terça-feira, 28 de julho de 2026

Filhos herdam cacau sustentável e fomentam nova geração no agro baiano

Filhos herdam cacau sustentável e fomentam nova geração no agro baiano

Jovens, filhos de produtores rurais, preparam o terreno para continuar a pujança da cacauicultura


Amêndoas de cacau - Foto: Dani Hispagnol/ Divulgação

Grávida de 5 meses, Sirlane de Jesus Santos já sabe qual a maior herança que deixará para a sua filha. É a mesma que os seus pais deixaram para a jovem: a cacauicultura.

Natural de Wenceslau Guimarães, no sul da Bahia, a produtora de 27 anos conta que o sonho inicial de seus pais era de que ela saísse do campo e conseguisse outras oportunidades na cidade - um entendimento de que a roça não dariam os frutos necessários para o futuro de Sirlane.

“Essa cultura de incentivar a sair do campo é muito forte dos pais, e comigo não foi diferente”, relata a jovem.

Campo como oportunidade

Filha mais nova dos quatro filhos dos meus pais, aos 14 anos, Sirlane ingressou na escola técnica agrícola na Casa Familiar Rural de Presidente Tancredo Neves, no baixo sul da Bahia e começou a entender que o mundo de possibilidades, na verdade, estava no campo.

“Fui incentivada a cuidar do campo. O curso nos mostrou que é possível ter uma renda maior e uma maior qualidade de vida no campo. Isso me fez querer ter áreas próprias, querer crescer em minhas áreas, querer tecnificar as minhas áreas. Transformar a propriedade em uma empresa rural”, continuou Sirlane.


Sirlane de Jesus Santos, 27 anos - Foto: Divulgação | Nestlé

Apesar de Sirlane ter nascido na terra na banana, foi na produção de cacau sustentável que a sua família encontrou a oportunidade de potencializar as suas produções e renda. Além de ter orgulho da renda que consegue tirar da cacauicultura, o fruto permite incentivar a história e a cultura do produtor.

“Foi o cacau que nos criou, que nos formou e que nos permitiu estar aqui hoje. O cacau hoje para nós é muito mais importante do que só uma cultura, é a nossa herança, é a nossa história”, finaliza ela.

A propriedade da família da produtora faz o cultivo do cacau em sistema de cabruca - método agroflorestal tradicional em que os pés de cacau são plantados sob a sombra das grandes árvores nativas da Mata Atlântica. Além disso, ela investe em áreas cultivadas em pleno sol, de áreas clonadas, áreas de renovação e áreas consorciadas com banana da prata.

Além do cacau comum, Sirlane conta com a produção de outras variedades de clonados, entre elas:

·         PS1319

·         CCN51

·         BN34

·         CEPEC 2204.

·         SJ 02

Sucessão familiar e o futuro do cacau

São essas novas espécies as responsáveis por aumentar a produção durante a safra do cacau e ampliar a resistência do commoditie contra doenças e pragas. O pontapé para que a técnica agrícola ampliasse essa visão dentro do campo contou com a apoio e assistência técnica do Cocoa Plan, um programa global da Nestlé voltado para a cadeia produtiva do cacau, focado em boas práticas agrícolas, melhor qualidade de vida e cacau de qualidade.

A iniciativa permitiu que cerca de 6,5 mil produtores sustentáveis se conectassem a moageiras - indústrias responsáveis por transformar a amêndoa em derivados -, e consequentemente à Nestlé para a produção de chocolates, achocolatados e derivados do cacau. São empresas como Cargill, Barry Callebaut e Olam Food Ingredients (OFI) responsáveis por intermediar a venda e compra dos produtos.

Além disso, o programa permite a realização de outros projetos com maiores impactos socioambientais. Diversos estudantes, produtores rurais e filhos de agricultores, de 18 a 29 anos, são imersos ao "Cacauicultores do Futuro", um projeto da Nestlé junto a Ampliê, capacitando os jovens com as habilidades e o conhecimento necessários para continuar o legado de sucesso da indústria do cacau no Brasil.

“Os Cacauicultores do Futuro é um programa pensado em sucessão familiar. A nossa expectativa é incentivar esses jovens e mostrar para eles que ficar na propriedade cacau da família ou trabalhar em uma propriedade cacau é algo interessante do ponto de vista econômico, do ponto de vista social, mostrar que é possível ter tecnologia, produtividade e consequentemente, uma vida digna e rentável, sempre com sustentabilidade”, explica Igor Mota, gerente de Agricultura da Nestlé.

Na 7ª edição, os jovens passaram por capacitação na Bahia e puderam aprender sobre cultivo e cuidado com o solo, métodos de plantio e práticas sustentáveis na cacauicultura. Além disso, o projeto incentiva a continuidade da indústria do cacau principalmente para jovens e filhos do campo.

Cacaueicultores do Futuro, programa da Nestlé - Foto: Divulgação | Nestlé

Êxodo urbano na Bahia

É o que também pensa Tábito Araújo, de 18 anos. Apesar da pouca idade, o conhecimento técnico e agrícola do jovem foi um dos pontapés para que o futuro da cacauicultura continuasse na família, nascida em Ituberá, no baixo sul da Bahia.

Neto e filho de produtores rurais, o jovem se diverte em meio aos relatos com a família no campo. Como uma aula repleta de conhecimento técnico sobre a cacauicultura, ele recorda de quando seu pai não ouviu uma orientação sobre enxerto da planta para ampliar a produção e acabou tomando um prejuízo.

“Eu disse: tá vendo? Eu avisei”, riu o jovem.

A propriedade familiar de Tábito tem 6 hectares, cuja 3,8 hectares da área é própria para o cultivo do cacau. São 3.600 plantas com grande variedade de cacau enxertado e clonado. Ele hoje critica o êxodo rural, principalmente pelos jovens.

“Eu não gostava de roça. Achava que era castigo, até entrar na Casa Familiar Rural, que mudou minha visão e me mostrou que se a gente não planta, a cidade não janta. Nós jovens, temos que priorizar o estudo nessa área técnica. Então minha visão do futuro é essa: se a gente não se atentar a cuidar de nossas áreas agora, infelizmente, não vai ter um futuro certo para o cacau”, disse ele.

Ele explica ainda que, com o impulsionamento do modelo sustentável do cacau e a geração de maior valor agregado, a produção cacaueira virou o ouro do campo.

“Se os jovens não adquirirem visão de que o campo é uma empresa, que a gente tem que gerir essa empresa de forma certa, vai haver monopólios nas propriedades rurais e esses jovens se tornarão empregados do campo e não gestores. O cacau é a principal fonte de renda do baixo sul, e se nós jovens não implementarmos isso agora, daqui a 5 a 10 anos, não vai ter cacauicultor para atender as demandas da área”, explica o técnico agrícola.

Cacau: o ouro da Bahia


A Bahia é o maior produtor de cacau do país. Em 2025, o estado registrou uma produção de 119,63 mil toneladas, o equivalente a 40,4% do total nacional, com projeção de crescimento para 125,36 mil toneladas em 2026, de acordo com dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Nos últimos anos, o modelo sustentável de produção do fruto tem sido uma forte tendência de mercado impulsionada por sistemas agroflorestais, rastreabilidade e agricultura familiar. Diversas empresas e iniciativas baianas têm se debruçado a essas potências.

Cerca de 80% a 90% das propriedades produtoras pertencem a agricultores familiares ou utilizam métodos tradicionais de baixo impacto ambiental

De acordo com o agrônomo George Sodré, a cultura do cacau está cada vez mais atenta às mudanças do mercado e os desafios que vêm cercando a produção do fruto. Ele destaca o mercado internacional, como a África, que segue sendo o maior exportador de cacau através da Costa do Marfim.

O professor Titular da Universidade Estadual de Santa Cruz - Uesc/ DCAA explica ainda que o êxodo dos campos de cacau para a mineração e as doenças do cacau têm preocupado o mercado. Para ele, essa instabilidade internacional, mas também nacional, é a oportunidade para que jovens brasileiros pensem caminhos mais assertivos ao futuro do cacau.

“Jovens são muito mais fáceis de refletir porque estão num processo de conhecimento. O que fazemos não é trazer soluções, mas mostrar para eles o que é que eles vão encontrar. Hoje o maior problema da cacauicultura é a mão de obra. Nós estamos num momento de oportunidade, sempre estivemos. O cacau sempre dá oportunidades. Vamos ter preço alto, ter preço baixos, mas nós temos que ter produtividade”, explica o professor.

“O mais importante é que eles tenham orgulho de ser cacauicultores.Ter orgulho do que produz: um alimento de excelente qualidade e que é fantástico. Até há pouco tempo atrás só se fazia amêndoa, hoje se fala em mel, em geleia, em suco, em licores, quer dizer, o cacau tá avançando e quem trabalha com essa cultura tem N possibilidades”, finalizou ele. Jornal A Tarde

terça-feira, 21 de julho de 2026

A fome em Cuba virou moeda eleitoral

A fome em Cuba virou moeda eleitoral

 


O plano macabro de Trump e Rubio

 

Por LEANDRO DEMORI

JUL 20



Fui a Cuba em dezembro e a coisa já estava horrível. Não tinha gasolina e nem óleo, o que significa não ter luz elétrica, porque boa parte da geração de energia da ilha vem de termelétricas, que dependem de óleo importado. Havia também um problema enorme no fornecimento de água: as estações de bombeamento estavam paradas, sem luz O governo cubano vinha fazendo um rodízio: a parte oriental ficava um dia com luz, depois outra região, depois Havana, depois o centro, num revezamento de apagões pela ilha ao longo da semana, resultado direto de um estrangulamento que se intensificou nos últimos meses vindos dos Estados Unidos.

 

Parece estranho e sádico imaginar que a superpotência do Norte perca tempo com uma ilha no caribe enquanto suas bases são arrasadas nas cercanias do Irã. Demorou pouco para que me explicassem a estratégia. Enquanto eu estava vivendo o caos de perto, do outro lado, em Washington, Marco Rubio vinha tratando Cuba como prioridade pessoal.

 

A escala do aperto ajuda a explicar o blecaute que vi: desde janeiro de 2026, o governo Trump aplicou mais de 240 sanções contra o regime cubano, interceptou pelo menos sete navios-tanque com destino à ilha (um deles, russo, chegou a ficar parado no mar, mas foi embora) e reduziu as importações de energia de Cuba em algo entre 80% e 90%. Em maio, Rubio anunciou sanções específicas contra a GAESA, o conglomerado empresarial controlado pelas Forças Armadas cubanas, que ele descreveu como “o coração do sistema cleptocrático comunista” e que responde por pelo menos 40% da economia da ilha. Não é coincidência que a luz tenha faltado justamente onde eu estava: é a consequência prática de cortar o combustível que alimenta as termelétricas de um país que já não tinha margem nenhuma.

 

A lógica declarada da Casa Branca segue a Lei Helms-Burton, de 1996, que Rubio invoca como mandato legal, e não escolha política: o embargo só é suspenso com “mudança de regime”, como ele chama o governo. Ele mesmo disse que os EUA “adorariam ver uma mudança” em Cuba, mas que isso “não significa que vamos provocá-la diretamente” — ou seja, o objetivo é fazer o sistema quebrar por dentro, por fome e apagão, quem sabe com revolta de uma população desesperada, sem precisar de uma intervenção direta que teria custo político imprevisível.

 

E é aqui que entra a alavanca eleitoral. Isso é peça central de um jogo maior, jogado de olho nas eleições de meio de mandato de novembro de 2026. A comunidade cubano-americana no sul da Flórida é um dos blocos eleitorais mais valiosos do Partido Republicano, e mostrar resultado contra Havana antes de novembro é uma forma de manter essa base mobilizada e o estado sob controle republicano. A conexão entre política externa e cálculo doméstico não é sutil: Rubio, filho de imigrantes cubanos, transformou a pasta de Cuba em vitrine, e o discurso público mistura punição ao regime com promessa de “uma nova relação” com o povo cubano — sempre em tom de campanha.

 

Só que essa alavanca tem um efeito colateral que pode se voltar contra quem a puxou. Uma pesquisa recente mostrou que 68% dos cubanos e cubano-americanos consultados no sul da Flórida desaprovam, total ou parcialmente, as deportações de cubanos sem documentos e sem antecedentes criminais promovidas pelo governo Trump. Isso ameaça diretamente cadeiras como a da deputada Maria Elvira Salazar, hoje sob forte desafio. Ou seja: o mesmo eleitorado que aplaude sanção à Cuba também tem parentes sendo deportados, sem cometerem crime algum, e a conta dessa contradição chega exatamente no ano em que o voto cubano-americano deveria estar garantido para os republicanos.

 

O que eu vi em dezembro — uma ilha sem óleo, sem luz, revezando blecaute entre regiões — não é um acidente da economia cubana. É o resultado visível de uma política desenhada em Washington para produzir colapso como prova de eficácia diante de um eleitorado específico, na Flórida, antes de uma eleição específica, em novembro.

 

A tragédia humanitária cubana (inclusive com fome forçada) virou, mais uma vez, matéria-prima de campanha americana.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

UMA CRÔNICA PARA TASSO!

 

UMA CRÔNICA PARA TASSO!

Sílvio Porto

O texto “O futebol é uma caixinha de memórias”, de Joaquim Ferreira dos Santos, parte de uma ideia simples e poderosa: o futebol sobrevive menos pelos resultados do que pelas lembranças que desperta. Mais do que um esporte, ele funciona como um grande arquivo afetivo da vida brasileira.

A crônica mostra que cada torcedor guarda sua própria coleção de memórias: o primeiro jogo no estádio, o radinho de pilha, a narração inesquecível, um gol improvável, a camisa herdada do pai, a derrota que nunca cicatrizou ou o título que reuniu a família inteira. O futebol acaba sendo um marcador do tempo, capaz de fazer uma pessoa lembrar não apenas de uma partida, mas de uma fase inteira da vida.

Essa visão dialoga com um conceito importante da história cultural: a memória é seletiva e afetiva. Não recordamos apenas os fatos, mas os sentimentos associados a eles. No caso do futebol brasileiro, a imprensa e a cultura ajudaram a construir uma memória coletiva que reforça identidades, heróis e emoções compartilhadas.

Uma reflexão

A crônica nos lembra que, com o passar dos anos, o placar perde importância. O que permanece são as histórias.

Não nos lembramos apenas do gol de Pelé, do drible de Garrincha ou da arrancada de Ronaldo Nazário. Lembramo-nos de quem estava ao nosso lado naquele momento, da voz do narrador, da camisa vestida, da rua enfeitada e da emoção compartilhada.

Talvez por isso o futebol seja um patrimônio cultural. Ele organiza nossas lembranças como poucos fenômenos sociais conseguem fazer. Cada geração tem seus ídolos, mas todas carregam a mesma capacidade de transformar noventa minutos em memórias para uma vida inteira.

Como dizia Nelson Rodrigues, o futebol nunca foi apenas futebol. É uma narrativa sobre quem somos. E, como sugere Joaquim Ferreira dos Santos, é também uma imensa caixinha de memórias, que abrimos sempre que a saudade pede a bola para rolar.

Meu amigo Tasso escreve seus livros com a inspiração que Joaquim descreve muito bem.

Valeu Tasso!

*Médico

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Julho de 1994. - O voo da Muamba

 Julho de 1994.


O Brasil acabara de conquistar o tetracampeonato mundial nos Estados Unidos.

A Seleção embarcou de volta ao país como heroína.

Só que o avião não trazia apenas a taça.

A aeronave tinha deixado o Brasil com cerca de 3,4 toneladas de bagagem.

Retornou com quase 15 toneladas.

Jogadores, comissão técnica e dirigentes aproveitaram a viagem para fazer compras nos Estados Unidos.

Eletrodomésticos, eletrônicos, até equipamento de choperia.

O lateral Branco, por exemplo, trouxe geladeira, forno, máquina de lavar, esteira e duas televisões.

Ao pousar no Rio de Janeiro, era esperado que a delegação passasse pela fiscalização normal da Receita Federal.

Ricardo Teixeira, então presidente da CBF, não aceitou.

Ameaçou cancelar o desfile do tetra se a bagagem fosse revistada.

Fez ligações para autoridades em Brasília.

Conseguiu.

A fiscalização foi dispensada, sob a justificativa de falta de condições operacionais no momento.

O problema é que a exceção não passou despercebida.

A Procuradoria Federal descobriu a discrepância entre o peso declarado na saída e o peso do retorno.

O episódio ganhou as manchetes como "voo da muamba".

O secretário da Receita Federal da época, que discordava do benefício concedido à delegação, deixou o cargo.

Outros servidores da fiscalização o seguiram.

O caso virou processo judicial e se arrastou por anos.

Em 2009, Ricardo Teixeira acabou condenado em primeira instância pela liberação irregular das bagagens.

A pena incluiu suspensão de direitos políticos e proibição de contratos com o poder público por três anos.

No fim, a CBF teve que pagar os impostos referentes à bagagem completa da delegação.

Um voo de volta ao país como campeão do mundo virou, anos depois, um dos maiores símbolos de uso de prestígio esportivo para escapar da lei.

Fonte: CNN Brasil — O Jogo — Fernando Vitolo

Siga @negocializando para mais conteúdos de negócios.

 

sexta-feira, 3 de julho de 2026

As últimas palavra de Jesus

As últimas palavra de Jesus


As últimas palavras que Jesus falou antes de morrer foram um grito tão agonizante que as pessoas que estavam ao pé da cruz não conseguiam sequer entender o que Ele estava dizendo.
A maioria dos católicos sabe disso.
Aqui está o que a maioria dos católicos nunca ouviu.
"Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste" não é um grito de desespero. É uma citação direta. A linha de abertura do Salmo 22. Um salmo escrito pelo Rei Davi cerca de mil anos antes de Jesus nascer.
Jesus não estava perdendo a fé na cruz. Ele estava citando as Escrituras.
E na antiga tradição judaica, quando um rabino citava a primeira linha de um salmo, ele estava invocando o salmo inteiro. Cada pessoa presente no Gólgota que conhecia a Torá teria reconhecido exatamente o que Ele estava fazendo.
Ele não estava clamando em derrota. Ele estava apontando para uma profecia.
Agora, aqui está o que torna isso impressionante.
O Salmo 22 foi escrito aproximadamente mil anos antes de o Império Romano inventar a crucificação. No entanto, veja o que Davi escreveu.
"Traspassaram minhas mãos e meus pés."
A crucificação não existia quando essas palavras foram escritas. Davi não tinha nenhum quadro de referência para isso. Nenhuma referência histórica. E, no entanto, ali está, escrito nas Escrituras judaicas um milênio antes que o método de execução que o cumpriria tivesse sequer sido concebido.
Mas isso não é tudo.
"Repartem entre si as minhas vestes e lançam sortes sobre a minha túnica."
Os soldados romanos parados sob a cruz fizeram exatamente isso. Apostaram a túnica de um homem moribundo, cumprindo uma linha de poesia escrita por um rei hebreu que estava morto havia mil anos.
"Posso contar todos os meus ossos. Eles me encaram e se alegram com o meu sofrimento."
A crucificação deslocava quase todas as principais articulações do corpo. A vítima ficava suspensa enquanto o peso de seu próprio corpo desmontava seu esqueleto. Cada osso se tornava visível sob a pele.
Davi descreveu isso. Mil anos antes. Em um salmo.
E a maioria dos católicos que ouviu "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste" por toda a vida não tem absolutamente nenhuma ideia de que essas palavras são a linha de abertura da profecia mais detalhada da crucificação já escrita.
Mas aqui está a parte que muda tudo.
O Salmo 22 não termina em agonia.
A maioria dos católicos assume que Jesus morreu em desespero porque conhece apenas o primeiro versículo. Ouvem o grito e sentem a angústia e acreditam que a cruz termina em escuridão.
Não termina.
Os versículos finais do Salmo 22 são uma declaração de vitória total, absoluta e cósmica.
"Todos os confins da terra se lembrarão e se voltarão para o Senhor, e todas as famílias das nações se prostrarão diante dele."
"Futuras gerações ouvirão falar do Senhor. Proclamarão a sua justiça, declarando a um povo que ainda vai nascer: Ele o fez."
Ele o fez.
A palavra hebraica é uma única e estrondosa declaração que os estudiosos traduzem como o equivalente a uma palavra.
Concluído.
A mesma palavra que Jesus falou em Seu último suspiro na cruz.
"Tudo está consumado."
Jesus não morreu citando o começo do Salmo 22. Ele morreu cumprindo o fim dele. E ao citar a linha de abertura, Ele estava dizendo a cada pessoa que conhecia as Escrituras exatamente como a história terminaria.
Não em derrota. Em vitória.
E a maioria dos católicos passou direto por isso a vida inteira. Não porque não se importam. Não porque sua fé é fraca. Mas porque ninguém nunca lhes contou o que o Salmo 22 realmente diz. Ninguém nunca lhes mostrou que o grito e o triunfo são o mesmo salmo. Ninguém nunca lhes deu o contexto que transforma um momento familiar de angústia na declaração mais deliberada da história da salvação.
Esse é o problema que descobri sentado em uma sala com meu grupo de estudo bíblico na paróquia.
Eu ensino as Sagradas Escrituras há 18 anos. E numa quarta-feira à noite, perguntei ao meu grupo o que o Salmo 22 realmente diz.
Silêncio.
Eles se entreolharam. Olharam para suas Bíblias. Olharam para suas anotações.
Uma pessoa disse que era sobre Davi estar triste.
Ninguém sabia que descrevia a crucificação mil anos antes de a crucificação existir. Ninguém havia conectado a linha de abertura ao que Jesus disse na cruz. Ninguém entendeu que o salmo termina em vitória, não em desespero.
Eles o tinham lido. Eles o tinham grifado. Eles o tinham ouvido nas leituras da Semana Santa por anos. E não tinham ideia do que estavam realmente lendo.
Eles entendiam minhas explicações das Escrituras, mas não as Escrituras em si. E no momento em que eu não estava lá para guiá-los, eles estavam perdidos.
Sou catequista. Tenho ensinado as Escrituras há 18 anos. E eu estava falhando com eles o tempo todo.
Naquela noite, depois que todos foram embora, fiquei sentado sozinho naquela sala vazia por um longo tempo, pensando naquele grito da cruz. Pensando em quantas Sextas-Feiras Santas aquelas pessoas tinham ouvido aquelas palavras e beijado o crucifixo sem nunca sentir a vitória escondida dentro delas.
Eles não podiam ver. E não era culpa deles.
Ninguém nunca lhes deu as raízes.
Na manhã seguinte, abri meu computador e comecei a escrever.
Gênesis.
Tudo o que alguém precisa saber antes de ler Gênesis. Quem escreveu. Quando. Por quê. O que estava acontecendo no mundo antigo na época. Os temas principais. Como se encaixa na história maior da salvação.
Não uma homilia. Não uma meditação devocional. Apenas as raízes.
Eu o desmembrei várias vezes até que meu filho adolescente pudesse lê-lo e entendê-lo completamente sozinho.
Depois fiz Êxodo. Depois Levítico. Depois Números.
Cada livro da Bíblia.
Setenta e três páginas. Uma página por livro.
Incluindo os livros deuterocanônicos que a Igreja sempre guardou. Tobias. Judite. Sabedoria. Eclesiástico. Baruc. Primeiro e Segundo Macabeus.
Levei três meses.
Três meses sentado à mesa da cozinha depois que todos iam dormir. Três meses escrevendo e reescrevendo até ficar tão claro quanto eu podia fazer. Três meses pegando 18 anos de estudo e colocando em um formato que qualquer fiel pudesse usar completamente por conta própria.
Nenhum catequista necessário.
Na quarta-feira seguinte, levei aquelas 73 páginas para o grupo de estudo bíblico e coloquei uma cópia em cada lugar.
"Antes de abrirmos nossas Bíblias esta noite", eu disse, "quero que vocês leiam a página sobre os Salmos. Apenas leiam. Depois estudaremos."
Eu os observei ler.
Então eu disse: "Agora abram suas Bíblias no Salmo 22."
E observei algo que nunca tinha visto antes em 18 anos de catequese.
Seus olhos mudaram.
Não confusão. Não olhar vazio.
Compreensão. Pura compreensão.
Uma mulher ergueu os olhos para mim com lágrimas escorrendo pelo rosto.
"Eu ouvi essas palavras toda Sexta-Feira Santa da minha vida. E esta noite é a primeira vez que entendi que Jesus não estava clamando em desespero. Ele estava citando uma profecia que termina em vitória. Ele sabia como terminava. Ele sempre soube."
Um homem do outro lado da sala disse calmamente: "Davi descreveu a crucificação mil anos antes de ela existir. Isso esteve na minha Bíblia a minha vida inteira. E ninguém nunca me contou."
Outra mulher disse: "Eu sempre achei que a cruz era o momento mais sombrio da Paixão. Mas o Salmo 22 termina com todas as nações se voltando para Deus. Ele não estava anunciando Sua morte. Ele estava anunciando Sua vitória."
O resto daquele estudo foi diferente de tudo que eu já havia experimentado antes.
Eles não estavam esperando eu explicar. Eles estavam descobrindo por si mesmos.
Conectando o Salmo 22 aos relatos dos Evangelhos. Conectando as palavras de Davi aos soldados lançando sortes. Conectando "Ele o fez" a "Tudo está consumado."
Vendo o fio que percorre toda a Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse, uma vez que você sabe onde procurar.
Eles estavam realmente entendendo as Sagradas Escrituras.
No final da noite, um dos homens mais velhos veio até mim. Ele estava no meu grupo de estudo bíblico há seis anos e era católico praticante há quarenta.
"Catequista", ele disse calmamente, "eu tenho lido a Bíblia a minha vida inteira. E sinto que só agora realmente comecei a entendê-la. Obrigado."
Fui para casa naquela noite e contei à minha esposa o que aconteceu.
"Eles entenderam. Pela primeira vez, eles realmente entenderam."
Isso foi há mais de oito meses.
Desde então, centenas de pessoas me disseram a mesma coisa.
"Esta é a primeira vez que eu realmente entendo o que estava lendo."
Não porque eu seja um catequista brilhante. Mas porque finalmente lhes dei o que eles realmente precisavam.
As raízes.
Quem escreveu cada livro. Quando. Por quê. O que estava acontecendo no mundo na época. Os temas principais. Como cada livro se conecta ao anterior e ao posterior. E como tudo aponta para Cristo e para os sacramentos que a Igreja guarda.
E uma vez que você tem essas raízes, a Bíblia que você pensava conhecer se torna algo que você nunca realmente encontrou antes.
O Salmo 22 é apenas um momento. Há milhares mais como ele esperando nas páginas que você já leu.
Você sabia que a palavra hebraica para "verme" no Salmo 22,6 — "Eu sou um verme, e não um homem" — é tola, o verme carmesim? Que quando o verme tola morre, ele sobe em uma árvore, seu corpo se rompe e ele libera um corante escarlate que mancha tudo abaixo dele. Que depois de três dias, o resíduo carmesim se torna branco. Que Jesus citou este mesmo salmo do madeiro da cruz, Seu corpo foi rompido, Seu sangue foi derramado escarlate, e no terceiro dia tudo mudou.
Você sabia que o cordeiro que Deus providenciou no Monte Moriá para poupar Isaque apareceu na mesma montanha onde o Templo seria mais tarde construído e onde Jesus seria finalmente crucificado? Que Abraão chamou aquele lugar de "O Senhor proverá" e mil anos depois Deus proveu o Cordeiro definitivo naquele exato local?
Você sabia que quando Jesus disse "Tudo está consumado", a palavra grega tetelestai era a mesma palavra carimbada em recibos no Império Romano para significar "pago integralmente"? Que Sua declaração final não era uma afirmação de término, mas de plenitude. Um sacrifício perfeito. Uma dívida cósmica marcada como liquidada. É por isso que a Santa Missa não repete o sacrifício, mas o torna presente. Porque ele foi consumado uma vez por todas.
Contexto muda tudo. Toda santa vez.
Eu o chamo de Broto de Fé. A Viagem das 73 Raízes.
São 73 páginas. Uma para cada livro da Bíblia católica.
Cada página lhe dá o que você precisa antes de ler. Quem escreveu. Quando. Por quê. O que estava acontecendo no mundo na época. Os temas-chave. O simbolismo e as imagens. E como isso se conecta à sua vida de fé hoje, à Liturgia e aos sacramentos.
Escrito em linguagem simples. Sem termos acadêmicos. Sem teologia complicada.
Apenas as raízes que fazem tudo o que você já leu — e tudo o que você ouve na Missa — de repente fazer sentido com todo o peso que Deus pretendia.
Porque aqui está o que eu sei depois de 18 anos ensinando as Sagradas Escrituras.
A Bíblia não é confusa porque não é clara. É confusa porque a estamos lendo sem a fundação que a tornava clara para o Povo de Deus que a recebeu primeiro.
Eles conheciam os salmos de cor. Eles ouviam a linha de abertura e sentiam o final antes mesmo de Jesus falar. Eles O viam citando Davi da cruz e entendiam que o que parecia a hora mais sombria da história era, na verdade, o cumprimento da maior promessa já feita.
Nós ouvimos o grito e perdemos o triunfo por baixo dele.
Este guia lhe devolve essa fundação.
Se você já ouviu "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste" na celebração da Paixão e sentiu o peso disso sem entender a vitória escondida dentro.
Se você já leu uma passagem das Escrituras e sentiu que havia algo mais profundo sob as palavras que você não conseguia alcançar.
Se você já se perguntou o que encontraria na Palavra de Deus se alguém apenas lhe desse as raízes primeiro.
Isto é o que você estava procurando.
Deus não falou da cruz por acidente. Ele nunca faz nada por acidente.
Não permita que a falta de contexto seja o que o impede de entender o que Ele tem dito a você — na Sua Palavra e na Sua Igreja — por toda a sua vida.
Aprofunde-se no mistério da fé ao realmente entender as Sagradas Escrituras.
Não apenas as passagens familiares. Todas elas. A história inteira da salvação.
Foi para isso que o Broto de Fé — A Viagem das 73 Raízes foi criado.
E você pode começar a sua clicando abaixo.