sexta-feira, 13 de março de 2026

RENATO COSTA RECEBE A COMENDA 2 DE JULHO

 

RENATO COSTA RECEBE A COMENDA 2 DE JULHO

O ex-deputado Renato Costa exibe a Comenda
indicação do deputado Pancadinha (Vídeoframe)

Por Walmir Rosário*

O respeito ao contraditório é uma das virtudes que marcou a trajetória do Renato Costa dentro e fora da política. Como médico é visto como humanista nos 58 anos de carreira profissional. Essa compostura fez de Renato Costa um amigo leal dos que tiveram a oportunidade de conhecerem e conviverem com ele em todos os setores da sociedade.

Essas características foram determinantes para conferir a Renato Borges da Costa, ex-parlamentar, a Comenda 2 de Julho, mais alta honraria conferida pela Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) às pessoa dedicadas às grandes causas. A indicação foi do deputado estadual itabunense, Pancadinha (SD), por meio da Resolução 2.263/2025 e a solenidade de entrega foi realizada nesta sexta-feira (13), em sessão especial no Plenário Orlando Spínola.

Para Renato Costa o homem é sua circunstância e a dele é retornar à esta Casa Legislativa onde esteve por 8 anos, tempo de boa convivência. Para ele, a Comenda é motivo de honra e responsabilidade, por ser símbolo carregado de história, pois representa a confirmação de independência gestada de forma coletiva, o que orgulha o povo baiano.

E de início o deputado Pancadinha traçou um breve perfil do homenageado, classificando-o como “um homem ínclito, parlamentar competente e atento, em resumo um cidadão digno dos maiores elogios pela sua vida pública e privada”. Em seus mandatos como deputado estadual (1995 a 2003), Renato Costa concentrou sua atuação nas áreas da saúde, educação e segurança pública, e às necessidades do Sul da Bahia, com ênfase em Itabuna e Ilhéus.

Na medicina, seu sacerdócio, o doutor Renato Costa sempre foi fiel ao preceito de que o médico deve agir de tal modo que a sua ação possa se tornar uma lei universal, com a integridade moral sendo a base prática da medicina – como reza o juramento de Hipócrates – exercendo a medicina com dignidade e consciência, colocando a saúde e o bem-estar das pessoas acima de qualquer outro interesse.

Outro grande destaque do deputado estadual Renato Costa foi a incessante defesa do interesse da sociedade baiana, especialmente do Sul da Bahia, notadamente Itabuna, Ilhéus e região. Participou e presidiu importantes comissões parlamentares, como a de Proteção ao Meio Ambiente; a CPI para Apurar Adoções de Crianças por Estrangeiros na Bahia; Saúde e Saneamento; a Especial do Cacau; a CPI para Apuração de Ilicitudes na Manipulação dos Recursos SUS (2000-2002), Agricultura e Política Rural, dentre outras.

A militância política de Renato Costa é oriunda do período estudantil, na qual travou lutas pela liberdade de opinião presente em qualquer democracia e contra a opressão na ditadura militar. E esse contato próximo com a sociedade o preparou para o exercício da medicina, sem distinção, trazendo essas convicções para a política.

E a partir de 1989, Renato Costa passou a atuar diretamente no campo político ao ser eleito vice-prefeito de Itabuna (1989-1992); deputado estadual pelo Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB (1995-1999); reeleito pelo Partido Socialista Brasileiro – PSB, 1999-2003. Na Assembleia legislativa exerceu diversos cargos, a exemplo de Líder da Minoria, vice-líder do PMDB; vice-líder da Minoria; Vice-líder do PSB; líder do Bloco PSDB/PSB; líder do PSB; e vice-líder do Bloco Parlamentar, dentre outros.

Pela sua postura democrática, Renato Costa defendeu com maestria um conjunto de ideias, debatendo com grupos adversários, de forma veemente, porém reverente e altiva. E esse respeito à diversidade política conferiu ao parlamentar a deferência dos colegas de atuação em campos opostos, pela tolerância, o diálogo permanente e a pronta solução de conflitos.

Como fez questão de ressaltar o deputado Pancadinha, em 2001, Renato Costa recebeu o Prêmio Destaque Parlamentar, concedido pelo Comitê de Imprensa da Assembleia Legislativa da Bahia. Dentre os atributos, sua atuação, pois além de excelente orador – constante na tribuna – também trabalhou com afinco nas comissões técnicas.

Na Santa Casa de Itabuna, Renato Costa sempre se destacou como líder e participou ativamente da criação do primeiro serviço de Nefrologia e Hemodiálise do interior da Bahia, depois transformado no Centro de Estudos Professor Edgard Santos, em 1974, hoje uma Fundação. Foi, ainda, fundador da Unimed e do Sicred de Itabuna e realizou a primeira sessão de hemodiálise do interior da Bahia.

O Governo da Bahia, inclusive, reconheceu a sua dedicação e trabalho pioneiro em prol da nefrologia e dos pacientes renais crônicos conferindo o nome de Dr. Renato Costa ao novo Centro de Hemodiálise de Itabuna, com 54 leitos para pacientes renais crônicos. Hoje, preste a completar 85 anos, acompanha, religiosamente os pacientes.

*


Radialista, jornalista e advogado.


quinta-feira, 12 de março de 2026

GABRIELA CRAVO E CANELA REALMENTE EXISTIU?

GABRIELA CRAVO E CANELA REALMENTE EXISTIU?

 


Gabriela Cravo e Canela, personagem de um dos maiores escritores do país, que divulgou a Bahia para o mundo, Jorge Amado é uma mulher bela e naturalmente sensual, que encantou o país inteiro, através da interpretação da atriz Sônia Braga

A personagem amadiana com seu belo sorriso e graciosidade, encantava a todos na cidade de Ilhéus, no sul da Bahia dos anos 20.

E a Gabriela, Cravo e Canela, realmente existiu?

Existiu, sim!

Era Maria de Lourdes do Carmo Maron, nascida em Ilhéus no ano de 1920 e era filha de imigrantes portugueses, tornando-se musa inspiradora do escritor baiano para compor a encantadora personagem.

O escritor baiano sempre negou tal inspiração, pois familiares de Maria de Lourdes afirmam que o escritor negava, pois não queria pagar indenização com a venda dos livros.

Maria de Lourdes não tinha semelhança física com a Gabriela, descrita por Jorge Amado, no seu romance e nem com sua intérpretes na tv, Sônia Braga e Juliana Paes, mas tinha uma certa graciosidade.

A musa inspiradora do Amado Jorge era casada desde seus 20 anos com Emílio Maron, filho de um imigrante libanês, Assad Maron, que comprou o lendário e histórico Bar Vesúvio e ele próprio dizia que Maria de Lourdes falava que casou, mas nunca gostou dele.

Só para não fazer confusão com as datas: a verdadeira Gabriela, Maria de Lourdes, viveu nos anos 20, o livro Gabriela Cravo E Canela foi publicado em 1958 e a novela global estrelada por Sônia Braga e o saudoso Armando Bógus foi foi ambientada nos anos 20, e foi ao ar foi em 1975, com um elenco de estrelas: Paulo Gracindo, Fúlvio Stefanini, Nívia Maria, Elisabeth Savalla, Eloísa Mafalda, Ana Ariel, Dina Sfat, dentre outras feras.

A novela global ganhou um remake, em 2012 e nem de longe chegava "aos pés " da versão dos anos 70, e contou com muitos baianos no elenco, como Bertrand Duarte (Alfredo Bastos), Ildi Silva (Quitéria), o saudoso Ilya São Paulo (Dr. Pelópidas), dentre outros.

Familiares da verdadeira Gabriela moram em Ilhéus, mas falam muito pouco, ou quase nada, sobre o assunto e dizem que Maria de Lourdes tinha uma mágoa de Jorge Amado, e inclusive o neto dela, Hélio Lima Jr, em entrevista para o site CenaBahia de julho/2012, afirmava que Maria de Lourdes não queria que Jorge pisasse os pés em Ilhéus, pois ele "iria ver".

Diziam também que, após a publicação do romance, Maria de Lourdes passou a apresentar problemas cardíacos, o que causou o seu falecimento.

Curiosidades da nossa Bahia!

  • Participem do nosso grupo, clicando no link abaixo e participando como membro!

Foto/Reprodução da Internet.

#ilheus, #ilheusbahia#jorgeamado#gabrielacravoecanela#soniabraga#ArmandoBogus#barvesuvio#elizabethsavala#fulviostefaninni#eloizamafalda#paulogracindo#DinaSfat

sexta-feira, 6 de março de 2026

ACronica de Walmir Rosário

 

COMO A PRAIA DOS MILIONÁRIOS RECEBEU ESSE NOME

Praia dos Milionários, point dos itabunenses - Foto José Nazal

Por Walmir Rosário*

No final da década de 1960 e início de 1970 o point ilheense era o distrito de Olivença. Distante 18 quilômetros da sede, era frequentada por poucos ilheenses e ainda menos itabunenses. Estrada de chão, muita poeira, areia e as chamadas costelas de vaca tornavam a viagem uma aventura. O local de área veraneio, férias ou outros desafios. Destino de alguns abastados.

Alguns itabunenses também possuíam casas, sítios ou fazendas na antiga estrada Pontal-Olivença, entre eles a família Messias. Num desses domingos, Berger Brasil, da Loja Consul, que atendia a Classe A de Itabuna, se dirigiu para encontrar o amigo José Badaró e encontra outro chegado, Antônio Brito, que o convida para passar o dia com eles.

Após as desculpas de praxe, Brasil explica que tem compromisso firmado em Olivença, onde iria jogar um baba, e para tanto, carregava uma bola e um isopor cheio de cervejas em lata. Diante da extensão do convite para o próximo domingo, prometeu que apareceria com os colegas para o prometido baba. E chegou com uma boa turma, boa de bola e de cerveja.

De maneira informal, começaria ali a primeira partida do futuro Baba dos Milionários, que fez história e batizaria uma das mais importantes praias da zona sul de Ilhéus. No domingo seguinte – o terceiro –, apareceram também alguns ilheenses, a exemplo de Ninho (Marcos Vieira). A ideia era manter os jogos entre os itabunenses e os ilheenses.

E tudo combinava favoravelmente entre eles, pois na semana posterior apareceu um senhor de nome Sidrak, com uma galinhota (carrinho de mão) carregada de cerveja gelada. A turma jogou o baba, bebeu a cerveja que levaram e ainda acabou todo o estoque do Sidrak. Naquele dia ficou mais que provado que o baba teria vida longa e os jogos seriam entre as seleções de Itabuna e Ilhéus.

Iram Marques, o Cacifão

Na segunda-feira, Renato Cunha e Ninho resolvem comprar os uniformes das duas seleções. Nisso Berger Brasil encarrega Iram Marques (Cacifão) de comprar as camisas para a Seleção de Itabuna. E por ironia do destino, ele encontra as camisas nas cores amarela e preta, no padrão da bandeira itabunense. Agora seria apenas imprimir o nome.

De repente, Renato Cunha e Ninho resolvem mudar o nome dos times, para evitar o acirramento da rivalidade existente entre as duas cidades no futebol amador. A ideia era nomear a tal Seleção de Itabuna com um nome tupi-guarani. Ao dar a contra ordem a Cacifão, Brasil ouve o que não queria:

– Agora é tarde, Brasil, as camisas já estão impressas. E o nome é Os Milionários –, informou Cacifão.

E para justificar, Iram Marques, do alto de sua sabedoria e criatividade, convenceu os amigos com a narrativa de que o nome criado por ele era perfeito, pois só participava do baba quem tinha dinheiro, possuía carro, argumentando que nem todos poderiam ir, já que sequer existiria linha de ônibus. E assim Os Milionários foi o nome aprovado.

E o baba se tornou sucesso em Itabuna e Ilhéus, tanto que Os Milionários também passou a dar nome à conhecida a praia onde as partidas eram jogadas. A cada domingo chegavam novos pretendentes, muitos desconhecidos, o que levou Cacifão a adotar nova estratégia para manter o grupo pioneiro unido.

O controverso Iram Marques (Cacifão), que à época não possuía carro, saía de Itabuna para Ilhéus no ônibus das 5 da manhã e conseguia chegar de táxi primeiro que todos. Munido de uma prancheta e papel pautado, escalava os times a seu bel prazer, além de ditar todas as regras no sentido de afastar os menos favorecidos, financeiramente.

E Cacifão passou a instituir taxas para a lavagem do material esportivo (30,00, em moeda da época), além da quantidade de cervejas e tira-gostos que cada um deveria levar. Mesmo que o pretendente fosse bom de bola, era vetado, não importando os pedidos. Com isso, os incidentes entre a rivalidade entre as duas cidades também permaneceram zerados.

E o baba dos Milionários, como passou a ser chamado, ganhou a atenção dos boleiros e da mídia. Um dos primeiros jogadores profissionais a jogar no baba foi Jorge Campos, atacante do Bahia, levado pelo seu irmão César Campos. Em outra feita apareceram o jogador do Flamengo e Seleção Brasileira, Júnior (Capacete) e o técnico Cláudio Coutinho.

Dentre os frequentadores pioneiros do baba dos Milionários: Berger Brasil, Renato Cunha, Antônio Brito, Eduardo Brito, Iram Marques (Cacifão), José Verdinho, João Carlos Fontes, César Campos, Antônio Wense com os filhos Ronie e Marcos, Edulindo, Erick Etinger, Tonho Bicudo, Tonhão, Ninho, Geraldo Sessa, George Cordeiro, Alcides Paulino, Chico Orelinha, Dr. Alair, os 4 irmãos Andrade, Haroldo Messias, dentre outros.

Essa é a verdadeira história da Praia dos Milionários, desbravada por itabunenses e que se transformou na grande e festejada praia das grandes cabanas da zona sul de Ilhéus. Hoje os responsáveis por essa criação são respeitáveis senhores que, aos sábados, ainda sentam praça no Beco do Fuxico, especialmente na Fuxicaria. Outros já não habitam mais entre nós, a exemplo de Cacifão, o homem das ingrisilhas, que deixou suas histórias a serem contadas.

*


Radialista, jornalista e advogado.

quarta-feira, 4 de março de 2026

 

OS 69 ANOS DA CEPLAC EM BRANCAS NUVENS

O engenheiro agrônomo Luiz Ferreira e seu novo livro

Por Walmir Rosário*

No dia 20 de fevereiro passado recebi um zap do colega ceplaqueanos Marco Franco lembrando que aquela da era especial: os 69 de fundação da Ceplac. Claro, não poderia estar longe de minha memória, mas fiz questão de ficar calado, até mesmo para auscultar o nível de lembrança de um aniversário tão festejado em épocas passadas.

Prometi ao colega tocar no assunto em seguida, o que farei a partir de agora. E acredito que fiz bem por aguardar, pois recebi de outro colega ceplaqueano, Luiz Ferreira da Silva, um dos primeiros engenheiros agrônomos contratados, o livro “Ceplac Revivida”, recém-saído da gráfica. Uma coletânea de lembranças de seu tempo (da Ceplac) áureo.

Pois bem, na sexta-feira (20-02), também recebi algumas mensagens nos grupos de Whatsapp e até um vídeo com membros da atual diretoria ressaltando a data e os feitos da Ceplac, com promessas de breve ressureição. E todos os pálidos feitos prometidos para o futuro se baseavam numa esperança dos efeitos de um decreto federal editado recentemente.

Bem que eu gostaria de eu a força da tinta sobre o papel – no caso, o Diário Oficial da União – tivesse o poder de garantir tal proeza. Não se trata de tolo ceticismo, mas de simples percepção da situação atual do governo federal, sem recursos suficientes para fazer andar a máquina pública, que anda sem a lubrificação necessária em reais para cumprir seu papel.

Acredito mesmo que os discursos dos dirigentes tenham sido pelo estrito cumprimento do dever de ofício, e como se diz nas forças armadas: dar moral à tropa. Não se faz ciência sem pessoal altamente especializado, principalmente na economia cacaueira, cultura perene em que as pesquisas podem levar até mais de 20 anos para produzir resultados positivos.

Infelizmente, o quadro de pessoal da instituição sofre baixas diárias com a aposentadoria, produzindo resultados negativos, como escritórios de extensão fechados, laboratórios sem profissionais especializados para produzir ciência, e recursos para fazer a engrenagem andar. A situação se agrava, ainda mais, com a debacle nos preços internacionais. Mesmo assim torço pelo milagre.

Para facilitar aos que pretendem dar a volta por cima na Ceplac, gostaria de apresentar o novo livro de Luiz Ferreira, ex-dirigente do Cepec e da Ceplac na Amazônia, cuja folha de serviços – como a de outros colegas – chega a ser invejável. Trocando em miúdos, o livro Ceplac Revivida é um desenho em letras de como a Ceplac elevou a produção de cacau em 310%, passando de 123 mil toneladas, nos anos 1960/65, para 380 mil toneladas, no quinquênio 1980/85, assinalando um recorde de 457 mil toneladas no ano agrícola 1984/85.

E a revolução produtiva teve como base a visão holística da direção da Ceplac, que sempre colocou o cacaueiro no seu epicentro, mas atrelado ao produtor de cacau, à ecologia integral e ao crescimento socioeconômico, estabelecendo um cavalete de 4 pernas de atuação: pesquisa, extensão, educação e apoio ao desenvolvimento. Hoje, simplesmente, o produtor não tem certeza se amanhã continuará a trabalhar a sua terra.

No livro, o autor explica que as terras dos pequenos produtores foram regularizadas para que eles tivessem acesso a financiamento, pesquisa e extensão. Tudo isso com o conhecimento feito por uma equipe multidisciplinar bastante motivada, pois a Ceplac era vista por seus funcionários como uma escola, lar e provedora.

Além da formação de práticos e técnicos agrícolas pela Escola Média de Agricultura da Região Cacaueira (Emarc), em Uruçuca, Valença, Teixeira de Freitas, Itapetinga (BA) e Ariquemes (RO), engenheiros agrônomos, economistas, biólogos, educadores, e outras especialidades foram contratados para elaborar um estudo regional e assistir os produtores.

Para Luiz Ferreira, um dos grandes problemas foi o fim da taxa de retenção cambial, que permitia investimentos maciços em recursos, humanos, com várias campanhas feitas por grupos de produtores. Com o fim da autonomia financeira, a Ceplac se transformou em apenas uma sigla do Ministério da Agricultura, e sujeita a interferências políticas.

Se antes os recursos da taxa de retenção cambial não fossem suficientes para cobrir o orçamento da Ceplac, a liderança do secretário-geral José Haroldo era suficiente para negociar com o ministro da Fazenda a manutenção dos recursos orçamentários. No ano seguinte, com o aumento da produção esses recursos eram cobertos e não havia contingenciamento.

Hoje, pelo atual enquadramento da Ceplac como um simples apêndice do Ministério da Agricultura, mesmo que os dirigentes queiram injetar mais recursos não conseguirão êxito, até pela escassez. Seria de bom alvitre que as lideranças políticas de então conseguissem retornar a pujança da Ceplac, com seu cabedal de conhecimento e a necessidade do desenvolvimento regional.

O livro Ceplac Revivida, de Luiz Ferreira da Silva, é editado pela Scortecci Editora e está disponível nas grandes livrarias físicas e pela internet.

*


Radialista, jornalista e advogado.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

A Cronica de Walmir Rosário

 

ITABUNA PRESTA HOMENAGEM AO POETA TELMO PADILHA

A representação do poeta Telmo Padilha em escultura

Por Walmir Rosário*

Ainda em tempo Itabuna sai do rol dos inadimplentes ao prestar uma justa homenagem ao poeta itabunense Telmo Fontes Padilha. Dívida antiga, mas que começa a ser honrada, do jeito que merece o “poetinha”, como carinhosamente o chamávamos. Um intelectual que gostava do povo, de sua cidade e que muito contribuiu para a arte e cultura.

Nesta quinta-feira (26), finalmente, foi inaugurado o Palco da Poesia, com um mosaico de 150 poetas de Itabuna, e a peça central é uma escultura concebida e executada pelo escultor Diovane Tavares, homenageando o poeta Telmo Padilha. A obra foi construída numa parceria entre o Clube do Poeta (que administrará a área) e a Prefeitura de Itabuna, na Orla do Berilo, um dos points da boemia itabunense, com a presença da família do poeta.

Poeta Telmo Padilha

Nascido em Ferradas (antigo distrito e hoje bairro de Itabuna) em 05 de maio de 1930, Telmo Padilha nos deixou em 17 de julho de 1997, num trágico acidente na BR-101, entre Buerarema e Itabuna. Nesses 67 anos fez acontecer como pessoa, menino, gente grande, poeta, jornalista, um amigo daqueles que gostamos do fundo do peito. E a recíproca era verdadeira, com toda a sua elegante simplicidade.

Apesar de nos deixar drasticamente, continuou sendo aquela figura inesquecível, sempre a nos brindar com sua poesia, sua prosa, textos jornalísticos irretocáveis, de tamanha elegância e graça, como exaltava Onaldo Xavier. Não sei se cabe aqui ressaltar que em Telmo Padilha a vida e a arte eram uma só, sem imitações.

Tomo a cumplicidade de Onaldo Xavier para expor o que disse no Prefácio de Canto de Amor e Ódio a Itabuna: “A poesia de Telmo é seu retrato por inteiro e ele poetizava para todo o mundo, e sua terra, como um eterno poema, não poderia ser esquecida. No poema de abertura, tal qual um épico camoniano, o autor discorre em momentos belíssimos, coroados com sentimentos diversos de amor, alegria, beleza, raiva, incompreensão e compaixão sobre sua cidade, como a querer prestar contas com ela...”, ressaltou.

“As raízes deste poema estavam dentro de mim

e eu o escrevia ou ele me arrebentava, era preciso

expulsá-lo como invasor intruso de fundas

lembranças e mágoas passadas e presentes, e a

úlcera untei de unguento para não soçobrar em

seu curso, e palavras amotinei para domá-lo, e

as rédeas ele me tomou como negro cavalo de crinas

eriçadas e nervosos cascos, e já não era eu

em mim mas a cidade em meu corpo, estuário de

incandescentes larvas, ciclotímico rio de quedas e

remansos, na direção de um tempo incontrolável e

sem fronteiras.”

É a Itabuna de Ferradas, onde nasceu, cujas pessoas conservam a pureza no modo de andar, na forma como olham as pessoas. É a Ferradas quem mantém a casinha de poucos cômodos onde nasceu. Colada à igreja. Aos quatro anos veio para Itabuna, a sede do município, exatamente para a rua da Jaqueira (hoje Fernando Cordier), em frente ao rio Cachoeira.

A mesma rua da Jaqueira cheia de árvores frutíferas – com mangas, laranjas, pitangas, jambos, sapotis nos galhos. A primeira morada, por sinal, é bem pertinho da atual “Orla do Berilo”, ali na cabeceira da ponte Lacerda, onde o poeta Telmo Padilha pousa de estátua. Um local onde se reúne a boemia, os artistas de todas as vertentes culturais a declamarem poesias.

Mas o Telmo não é só poesia, é prosa, é jornalista em busca de reportagens em Ilhéus e Itabuna, com uma passagem relevante em jornais e revistas no Rio de Janeiro, ao lado dos conterrâneos grapiúnas Adonias Filho e Hélio Pólvora. Na terra carioca poetou, participou de eventos literários, construiu amigos importantes e letrados.

Tristão de Athayde, Raquel de Queiroz, Mário Quintana, Jorge Amado, Carlos Drumond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, dentre outros os citam como um dos mais importantes poetas líricos do Brasil. Publicou 38 livros, deixou outros 11 ainda inéditos, e suas obras correram o mundo em português, inglês, francês, italiano, alemão, espanhol e japonês.

Ganhou prêmios importantes como o Jabuti de Poesia, foi feito Doutor Honoris Causa pela hoje Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), que ajudou a implantar, descobriu e despertou talentos. Contratado pela Ceplac dirigiu o PACCE – Projeto Artístico e Cultural Cacau Europa, com a participação do Conselho Nacional dos Produtores de Cacau (CCPC) e o Sistema Coopercacau – Cooperativa Central do Cacau.

E Telmo Padilha chacoalhou a cultura do Sul da Bahia com lançamento de livros de novos escritores, vernissages e demais eventos culturais aqui no planeta cacau e até na Suíça. Em 23 de agosto de 1987 Telmo Padilha morre um pouco com o passamento do seu filho Paulo, e escreve Provação – Solidão – Angústia – Saudade – Lágrima. Poemas Póstumos.

Telmo Padilha foi casado com Ecy Padilha, com quem teve os filhos Luísa, Fernanda, Cláudia, Clara e Paulo (in memoriam).



O escultor Diovane Tavares e o poeta Telmo Padilha


*Radialista, jornalista e advogado.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

A Cronica de Walmir Rosário

 

NOS ESCRÍNIOS DA MEMÓRIA – MAIS UMA BELA OBRA DE DURVAL

O mais novo livro do professor Durval

Por Walmir Rosário*

Um Raio X de corpo inteiro, ou uma tomografia computadorizada, para ser mais contemporâneo, foi o que achei do mais novo livro de Durval Pereira da França Filho, “Nos Escrínios da Memória”. Li e reli com bastante atenção. A primeira vez para elaborar a apresentação de mais uma consiste obra do amigo, bancário, poeta, historiador, professor e escritor canavieirense. A segunda, para estas linhas.

Falar sobre a capacidade intelectual do professor Durval é “chover no molhado”, haja vista sua farta obra deste graduado e pós-graduado em História, mestre em Cultura e Turismo pela Universidade Estadual de Santa Cruz/Universidade Federal da Bahia.  Também membro cofundador da Academia de Letras e Artes de Canavieiras (Alac).

De pronto, antes de tecer qualquer comentário sobre a obra ora em questão, me dou à permissão de ressaltar a coragem do homem e escritor Durval em autobiografar a si mesmo. Produziu um trabalho literário de alta qualidade, mais que isso: isento, perfeito, sem puxar a sardinha para sua brasa, dado o equilíbrio, desambição, sem qualquer apego ao estrelismo. Já era o esperado.

Como tive a oportunidade de ressaltar na apresentação, Nos Escrínios da Memória, “trata com fidelidade grande parte de sua vida, retratada na família, sua infância na fazenda, no outrora distrito de Jacarandá, hoje extinto como vila, mas perpetuado como história. O majestoso rio Pardo, o Caboclão e a Fazenda Córrego Verde fazem parte desta obra. E Como!”.

Com fidelidade e riqueza de detalhes, o título “Nos Escrínios da Memória” promete e entrega de forma franca a chegada da família em Canavieiras; a infância na Fazenda Córrego Verde, na burara Caboclão; a adolescência em Canavieiras, as experiências na Igreja Adventista, o ingresso no Ginásio Osmário Batista, a posse no Banco do Brasil e o despertar para a leitura.

Também conta suas experiências na juventude, a começar pela “escola” Banco do Brasil, o golpe militar de 1964, os estudos na Faculdade de Filosofia de Itabuna (Fafi). Participou da fundação do Jornal Tabu (que viveu 50 anos), seu casamento, a participação em congressos religiosos e culturais, inclusive nas comemorações do centenário do escritor Afrânio Peixoto e escreveu dois livros sobre a memória de Canavieiras.

Na maturidade não ficou quieto em seu canto e resolveu voltar aos estudos superiores na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), no curso de História, Especialização e Mestrado. Foi o primeiro secretário de Cultura de Canavieiras, escreveu livros, exerceu o magistério até o terceiro grau e é considerado o guru de centenas de jovens em Canavieiras e adjacências.

No Posfácio do livro, o professor Paulo Aguiar relembra que o professor Durval sempre esteve à frente do seu tempo e a despeito do status local sempre atento à sociedade, o que lhe permitia ver no outro, sobretudo entre os jovens mais humildes o potencial de crescimento pessoal, espiritual e intelectual. Ele mesmo se considera um desses.

Com toda a sinceridade, Nos Escrínios da Memória, o professor Durval – como insisto em nomeá-lo –, passa por um processo de lapidação como um diamante bruto, no qual um menino de roça começa a ser desbastado e a cada contorno se apresenta promissor. O garoto da roça, cabeçudo, pernas finas passa por etapas, ganha novos ângulos.

No polimento final, cintila seu texto escorreito na prosa e verso; na vida um ser resiliente, cuja capacidade de superação das adversidades se torna presente em si e na coletividade. Neste livro, o mestre, do próprio punho, conta a trajetória de uma pessoa simples, observadora, inteligente, que escolheu o modo de vida e o segue fielmente, sempre atento às possibilidades.

Na verdade, o livro nos mostra um Durval de cada época, situação, como no exemplo do diamante, lapidado por um Mestre Maior, temente a Deus, chefe de família exemplar, homem de muitos amigos, mestre de muitos discípulos. Não é sem motivos que se corresponde com amigos e intelectuais de boa parte deste mundo, sendo reverenciado pelo que é e o que produz.

Para os que o conhecem não foi nenhuma novidade ler Nos Escrínios da Memória um texto autobiográfico firme, correto, verdadeiro, sem tirar nem por e sem pieguice. É uma obra para ser lida e admirada, como o é e sempre foi o personagem de menino ao alto dos bem vividos 80 anos. Um admirador do bom futebol e botafoguense de quatro costados.

*


Radialista, jornalista e advogado.

Conheça Tatiana Sampaio, brasileira que pode ganhar Nobel

Conheça Tatiana Sampaio, brasileira que pode ganhar Nobel


Bióloga da UFRJ, Tatiana de Coekho Sampaio lidera pesquisa mundialmente promissora na regeneração da medula espinhal

A cientista brasileira Tatiana Coelho de Sampaio é uma bióloga, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) cujo trabalho inovador em biologia regenerativa e celular tem despertado atenção no Brasil e no mundo por seu potencial de transformar o tratamento de lesões da medula espinhal — e, segundo veículos nacionais, poderá até mesmo colocar um nome brasileiro na corrida por um Prêmio Nobel de Medicina.

Com formação acadêmica sólida em biologia e décadas de pesquisa dedicadas ao estudo da matriz extracelular — a rede de proteínas e moléculas que fornece suporte estrutural às células — Tatiana se especializou no papel das lamininas, proteínas fundamentais para a organização dos tecidos e a comunicação celular. Desde os anos 2000, ela coordena o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, onde orienta estudantes de diversas etapas da formação científica e lidera colaborações nacionais e internacionais.

Estudo revolucionário

O foco mais divulgado de sua pesquisa é o desenvolvimento da polilaminina, uma forma polimerizada da proteína laminina que age como um verdadeiro “andaime biológico” ao ser aplicada diretamente em áreas lesionadas da medula espinhal. Essa substância cria um ambiente favorável para que os axônios — fibras nervosas responsáveis pela transmissão de impulsos entre o cérebro e o corpo — possam reconectar-se após danos severos, um processo que até agora a medicina considerava praticamente impossível em casos de paraplegia e tetraplegia profunda.

Segundo relatos divulgados pela imprensa brasileira, 16 pacientes receberam autorização judicial para uso experimental da polilaminina, e pelo menos cinco deles apresentaram recuperação parcial de movimentos, um resultado considerado por especialistas um avanço enorme diante de décadas de pesquisa.

O trabalho de Tatiana ainda está em fases iniciais de ensaios clínicos, com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para estudos exploratórios de segurança e eficácia em humanos, passo fundamental para validar a 

tecnologia

 antes de permitir seu uso terapêutico em larga escala.

A repercussão desse avanço é grande: nas redes sociais e na mídia especializada, Tatiana tem sido apontada como uma das cientistas brasileiras com chances de ser reconhecida com um Prêmio Nobel, caso sua pesquisa se consolide e prove impacto clínico significativo para milhões de pacientes com lesões medulares no mundo — um feito que colocaria o Brasil em evidência na fronteira da medicina regenerativa.

Para além da polilaminina, a carreira de Tatiana Coelho de Sampaio é marcada por artigos científicos revisados por pares, 

participação

 em eventos acadêmicos e contribuições à compreensão dos mecanismos que regem a regeneração neural e a organização tecidual.

Felipe Sales Gomes

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e nerd desde o berço, sou dono de uma mente inquieta que sempre tem mais perguntas que respostas. Vez ou outra, você pode ler textos meus sobre curiosidades históricas, música, ciência e cultura pop.