A ética, o diploma e o jornalismo que morre a cada dia
Quem acompanha a acelerada competição no jornalismo eletrônico dos nossos dias, com
inteligência (?) artificial (IA) e tudo, deve ter reparado que os textos
noticiosos se repetem numa progressão geométrica, principalmente, os que trazem
ataques a desafetos, adversários ideológicos, políticos, esportivos e de outras
correntes do pensamento filosófico, econômico, etc.
Há 50 anos, os profissionais tinham mais zelo e preocupação com as
fontes, os concorrentes e os fatos. Todos temíamos a acusação de ser praticante
de gilette-press, a condenável apropriação de uma informação ou fato publicado
sem o italic a reconhecer a autoria do material publicado em primeira mão.
Atualmente, não se observa essa preocupação pela preguiça, má-fé ou má
formação profissional. Os textos são copiados descaradamente levando consigo
até erros crassos de português, narrativa, relatos ou interpretações.
É a selva!!, exclamaria um jornalista dinossauro como apelidamos os
antigos profissionais para quem a ética faz parte de seu trabalho assim como o
cuidado com a Língua Portuguesa que a usa e utiliza com rigor gramatical ou
lingüístico pela beleza e significado das palavras, expressões e alocuções.
Neste salve-se quem puder, o copia e cola (CTRL+C+V) do teclado retira o
blogueiro, o redator e o jornalista (?) de sua letargia em conversar com as
pessoas de sua família, de sua comunidade e dos grupos sociais que por acaso
frequente.
Isto sem falar na indiscriminada, amadora e odiosa forma de acompanhar
as ditas redes sociais em busca de notícias que, por falta de rigor
técnico-profissional, nem sempre são bem apuradas e sempre deixarão a desejar.
Portanto, o diploma obtido em uma instituição de ensino superior não
torna ninguém um bom e rigoroso profissional de comunicação, processo humano de
transmissão e trocar informações, mensagens, idéias e/ou sentimentos entre um
emissor e um receptor.
Parodiando, Millôr Fernandes: é secos & molhados e nada tem de
imprensa nisto.
(*)
Luiz Conceição é bacharel em Direito, leitor de temas econômicos, literários e do cotidiano e jornalista desde 1975 (época em que era muito, mas muito feliz!).
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