gelada nos velhos refrigeradores que funcionavam a querosene e a gás. Também comeriam os tira-gostos de carne de jabá, cortada na hora, e assada no papel de embrulho alimentado com álcool. Tudo como nas histórias contadas por Perrucho.

Com Nisvaldo Damasceno já acomodado nas últimas poltronas dormindo o sono dos justos, somente era lembrado assim que roncava mais alto. Na primeira parada na estrada continuou dormindo, e estrada afora refastelado nos braços de Morfeu. Ao ser acordado pelos colegas em solo canavieirense se deu conta que calçara um par de meias trocadas, o que pouco importava.

Ainda acometido pela farra da noite anterior, a contragosto, desce do ônibus e embarca numa canoa com destino à ilha da Atalaia (ainda não existia a ponte). Canoa lotada, na travessia após algumas brincadeiras feitas pelos colegas, sem querer faz um movimento brusco e quase cai da embarcação, sendo salvo providencialmente pelos colegas.

Na ilha da Atalaia, os visitantes iniciam uma nova farra, e para se livrar da ressaca do dia anterior “mergulham em águas profundas”, armazenadas em garrafas e litros, quentes ou geladas. Tira-gostos de peixes e camarões fritos, a famosa Cabeça de Robalo, e outras iguarias servidas por Domingão no não menos famoso “Meu Cacete”, nome de batismo do boteco e restaurante mais conhecido da Atalaia.

E era uma festa sem igual, uns tomavam banho no riacho ao lado, outros foram conhecer a praia. Sem a menor cerimônia provavam todas as bebidas que lhes eram oferecidas, quentes ou bem geladas, demonstrando bom apetite com os acepipes servidos e que faziam jus às histórias contadas pelo colega Tyrone sobre sua terra natal.

Após o festival de tira-gostos e moquecas, retornam a centro de Canavieiras, entram no ônibus e fazem um rolê pela cidade. Mais uma parada foi feita na saída da cidade para o reabastecimento da bebida. Na saída é que sentem a ausência de Damasceno, encontrado nas últimas poltronas do ônibus, dormindo como um anjinho, não fosse o barulho do ronco. Acordou já em Itabuna, sem saber que estaria em terra firme e próximo de casa.

No dia seguinte, em plena segunda-feira de trabalho, eis que Nisvaldo Damasceno chega à Divisão de Comunicação (Dicom) meio desanimado. Logo ao assinar o livro de ponto ouviu os colegas comentando as peripécias da viagem, os atos, fatos e gozações, o que eram novidades para ele. E aí Damasceno não resiste e pede a Tyrone Perrucho: “Eu preciso que você marque nova viagem, pois passei um dia inteiro por lá e não tenho a menor ideia de como é Canavieiras”.

Após sua aposentadoria da Ceplac, Damasceno – grande digitador e revisor sem igual – o convidei para trabalhar nos jornais Agora e A Região. Sempre que comentávamos sobre a viagem ele renovava o pedido de um segundo passeio e, apesar das constantes solicitações não foi atendido na nova excursão. E Damasceno partiu deste mundo sem jamais ter conhecido Canavieiras.

*


*Radialista, jornalista e advogado.

A trajetória de Emerson entre os calçados e as lentes que eternizaram Itabuna

 

A trajetória de Emerson entre os calçados e as lentes que eternizaram Itabuna


Nascido em 30 de junho de 1918 na cidade baiana de Paripiranga, Emerson teve um início de vida marcado pela perda precoce do pai aos quatro anos de idade. Essa ausência exigiu um amadurecimento rápido, levando-o a ingressar no mercado de trabalho aos doze anos na fábrica de calçados do tio. Antes de encontrar o seu caminho definitivo nas artes visuais, ele experimentou diversas profissões. Atuou como modelador de sapatos, vendeu apólices de seguro da previdência e capitalização, além de trabalhar como escrivão do júri e de execuções criminais.

A busca por novas oportunidades o guiou para o sul da Bahia em maio de 1948, quando começou a atuar na venda de ampliações fotográficas. Estabeleceu-se inicialmente em Itajuípe e, na antiga localidade de Pirangi, casou-se com Estelita, união da qual nasceram seus sete filhos. Mostrando sua veia empreendedora e aproveitando o conhecimento adquirido na juventude, montou sua própria fábrica de calçados em Itajuípe, estruturando uma vida aparentemente consolidada no ramo coureiro.

Os caminhos da vida pessoal e profissional passaram por desvios significativos e mudanças de rota. Após o desquite, ele tomou a decisão de retornar com os filhos para Paripiranga, buscando o apoio da família para criá-los. Algum tempo depois, o magnetismo da região cacaueira falou mais alto e ele voltou ao sul da Bahia, fixando residência definitiva em Itabuna. Nessa nova fase, encontrou sua segunda companheira, Bernadete, que se tornaria seu braço direito e o auxiliaria cotidianamente ao longo de sua jornada.

Em Itabuna, a transição para a fotografia não ocorreu de forma imediata. Primeiramente, ele abriu uma loja de sapatos na Avenida Cinquentenário, no prédio onde funciona o Lord Hotel. Anos mais tarde, decidiu abandonar o comércio varejista para abraçar de vez a profissão de repórter fotográfico, transformando uma inclinação pessoal em um projeto de vida duradouro. Curiosamente, apesar de sua dedicação intensa a esse ofício, nenhum de seus sete filhos decidiu seguir a carreira com as câmeras.

Totalmente dedicado à nova profissão, ele se tornou uma testemunha ocular de momentos cruciais da região. Realizou coberturas históricas, como a eleição da itabunense Maria Olívia Rebouças a Miss Brasil e a vitória de Telma Brandão como Miss Bahia. Também documentou tragédias marcantes, a exemplo da grande enchente do rio Cachoeira em 1967. A empresa Foto Emerson funcionou por 47 anos no número 437 da Avenida Cinquentenário, consolidando-se como uma referência no centro da cidade até encerrar suas atividades sete anos antes dos relatos históricos sobre sua vida.

O acervo construído ao longo de quase sessenta anos de carreira é composto por imagens simples e ricas, preservando ritos do cotidiano e paisagens livres do esquecimento. Embora o pioneirismo fotográfico no município pertença a Omar Cana Brasil, que já atuava na área em 1915 e fundou o Cine Teatro Itabuna, o trabalho contínuo de Emerson garantiu a ele o status de personalidade cultural de grande relevância. Ele soube flagrar os instantes da existência humana sob sol e chuva, sendo reconhecido pelos concidadãos como um verdadeiro mestre da imagem.

Para além da técnica, sua postura diante do mundo chamava a atenção de todos ao seu redor. Ele provou ser possível alcançar metas ambiciosas sem atropelar os semelhantes, cultivando a solidariedade, a verdade e a honestidade. Era um homem simples, desprovido de ressentimentos e dotado de uma clareza de pensamento notável. Sabia reconhecer o lado positivo das pessoas, entendendo que a razão e a emoção nos diferenciam dos bichos e nos tornam de fato humanos.

Residente no número 517 da Rua Francisco Ferreira da Silva, no bairro de Fátima, ele manteve a lucidez e a serenidade até os seus últimos momentos. O reconhecimento público por seus serviços prestados à comunidade culminou com o recebimento do título de Cidadão Itabunense, honraria concedida um ano antes de seu falecimento. Aos 98 anos de idade, no ano de 2016, Emerson despediu-se da vida em Itabuna, bem de corpo e alma, deixando a história da região perpetuada em seu vasto arquivo visual.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

CANAVIEIRAS SEDIA A 5ª EDIÇÃO DO FESTIVAL LITERÁRIO SUL BAHIA

CANAVIEIRAS SEDIA A 5ª EDIÇÃO DO FESTIVAL LITERÁRIO SUL BAHIA


A partir de quinta-feira (20), Canavieiras sediará a 5ª edição do Festival Literário Sul Bahia (Flisba). A programação prossegue até sábado (22), com mesas de discussões literárias, rodas de conversa, exposições, mostra de Slam (competição de poesia falada), feira de economia solidária, lançamentos e vendas de livros e apresentações musicais de artistas locais. O festival deste ano celebra a “Literatura e Sustentabilidade: um encontro com a cultura popular”.

A maior parte das atividades será concentrada no Sítio Histórico de Canavieiras, um dos mais antigos e mais bem preservados da região. Além de histórico, o município do sul da Bahia é também um importante polo de produção da literatura grapiúna, sendo a terra natal da escritora Elvira Foeppel e onde morou o escritor Afrânio Peixoto, imortal da Academia Brasileira de Letras.

O Festival Literário Sul Bahia é gratuito e aberto a todos os públicos, o que inclui uma programação específica para o público infantil. No Flisbinha, as crianças de todas as idades poderão participar de diversas ações, como contação de histórias e brincadeiras.

O Flisba chega também para impulsionar a inserir definitivamente no calendário turístico e cultural de Canavieiras o Festival Literário da Academia de Letras e Artes de Canavieiras (ALAC), segundo avalia Ely Carvalho, presidente da Academia de Letras de Canavieiras e professora no município. “É um momento de valorizar o que é nosso, de fortalecer nossas raízes e de mostrar ao mundo que Canavieiras é terra de palavras, de arte e de cultura”.

O objetivo do Flisba é organizar um encontro literário e cultural do Sul da Bahia, em que a literatura dialoga com a diversidade, as tradições e os saberes do povo. A proposta do Coletivo Flisba é aproximar os escritores da população local e promover reflexões no âmbito da literatura regional e dos fazedores de cultura.

EX-SECRETÁRIO DE CULTURA


A abertura do evento, na quinta-feira (20), contará com a palestra de Albino Rubim, ex-secretário de Cultura do Estado da Bahia e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba). No mesmo dia, às 16h, será promovido o Cortejo Cultural da Sustentabilidade. Haverá ainda a exposição “Adonias Filho – A voz literária do sul da Bahia” e a exibição do documentário “Adonias“, numa parceria com a Academia Grapiúna de Artes e Letras (AGRAL).

Serão promovidas ainda mesas de debates desde o primeiro dia, com a participação de escritores, fazedores de cultura e ambientalistas do sul da Bahia, a exemplo de Tácio Dê, Pawlo Cidade, Luh Oliveira, Silmara Oliveira, Rogério Medrado, Roger Ferreira, Maria Rita Prudente, Sheilla Shew, Alderacy Júnior, Valdir Rios e Marcos Luedy.

Além de Tallýz Man, Amélia Torres, Hitxá Pataxó, Mona Kizola, Sara Araújo, Adroaldo Almeida, Clarissa Melo, Gilberto Leôncio, Elialda Avelino, Eufra Modesto, Walmir do Carmo, Mirian Oliveira, Franklin Costa, mestra Lainha, Aline Gonçalves, Lúcio Solis, Rodrigo Ramos, Coletivo Casa dos Sonhos, Erikson Walla, Efson Lima e Igor Luiz e diversos outros, por meio dos lançamentos de livros e participação das editoras.

Um dos incentivadores da 5ª edição do Flisba em Canavieiras é o professor Vitor Fábio, das redes municipal e estadual de educação. Para ele, Canavieiras merece sediar o festival literário porque carrega em sua história séculos de memória, cultura e identidade, expressos em seus cenários, em suas tradições e nas narrativas construídas por meio da literatura e da oralidade.

O Flisba deste ano conta também com os apoios do Centro Público de Economia Solidária (Cesol) do Litoral Sul, gerido pela organização social Querinos, mantido pelo Governo do Estado da Bahia; das Academias de Letras de Canavieiras e de Ilhéus; e da Prefeitura de Canavieiras, por meio das secretarias de Educação e Cultura, do Conselho Municipal de Cultura e Associação Viver e Construtores em Ação.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

PINGA SE JUNTA À NATA DO FUTEBOL DO PASSADO - POr.: Walmir Rosário

 

PINGA SE JUNTA À NATA DO FUTEBOL DO PASSADO

Os craques Amilton (E) e Pinga (D)

Por Walmir Rosário*

Os torcedores de Itabuna e Ilhéus que não conheceram a rivalidade entre as duas torcidas perderam uma grande fase da história entre as duas cidades, principalmente no futebol de alta qualidade jogado naquela época. O mais grave é que poucos têm conhecimento que foi um ilheense quem marcou o fatídico gol da Seleção de Itabuna, contra o selecionado de Alagoinhas (na casa adversária) responsável pelo Hexacampeonato Baiano de Amadores do ano de 1965, finalizado em 30-01-1966.

E o nosso herói atendia pelo nome de Wilson Dias da Costa, embora batizado no meio futebolístico como Pinga, como ficou conhecido pelos torcedores e os amigos Itabunense por toda a sua vida. Nascido no distrito ilheenses de Banco Central, em 1953 veio morar em Itabuna, e como todo o menino daquela época era presença garantida nos babas dos inúmeros campinhos de Itabuna.

Não demorou muito para ser reconhecido pela diretoria do Náutico Juvenil como um garoto bom de bola, futuro garantido no futebol amador. E não deu outra, Pinga ganhou destaque no Janízaros, único time amador pelo qual jogou. Com a criação e entrada do Itabuna no futebol profissional, lá estava Pinga, o centroavante, fazendo seus importantes gols.

E Pinga não se limitava a se postar na área à espera de bola para partir para o gol, se o jogo estivesse “devagar” ele sabia recuar e buscar a bola no meio de campo para “espremer” o adversário na defesa até fazer os gols. Aos poucos, sua atuação em campo chamou a atenção de dirigentes de outras equipes, inclusive fora de Itabuna, mas Pinga se recusava a sair de Itabuna.

Em terras Grapiúna tinha emprego garantido no Banco Baiano da Produção, e em seguida, aprovado no concurso do Banco do Brasil, não descuidou da bola, embora tivesse o futebol com um esporte que lhe garantia uma segunda fonte de renda. Com Marinho e Nelsão era um trio artilheiro “matador” que conhecia cada pedaço do velho e famoso Campo da Desportiva.

Sua história na Seleção de Itabuna iniciou em 1963, ao ser convocado para a disputa e vitória do Tetracampeonato, repetindo a dose no ano seguinte na conquista do Pentacampeonato. Certa feita me confidenciou que não existia nada igual ao jogar na Seleção Amadora de Itabuna ao lado de Santinho, Fernando e Carlos Riela, Tombinho, Ronaldo, Abiezer e tantos outros craques de verdade.

Certa feita em férias no Rio de Janeiro se encontra com o amigo e colega de futebol, Bel para acompanha-lo a um treino no Botafogo carioca, onde faria teste. Convite aceito, ao chegarem em General Severiano, o técnico Paraguaio quis saber quem era o colega de Bel e o convidou para participar. Não deu outra: dos cinco gols, três deles foram marcados por Pinga e os outros dois por Bel.

Convidado por Paraguaio para participar de outro treino, Pinga simplesmente agradeceu ao técnico, declinando do honroso convite, explicando que se encontrava a passeio no Rio de Janeiro. Com a simplicidade de sempre, retornou a Itabuna para cuidar dos seus afazeres futebolísticos e bancários, com a mesma naturalidade que marcava seu perfil.

Os que conheceram Pinga em sua vida profissional e no futebol o admiravam pela sua conduta exemplar e a responsabilidade com futebol. Alguns diziam que o futebol fazia parte do seu sangue, e tinham razão. Outros irmãos de Pinga também jogaram futebol amador em Itabuna, a exemplo de Nau, goleiro do Flamengo, Fluminense e Seleção; Régis, lateral esquerdo do Janízaros e Seleção; Gílson, quarto zagueiro do Janízaros; e Dilson, meio-campo do Janízaros.

E como o DNA da Seleção de Itabuna era marcado por moléculas vencedoras, Pinga não desbotava quando entrava em campo qual fosse o adversário. Jogava para vencer. Certa feira, após sofrer uma derrota para a Seleção de Ilhéus, não perdoou, mesmo sendo ilheense e sofreu como se a Seleção Itabunense tivesse perdido para um adversário qualquer, sem a qualidade dos ilheenses.

Essa história de peso da camisa era mera firula, segundo Pinga, tanto assim que dizia respeitar cada adversário, mas que entrava em campo para fazer gols e vencer, pois tinha consciência da qualidade dos companheiros. Ele dava risada quando perguntado pelas táticas empregadas pelos técnicos daquela época. Sabíamos como eles jogavam mas se não desse certo, nós mesmos em campo éramos quem tínhamos que resolver.

De toda a sua carreira de futebol Pinga fala com satisfação de sua convocação para a Seleção de Itabuna. Para ele, o Tetra e o Penta foram bons, embora sua consagração tenha sido definida no Hexa. Era um jogo na casa do adversário e que tínhamos a responsabilidade de vencer, pois empatamos no Campo da Desportiva, portanto, em casa, por 3X3. Bastava marcar um gol e pronto.

Só que nossos adversários complicaram o jogo e Pinga conseguiu marcar aos 35 minutos do segundo tempo. Foi uma festa sem igual, que iniciou em Alagoinhas e só terminou em Itabuna uma semana depois. Enfim, estava garantida a superioridade itabunense, conquistando o Campeonato Baiano Intermunicipal de Amadores, por seis vezes consecutivas.

Mas neste mundo nem tudo é alegia e cada coisa tem seu tempo, tanto é assim que no sábado, 8 de agosto de 2026, Wilson Dias da Costa, o Pinga, aos 83 anos, nos deixa, para a tristeza dos seus familiares e muitos amigos. Seu corpo foi velado e sepultado em Itabuna, a cidade que adotou e que amava, com a presença de seus parentes e amigos. Com certeza está reunido com os amigos futebolistas no Oriente Eterno, os quais formam uma seleção fenomenal.


*Radialista, jornalista e advogado.