sexta-feira, 20 de maio de 2022

MEMORIAL INÉDITO CONTA HISTÓRIA DO BAIRRO CONCEIÇÃO, por Walmir Rosário

 

MEMORIAL INÉDITO CONTA HISTÓRIA DO BAIRRO CONCEIÇÃO

 

A ponte e Igreja foram vetores de desenvolvimento

Por Walmir Rosário

De forma bastante singela, acredito que o ato de viver pode ser comparado a assumir a direção de um veículo. Ter foco no presente do caminho que lhe rodeia, olhando, sempre, pelo retrovisor o passado, e analisando as possibilidades do futuro, do que possa vir pela frente. São através das histórias do passado que poderemos entender mais sobre nós mesmos, para que possamos encarar o futuro sem qualquer receio.

Dito isso, passo a narrar, com alegria, um “achado” importante da minha infância, vivida no bairro da Conceição em Itabuna. Essa descoberta é um memorial de autoria das professoras Edith Oliveira de Santana, Jiunice Oliveira de Santana e do engenheiro agrônomo e pesquisador aposentado da Ceplac, Sandoval Oliveira de Santana, que conta grande parte da história do bairro, em textos e fotos.

O trabalho, que leva o nome Bairro da Conceição e os Primórdios, foi elaborado para homenagear o cinquentenário da implantação da Paróquia Nossa Senhora da Conceição (8-12-1958 a 8-12-2008), com informações antecedentes ao ano de 1958. Todo o trabalho foi realizado por meio de consultas aos moradores descendentes dos desbravadores, com registros dos personagens.

E os três autores tinham motivos pra lá de especiais para elaborar o memorial, haja vista que eram filhos de Marinheiro e dona Janu (Antônio Joaquim de Santana e Joana Oliveira de Santana), casal que ostenta o título de quarto morador do bairro e o primeiro da rua Bela Vista. Os 13 filhos (uma adotiva) do casal se criaram no hoje bairro da Conceição, local que ainda residem filhos, netos e bisnetos.

Marinheiro, sergipano do distrito de Outeiro, município de Maruim, era um homem conhecedor do mundo, sempre a bordo dos navios da Marinha de Guerra Brasil e participou ativamente da “Revolta da Chibata”. Pretendendo mudar de vida, aporta em Ilhéus e vai trabalhar nas roças de cacau, tornando-se, posteriormente, administrador de fazendas e especialista no plantio e manutenção de cacaueiros.

Em 1932, Marinheiro muda-se para Itabuna em busca de escola para seus seis filhos, construindo uma casa na recém-criada Abissínia (bairro da Conceição), que se tornara promissora com a construção da ponte Góes Calmon, sobre o rio Cachoeira e a estrada para Macuco (hoje Buerarema). Conhecedor do mundo, Marinheiro participava da política local com ideias inovadoras para as campanhas políticas e a administração municipal.

Formalmente, o Conceição é o segundo bairro criado, embora em sua área, a Marimbeta, ostente a primazia de abrigar a primeira casa construída de Itabuna, na roça de Félix Severino do Amor Divino, um dos fundadores de Itabuna. E o memorial descreve que morar ali na década de 1930 era uma demonstração de coragem e trabalho, por ser um local de vegetação densa e contar com muitos animais silvestres.

Àquela época as casas eram feitas de taipas, adobes (crus ou queimados), telhados de palmeiras e poucos de telhas, que já serviam para se defender as intempéries, das onças e outros animais selvagens, muitos destes transformados em misturas na alimentação. Naqueles tempos bicudos, para matar a sede os moradores recorriam aos leitos dos ribeirões e à noite utilizavam fifós e placas, alimentados com querosene.

Para cozinhar bastava cortar a madeira na mata, tocar fogo e colocar as panelas de barro. Os mais abastados possuíam fogões a lenha, geralmente fora de casa. Nas panelas, feijão, carnes de caça, peixes do rio Cachoeira em abundância e muitas frutas na sobremesa. As vestimentas para os marmanjos eram calça curta, depois comprida, camisas com botões e cuecas samba canção; a depender da condição financeira, ternos de linho ou gabardine. As mulheres: vestido, saia, blusa, capote, combinação, anágua e calçola.

Aos poucos, o arruamento foi tomando forma urbana devido a crescente construção de casas, apareceram as primeiras vendas (mercearias) e padarias, melhorando as condições de vida da população. Mesmo assim, o “bairro” começou a ser chamado pejorativamente de Aldeia, e mais pra frente de Abissínia, devido a algumas mortes decorrentes de briga, injustamente comparada com a guerra no país africano.

No final da década de 1940, mesmo um aglomerado urbano de condições inóspitas, o bairro da Conceição possuía uma economia próspera, ganhando destaque nos anos 1950, quando começou a se consolidar. Nesse período, com as secas em Sergipe, os moradores de Itabuna convidavam os parentes para morar no “eldorado do cacau”, época em que o bairro da Conceição recebeu uma grande leva de migrantes.

Se em 1° de março de 1928 o bairro ganha a ponte Góes Calmon como primeiro vetor de crescimento, em 1955 veio o segundo com a construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, inaugurada em 08 de dezembro de 1958, quando a velha capela de madeira deu lugar a uma grande matriz. Neste mesmo período a fé dos moradores era atendida pelas igrejas Assembleia de Deus, Batista Teosópolis e Cristã do Brasil.

Construída pela batuta dos frades capuchinhos Isaías e Justo (italianos) e Apolônio (brasileiro/pernambucano), a Igreja de Nossa Senhora da Conceição marcou, decisivamente, o desenvolvimento do bairro. Enquanto a obra ia sendo tocada, a prefeitura passou a urbanizar o bairro, com a abertura e rebaixamento de ruas, a praça em frente a igreja e a canalização de água em algumas ruas.

Daquela época aos dias de hoje, o bairro passou por várias etapas de crescimento e desenvolvimento, com boas escolas públicas e privadas; na área de lazer e esportes – clube social, times de futebol, a sede do Itabuna Esporte Clube, bares e restaurantes, supermercados, dentre outros equipamentos urbanos. Mais que isso, sua gente se destaca na sociedade nas mais diversas áreas literária, artística, esportiva e profissional.

A ponte e Igreja foram vetores de desenvolvimento

Por Walmir Rosário

De forma bastante singela, acredito que o ato de viver pode ser comparado a assumir a direção de um veículo. Ter foco no presente do caminho que lhe rodeia, olhando, sempre, pelo retrovisor o passado, e analisando as possibilidades do futuro, do que possa vir pela frente. São através das histórias do passado que poderemos entender mais sobre nós mesmos, para que possamos encarar o futuro sem qualquer receio.

Dito isso, passo a narrar, com alegria, um “achado” importante da minha infância, vivida no bairro da Conceição em Itabuna. Essa descoberta é um memorial de autoria das professoras Edith Oliveira de Santana, Jiunice Oliveira de Santana e do engenheiro agrônomo e pesquisador aposentado da Ceplac, Sandoval Oliveira de Santana, que conta grande parte da história do bairro, em textos e fotos.

O trabalho, que leva o nome Bairro da Conceição e os Primórdios, foi elaborado para homenagear o cinquentenário da implantação da Paróquia Nossa Senhora da Conceição (8-12-1958 a 8-12-2008), com informações antecedentes ao ano de 1958. Todo o trabalho foi realizado por meio de consultas aos moradores descendentes dos desbravadores, com registros dos personagens.

E os três autores tinham motivos pra lá de especiais para elaborar o memorial, haja vista que eram filhos de Marinheiro e dona Janu (Antônio Joaquim de Santana e Joana Oliveira de Santana), casal que ostenta o título de quarto morador do bairro e o primeiro da rua Bela Vista. Os 13 filhos (uma adotiva) do casal se criaram no hoje bairro da Conceição, local que ainda residem filhos, netos e bisnetos.

Marinheiro, sergipano do distrito de Outeiro, município de Maruim, era um homem conhecedor do mundo, sempre a bordo dos navios da Marinha de Guerra Brasil e participou ativamente da “Revolta da Chibata”. Pretendendo mudar de vida, aporta em Ilhéus e vai trabalhar nas roças de cacau, tornando-se, posteriormente, administrador de fazendas e especialista no plantio e manutenção de cacaueiros.

Em 1932, Marinheiro muda-se para Itabuna em busca de escola para seus seis filhos, construindo uma casa na recém-criada Abissínia (bairro da Conceição), que se tornara promissora com a construção da ponte Góes Calmon, sobre o rio Cachoeira e a estrada para Macuco (hoje Buerarema). Conhecedor do mundo, Marinheiro participava da política local com ideias inovadoras para as campanhas políticas e a administração municipal.

Formalmente, o Conceição é o segundo bairro criado, embora em sua área, a Marimbeta, ostente a primazia de abrigar a primeira casa construída de Itabuna, na roça de Félix Severino do Amor Divino, um dos fundadores de Itabuna. E o memorial descreve que morar ali na década de 1930 era uma demonstração de coragem e trabalho, por ser um local de vegetação densa e contar com muitos animais silvestres.

Àquela época as casas eram feitas de taipas, adobes (crus ou queimados), telhados de palmeiras e poucos de telhas, que já serviam para se defender as intempéries, das onças e outros animais selvagens, muitos destes transformados em misturas na alimentação. Naqueles tempos bicudos, para matar a sede os moradores recorriam aos leitos dos ribeirões e à noite utilizavam fifós e placas, alimentados com querosene.

Para cozinhar bastava cortar a madeira na mata, tocar fogo e colocar as panelas de barro. Os mais abastados possuíam fogões a lenha, geralmente fora de casa. Nas panelas, feijão, carnes de caça, peixes do rio Cachoeira em abundância e muitas frutas na sobremesa. As vestimentas para os marmanjos eram calça curta, depois comprida, camisas com botões e cuecas samba canção; a depender da condição financeira, ternos de linho ou gabardine. As mulheres: vestido, saia, blusa, capote, combinação, anágua e calçola.

Aos poucos, o arruamento foi tomando forma urbana devido a crescente construção de casas, apareceram as primeiras vendas (mercearias) e padarias, melhorando as condições de vida da população. Mesmo assim, o “bairro” começou a ser chamado pejorativamente de Aldeia, e mais pra frente de Abissínia, devido a algumas mortes decorrentes de briga, injustamente comparada com a guerra no país africano.

No final da década de 1940, mesmo um aglomerado urbano de condições inóspitas, o bairro da Conceição possuía uma economia próspera, ganhando destaque nos anos 1950, quando começou a se consolidar. Nesse período, com as secas em Sergipe, os moradores de Itabuna convidavam os parentes para morar no “eldorado do cacau”, época em que o bairro da Conceição recebeu uma grande leva de migrantes.

Se em 1° de março de 1928 o bairro ganha a ponte Góes Calmon como primeiro vetor de crescimento, em 1955 veio o segundo com a construção da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, inaugurada em 08 de dezembro de 1958, quando a velha capela de madeira deu lugar a uma grande matriz. Neste mesmo período a fé dos moradores era atendida pelas igrejas Assembleia de Deus, Batista Teosópolis e Cristã do Brasil.

Construída pela batuta dos frades capuchinhos Isaías e Justo (italianos) e Apolônio (brasileiro/pernambucano), a Igreja de Nossa Senhora da Conceição marcou, decisivamente, o desenvolvimento do bairro. Enquanto a obra ia sendo tocada, a prefeitura passou a urbanizar o bairro, com a abertura e rebaixamento de ruas, a praça em frente a igreja e a canalização de água em algumas ruas.

Daquela época aos dias de hoje, o bairro passou por várias etapas de crescimento e desenvolvimento, com boas escolas públicas e privadas; na área de lazer e esportes – clube social, times de futebol, a sede do Itabuna Esporte Clube, bares e restaurantes, supermercados, dentre outros equipamentos urbanos. Mais que isso, sua gente se destaca na sociedade nas mais diversas áreas literária, artística, esportiva e profissional.

sexta-feira, 13 de maio de 2022

porwalmirrosario

 

TYRONE INVENTA O TURISMO DA CERVEJA BARATA

Júnior, Jurandir, Alberto e Tyrone em Barra Grande

Por Walmir Rosário

O Procon – ou seja lá que órgão o represente – precisa vir a Canavieiras com uma certa urgência, não para um período de férias e veraneio dos seus representantes, mas para fiscalizar o preço alto da cerveja, mercadoria muito cara por essas bandas. Nada tenho contra o veraneio desses ilustres “fiscais do povo”, que em épocas recuadas foram do Sarney, mas nessa condição poderiam se acostumar com os preços praticados pelos bares e restaurantes e nos prejudicar mais, ainda.

E nesse assunto falo de cátedra, por ser um consumidor quase que diário dessa mercadoria, tão admirada e consumida pelos brasileiros, embora os índices não sejam lá, essas coisas em relação a outros países. Confesso que atualmente não estou colaborando tanto para o aumento dos índices de consumo, e por isso já fui acusado de aposentado do Paraguai e, pior, como um enfermo de saúde combalida por pessoas malfazejas, fuxiqueiras perniciosas, o que cabe uma reparação judicial. Deixa estar, jacarés!

Mas minha aparente debilidade física pouco interessa e muito menos se me encontro em tratamento. O certo é que dentro de pouquíssimo tempo, estarei de volta às lides etílicas de alta frequência nos bares de Canavieiras e cidades circunvizinhas, com a constância requerida para tanto. E nesse meu festejado retorno gostaria que as autoridades constituídas, para tanto, já tivessem tomado uma providência (não a excelente cachaça mineira) para reduzir a conta, por conta das cervejas mais baratas.

Como disse que desse assunto falo de cátedra, repasso informações de alta confiabilidade a mim repassadas por uma força tarefa canavieirense de alto coturno quando se trata de cerveja. Em outras terras e num passado não muito distantes (2019), os confrades Júnior, Jurandir, Tyrone Perrucho e Alberto Rocha (conhecido como Fiscal em Canavieiras e Coletor em Camamu) descobriram e beberam cerveja Heineken pelo módico preço de R$ 10,00, impensável aqui pelas bandas de Canavieiras.

Não pensem os desconfiados senhores que a missão exploradora frequenta locais mal-afamados do tipo birosca de ponta de rua sem as mínimas condições de higiene, quiçá de péssimas condições de atendimento e sem os acessórios necessários e convenientes para a degustação de uma boa cerveja, a exemplo de copos e taças de cristal. Se engana quem pensou nessa remota possibilidade, pois nossos confrades se encontravam em Barra Grande e outros locais badalados da Baia de Camamu.

Para que não pairem dúvidas sobre o local, a cerveja e o preço, apresento uma foto com o flagrante do ato de degustação e comemoração num ambiente requintado, como bem merecem nossos turistas em busca de aventuras pelos bares desse mundo afora. Diante da constatação, imediatamente – graças à presteza, viabilidade e praticidade das redes sociais – enviaram a foto aos quatro cantos do nosso planeta, mostrando que por aquelas bandas o cliente é bem tratado no que se refere ao paladar e ao bolso.

Para os que se dizem incrédulos como São Tomé, nossos viajantes estavam munidos com notas fiscais – e não poderia ser diferente com Alberto Rocha, um valoroso ex-agente da fiscalização –, que mesmo gozando dos encantos da aposentadoria, não se permitiria deixar de solicitar a nota fiscal, como bem recomenda a Secretaria da Fazenda. Se Alberto é o responsável pelas questões legais, Tyrone Perrucho, por certo estaria a postos para a verificação do preço da cerveja Heineken. Cada um na sua especialidade.

Pelo que soube – e deve mesmo ter acontecido –, não fui o único a receber a preciosa informação com os anexos (foto e notas fiscais), acredito eu que tenha sido com a intenção de iniciar a mobilização dos frequentadores dos bares contra o tratamento nada amigável dos donos de botequins. Por sinal, pelo que ouvi, as provas irrefutáveis da venda de cerveja barata em Barra Grande também foram enviadas para os donos de bares de Canavieiras.

Para quem ainda não conhece Barra Grande vou logo avisando: trata-se de um local chic, frequentado pela nata da high society nacional e internacional, a exemplo dos poderosos da Globo, publicitários políticos, Neymar et caterva quando vêm se recuperar dos revezes com as namoradas e títulos perdidos em campo. Esse aviso se faz necessário para que saibam em que areia pisarão, se bem que por lá os ambientes são limpinhos, bem asseados, ao contrário dos costumeiros pés-sujos onde costumam frequentar.

Quanto às providências possíveis de serem tomadas por aqui, aguardamos a chegada da nobre missão que lembra os bandeirantes paulistas que embrenhavam o interior do Brasil em busca de pedras preciosas e outras riquezas materiais, se bem que de forma individualista, não deu em nada. Quanto ao comportamento de Alberto e Tyrone, imbuídos no alto espírito coletivista norteador das causas públicas, no sentido de reparar a economia dos confrades no dia a dia dos bares canavieirenses se revelou um retumbante fracasso.

A montanha pariu um rato!

segunda-feira, 2 de maio de 2022

apoesiadeclaudioluz

 Deusa minha, te endeuso

 


Cheiro de incenso de Patchouli,

Que encobre M'alma energizando os

Meus sonhos, acariciando o meu corpo

Que agora se entrega a ti.

Afrodite és, ficando mais uns instantes

Me faz contente e fértil.

Vejo os caracóis das ondas e os cachos

Dos seus cabelos alegres quando

Quando estamos juntos, na imensidão.

Carrego emoções, incensos de Patchouli

Que te veste, quando eu te chamo: Minha

Deusa cheia de fertilidade e essências

Essenciais para nos beijarmos.

Te endeuso num amor perfeito,

Talvez amor de perdição.

 

Não partirei ainda

 

Embora o meu coração peça,

Não partirei, agora contigo ou sem palavras que diz não parta, agora.

Partirei talvez sim, mergulhando no abismo que nos separa, entre luzes opacas e espelhos não amorosos que não

Refletirão o meu corpo abraçado ao seu.

Somos lábios, presas fáceis, olhares obscuros, sentimentos que nos encobre como

Névoas do passado que jamais

Nos deterá, entrecortando distâncias buscando um novo

Amanhã, talvez.

Sem você não partirei.

Entre, entrecortando o meu coração, não partirei.

 

Naturalmente os Seus lábios

 

Traz o néctar em seus lábios, embriaga a minha alma

Se fazendo mulher, livre, como você não consegue sê.

Em sonhos afago os seus cabelos, na vertical percorro entre os meus

Dedos desde a sua fronte até o ponto final que me domina

Em êxtase, de agonia, de querer você aqui e agora, muito mais

Além dos sonhos, que sonho por sua presença aqui.

Sinto os seus frêmitos, ouço os risos de suas crias, apalpo

O seu prazer que gira entre as luas que nos separam e o momento

Sublime que fará você mulher, livre, pronta para entregar-se

Não vulgarmente, mas em doces rituais que nos perpetuará.

Agora os seus lábios são meus e os meus teus!

domingo, 1 de maio de 2022

apoesiadeclaudioluz

 Eu te poetizo em mim



Fita-me com os seus olhos cor de poesias

Que penetram o meu intimo, desnuda a minha alma como incenso de Patchouli, incendiando a minha alma.

Em busca de luzes que iluminará

Os seus encantos que agora me aprisiona e me faz feliz.

Abraça-me com o seu semblante de deusa, Venus De Millus, usando uma

Valisère, sensual, calientes, afagando os meus sonhos de ter você

Em meus braços com sede de ti.

Traz-me o sol, a lua, as estrelas para iluminar o sentimento profundo

Que se encerra em meu peito que agora apanha por ti, embriagando-me,

Profundamente, no leito que agora nos acomoda, entre utopias e sonhos

Que não decai na noite que nos envolve fazendo-nos único ser.

Faz-me intangível, não invisível, nos seus braços, fantasias de mulher,

Agora febril, fazendo-nos semideuses, entre pingos da chuva que agora

Refresca os nossos anseios, e nos atrai para os céus que

Encobre-nos, entre nuvens de festim.

Eu te poetizo-me em ti, como ultimo ato, não submisso, mas

Cheio de palavras, coração em festa e olhos feitos pra ti,

Inspirado no você, que é chama que queima em meu peito

Que não sente dor, embriagado que estou, poetizando-te em mim.

 

Secreto âmago amor

O fogo é inalterável diante do meu amor, que

Incansável está como se estivesse situado no interior

De tronco das árvores e não no perfume das rosas

Que plantei para ti.

Âmago secreto, incansável,

Meu fogo inalterável, Proibido, que te inflama

Antes do verão e que te aquece em pleno inverno, sem

Tabus e clarividências, entre o mal e a salvação

Dos meus olhos, sagrados e amorosos que te admira

Quando o meu coração está em cinzas

No seu corpo que me aprisiona para eu não queimar ou

Morrer no âmago, no sagrado leito quando me dispo pra te

Amar e querer.

 

Vamos sonhar

Você não pode dizer que nunca tentamos

E nem esquecer que o céu é azul entre nuvens que povoam

Os nossos pensamentos, que nos eleva para as lembranças

Que cismamos em não esquecer.

As nossas almas estão cálidas

As rosas já não abrasam os nossos corações, antes

Fértil em sonhos, que seguramos tão firmemente,

Observando as areias prateadas que nos vai

Levar a partir daqui para além do horizonte

Pleno.

Você é linda, mas não é a hora de dizermos adeus?

Eu quero continuar te amando, sentindo os seus lábios doces,

Observando o seu olhar de tigresa,

Deixando-me sussurrar em seu ouvido aquela poesia

Que lhe causa êxtase esporadicamente.

Vamos nos amar baby, apenas de passagem,

Sem nenhum sacrifício, apenas com palavras

Que dois corações eternizados em sonhos

Possam sobreviver,

Sem nenhum sacrifício...

 

Eu quero morar no seu corpo

Eu quero morar no seu corpo para escrever poesias, sem sal.

Eu quero morar em seu corpo na medida ideal das minhas divagações que te faz musa e mulher, minha talvez.

Eu quero que você more em minha alma, sem álcool gel 70, mas como uma sacerdotisa de Vesta, entre o altar que me acolhe na noite e o amor que trás no seu coração, que um dia provarei.

Queremos morar nos nossos corpos com ou sem ilusões. .

 

sexta-feira, 29 de abril de 2022

VIVALDO MONCORVO, A ALMA DO ITABUNA E DOS POLÍTICOS

 

VIVALDO MONCORVO, A ALMA DO ITABUNA E DOS POLÍTICOS

Vivaldo Moncorvo numa festa com políticos

Por Walmir Rosário*

Figura folclórica já incorporada a Itabuna e região cacaueira, o radiotelegrafista Vivaldo Moncorvo, nascido em 10 de março de 1925, em Senhor do Bonfim (Bahia), veio para substituir um colega em férias na agência dos Correios e Telégrafos, aqui desembarcando no dia 28 de julho de 1958 (dia da Cidade). Gostou da festa e não saiu mais. Tornou-se um itabunense por adoção.

Esportista convicto, Moncorvo sempre participou ativamente dos jogos de futebol, principalmente quando o assunto era a Seleção Amadora de Itabuna, hexacampeã intermunicipal. Com a fundação do Itabuna Esporte Clube e sua entrada no profissionalismo, Moncorvo torna-se ainda mais famoso ao chefiar a charanga que embalava a equipe azul e branca.

Não há em Itabuna e região um político ou desportista que não conheça Vivaldo Moncorvo, cuja fama ultrapassa as fronteiras regionais e foi citado em vários jornais de circulação nacional e até no estrangeiro ao entregar um trombone ao seu amigo Antônio Carlos Magalhães, durante um evento em Ilhéus. Foi a glória. Passou a ser amigo de todas as horas de ACM.

Na verdade, sua amizade com ACM teve início em 1955, ainda na cidade de Bonfim, quando atendeu a um pedido de Ângelo Magalhães, tesoureiro dos Correios, para que desse uma ajudazinha na campanha do irmão. Em 1966, Moncorvo e ACM voltam a se encontrar, desta vez em Itabuna, durante a campanha para deputado federal. Estava selada uma amizade para o resto da vida, inclusive com Luiz Eduardo Magalhães.

Sempre que muitos políticos importantes solicitavam a Moncorvo uma “mãozinha” quando havia um assunto a tratar com ACM, ele nunca deixou um seu pedido sem atender. O primeiro e talvez o mais importante deles se deu ainda durante a construção do estádio Luiz Viana Filho, em 1973, durante a administração do prefeito Simão Fitermann, diante da dificuldade em receber os recursos necessários para concluir a primeira fase das arquibancadas do estádio.

Diante do pedido, Moncorvo embarca num ônibus da Sulba com a missão de conseguir junto ao Secretário do Bem-Estar Social, Bernardo Spector, 250 mil (ou milhões de cruzeiros, dinheiro da época). Missão cumprida. Finalmente Armando Andrade pode concluir a obra. Moncorvo, homenageado, plantou o último pé de grama do estádio Luiz Viana Filho, na data histórica de 9 de abril de 1973.

A amizade de Moncorvo e ACM ficou ainda mais consolidada após a acachapante derrota para Waldir Pires, em 1986. Nesse período, ACM ainda curtia sua grande derrota na Ilha de Itaparica, e somente recebia os seus seguidores mais fiéis, a exemplo do cantor, compositor e comerciante do Mercado Modelo, Chocolate da Bahia, também derrotado nas urnas como candidato a deputado federal. Grande entendedor do clamor das ruas, Chocolate pressentiu que o governo de Waldir Pires não iria a lugar nenhum e iniciou a composição de umas músicas de campanha para o retorno triunfal de ACM.

Ao ir à Ilha de Itaparica mostrar as composições, foi rechaçado pelo político, que não acreditava mais no seu retorno à vida pública. Indisposição essa que foi desfeita seis meses depois, quando ACM mandou chamar Chocolate para gravar a música “Você se lembra de mim”. Coube a Moncorvo e sua charanga a primazia de tocá-la numa das primeiras viagens feitas por ACM ao interior.

Além da música “Você se lembra de mim” também foram gravadas “A Bahia vai bem”, “A vitória que a Bahia quer”, entre outras tocadas pela brava charanga de Moncorvo, inclusive em Salvador. Na capital, a cada aniversário de ACM, Moncorvo lá estava presente com sua charanga em frente ao apartamento, devidamente despachada por Manuel Leal e com a incumbência de acordar o “chefe” no dia 4 de setembro com uma grande alvorada. E o repertório ainda incluía “Amigo” de Roberto Carlos.

Em 6 de janeiro de 1981, no auditório do antes glorioso Conselho Nacional dos Produtores de Cacau (CNPC), ACM discursava se dizendo um homem realizado, pois nada lhe faltava, já que tinha ocupado todos os grandes cargos públicos, no que foi retrucado em voz alta pelo amigo Moncorvo:

– Falta, sim, chefe, ser presidente da República – gritou.

O cargo lembrado por Moncorvo, por ironia do destino, foi ocupado por ACM (quando presidente do Senado, numa viagem de Fernando Henrique Cardoso ao exterior), sem nunca ter sido eleito como o maioral do executivo da República.

Vivaldo Moncorvo morreu em 26 de fevereiro de 2016, prestes a completar 91 anos.


terça-feira, 26 de abril de 2022

walmirrosario.blogspot.com

 

CEPLAC, UMA RELIGIÃO?


Luiz Ferreira da Silva*

Seu Luiz, como assim o chamávamos por ser mais velho, motorista da turma de solos (Pedologia), ao se aposentar – um dos primeiros – fez um gesto simbólico ao beijar o chão, antes de transpor os umbrais da sede da CEPLAC.

Provavelmente, baseou-se no Papa João Paulo II, que tinha o hábito de beijar o chão de um país tão logo pisasse, como uma maneira de expressar seu amor e respeito pelo país e o seu povo.

Esse gesto do modesto servidor expressava sua gratidão àquela Casa que o acolhera e ali se sentira feliz em prestar sus serviços, enviando provavelmente um recado aos que ficaram: - “CEPLAC, Escola, Lar, Provedora”.

É preciso entender como foi edificada essa Instituição para se mensurar o visgo em mão dupla: Instituição versus servidor. O sentimento via dever profissional; o comprometimento com o cacau; o respeito ao homem do campo; a bandeira da excelência.

Brandão, primeiro secretário-geral, implantou um tal de espírito de corpo, incutindo-nos uma filosofia de solidariedade e lealdade ao grupo, colocando a organização na mira do trabalho profícuo. Zé Haroldo, subsequente Diretor-Geral, cravou o decálogo profissional. Paulo Alvim, Diretor científico, trouxe o mote do aperfeiçoamento. E o colega, líder extensionista, Ubaldino Dantas Machado, movimentava sua turma, com a palavra parceiro, hoje em moda.

Vale a pena registrar a importância do Banco do Brasil neste contexto, cujos funcionários cedidos transportaram os princípios éticos e de proficiência profissional da sua organização de origem, tida como de excelência.

Também, de relevância, o produtor de cacau, financiador por muitos anos, através da taxa de retenção, recursos estes gerenciados com probidade, possibilitando o retorno de bens para toda região cacaueira.

Em 2017, mesmo distante, organizei com apoio de outros colegas de Salvador, um Encontro, oportunidade que homenageamos a CEPLAC com um livro. Foi tão profícuo, que repetimos a dose em 2018, com um tributo a José Haroldo, registrado em outro livro.

Muitos se fizeram presentes, deslocando-se de Ilhéus, Itabuna, Maceió, Belém, Brasília, não pelos meus olhos, mas pelo sentimento ceplaqueano, diferentemente, talvez, se fôssemos apenas colegas de uma instituição qualquer.

No ano que vem, 2023, 60 anos da fundação do CEPEC (Centro de Pesquisas do Cacau), oportunidade a um terceiro Encontro. Vale pensar com muito carinho!

Pelo exposto, concluo que a CEPLAC é uma RELIGIÃO; e os que se formaram nela, uma ruma, como diz o bom baiano, de ABENÇOADOS.

*Pesquisador aposentado (85 anos) e “sócio fundador” do CEPEC, 1963.


sexta-feira, 22 de abril de 2022

A PROEZA DO GUARANY CAMPEÃO COM TIME DE ITABUNA

 

A PROEZA DO GUARANY CAMPEÃO COM TIME DE ITABUNA

Carlos Botelho lembrou a proeza do Guarany

Por Walmir Rosário

Esta história que me proponha a narrar será novidade para um mundão de gente, mesmo os que são apaixonados pelo futebol baiano. O motivo é muito simples: muitos dos que terão acesso a esse escrito não tiveram a oportunidade de ver esses times nos gramados, sejam da capital soteropolitana ou de Itabuna, pois quando o caso aconteceu logo depois de encerrada a segunda guerra mundial. Nem eu ainda era vivo.

Imagine vocês um time médio da capital baiana pedir socorro a um coirmão de Itabuna para se sagrar campeão baiano. Sim, essa façanha realmente aconteceu e está registrada nas atas da vetusta Federação Bahiana de Futebol. Essa equipe era a Associação Desportiva Guarany, fundado em 12 de janeiro de 1920, mas que somente realizou essa proeza em 1946, após levar 10 jogadores da Associação Atlética de Itabuna.

Lembro bem de um depoimento concedido aos jornalistas José Adervan, Ramiro Aquino e este locutor que vos fala, Walmir Rosário, pelo ex-diretor do banco Econômico, Carlos Botelho, grande conhecedor de futebol baiano. Na entrevista, Botelho cita a década de 1940 como um dos períodos mais férteis do futebol itabunense, apesar da guerra, que convocou reservistas do Grêmio, Janízaros e Associação Atlética de Itabuna (AAI).

Botelho não deixou por menos e garantiu que a equipe da Associação Atlética foi o melhor time do interior baiano, naquela época dirigido por José Nunes de Aquino, Clóvis Nunes, Horácio Almeida, Domingos Almeida, lembrado com saudades pelos que o conheceram. Ele conta que era um time de decisão e acumulava campeonatos, apesar das equipes adversárias, como Grêmio Janízaros, Vasco da Gama, entre outros.

Time de elite, não se contentava, em todos os sentidos, de excelentes jogadores, era exigente a ponto de praticar alguma forma de racismo, vigente na época (à maneira do Fluminense do Rio), pois jogadores com tez mais escura não entravam no time. Basta ver um dos seus melhores elencos, formado por Balancê, Ventuíres e Aranha; Aloísio Smith, Valter Caetano e Anizinho; Tido, Galeão, Clóvis, Rosevaldo e Firmino, quase todos brancos.

Foi um custo contratar o primeiro homem de cor escura, o zagueiro Ruído, vindo de Jequié, o que provocou bastante celeuma. Com o passar dos anos, a Associação chegou a armar um time com jogadores negros, entre eles Balancê, Dircinho e Álvaro Barbeiro. Nesse período, destaca-se o atacante Pipio, um grande craque, que depois foi jogar no Bahia e, posteriormente no Pará, onde morreu.

Dessa mistura, na qual era permitida a presença de negros, a AAI se tornou talvez o maior time do interior baiano de todos os tempos, formado por Niraldo ou Mota, Bolívar e Bacamarte; Zecão, Amaral e Elvécio; Tombinho, Puruca, Juca Alfaiate, Tuta e Zezé. Era uma equipe invencível, que não se preocupava com os adversários, dada a qualidade de seus atletas. Entrava em campo para ganhar, só não se sabia qual o placar.

Embora a Associação Atlética de Itabuna, reinasse absoluta em campo, tinha, pelo menos, um adversário à altura. O Grêmio, que por volta de 1943 e 44, em plena Segunda Guerra, era outro grande time amador de Itabuna, classificando-se em segundo lugar, logo depois da Associação. A melhor formação do Grêmio, segundo Botelho, era: Babão; Sapateiro e Lameu; Zeferino, Noca e Colatina; Manchinha, Lubião, Juca, Macaquinho e Elísio. Observe-se que um futuro grande valor da AAI, Juca Alfaiate, nesse período, envergava a camisa do Grêmio.

A Associação Atlética Itabunense teve uma história gloriosa, o que é inegável até pelos adversários. Onde se tinha notícia de um grande jogador, a diretoria não media esforços para contratá-lo e assim formou a equipe mais temida do interior da Bahia. Faturou a maioria dos campeonatos de Itabuna, conquistando o título inédito de pentacampeão nos anos de 42 e 46, mesmo sem os 10 jogadores que foram para o Guarany.

E essa notícia chegou à capital baiana pelos dirigentes e jogadores das equipes soteropolitanas que vinham jogar partidas amistosas com os times das cidades do Sul da Bahia. Quando aqui chegavam davam de testa com a vencedora equipe da Associação, que não costumava a passar vergonha em campo, perdendo para um time qualquer que fosse, mesmo de Salvador.

E num jogo desses amistosos, a pequena, porém aguerrida equipe do Guarany se encantou com os atletas da Associação e vislumbraram a oportunidade de aparecer entre os grandes da capital. Com esse time da Associação era tiro e queda, não perderiam uma partida para seus rivais de Salvador. Quem sabe, ganhariam o campeonato baiano sem muito trabalho.

Esse feito foi o bastante para que os dirigentes do Guarani, de Salvador, contratassem 10 jogadores titulares da Associação. Entre os craques que deixaram a Associação estavam Bolívar, Bacamarte, Quiba, Elísio Peito de Pomba (o reserva de Juca Alfaiate), Elvécio, Tuta, além de outros quatro cujos nomes me falham a memória. Com esse timaço, o Guarani venceu o Campeonato Baiano de 1946, sua única conquista.

Foi o primeiro e único campeonato faturado, disputando a fase final numa melhor de três com o Ypiranga. Empatou a primeira por 2X2, vencendo a segunda por 1X0 e despachando o seu vice por 2X0 na terceira partida. Anos depois o Guarany abandona o futebol e nem mesmo sei se ainda existe. Mas que foi campeão baiano com os jogadores de Itabuna, ninguém há de duvidar.