NOS ESCRÍNIOS DA MEMÓRIA – MAIS UMA BELA OBRA DE DURVAL
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| O mais novo livro do professor Durval |
Por Walmir Rosário*
Um Raio X de corpo inteiro, ou uma tomografia computadorizada, para ser mais contemporâneo, foi o que achei do mais novo livro de Durval Pereira da França Filho, “Nos Escrínios da Memória”. Li e reli com bastante atenção. A primeira vez para elaborar a apresentação de mais uma consiste obra do amigo, bancário, poeta, historiador, professor e escritor canavieirense. A segunda, para estas linhas.
Falar sobre a capacidade intelectual do professor Durval é “chover no molhado”, haja vista sua farta obra deste graduado e pós-graduado em História, mestre em Cultura e Turismo pela Universidade Estadual de Santa Cruz/Universidade Federal da Bahia. Também membro cofundador da Academia de Letras e Artes de Canavieiras (Alac).
De pronto, antes de tecer qualquer comentário sobre a obra ora em questão, me dou à permissão de ressaltar a coragem do homem e escritor Durval em autobiografar a si mesmo. Produziu um trabalho literário de alta qualidade, mais que isso: isento, perfeito, sem puxar a sardinha para sua brasa, dado o equilíbrio, desambição, sem qualquer apego ao estrelismo. Já era o esperado.
Como tive a oportunidade de ressaltar na apresentação, Nos Escrínios da Memória, “trata com fidelidade grande parte de sua vida, retratada na família, sua infância na fazenda, no outrora distrito de Jacarandá, hoje extinto como vila, mas perpetuado como história. O majestoso rio Pardo, o Caboclão e a Fazenda Córrego Verde fazem parte desta obra. E Como!”.
Com fidelidade e riqueza de detalhes, o título “Nos Escrínios da Memória” promete e entrega de forma franca a chegada da família em Canavieiras; a infância na Fazenda Córrego Verde, na burara Caboclão; a adolescência em Canavieiras, as experiências na Igreja Adventista, o ingresso no Ginásio Osmário Batista, a posse no Banco do Brasil e o despertar para a leitura.
Também conta suas experiências na juventude, a começar pela “escola” Banco do Brasil, o golpe militar de 1964, os estudos na Faculdade de Filosofia de Itabuna (Fafi). Participou da fundação do Jornal Tabu (que viveu 50 anos), seu casamento, a participação em congressos religiosos e culturais, inclusive nas comemorações do centenário do escritor Afrânio Peixoto e escreveu dois livros sobre a memória de Canavieiras.
Na maturidade não ficou quieto em seu canto e resolveu voltar aos estudos superiores na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), no curso de História, Especialização e Mestrado. Foi o primeiro secretário de Cultura de Canavieiras, escreveu livros, exerceu o magistério até o terceiro grau e é considerado o guru de centenas de jovens em Canavieiras e adjacências.
No Posfácio do livro, o professor Paulo Aguiar relembra que o professor Durval sempre esteve à frente do seu tempo e a despeito do status local sempre atento à sociedade, o que lhe permitia ver no outro, sobretudo entre os jovens mais humildes o potencial de crescimento pessoal, espiritual e intelectual. Ele mesmo se considera um desses.
Com toda a sinceridade, Nos Escrínios da Memória, o professor Durval – como insisto em nomeá-lo –, passa por um processo de lapidação como um diamante bruto, no qual um menino de roça começa a ser desbastado e a cada contorno se apresenta promissor. O garoto da roça, cabeçudo, pernas finas passa por etapas, ganha novos ângulos.
No polimento final, cintila seu texto escorreito na prosa e verso; na vida um ser resiliente, cuja capacidade de superação das adversidades se torna presente em si e na coletividade. Neste livro, o mestre, do próprio punho, conta a trajetória de uma pessoa simples, observadora, inteligente, que escolheu o modo de vida e o segue fielmente, sempre atento às possibilidades.
Na verdade, o livro nos mostra um Durval de cada época, situação, como no exemplo do diamante, lapidado por um Mestre Maior, temente a Deus, chefe de família exemplar, homem de muitos amigos, mestre de muitos discípulos. Não é sem motivos que se corresponde com amigos e intelectuais de boa parte deste mundo, sendo reverenciado pelo que é e o que produz.
Para os que o conhecem não foi nenhuma novidade ler Nos Escrínios da Memória um texto autobiográfico firme, correto, verdadeiro, sem tirar nem por e sem pieguice. É uma obra para ser lida e admirada, como o é e sempre foi o personagem de menino ao alto dos bem vividos 80 anos. Um admirador do bom futebol e botafoguense de quatro costados.
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Radialista, jornalista e advogado.








