sexta-feira, 29 de abril de 2022

VIVALDO MONCORVO, A ALMA DO ITABUNA E DOS POLÍTICOS

 

VIVALDO MONCORVO, A ALMA DO ITABUNA E DOS POLÍTICOS

Vivaldo Moncorvo numa festa com políticos

Por Walmir Rosário*

Figura folclórica já incorporada a Itabuna e região cacaueira, o radiotelegrafista Vivaldo Moncorvo, nascido em 10 de março de 1925, em Senhor do Bonfim (Bahia), veio para substituir um colega em férias na agência dos Correios e Telégrafos, aqui desembarcando no dia 28 de julho de 1958 (dia da Cidade). Gostou da festa e não saiu mais. Tornou-se um itabunense por adoção.

Esportista convicto, Moncorvo sempre participou ativamente dos jogos de futebol, principalmente quando o assunto era a Seleção Amadora de Itabuna, hexacampeã intermunicipal. Com a fundação do Itabuna Esporte Clube e sua entrada no profissionalismo, Moncorvo torna-se ainda mais famoso ao chefiar a charanga que embalava a equipe azul e branca.

Não há em Itabuna e região um político ou desportista que não conheça Vivaldo Moncorvo, cuja fama ultrapassa as fronteiras regionais e foi citado em vários jornais de circulação nacional e até no estrangeiro ao entregar um trombone ao seu amigo Antônio Carlos Magalhães, durante um evento em Ilhéus. Foi a glória. Passou a ser amigo de todas as horas de ACM.

Na verdade, sua amizade com ACM teve início em 1955, ainda na cidade de Bonfim, quando atendeu a um pedido de Ângelo Magalhães, tesoureiro dos Correios, para que desse uma ajudazinha na campanha do irmão. Em 1966, Moncorvo e ACM voltam a se encontrar, desta vez em Itabuna, durante a campanha para deputado federal. Estava selada uma amizade para o resto da vida, inclusive com Luiz Eduardo Magalhães.

Sempre que muitos políticos importantes solicitavam a Moncorvo uma “mãozinha” quando havia um assunto a tratar com ACM, ele nunca deixou um seu pedido sem atender. O primeiro e talvez o mais importante deles se deu ainda durante a construção do estádio Luiz Viana Filho, em 1973, durante a administração do prefeito Simão Fitermann, diante da dificuldade em receber os recursos necessários para concluir a primeira fase das arquibancadas do estádio.

Diante do pedido, Moncorvo embarca num ônibus da Sulba com a missão de conseguir junto ao Secretário do Bem-Estar Social, Bernardo Spector, 250 mil (ou milhões de cruzeiros, dinheiro da época). Missão cumprida. Finalmente Armando Andrade pode concluir a obra. Moncorvo, homenageado, plantou o último pé de grama do estádio Luiz Viana Filho, na data histórica de 9 de abril de 1973.

A amizade de Moncorvo e ACM ficou ainda mais consolidada após a acachapante derrota para Waldir Pires, em 1986. Nesse período, ACM ainda curtia sua grande derrota na Ilha de Itaparica, e somente recebia os seus seguidores mais fiéis, a exemplo do cantor, compositor e comerciante do Mercado Modelo, Chocolate da Bahia, também derrotado nas urnas como candidato a deputado federal. Grande entendedor do clamor das ruas, Chocolate pressentiu que o governo de Waldir Pires não iria a lugar nenhum e iniciou a composição de umas músicas de campanha para o retorno triunfal de ACM.

Ao ir à Ilha de Itaparica mostrar as composições, foi rechaçado pelo político, que não acreditava mais no seu retorno à vida pública. Indisposição essa que foi desfeita seis meses depois, quando ACM mandou chamar Chocolate para gravar a música “Você se lembra de mim”. Coube a Moncorvo e sua charanga a primazia de tocá-la numa das primeiras viagens feitas por ACM ao interior.

Além da música “Você se lembra de mim” também foram gravadas “A Bahia vai bem”, “A vitória que a Bahia quer”, entre outras tocadas pela brava charanga de Moncorvo, inclusive em Salvador. Na capital, a cada aniversário de ACM, Moncorvo lá estava presente com sua charanga em frente ao apartamento, devidamente despachada por Manuel Leal e com a incumbência de acordar o “chefe” no dia 4 de setembro com uma grande alvorada. E o repertório ainda incluía “Amigo” de Roberto Carlos.

Em 6 de janeiro de 1981, no auditório do antes glorioso Conselho Nacional dos Produtores de Cacau (CNPC), ACM discursava se dizendo um homem realizado, pois nada lhe faltava, já que tinha ocupado todos os grandes cargos públicos, no que foi retrucado em voz alta pelo amigo Moncorvo:

– Falta, sim, chefe, ser presidente da República – gritou.

O cargo lembrado por Moncorvo, por ironia do destino, foi ocupado por ACM (quando presidente do Senado, numa viagem de Fernando Henrique Cardoso ao exterior), sem nunca ter sido eleito como o maioral do executivo da República.

Vivaldo Moncorvo morreu em 26 de fevereiro de 2016, prestes a completar 91 anos.


terça-feira, 26 de abril de 2022

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CEPLAC, UMA RELIGIÃO?


Luiz Ferreira da Silva*

Seu Luiz, como assim o chamávamos por ser mais velho, motorista da turma de solos (Pedologia), ao se aposentar – um dos primeiros – fez um gesto simbólico ao beijar o chão, antes de transpor os umbrais da sede da CEPLAC.

Provavelmente, baseou-se no Papa João Paulo II, que tinha o hábito de beijar o chão de um país tão logo pisasse, como uma maneira de expressar seu amor e respeito pelo país e o seu povo.

Esse gesto do modesto servidor expressava sua gratidão àquela Casa que o acolhera e ali se sentira feliz em prestar sus serviços, enviando provavelmente um recado aos que ficaram: - “CEPLAC, Escola, Lar, Provedora”.

É preciso entender como foi edificada essa Instituição para se mensurar o visgo em mão dupla: Instituição versus servidor. O sentimento via dever profissional; o comprometimento com o cacau; o respeito ao homem do campo; a bandeira da excelência.

Brandão, primeiro secretário-geral, implantou um tal de espírito de corpo, incutindo-nos uma filosofia de solidariedade e lealdade ao grupo, colocando a organização na mira do trabalho profícuo. Zé Haroldo, subsequente Diretor-Geral, cravou o decálogo profissional. Paulo Alvim, Diretor científico, trouxe o mote do aperfeiçoamento. E o colega, líder extensionista, Ubaldino Dantas Machado, movimentava sua turma, com a palavra parceiro, hoje em moda.

Vale a pena registrar a importância do Banco do Brasil neste contexto, cujos funcionários cedidos transportaram os princípios éticos e de proficiência profissional da sua organização de origem, tida como de excelência.

Também, de relevância, o produtor de cacau, financiador por muitos anos, através da taxa de retenção, recursos estes gerenciados com probidade, possibilitando o retorno de bens para toda região cacaueira.

Em 2017, mesmo distante, organizei com apoio de outros colegas de Salvador, um Encontro, oportunidade que homenageamos a CEPLAC com um livro. Foi tão profícuo, que repetimos a dose em 2018, com um tributo a José Haroldo, registrado em outro livro.

Muitos se fizeram presentes, deslocando-se de Ilhéus, Itabuna, Maceió, Belém, Brasília, não pelos meus olhos, mas pelo sentimento ceplaqueano, diferentemente, talvez, se fôssemos apenas colegas de uma instituição qualquer.

No ano que vem, 2023, 60 anos da fundação do CEPEC (Centro de Pesquisas do Cacau), oportunidade a um terceiro Encontro. Vale pensar com muito carinho!

Pelo exposto, concluo que a CEPLAC é uma RELIGIÃO; e os que se formaram nela, uma ruma, como diz o bom baiano, de ABENÇOADOS.

*Pesquisador aposentado (85 anos) e “sócio fundador” do CEPEC, 1963.


sexta-feira, 22 de abril de 2022

A PROEZA DO GUARANY CAMPEÃO COM TIME DE ITABUNA

 

A PROEZA DO GUARANY CAMPEÃO COM TIME DE ITABUNA

Carlos Botelho lembrou a proeza do Guarany

Por Walmir Rosário

Esta história que me proponha a narrar será novidade para um mundão de gente, mesmo os que são apaixonados pelo futebol baiano. O motivo é muito simples: muitos dos que terão acesso a esse escrito não tiveram a oportunidade de ver esses times nos gramados, sejam da capital soteropolitana ou de Itabuna, pois quando o caso aconteceu logo depois de encerrada a segunda guerra mundial. Nem eu ainda era vivo.

Imagine vocês um time médio da capital baiana pedir socorro a um coirmão de Itabuna para se sagrar campeão baiano. Sim, essa façanha realmente aconteceu e está registrada nas atas da vetusta Federação Bahiana de Futebol. Essa equipe era a Associação Desportiva Guarany, fundado em 12 de janeiro de 1920, mas que somente realizou essa proeza em 1946, após levar 10 jogadores da Associação Atlética de Itabuna.

Lembro bem de um depoimento concedido aos jornalistas José Adervan, Ramiro Aquino e este locutor que vos fala, Walmir Rosário, pelo ex-diretor do banco Econômico, Carlos Botelho, grande conhecedor de futebol baiano. Na entrevista, Botelho cita a década de 1940 como um dos períodos mais férteis do futebol itabunense, apesar da guerra, que convocou reservistas do Grêmio, Janízaros e Associação Atlética de Itabuna (AAI).

Botelho não deixou por menos e garantiu que a equipe da Associação Atlética foi o melhor time do interior baiano, naquela época dirigido por José Nunes de Aquino, Clóvis Nunes, Horácio Almeida, Domingos Almeida, lembrado com saudades pelos que o conheceram. Ele conta que era um time de decisão e acumulava campeonatos, apesar das equipes adversárias, como Grêmio Janízaros, Vasco da Gama, entre outros.

Time de elite, não se contentava, em todos os sentidos, de excelentes jogadores, era exigente a ponto de praticar alguma forma de racismo, vigente na época (à maneira do Fluminense do Rio), pois jogadores com tez mais escura não entravam no time. Basta ver um dos seus melhores elencos, formado por Balancê, Ventuíres e Aranha; Aloísio Smith, Valter Caetano e Anizinho; Tido, Galeão, Clóvis, Rosevaldo e Firmino, quase todos brancos.

Foi um custo contratar o primeiro homem de cor escura, o zagueiro Ruído, vindo de Jequié, o que provocou bastante celeuma. Com o passar dos anos, a Associação chegou a armar um time com jogadores negros, entre eles Balancê, Dircinho e Álvaro Barbeiro. Nesse período, destaca-se o atacante Pipio, um grande craque, que depois foi jogar no Bahia e, posteriormente no Pará, onde morreu.

Dessa mistura, na qual era permitida a presença de negros, a AAI se tornou talvez o maior time do interior baiano de todos os tempos, formado por Niraldo ou Mota, Bolívar e Bacamarte; Zecão, Amaral e Elvécio; Tombinho, Puruca, Juca Alfaiate, Tuta e Zezé. Era uma equipe invencível, que não se preocupava com os adversários, dada a qualidade de seus atletas. Entrava em campo para ganhar, só não se sabia qual o placar.

Embora a Associação Atlética de Itabuna, reinasse absoluta em campo, tinha, pelo menos, um adversário à altura. O Grêmio, que por volta de 1943 e 44, em plena Segunda Guerra, era outro grande time amador de Itabuna, classificando-se em segundo lugar, logo depois da Associação. A melhor formação do Grêmio, segundo Botelho, era: Babão; Sapateiro e Lameu; Zeferino, Noca e Colatina; Manchinha, Lubião, Juca, Macaquinho e Elísio. Observe-se que um futuro grande valor da AAI, Juca Alfaiate, nesse período, envergava a camisa do Grêmio.

A Associação Atlética Itabunense teve uma história gloriosa, o que é inegável até pelos adversários. Onde se tinha notícia de um grande jogador, a diretoria não media esforços para contratá-lo e assim formou a equipe mais temida do interior da Bahia. Faturou a maioria dos campeonatos de Itabuna, conquistando o título inédito de pentacampeão nos anos de 42 e 46, mesmo sem os 10 jogadores que foram para o Guarany.

E essa notícia chegou à capital baiana pelos dirigentes e jogadores das equipes soteropolitanas que vinham jogar partidas amistosas com os times das cidades do Sul da Bahia. Quando aqui chegavam davam de testa com a vencedora equipe da Associação, que não costumava a passar vergonha em campo, perdendo para um time qualquer que fosse, mesmo de Salvador.

E num jogo desses amistosos, a pequena, porém aguerrida equipe do Guarany se encantou com os atletas da Associação e vislumbraram a oportunidade de aparecer entre os grandes da capital. Com esse time da Associação era tiro e queda, não perderiam uma partida para seus rivais de Salvador. Quem sabe, ganhariam o campeonato baiano sem muito trabalho.

Esse feito foi o bastante para que os dirigentes do Guarani, de Salvador, contratassem 10 jogadores titulares da Associação. Entre os craques que deixaram a Associação estavam Bolívar, Bacamarte, Quiba, Elísio Peito de Pomba (o reserva de Juca Alfaiate), Elvécio, Tuta, além de outros quatro cujos nomes me falham a memória. Com esse timaço, o Guarani venceu o Campeonato Baiano de 1946, sua única conquista.

Foi o primeiro e único campeonato faturado, disputando a fase final numa melhor de três com o Ypiranga. Empatou a primeira por 2X2, vencendo a segunda por 1X0 e despachando o seu vice por 2X0 na terceira partida. Anos depois o Guarany abandona o futebol e nem mesmo sei se ainda existe. Mas que foi campeão baiano com os jogadores de Itabuna, ninguém há de duvidar.

domingo, 13 de março de 2022

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A CARREIRA ARTÍSTICA DE NEWTON MAXWELL


Itabuna antiga, do tempo de Newton Maxwell

Walmir Rosário*

Os tempos eram difíceis e disse não se há de negar. Àquela época costumavam-se dizer que em Itabuna “se ganhava o ouro – é verdade –, mas se deixava o couro”. Era um relato sobre as oportunidades existentes para os que não tinham medo ou receio de enfrentar as adversidades. Nas roças abundavam o rico cacau, na cidade tudo convergia para gastar o ouro negro ou fazer fortuna.

Desde o início do século passado a ainda acanhada Itabuna se rivalizava com as grandes cidades quando o tema eram as atividades culturais. As grandes companhias artísticas do Rio de Janeiro e São Paulo incluíam a cidade no seu roteiro, ao lado de Salvador e Ilhéus. A economia cacaueira era garantia de sucesso de público e de finanças, com as salas de cinema e teatro lotadas.

Lembro que na segunda metade da década de 1950 eram presenças obrigatórias das vedetes do Rio de Janeiro, das grandes bandas, cantores famosos, humoristas, enfim, todos aqueles que víamos nos filmes da Atlântida e Vera Cruz. Aqui, além do sucesso, também influenciavam as artes e despertavam vocações nos nossos conterrâneos que se aventuravam a seguir uma carreira em plagas grapiúna.

E Itabuna não era diferente das cidades interioranas, com seus personagens que povoam a vida dos seus habitantes, marcando indelevelmente a comunidade, alguns com fatos pitorescos, outros com estórias curiosas que sobrevivem ao passar dos tempos. Itabuna era uma cidade rica dessas figuras. E o que passo a narrar é fruto dessa cultura, contada pelo advogado e colega ceplaqueano Lício de Almeida Fontes, com todos os créditos.

Vale lembrar uma dessas pessoas que marcaram sua passagem pela cidade e que até hoje é lembrada como protagonista de estórias interessantes: Newton Maxwell, que ele dizia ser seu nome artístico, quando alguém falava que aquele bonito nome era falso, com a intenção de desmerecer as suas qualidades artísticas. E ele seguiu fielmente o roteiro do imperador Romano Júlio César: “Veni, vidi, vici” (vim, vi, e venci).

Na verdade o saudoso Newton Maxwell era o pseudônimo do cidadão Nílton Caetano do Almada, que chegou a Itabuna na primeira metade do século XX ainda rapaz, se estabeleceu como fotógrafo. Também dominava algumas habilidades como dançarino sapateador e mágico. Era gordinho, cintura grossa, cabelo repartido no meio, extremamente comunicativo e engraçado.

Como a arte da fotografia inicialmente não lhe possibilitava viver com muito conforto, trabalhava também como balconista de uma farmácia que havia na antiga Rua da Lama, hoje avenida do Cinquentenário, e à noite se aventurava – fazia bico – dando shows como sapateador e mágico no Cine Theatro Odeon existente na época, e localizado onde hoje é a rua Paulino Vieira.

Mas, devido à sua compleição física: gordinho, cintura grossa, passadas curtinhas e apressadas, logo – não se sabe por quem – foi apelidado de Buião. Este apelido o perseguiu pelo resto da vida e lhe causava grande irritação quando assim o chamavam. Em roda de amigos, com os quais tinha grande amizade como Washington e Weldon Setenta, João Fontes, Raleu e Pedro Baracat, Fuad Maron, Silvio Midlej, Fernando Andrade ele entrava no clima da brincadeira e não se zangava. Fora disso ficava injuriado.

Num fim de semana o Cine Theatro Odeon anunciou um espetáculo de dança e mágica protagonizado pelo artista Newton Maxwell recém-chegado à cidade, mas o suficiente para ser batizado com o malsinado apelido: Buião.

Eis que na hora marcada, Theatro com plateia lotada, nos bastidores o artista é anunciado, as cortinas se abrem, refletores o iluminando, eis que surge, vestido num smoking, gravata borboleta, o artista Newton Maxwell, peito estufado, cinturinha grossa, passinhos curtos e apressados. Cessados os aplausos, faz-se o silêncio costumeiro para o início do grande espetáculo.

Mas eis que ouve-se a voz bem alta de um garoto que grita em alto e bom som:

– Mãe olhe só quem está ali! Aquele é o bujão da farmácia –.

Após esta fala toda a plateia se desmanchou em risos e marcou o último espetáculo de sapateado e mágica do nosso artista Newton Maxwell em terras grapiúna.

sexta-feira, 4 de março de 2022

Quem é Albert Camus

 

Quem é Albert Camus



É inegável a importância de Albert Camus na produção literária do século XX no Ocidente, um autor que dedicou a vida a explorar o absurdo da condição humana. E essa edição conjunta é uma celebração de sua obra, que reúne seu primeiro ensaio filosófico – O mito de Sísifo – e os três romances que Camus publicou em vida – O estrangeiroA peste e A queda. Segundo Manuel da Costa Pinto, “Camus sempre insistiu em que, apesar da heterogeneidade formal e estilística das suas obras, todas giravam em torno de alguns temas obsessivamente revisitados a cada momento criativo”. E é pensando nestes temas camusianos que a Editora Record publica esse box com novo projeto gráfico que enaltece esses quatro livros obrigatórios em qualquer estante.

Além dos livros, essa coletânea é acompanhada também por um livreto com o texto inédito Um romance sempre é uma filosofia posta em imagens, de Manuel da Costa Pinto, e fotos de Albert Camus. Ele amarra as quatro obras, traçando uma linha ligando cada um dos livros às reflexões da filosofia camusiana e à própria história do autor, o que enriquece ainda mais o repertório de quem já é leitor de Camus e serve como uma bela introdução para quem deseja se aventurar pelos tratados de um dos autores mais importantes do mundo.

O estrangeiro (176 pág)

Escrito em 1942, O estrangeiro, a mais famosa e importante obra de ficção de Albert Camus, narra a história de um homem comum que se depara com o absurdo da condição humana depois de cometer um crime quase inconscientemente. Meursault, que vivia sua liberdade de ir e vir sem consciência dela, subitamente perde-a envolvido pelas circunstâncias e descobre uma liberdade maior e mais assustadora na autodeterminação. Uma reflexão sobre liberdade e condição humana que deixou marcas profundas no pensamento ocidental. Uma das mais belas narrativas do século XX.

A peste (424 pág.)

Orã, na Argélia, é atingida por uma terrível peste transmitida por ratos, que dizima sua população. É inegável a dimensão política desse livro, um dos mais lidos do pós-guerra, uma vez que a cidade assolada pela epidemia lembra a ocupação nazista na França durante a Segunda Guerra Mundial, e que retornou à lista de mais vendidos durante a pandemia de Covid-19. A peste é uma obra de resistência em todos os sentidos da palavra. Narrado do ponto de vista de um médico envolvido nos esforços para conter a doença, o texto de Albert Camus, publicado em 1947, ressalta a solidariedade, a solidão, a morte e outros temas fundamentais para a compreensão dos dilemas do homem moderno.

O mito de Sísifo (224 pág.)

O mito de Sísifo, publicado em 1942, é um ensaio sobre o absurdo e se tornou uma importante contribuição filosófico-existencial e exerceu profunda influência sobre toda uma geração. Camus destaca o mundo imerso em irracionalidades e lembra Sísifo, condenado pelos deuses a empurrar incessantemente uma pedra até o alto da montanha, de onde ela tornava a cair, caracterizando seu trabalho como inútil e sem esperança. O autor faz um retrato do mundo em que vivemos e do dilema enfrentado pelo homem contemporâneo: “Ou não somos livres e o responsável pelo mal é Deus todo-poderoso, ou somos livres e responsáveis, mas Deus não é todo-poderoso.”

A queda (152 pág.)

Em A queda, um advogado francês faz seu exame de consciência num bar de marinheiros, em Amsterdã. O narrador, autodenominado “juiz-penitente”, denuncia a própria natureza humana misturada a um penoso processo de autocrítica. O homem que fala em A queda se entrega a uma confissão calculada. Mas onde começa a confissão e onde começa a acusação? Ele se isolou do mundo após presenciar o suicídio de uma mulher nas águas turvas do Sena, sem coragem de tentar salvá-la. Camus revela o homem moderno que abandona seus valores e mergulha num vazio existencial. Publicado em 1956, esse livro é fundamental para todas as gerações.

 

quinta-feira, 3 de março de 2022

apoesiadeclaudioluz

 

apoesiadeclaudioluz

 

Conhecimentos



Queria ter te conhecido,

Ao rufar da aurora, em

Plena madrugada com

Os lábios molhados de orvalhos que

Umedecia as águas em volta dos lagos.

Queria ter te conhecido envolta nas relvas,

Descabidas, mas vestida de cor púrpura, no.

Primeiro raio do sol.

Queria ter te conhecido, beijando os seus.

Lábios, sussurrando nos seus ouvidos

Quanto gosto de ti.

Queria ter te conhecido, ao sol do meio-dia,

Início da tarde em busca do anoitecer que

Em prelúdios me faria te conhecer.

Queria não ter te conhecido, agora que

A lua desperta para que eu espere um

Novo amanhecer.

Somos o início e o fim que nos dizia: Deveríamos nos conhecer na escuridão

Do dia ou no clarão da noite para nos redimir.

 

Meu Coração bate por ti


 

Meu coração é um lugar vazio

Convivo com minhas tristezas

Esperando que alguém aperte o gatilho

Afastando de mim a solidão que ainda cisma

Em queimar no meu peito.

Se acaso você viesse e

Preenchesse minha vida com ardor

E atirasse meu coração ao fogo, fogo

Alto, bem alto dos altos céus.

Aonde a água, não derretesse em chamas.

A essência do ébano, fazendo-me forte, abrindo caminhos.

Intrínsecos dos meus sonhos, essência da ausência.

Que o teu corpo faz, aqui e agora.

Venha atire no meu coração para que o seu amor flua entre

Ondas

Eternas, nos maremotos que hão de vir, entre.

O oriente e ocidente, para que eu me sinta feliz.

Por acaso você que abrirá a porta estreita que bate

No calor da noite entre sonidos sagrados, como incenso.

Entre nuvens incandescentes, realizando o ultimo desejo.

Do fundo do meu coração que bate por ti.

Então eu queimarei na sua chama de amor, doce amor.

Quem dera...




Quem dera

Um amor assim inocente

Chegando docemente

Tranquilizando o meu viver.

Quem dera

Afagar os teus cabelos

Sentir o teu cheiro

E naturalmente nunca pensar em morrer

Quem dera

Ser cantado em seus versos

Num momento sublime de

Doce inspiração

Quem dera

Eu e Você num momento

Murmurando no encontro dos

Ventos

O sentido da doce união

Quem dera. 

Mulher



Em busca das cores

Fui ao encontro do arco-íris;

Em busca da imensidão

Fui ao encontro dos céus;

Em busca do calor

Fui ao encontro do sol;

Em busca do frescor

Fui ao encontro da chuva;

Em busca da serenidade

Fui ao encontro do orvalho;

Em busca do perfume

Fui ao encontro da Rosa;

Em busca da música

Fui ao encontro dos ventos;

Em busca da harmonia

Fui ao encontro dos anjos;

Em buscado afeto fui ao encontro de Maria;

Em busca da verdade

Fui ao encontro de Jesus;

Em busca da salvação

Fui ao encontro de Deus e

Em busca do sentimento profundo

Fui ao encontro de você... Mulher!

Logo, existo





Teceste-me às margens do Almada.

Fizeste-me Ser.

Cobriste-me com o calor do meio-dia,

Amamentando-me com os seios

Da própria terra-mater. que criastes.

Já não sou Eu, somos Nós,

Alegres, como em contínuas farras de felicidade,

Embriagando-nos de alegria e bem-querer.

Logo, existo.

Uno, no sentido que o Almada escoa

Em noites de paz, não de insônias.

E, ao contemplar o dia raiando que nos atrai

Para a doce Itajuípe banhada, penso

Agora existo...

Santa Prostituta



Venha com os astros e santos planetas o

Sol,

Lua,

Mercúrio,

Vênus,

Marte,

Júpiter

E Saturno

Venha como

No Evangelho copta dos egipcios e nos papiros mágicos

Gregos, perante um céu invisivel,

Que transborda dos meus pensamentos não senis.

Venham como os 365 dias do ano, que talvez nos modifique.

E nos transforme em meros expectadores dos sete tronos

Que compõe os meus sonhos não material, que

Povoam os seus sonhos que não sãos os meus,

Traga os Santos anjos que povoa o segundo céu,

Nas nossas ilusões incontidas.

Venha como a Santa prostituta, entre os céus e a terra,

Com o carinho que lhe é peculiar.

Venha Santa Prostituta!!! 

Adonias Aguiar

  Centro


 homenagem ao grande acadêmico e romancista itajuipense,

   que através de sua obra literária,
Deu-nos o Corpo Vivo, para percorrermos as Léguas da promissão
  observando através de Uma Nota de cem,
O Forte, o romance brasileiro em
Noites sem madrugada
Inspirando-nos com o
Auto de Ilhéus,
S
agrando-nos com os Bonecos de Seu Pope,
Fora da Pista,
I
ndicou-nos com as Memórias de Lázaro, a miscigenação racial ocorrida em       terras colonizadas em
Luanda Beira Bahia ensaiando-nos através da
História da Bahia e também com
O Romance Brasileiro e Cornélio Pena.

“Sonhamos como conterrâneos, que estamos às margens do Rio Sena, só em observar as águas do nosso Rio Almada, reluzindo a Serra da Temerosa, com Cajango, a nos espreitar.”