A Álcool - Academia de Letras, Cachaças, Onirismo, Outras inutilidades e Lorotas não tem cadeiras, a não ser cadeiras de bar. E nem tem patrono, apenas um Presidente de Honra, a catedrática e apreciadora a decana Heloisa "Longuinha" Alves, que substitui o decano João de Amâncio, que se tornou um imortalicio, democraticamente escolhido pela prerrogativa ditatorial de quem inventou esse troço.
terça-feira, 13 de maio de 2025
DENTRO E FORA - Hermann Hesse
sábado, 10 de maio de 2025
MEU DESENCONTRO NO ENCONTRO COM OS CEPLAQUEANOS - Por Walmir Rosário
MEU DESENCONTRO NO ENCONTRO COM OS CEPLAQUEANOS
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| Os Ceplaqueanos compareceram em massa ao encontro |
Uma das frases mais em voga nos dias de hoje é “quando o cavalo passa selado você tem que montá-lo”, dando a entender que jamais o indivíduo terá uma nova oportunidade. E isso aconteceu comigo recentemente e me nego a aceitá-la como verdade absoluta, como se eu ou qualquer outro ser humano não tivéssemos obstinação, persistência.
E esses dias eu deixei passar o tal do cavalo selado sem que pudesse montá-lo. Garanto que não se tratou de uma simples falha, incompetência, mas por motivos superiores. Não aqueles dados como desculpas esfarrapadas para não comparecer a compromissos assumidos, mas por excesso de confiança na sumida temporária da malfadada labirintite.
Eu deveria me apresentar às 11 horas, no Codornas Restaurante, em Itabuna, para o I Encontro dos Ceplaqueanos da Divisão de Extensão de Itabuna, nesse colóquio inaugural. Dada a sua importância, todo o planejamento realizado, bastaria me deslocar de Canavieiras com duas horas e meia de antecedência e abraçar os velhos e queridos colegas.
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| José Mário sempre atento na organização do evento |
Mas que os servidores da Ceplac discutiriam nesse encontro, se a instituição continua no leito de morte, sem direito a atendimento com vistas a recuperar seus áureos tempos? Tudo. O engenheiro agrônomo aposentado Luiz Ferreira da Silva anotou em seu livro “A fazenda Corumbá que virou Ciências 60 anos atrás” que a Ceplac era mais que uma empregadora, era uma religião.
Na mesma obra, Luiz Ferreira cita que seu colega e líder extensionista Ubaldino Machado movimentava sua turma por meio da palavra parceiro, em moda nos dias de hoje. Era esse o espírito de corpo implantado na instituição por Carlos Brandão e “Zé Haroldo”, incutindo em todos a chamada filosofia da solidariedade.
Do mais simples operário ao titulado cientista, a palavra colega era o tratamento adequado, pois todos deveriam agir com excelência na sua missão profissional conjunta. Do operário de campo, passando pelo motorista, escriturário, comunicador, técnico, aos profissionais mais graduados, tinham que ser os melhores. E a Ceplac disponibilizavam os meios para tal.
Cada um dos ceplaqueanos carregava consigo o dever de tornar a região cacaueira um modelo de desenvolvimento e até hoje se sentem orgulhosos com famosa sensação do dever cumprido. Ainda hoje perdura o reconhecimento regional sobre a excelente qualidade da formação e desempenho profissional dos ceplaqueanos, distinção que se estendeu por todas as regiões cacaueiras do Brasil.
Assim sendo, têm o que comemorar, comentar o dia a dia na instituição Ceplac, as lembranças das realizações, incluindo aí as dificuldades enfrentadas nas tarefas em locais inóspitos, as vitórias. A Ceplac não era uma simples empregadora, mas uma instituição reconhecida e respeitada pelos que fizeram acontecer na transformação das regiões cacaueiras da Bahia.
Para os mais novos que não puderam acompanhar a missão da Ceplac, vale lembrar que mantinha os departamentos de pesquisa, extensão, ensino técnico, e desenvolvimento atuando dentro e fora das porteiras das fazendas. Esse esforço de inovação tornou possível a implantação da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), ampliando a formação da inteligência regional.
Não fossem os programas da Ceplac, não teríamos o porto do Malhado, tal como é, os milhares de quilômetros de estradas vicinais, a maior rede de energia rural, a modernidade na telefonia, em todos os campos do conhecimento. Estrategicamente, beneficiou todos os municípios das regiões cacaueiras do Brasil, com escritórios, estações experimentais, todos tocados com o que tinha de mais inteligente e de alto poder aquisitivo no comércio.
Mas voltando ao encontro dos servidores da Divisão de Extensão de Itabuna, nada melhor que essa satisfação de bem estar pelo cumprimento das responsabilidades de antes e o reconhecimento de suas participações. Se por anos tiveram esse compromisso com a Ceplac, continuam, como sempre, com a sociedade onde vivem e são distinguidos.
E nada melhor do que viver com dignidade e alegria. No próximo estaremos juntos, parabenizando a eficiência da organização.
*Radialista, jornalista e advogado
terça-feira, 6 de maio de 2025
Itajuipe: O Lixo e o Amor: Uma comédia romântica no Beira-rio
Itajuipe:
O Lixo e o Amor: Uma comédia romântica no Beira-rio
O Lixo e o Amor:
Uma Comédia Romântica à Beira-Rio.
Em um dia ensolarado na charmosa cidade de Itajuípe, a população se depara com um enigma digno de um roteiro de comédia romântica: o misterioso caso do motorista do caminhão de lixo que decidiu dar um “tempo” na Beira-Rio. E não, não estamos falando de uma pausa para um lanche ou um café. O sujeito, que parece ter levado o coração partido para o trabalho, está ignorando a famosa rua, alegando razões pessoais que fariam até Shakespeare se levantar da sepultura e aplaudir.
A história começa com um simples caminhão de lixo, que, ao invés de ser um herói que salva o dia, transformou-se em um vilão romântico. O motorista, em uma reviravolta digna de filme, decidiu que não iria mais passar pela Beira-Rio porque sua ex-esposa, ou melhor, a “ex” que mora por lá, o faz se sentir como um personagem de um drama. “Não quero ver a cara dela”, ele declarou, enquanto deixava a população a ver navios... ou melhor, a ver o lixo se acumulando nas calçadas.
Os moradores, por sua vez, estão tão perplexos quanto um gato diante de um espelho.
E como se não bastasse, o prefeito, que até agora estava mais ausente que o motorista em questão, foi convocado para entrar em cena. A população se pergunta: “Cadê a autoridade, prefeito? Será que o amor é mais forte que a lei do lixo?” E entre risadas e desespero, a cidade se une em um clamor: “Prefeito, por favor, resolva isso! Já está na hora de tratar o amor e o lixo de formas separadas!”
Enquanto isso, o motorista continua sua jornada de “desapego”, mas a verdade é que a população de Itajuípe só deseja uma coisa: que o amor não interfira na coleta de lixo! Afinal, ninguém merece viver em meio a uma montanha de sacos de lixo, especialmente quando eles poderiam ser levados por um caminhão que, na verdade, é um símbolo de esperança e limpeza.
Assim, fica o recado: amor é lindo, mas o lixo precisa ser coletado. E se precisar de um carrinho de mão, já sabemos quem pode ajudar. Que venham os novos capítulos dessa comédia romântica à Beira-Rio, com um final feliz que inclua a coleta de lixo e, quem sabe, até uma reconciliação! TV. Livre Bahia
quinta-feira, 1 de maio de 2025
OS PAULISTAS QUE FIZERAM HISTÓRIA NO FLUMINENSE - POR. WALMIR ROSÁRIO
OS PAULISTAS QUE FIZERAM HISTÓRIA NO FLUMINENSE
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| Tasso Castro trabalha no quinto livro sobre o Fluminense |
Por Walmir Rosário*
O escritor e torcedor do Fluminense das Laranjeiras, Tasso Castro, está finalizando um novo projeto para presentear os tricolores de Itabuna e todo o Sul da Bahia. E o novo livro tem como título – ainda provisório – “Paulistas no Flu: glórias e troféus”, em que mostrará a passagem dos jogadores e técnicos que nasceram em São Paulo e fizeram sucesso no tricolor carioca.
O trabalho, resultado de uma pesquisa de fôlego, demonstra que desde 1935 os paulistas são figurinhas carimbadas na trajetória do Fluminense, afastando qualquer rivalidade entre os jogadores dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Nesse ano, a diretoria tricolor, de uma só vez, motivou um feito inédito ao contratar a base da Seleção Paulista.
E não se tratava de um elenco qualquer, e sim dos jogadores paulistas que conquistaram o Bicampeonato Brasileiro de Seleções nos anos de 1933 e 1934, atitude ímpar no futebol brasileiro daquela época. E os resultados alcançados pelo tricolor carioca foram à altura das contratações, no mesmo nível de qualquer seleção da América do Sul.
E os impactos positivos começaram a aparecer a partir de 1936, quando iniciou a conquista do tricampeonato, completado nos anos de 1937 e 1938, com muito sucesso. Embora tenha deixado escapar o tetracampeonato em 1939, o Fluminense não se abateu e voltou com supremacia, vencendo os campeonatos de 1940 e 1941, se sagrando bicampeão.
E os cartolas do tricolor das Laranjeiras voltaram a esquentar as turbinas e nos anos 1950, passaram a recrutar novos jogadores no mercado paulista, contratando os craques Marinho, Clóvis e Maurinho. O esquema voltou a funcionar e o Fluminense colecionou títulos no mundial, no Campeonato Carioca e nos disputados torneios Rio-São Paulo.
Muitos ainda se lembram de jogadores famosos e produtivos contratados nos anos 1960, a exemplo de Samarone, Cláudio, Félix (goleiro tricampeão na copa de 1970), Galhardo e Marco Antônio. Já nos anos 1970, a “importação” dos paulistas para o Flu das Laranjeiras continuaram com Didi, Ivair, Manfrini e Rivelino, contratações que mexeram com o futebol brasileiro.
E como tudo que dá certo é repetido, o Fluminense continuou se abastecendo no mercado paulista, o que não era nenhuma novidade. Nos anos 1980 vieram Assis e Vica. Nos anos 2000 chegaram Fernando Henrique, Ricardo Berna, Gabriel, Juan, Leandro, Tuta e Gum. Nos anos 2010, Rodriguinho e Deco, e nos ano 2012, Diego Cavalieri.
E a contabilidade dos troféus na sede das Laranjeiras é altamente positiva na coluna dos lucros. Dos anos 1960 a 2012, o Flu foi campeão Carioca (1969, 1971, 1973, 1975, 1976, 1983, 1984, 1985, 2005 e 2012) e campeão Brasileiro (1970,1984, 2010 e 2012) mantendo no elenco alguns jogadores ou técnicos oriundos de São Paulo, a exemplo de Tim, o estrategista, o único paulista campeão como jogador e treinador; Mário Travaglini em 1976; e Muricy em 2010.
Assim que for publicado, “Paulistas no Flu: glórias e troféus”, Tasso Castro completará cinco publicações sobre o Fluminense do Rio de Janeiro, além de uma que abrange o Fluminense de Itabuna. Uma marca registrada nos livros de Tasso é que não somente ele relata e opina sobre o tricolor carioca, mas torcedores de todo o Sul da Bahia.
E nesse novo livro não será diferente dos três últimos, em que vários torcedores escrevem um texto e expõem uma foto com a camisa tricolor. E pelo projeto, a prioridade dos textos se destina a escolher qual o jogador ou técnico paulista que ficou na memória? Entre eles (jogadores) Félix, Galhardo, Marco Antônio, Samarone, Manfrini, Rivellino, Assis, Diego Cavalieri ou Deco; e os técnicos Tim, Mário Travaglini ou Muricy Ramalho.
Os livros escritos por Tasso Castro são bastante ricos em informações, sempre obtidas nas fontes principais, documentadas com fotografias e reproduções dos jornais da época. Outros textos obedecem estritamente à lembrança dos torcedores, com o que ouviram e viram nas transmissões esportivas do rádio e TV, além das imagens de jogos assistidos nos estádios, guardadas na memória.
Vale a pena aguardar.
*Radialista, jornalista e advogado
sexta-feira, 25 de abril de 2025
QUEM É MESMO ESSE TAL DE DOUTOR? - Por Walmir Rosário
QUEM É MESMO ESSE TAL DE DOUTOR?
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| Capelos são jogados para o alto na festa de formatura |
Por Walmir Rosário*
O título de doutor enobrece aos que são distinguidos por essa forma de tratamento, não resta a menor dúvida. Entretanto não há legislação pertinente no Brasil que destine essa honraria aos diplomados (existem dúvidas). Mas no Império, a forma de tratamento de doutor aos advogados, estava na forma da lei, melhor, do Decreto Imperial de 1º de agosto de 1825, de Dom Pedro I.
E para reforçar, dois anos depois, em 11 de agosto de 1827, uma nova Lei Imperial cria os cursos de Ciências Jurídicas e Sociais em São Paulo e Olinda e introduz regulamento, estatuto para o curso jurídico; dispõe sobre o título (grau) de doutor para o advogado. Vale dizer que até hoje a validade dessa legislação é questionada, embora não haja revogação explícita ou tácita, inclusive no novo Estatuto da OAB, criado por lei.
E durante todo esse tempo as discussões sobre o título de doutor ao advogado dá o que falar, muitas vezes por ser confundido com os títulos de Doutorados Acadêmicos regidos pela Lei nº 9.394/96 (lei de Diretrizes e Bases da Educação). Sem dúvida, além de diplomado em Ciências Jurídicas (Direito), o doutor precisa estar com o registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Nos ambientes jurídicos, especialmente nos fóruns, esse tratamento ganha ares de sagrado, a começar pelo endereçamento de qualquer petição ao juízo, e dou um exemplo: “Exmo. Sr. Dr(a). da (...) Vara tal, da Comarca Tal)”, além do qualificado tratamento de Excelência – em todo o texto – dispensado ao magistrado. Ritual que deve ser cumprido rigorosamente.
Se no campo jurídico o doutor faz parte como exigência, o meio médico não dispensa esse tratamento. Lembro-me bem que na faculdade o acadêmico em direito começa a colocar o “trem nos trilhos” desde cedo, com as recomendações dos professores – advogados, promotores, juízes – para que os alunos se ambientem no futuro campo de trabalho.
E para ilustrar, conto aqui uma passagem verdadeira, embora me reserve ao direito de omitir os atores, no sentido de evitar qualquer constrangimento do pretérito. Muitos de nós éramos amigos de alguns professores e durante uma aula um aluno chamou o professor pelo seu nome de batismo, omitindo o sagrado tratamento de doutor, no que foi imediatamente repreendido.
– Doutor! Pode ir se acostumando por aqui, pois nos tribunais não há espaço para intimidades. Lá o tratamento é formal e a quebra desse preceito poderá causar sérios dissabores a quem infringir essa norma. Portanto, reserve esse tratamento chulo para a mesa de bar – repreendeu com sisudez o mestre.
Se no ambiente jurídico o tratamento é uma regra que extrapola as paredes dos tribunais, fora dele são vistas com desdém por algumas pessoas que afirmam ser o tratamento de doutor apenas para os que defenderam teses acadêmicas. Ledo engano, o doutor na academia está estipulado em outro diploma legal, a Lei 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação).
Apesar de presente na legislação brasileira, o título de Doutor remonta a tempos antigos, o século XII, conferidos aos filósofos, a exemplo de Doctor Sapientiae, Doctor Angelicus, dentre outras denominações. E ainda existe o de Doutor Honoris Causa, concedido a personalidades de destaque (nem sempre). Há quem diga que doutor é todo aquele sabe e pode ensinar, neste caso, poderíamos incluir os mestres, especialistas e professores sem esses títulos.
Embora muitos acadêmicos não concordem, costumo dizer que teses são construídas diariamente por muitos profissionais e expostas a um público especializado, que o analisa, aprova, constrói e desconstrói, de acordo com a veracidade da peça. O advogado nos tribunais, os médicos em suas pesquisas, os jornalistas nos seus textos, os engenheiros nos projetos e materiais.
Ao tentar mostrar uma divergência corriqueira, posso ser criticado por falar asneiras num assunto de deveras importância, que exige muita pesquisa e capacidade intelectual para reunir conhecimentos e relacioná-los, argumentá-los. Acredito que se gasta muita saliva para debater qual o título de doutor que tem validade, pois todos são amparados em lei.
Não posso deixar de contar o que acontecia com um conhecido, sem formação superior, que ao ir a instituições importantes, fazia uma ligação telefônica prévia para saber se o doutor fulano de tal (ele mesmo) já tinha chegado e deixava um pseudo recado para ele mesmo. Ao chegar se apresentava à secretária, que o tratava por doutor à vista de todos e passava a informação. E ele se sentia satisfeito e feliz da vida.
Muitas vezes não há diferença entre o conhecimento intelectual e científico expostos no dia a dia pelo profissional, de um título impresso num simples cartão de visitas.
*Radialista, jornalista e advogado.






