terça-feira, 8 de março de 2016

PORQUE HOJE É O DIA INTERNACIONAL DA MULHER - A POESIA DE CLÁUDIO LUZ

PORQUE HOJE É O DIA INTERNACIONAL DA MULHER - A POESIA DE CLÁUDIO LUZ

MULHER

Em busca das cores
Fui ao encontro do arco-iris;
Em busca da imensidão
Fui ao encontro dos céus;
Em busca do calor
Fui ao encontro do sol;

Em busca do frescor
Fui ao encontro da chuva;
Em busca da serenidade 
Fui ao encontro do orvalho;
Em busca do perfume
Fui ao encontro da Rosa;
Em busca da música
Fui ao encontro dos ventos;
Em busca da harmonia
Fui ao encontro dos anjos;
Em buscado afeto fui ao encontro de Maria;
Em busca da verdade 
Fui ao encontro de Jesus;
Em busca da salvação 
Fui ao encontro de Deus e 
Em busca do sentimento profundo
Fui ao encontro de você... Mulher!

Cláudio Luz.

terça-feira, 1 de março de 2016

PORQUE HOJE É 1º DE MARÇO - A POESIA DE CLÁUDIO LUZ

Indescritível

O nosso amor é Indescritível!
Nasceu assim como num mês de março,
Não regido pelo Deus Marte, da guerra e nem 
Igual ao período outonal,
Que se aproxima ao largo.

O nosso amor vive!
Ascendente sobre as estrelas,
Tênue, mas não frágil, como as noites
Que cedem ao amanhecer.

O nosso amor é inerente, intrínseco, peculiar e especifico
Quando nos tocamos, e nos amamos devorados
Pelas chamas que invadem os nossos corpos molhadas pelo
Orvalho matinal que invadem as nossas têmporas.

O nosso amor não são promessas diuturnas que nos faz sonhar.
Quando nos amamos, não sentimos frio, Sentir frio, fome e sede são uma
Sensação natural inerente quando não somos amantes.

O nosso amor é real em presença... “Quando colhemos o dia de hoje” e “Confiamos o máximo no amanhã”.

O nosso amor, Agora é descritível...

Cláudio Luz

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Hélio Nunes chegou fugindo da repressão
 
policial em 1952, passando por Cachoeira de São Félix. Filho de José Nunes da Silva e Júlia Canna Brasil e Silva, o poeta Hélio Nunes da Silva nasceu em Aracaju (SE), no dia 17 de abril de 1931. manoel, helio, jorge
      Na cidade que nesta semana completa 100 anos de emancipação política e administrativa, Hélio Nunes fundou, em 1962, o “Jornal de Notícias”, abriu uma gráfica, editou livros de escritores regionais e lançou Pássaro do Amanhã, sua única obra. 
      Ele foi apontado como grande defensor dos moradores de rua, especialmente as crianças. Em Itabuna, o poeta foi professor na Escola Técnica de Contabilidade e integrante do PCB. 
      Ele se envolveu com movimentos políticos e estudantis junto com pessoas como José Rosa de Oliveira Neto, Fragmon Carlos Borges, Tertulino Azevedo, Jaime Araújo, Jorge Mesquita, Alberto Carvalho, Ezequiel Monteiro, Renato Chagas e Núbia. 
      Hélio organizou a coletânea “Manhã Cinquentenário” e foi incluído na antologia A Moderna Poesia da Zona do Cacau, organizado pelo também poeta Telmo Padilha. Além disso, ele promoveu encontros culturais em Itabuna e Ilhéus. 
      O poeta lutou pela soltura dos presos de baixo poder aquisitivo que não tinham como pagar advogados. Revoltado com o grande número de crianças nas ruas de Itabuna, ele chegou a publicar um manifesto. Em 1964 foi muito perseguido pelo Regime Militar. 
      Morreu depressivo 
      Hélio foi obrigado a vender o jornal e a gráfica por preço irrisório. Depois de anos respondendo a processos movidos pelo Governo Militar, fez concurso público para escrivão de cartório em Itabuna mas, ainda perseguido, foi transferido para Itororó. 
      Longe da mulher e dos filhos, decepcionado com a falta de ações para resolver as necessidades básicas dos pobres, o poeta entrou em profunda depressão. Ele acabou sofrendo um infarto em 1972, morrendo aos 42 anos. Ele deixou cinco filhos. 
      Como não fazia parte de famílias tradicionais, a história da luta de Hélio Nunes foi esquecida no decorrer dos anos. Hoje não existe logradouro com seu nome, ao contrário de pessoas que não abraçaram nenhuma causa, mas dão nomes a praça, ruas e avenidas de Itabuna. - http://www2.uol.com.br/aregiao/art/hist/helio-nunes.htm

sábado, 27 de fevereiro de 2016


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Figura folclórica já incorporada a Itabuna e região cacaueira, o radiotelegrafista Vivaldo Moncorvo, nascido em 10 de março de 1925, em Senhor do Bonfim (Bahia), veio para substituir um colega em férias na agência dos Correios e Telégrafos, aqui desembarcando no dia 28 de julho de 1958 (dia da Cidade). Gostou da festa e não saiu mais.
Esportista convicto, Moncorvo sempre participou ativamente dos jogos de futebol, principalmente quando o assunto era a Seleção Amadora de Itabuna, hexacampeã intermunicipal. Com a fundação do Itabuna Esporte Clube e sua entrada no profissionalismo, Moncorvo torna-se ainda mais famoso ao chefiar a charanga que embalava a equipe azul e branca.
Hoje, não há em Itabuna e região um político ou desportista que não conheça Vivaldo Moncorvo, cuja fama ultrapassa as fronteiras regionais e foi citado em vários jornais de circulação nacional e até no estrangeiro ao entregar um trombone ao seu amigo Antônio Carlos Magalhães, durante um evento em Ilhéus. Foi a glória.
Sua amizade com ACM teve início em 1955, quando atendeu a um pedido de Ângelo Magalhães, tesoureiro dos Correios, para que desse uma ajudazinha na campanha do irmão. Em 1966 Moncorvo e ACM voltam a se encontrar, desta vez em Itabuna, durante a campanha para deputado federal. Estava formada uma amizade para o resto da vida.
Não é de hoje que muitos políticos importantes, de vez em quando, solicitam a Moncorvo uma “mãozinha” quando há um assunto a tratar com ACM, que nunca deixou um seu pedido sem atender. O primeiro e talvez o mais importante deles se deu ainda durante a construção do estádio Luiz Viana Filho, em 1973, durante a administração do prefeito Simão Fiterman: com a dificuldade em receber os recursos necessários para concluir a primeira fase das arquibancadas do estádio, Moncorvo embarcou num ônibus da Sulba com a missão de conseguir junto ao Secretário do Bem-Estar Social, Bernardo Spector,  250 mil (ou milhões, não se recorda mais) de cruzeiros. Missão cumprida, finalmente, Armando Andrade pode concluir a obra. Moncorvo, homenageado, plantou o último pé de grama do estádio Luiz Viana Filho, na data histórica de 9 de abril de 1973.
A amizade de Moncorvo e ACM ficou ainda mais consolidada após a acachapante derrota para Waldir Pires, em 1986. Nesse período, ACM ainda curtia sua grande derrota na Ilha de Itaparica, e somente recebia os seus seguidores mais fiéis, a exemplo do cantor, compositor e barraqueiro do Mercado Modelo, Chocolate da Bahia, também derrotado nas urnas, como candidato a deputado federal. Grande entendedor do clamor das ruas, Chocolate pressentiu que o governo de Waldir Pires não iria a lugar nenhum e iniciou a composição de umas músicas de campanha para o retorno triunfal de ACM.
Ao ir à Ilha de Itaparica mostrar as composições, foi rechaçado pelo político, que não acreditava mais no seu retorno à vida pública. Indisposição essa que foi desfeita seis meses depois, quando ACM mandou chamar Chocolate para gravar a música “Você se lembra de mim”. Coube a Moncorvo e sua charanga a primazia de tocá-la numa das primeiras viagens feitas por ACM ao interior.
Além da música “Você se lembra de mim” também foram gravadas “A Bahia vai bem”, “A vitória que a Bahia quer”, entre outras tocadas pela brava charanga de Moncorvo, inclusive em Salvador. Na capital, a cada aniversário de ACM, Moncorvo lá estava presente com sua charanga a tiracolo, devidamente despachada por Manuel Leal e com a incumbência de acordar o “chefe” com uma grande alvorada. E o repertório incluía “Amigo”, de Roberto Carlos.
Em 6 de janeiro de 1981, no auditório do antes glorioso Conselho Nacional dos Produtores de Cacau (CNPC), ACM discursava se dizendo um homem realizado, pois nada lhe faltava, já que tinha ocupado todos os grandes cargos públicos, no que foi retrucado em voz alta pelo amigo Moncorvo:
– Falta, sim, chefe, ser presidente da República – gritou.
O cargo lembrado por Moncorvo, por ironia do destino, foi ocupado por ACM, sem nunca ter sido eleito para ele.

*Walmir Rosário
Resultado de imagem para walmir rosarioJornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br

Publicado no Jornal Agora em 28-07-2001

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Morre o escritor italiano Umberto Eco

Filósofo e romancista morreu aos 84 anos em sua casa, diz 'La Repubblica'.
Eco é conhecido como autor de 'O nome da rosa' e 'O pêndulo de Foucault'.

Do G1, em São Paulo
O filósofo, semiólogo e romancista italiano Umberto Eco, autor de "O nome da rosa" e "O pêndulo de Foucault", morreu nesta sexta-feira (19), segundo os jornais italianos "La Repubblica" e "Corriere della Sera". A informação foi dada por um familiar do escritor ao "La Repubblica", que diz que Eco morreu aos 84 anos em sua casa às 22h30 do horário local (19h30 pelo horário de Brasília).

A causa da morte não foi informada. Segundo a agência de notícias France Presse, o escritor lutava contra um câncer.
Umberto Eco nasceu na cidade de Alexandria, no dia 5 de janeiro de 1932. Quando pequeno, durante a Segunda Guerra Mundial, se mudou com sua mãe para um pequeno vilarejo na região montanhosa de Piemonte. Seu pai, um contador que vinha de uma família de 13 filhos, foi convocado para lutar em três guerras.

Seu pai queria que Umberto estudasse direito, mas ele decidiu entrar na Universidade de Turin para estudar filosofia medieval e literatura. Mais tarde, Umberto também foi professor na mesma Universidade.
Capa de edição italiana de 'O nome da rosa' (Foto: Divulgação)Capa de edição italiana de 'O nome da rosa'
(Foto: Divulgação)
Ele trabalhou como editor de cultura no canal de televisão RAI, onde conheceu um grupo de escritores, pintores e músicos que o influenciou em sua futura carreira de escritor.

Em setembro de 1962, Eco se casou com Renate Ramge, uma professora de arte alemã com quem teve dois filhos. Ele dividia seu tempo entre um apartamento em Milão, onde tinha uma biblioteca de 30 mil volumes, e uma casa de veraneio perto de Rimini, em que ficavam 20 mil exemplares.

Em 1992 e 1993, Eco foi professor na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Ele também lecionou nas universidades de Oxford, Columbia e Indiana, na Universidade de San Marino e na Universidade de Bologna, onde era presidente da Faculdade de Ciências Humanas.

Segundo o jornal britânico “The Guardian”, o autor uma vez disse que escrever era apenas uma ocupação parcial. “Sou um filósofo, escrevo romances nos fins de semana”, afirmou.

Ao mesmo jornal inglês, ele disse no ano passado que não sabia o que o leitor esperava. “Acho que Barbara Cartland [escritora britânica] escreve o que os leitores esperam. Acho que um escritor deveria escrever o que o leitor não espera. A questão é não perguntar o que eles precisam, mas muda-los... produzir o tipo de leitor que você quer para cada história”.
Obras
O escritor é conhecido por seu romance "O nome da rosa" publicado em 1980. O livro combina semiótica, ficção, análise bíblica, estudos medievais e teoria literária. Conta a história do frei Guilherme de Baskerville, enviado para investigar o caso de um mosteiro franciscano italiano, cujos monges são suspeitos de cometer heresias. A história, que se passa em 1327, envolve mortes misteriosas, crueldade e sedução erótica.
Acho que um escritor deveria escrever o que o leitor não espera"
Umberto Eco
Em 1986 foi lançado o filme de mesmo nome, dirigido por Jean-Jacques Annaud e estrelado pelo ator Sean Connery.
Entre suas obras mais conhecidas também estão os romances "O Pêndulo de Foucault" (1988) e "O Cemitério de Praga" (2010), além dos ensaios "A Estrutura Ausente" e "História da Beleza". Seu último romance "O número Zero" foi publicado no ano passado. Leia acrítica do blog Máquina de Escrever, do G1.

Eco já tinha quase 50 anos quando começou a escrever romances, após uma bem sucedida carreira acadêmica. Já era autor de vários livros de não ficção e de ensaios quando decidiu buscar novos desafios.
"Num certo momento, decidi escrever uma história. Eu não tinha mais filhos pequenos para os quais contar histórias", afirmou o autor à Reuters em 2011, sentado na beirada de uma poltrona, vestido de forma casual com jaqueta de "tweed", camisa de brim e gravata de tricô.
Quando a gente começa a escrever um livro, especialmente um romance, até a pessoa mais humilde do mundo espera virar um Homero"
Umberto Eco
"Quando a gente começa a escrever um livro, especialmente um romance, até a pessoa mais humilde do mundo espera virar um Homero [poeta épico da Grécia Antiga]", disse Eco em tom brincalhão.

Em uma entrevista à revista Vogue em 1995, Eco admitiu que não era um autor de fácil leitura. “As pessoas sempre me perguntam ‘como seus romances, que são tão difíceis, fazem sucesso?’. Ofendo-me com a pergunta. É como se perguntassem a uma mulher ‘como os homens se interessam por você?’... eu mesmo gosto de livros fáceis que me colocam para dormir imediatamente”, ironizou.

'Papa da globalização'
Em 2013, Eco foi agraciado com a medalha de ouro à cultura italiana na Argentina pela Società Itália Argentina (SIA), em um ato na sede do Ministério das Relações Exteriores da Itália.
Dias depois, ele comentou a escolha pelo Vaticano do Papa Francisco, nascido na Argentina, para ocupar o cargo na Igreja Católica. O escritor definiu Francisco como "o papa da globalização" e opinou que representa algo "absolutamente novo" na história da Igreja Católica.
"Estou convencido que o Papa Francisco está representando um fato absolutamente novo na história da Igreja e, talvez, na história do mundo", disse Eco em entrevista publicada à época pelo jornal argentino "La Nación".
As pessoas sempre me perguntam: ‘como seus romances, que são tão difíceis, fazem sucesso?’. Ofendo-me com a pergunta."
Umberto Eco
Saída de Berlusconi
O escritor foi defensor da saída de Silvio Berlusconi do cargo de primeiro-ministro na Itália, em meio ao escândalo sexuais, acusações de corrupção e crises financeiras no país. Berlusconi renunciou em novembro de 2011. "É o fim de um pesadelo", disse Eco naquele ano, numa entrevista destinada a promover seu novo romance, "O Cemitério de Praga".

"Teríamos tido esta crise econômica sem Berlusconi, mas o problema teria sido mais leve. Ele não é respeitado no exterior, então não pode representar o país", disse Eco à época para a agência Reuters, inflamado e agitando um charuto fino e apagado entre os dedos.
 
O escritor Umberto Eco na cerimônia dos vencedores do Prêmio Príncipe das Astúrias, em Oviedo, em 27 de outubro de 2000 (Foto: Reuters/Desmond Boylan)O escritor Umberto Eco, na cerimônia dos vencedores do Prêmio Príncipe das Astúrias, em Oviedo, em 27 de outubro de 2000 (Foto: Desmond Boylan / Reuters)
Livros impressos e jornais
O escritor acreditava que os livros impressos não desaparecerão por causa das versões eletrônicas. "Não conseguiremos nos livrar dos livros", afirmou em 2009, em uma entrevista coletiva horas antes de receber uma medalha de honra em Madri. "Eu não poderia ler Proust em formato digital. Seria impossível. Se eu tivesse que deixar um legado para o futuro, deixaria um livro, e não em formato digital", afirmou.

Mas com relação ao jornal impresso, não se mostrou tão otimista. "Eu gosto de abrir as folhas do jornal tomando o café de manhã, mas já não sei se isso é o que meu neto pensa", disse na mesma entrevista.
O escritor foi além ao afirmar que, "para fazer um jornal, são perdidas 40 páginas com publicidade". "Os jornais são obrigados a conseguir muitas notícias para sobreviver e não estão dispostos a abandonar a batalha. Hoje há uma censura por excesso de informação", acrescentou.

Na ocasião, Eco também afirmou que os intelectuais "não têm virtudes proféticas, que a figura do intelectual é um mito da esquerda". No entanto, acreditava que "o intelectual tem que influenciar mais em longo prazo, não de forma imediata".

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Lula, FHC e a tentação dos pequenos favores

Diz a lenda que Assis Chateaubriand, magnata da imprensa entre os anos 1940 e 1960, costumava responder aos pedidos de aumento salarial de seus empregados com uma pergunta retórica: “Mas você não é repórter? Precisa de dinheiro pra quê?”
Era no tempo do rei - ou quase isso. Na concepção do dono dos Diários Associados, o salário de um jornalista era um detalhe entre outros rendimentos indiretos provenientes do ofício.
Em outras palavras, o repórter não precisava ter dinheiro para ter acesso a restaurantes, festas, presentes: bastava se relacionar com as pessoas certas - as interessadas em manter um bom relacionamento com quem poderia escrever sobre elas.
Desde que comecei a trabalhar como jornalista já recebi ofertas de viagem, convites para shows, jantares, ingresso para assistir corrida de automóveis e até de passeio de helicóptero. Aceitar seria divertido, mas significaria colocar sob suspeita qualquer notícia relacionada à generosidade das empresas.
Fico imaginando a vida de quem, em vez de espaços na imprensa, tem a prerrogativa de propor projetos de lei. Ou de sancioná-los.
No exercício do poder, políticos costumam dizer que, ao fim do mandato, é estranho acostumar-se novamente a abrir (literalmente) as próprias portas. Por extensão, deve ser estranho voltar a abrir a carteira após anos circulando entre agrados de anfitriões e convidados – há sempre, imaginamos, alguém disposto a acertar a fatura. Digamos, a reforma de um sítio. Ou um apartamento. Ou a pensão dos filhos.
Na estranha história da reforma de um sítio frequentado pela família Lula, paga supostamente por empreiteiras investigadas na Lava Jato, não é o valor da obra ou das encomendas entregues no local os elementos de suspeição. É o fato de um ex-presidente, influente no governo da sucessora e com razoáveis pretensões eleitorais, ter supostamente aceitado o agrado de empresários interessados em manter o bom relacionamento institucional em troca de favores pessoais.
Não importa o quanto esses agrados pareçam picuinhas. Quando se trata de figuras públicas, tenham ou não mandatos, é justificada a atenção da imprensa e das autoridades sobre a proximidade entre eles e as empresas interessadas em operar por meio de agrados ou atalhos.
Tão estranho quanta essa proximidade para além da margem de segurança é usar simpatias e antipatias partidárias para espernear ou cravar quem (não) inventou a roda. Em uma disputa tão acirrada entre partidos, é bom lembrar os versos de uma velha música: “tudo aquilo contra o que sempre lutam é exatamente tudo aquilo que eles são”.
Confortável, até então, no camarote de onde assistia à dissolução do patrimônio petista - o discurso de que, apesar dos erros e das prisões de aliados, tudo foi feito em nome de um bem maior, jamais em troca de benefícios pessoais - Fernando Henrique Cardoso será cobrado, a partir de agora, a explicar por que diabos uma empresa privada repassaria, durante anos, recursos para a conta de Mirian Dutra, ex-amante de quem reconheceu o filho, no exterior.
FHC, que até ontem subia no pedestal para pedir a renúncia de adversários, jura que os recursos eram dele. A transferência era feita, segundo noticiou a colunista Mônica Bergamo, por meio da assinatura de um contrato fictício de trabalho entre dezembro de 2002 e dezembro de 2006. O acordo, afirmou a jornalista, foi intermediado por um lobista.
À Folha o ex-presidente admitiu manter contas no exterior e ter mandado dinheiro para o filho da jornalista, que foi presenteado recentemente com um apartamento de € 200 mil em Barcelona, na Espanha.
O que faz da vida dele, por óbvio, é questão de foro íntimo. Mas, se pau que bate em Chico também bate em Francisco, as perguntas de sempre, válidas para qualquer homem público, sobre correlação entre despesas, patrimônio e favores de desempenhados por terceiros podem e devem ser feitas. Em situação parecida, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) foi alvo de uma devassa por tentar justificar a origem de recursos para pagar a pensão de uma amante – a suspeita é que o acerto era cortesia de uma empreiteira. br.noticias.yahoo.com/lula-fhc-e-a-tentação-dos-pequenos-favores-131327682.html

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

FILME GRAVADO EM ITAJUÍPE RECEBE MAIS UM PRÊMIO


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Vladmir Brichta, um dos atores de “A Coleção Invisível” (foto Andrew Kemp)
Pimenta.blog.br - A Santa Luzia Filmes foi contemplada pelo edital Prodav 7 de suporte automático pelo desempenho artístico da produção A Coleção Invisível. O filme, estrelado por Vladimir Brichta e com cenas gravadas em Itajuípe, obteve a quarta maior pontuação na classificação do Fundo Setorial Audiovisual da Agência Nacional de Cinema (Ancine), por conta das premiações recebidas em festivais nacionais e internacionais.
Co-produzido com a Ondina Filmes, A Coleção Invisível venceu 14 prêmios em festivais no Brasil, Estados Unidos, Colômbia e na Europa. “Foi uma longa jornada e muitos esforços foram feitos para que o filme fosse visto por muitas pessoas”, comemora a sócia-diretora da Santa Luzia Filmes, Gel Santana. Para ela, “é bem gratificante ver que um trabalho inteiramente concebido e realizado na Bahia receba esse reconhecimento ao lado de obras importantes como O Som Ao Redor, Uma Historia de Amor e Fúria ou Tatuagem”.
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O filme, dirigido pelo cineasta Bernard Attal, tem como cenário a região cacaueira baiana e reúne no elenco, além de Vladimir Brichta, os atores Walmor Chagas (na sua última apresentação artística), Ludmila Rosa, Clarisse Abujamra, Conceição Senna, Paulo Cesar Peréio e Frank Menezes.