sexta-feira, 29 de setembro de 2023

DIAS GOMES ERA BAIANO!

 

DIAS GOMES ERA BAIANO!
Seu nome de batismo era Alfredo de Freitas Dias Gomes, reverenciado no meio artístico como Dias Gomes, um dos mais consagrados autores de novelas e de teatro do país.
Nasceu em Salvador em 19.out.1922.
Casado com Janete Stecco Emmer, conhecida como Janete Clair, um das mais importantes autoras de novelas do Brasil.
Na capital baiana, Dias Gomes no Colégio Nossa Senhora da Vitória, das Irmãs Maristas e no antigo Ginásio Ipiranga.
No ano de 1935, viaja com a família para o Rio de Janeiro, para complementar seus estudos.
Começou a escrever peças de teatro, ainda na adolescência, e aos 15 anos escreveu a sua primeira obra, intitulada A Comédia dos Moralistas.
E com a peça de estréia, o nosso baiano, já foi mostrando que era fera na arte de escrever, foi premiado pelo Serviço Nacional de Teatro e pela União dos Estudantes Secundaristas.
Anos depois, entra para a Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, e abandona o curso no terceiro ano, para dedicar-se à produção literária.
Em 1941, escreve a peça Amanhã Será Outro Dia, cujo texto foi bastante elogiado pelo dramaturgo e diretor de teatro Procópio Ferreira, que ficou com receio de levar aos palcos uma montagem de cunho antinazista, em plena Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Entre 1944 e 1964, Dias Gomes adaptou mais de 500 peças de teatro, nacionais e estrangeiras, para programas de rádio.
Autor de uma das mais importantes obras da dramaturgia nacional, O Pagador de Promessas, que também foi adaptada para o cinema, e considerado como o primeiro filme nacional a ser indicado para o Oscar.
E com o mesmo filme, adaptado por Anselmo Duarte e protagonizado por Glória Menezes (Rosa) e o saudoso Leonardo Villar (Zé do Burro), conquistou a Palma de Ouro, no Festival de Cannes, na França.
Tempos depois, em 1988, O Pagador de Promessas foi adaptado para uma série da Rede Globo, com direção de Tizuka Yamasaki, tendo José Mayer e Denise Milfont, como protagonistas.
Membro da Academia Brasileira de Letras, o baiano Dias Gomes foi imortalizado através de suas obras, como O Santo Inquérito, Odorico, o Bem Amado, dentre outras preciosidades.
Visionário, seus temas eram voltados para as temáticas sociais, como reforma agrária, exílio aos perseguidos políticos, ecologia, nazismo, dentre outros temas.
Escreveu novelas históricas, como A Ponte dos Suspiros, Bandeira 2, O Espigão, Mandala, Saramandaia, O Bem Amado, dentre outras.
E como não lembrar da lendária novela Roque Santeiro, baseada na obra O Berço do Herói, que trazia Betty Fariano papel da Viúva Porcina, e que foi proibida a exibição pela ditadura militar.
Só em 1985, a novela Roque Santeiro foi exibida, com Regina Duarte no papel da Viúva Porcina, mulher de Sinhozinho Malta, vivido, nas duas versões, por Lima Duarte
Ainda na tv, escreveu também Carga Pesada, As Noivas de Copacabana, e a adaptou a obra de Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos, em 1998.
Em Salvador temos o Teatro Dias Gomes, pouquíssimo conhecido dos soteropolitanos, situado nas dependências do Sindicato dos Comerciários de Salvador
Dias Gomes morreu aos 76 anos, de forma trágica, em um acidente automobilístico, em São Paulo, na madrugada de 18.mai.1999.
Nossa homenagem ao grande Dias Gomes, o baiano que através das suas obras, emocionou e deu grandes alegrias ao país.
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Foto/Reprodução da Internet.
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quinta-feira, 28 de setembro de 2023

CorreioItajuipense/alhos & bugalhos: A Cronica de Walmir Rosário - Direto de Canavieiras


CorreioItajuipense/alhos & bugalhos: A Cronica de Walmir Rosário - Direto de Canavieiras: ITABUNA, A SELEÇÃO A SER BATIDA; SÓ QUE NÃO em  setembro 28, 2023 Uma das grandes formações da Seleção de Itabuna Por Walmir Rosário* Posso ...

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

A Cronica de Walmir Rosário - Direto de Canavieiras-Bahia

 

AUTÓGRAFO NA CACHAÇA, QUALIDADE PERSONALIZADA

Comendador Eduardo autografa a Coqueiro

Por Walmir Rosário*

Confesso que do alto dos meus bem vividos setenta e tantos janeiros já vi muita coisa nesta vida, mas sempre me surpreendo com algumas novidades a que somos apresentados nos dias atuais. É uma simples constatação de que por mais conhecimentos que temos, sempre existe uma novidade a presenciar, não simplesmente por ouvir dizer, mas ao vivo e em cores, como afirmava aquela propaganda televisiva de recuados anos.

E vou logo dando uma pista para não amolar o prezado leitor: o que vou citar é costume antigo, praticado por gente famosa, acostumada a fazer sucesso com determinadas atividades, quase que exclusivamente artística. Pelo que sempre vi, esse hábito era para quem cantava, tocava instrumentos, atuava nos palcos de teatro, filmes e novelas. Mas teria que fazer muito sucesso.

O assédio era total em determinados artistas, tanto que eram formadas filas enormes nas saídas das emissoras de rádio e TV e as multidões de fãs conseguiam furar os bloqueios em busca do tão sonhado autógrafo. Euforia e desmaios eram comuns no passado, quando uma fã conseguia ultrapassar a barreira de segurança e voltava com o autógrafo do seu ídolo escrito no caderninho.

Diziam as revistas focadas nas especulações artísticas que muitas dessas multidões eram “fabricadas” pelas próprias gravadores e agentes dos artistas para dar uma mãozinha na carreira de sucesso que viria a acontecer com mais rapidez. Lembro até de um português cujo troféu buscado não era o simples autógrafo, o que lhe satisfazia era beijar a pessoa famosa, fosse homem ou mulher, daí seu apelido de beijoqueiro.

Com o tempo, vimos diminuir esse interesse pelos autógrafos, até porque ninguém – ou quase nenhum vivente – tem o velho costume de carregar lápis, caneta ou um pedaço de papel nos bolsos ou bolsa. Coisa do passado que não volta mais. Agora – há cerca de 15 anos ou mais – o costume é foto do tipo selfie, lado a lado do famoso de estimação. Basta publicar instantaneamente nas redes sociais e cruzar o mundo em um segundo.

Alguns artistas têm ojeriza à multidões – inclusive de fãs – e dão um jeitinho de não se aproximar das legiões de tietes, seja por uma logística competente ou mesmo por mau humor. Outros nem tanto, pacientemente param, acenam posam para as selfies, causando o desespero de sua entourage. Não critico os que se escusam, pois faz parte do seu modo de vida, mesmo que dependa do sucesso.

Dia desses vi no You Tube um lançamento de um livro, numa grande livraria de São Paulo, capital. Uma fila quilométrica, de dobrar quarteirões, em que pessoas aguardavam, pacientemente, pelo seu autógrafo no livro recém-lançado. O autor em questão era o advogado e jornalista Tiago Pavinatto, que apresentava sua mais recente obra: Da Silva: “A Grande Fake News da Esquerda”. Um fenômeno.

Não é todo o santo dia que presenciamos tamanho sucesso, principalmente quando o centro das atenções é um livro, mesmo sendo o autor um personagem na crista da onda nas áreas da comunicação e da política. Pelo que soube, algumas pesquisas já creditavam tamanho apoio na próxima eleição para o cargo presidencial, embora ele sempre negue pretensão de ingressar nesse meandro.

Pois bem, neste fim de semana me deparo com outro sucesso absoluto em plena cidade maravilhosa, o Rio de Janeiro. Exatamente no dia 13 de setembro de 2023, uma quarta-feira à noite, e o local, pelo que soube, era a Academia da Cachaça. Sentado à mesa, lá estava o meu amigo Eduardo Mello, CEO da Destilaria Engenho D’água, de Paraty, autografando litros e garrafas da conceituada cachaça que fabrica: a Coqueiro.

Diante de tal cena pergunto pelo WhatsApp ao meu amigo Antônio Mello (Neguinho), irmão de Eduardo, que me descreva a imagem, embora tenha enxergado bem com esses olhos que a terra um dia há comer. E como resposta, fico sabendo que a cada viagem do comendador Eduardinho o ritual se repete por uma legião de cachaceiros (consumidores) de boa cepa, que fazem questão de levar pra suas adegas as garrafas devidamente autografadas.

Apesar de não ter perguntado, ficou subtendido que não basta ao nobre consumidor desta iguaria paratiense levar pra casa um produto confiável, mas que também tenha um selo atestando o padrão de qualidade, afiançado pelo próprio fabricante. Não vejo a hora de voltar a Paraty para sentarmos à mesa – quem sabe no próprio alambique – para jogar conversa fora enquanto Eduardinho autografa garrafa por garrafa de Coqueiro.

Com essas preciosidades, mesmo que consuma todo o estoque em tempo recorde – isto é, antes de retornar a Paraty – posso expor as garrafas como verdadeiros troféus, mesmo que vazias à espera da reposição de um meu objeto de desejo, sonho de consumo, a boa cachaça. E digo isso com toda a autoridade de quem participou das farras com a Quero Essa e o início da produção da Coqueiro no seio da família Mello.

Se a moda pega, Eduardinho tem que se preparar para fortalecer a munheca.

*Radialista, jornalista e advogado


quinta-feira, 14 de setembro de 2023

 

A DIFÍCIL PARTIDA ENTRE AS SELEÇÕES DE ITAJUÍPE E BELMONTE

 
O goleiro Pires passou maus momentos em Belmonte

Por Walmir Rosário*

Quem jogou ou, pelo menos, acompanhou jogos do futebol amador em tempos passados sabe a dificuldade em disputar uma partida no campo adversário. Nas fazendas, então, era o parto da bezerra. O visitante era convidado a jogar, mas era impedido de ganhar. Para tanto, o árbitro era escolhido a dedo pelo mandante, com o dever de impedir, a qualquer custo, a vitória do time de fora. E não adiantava espernear.

Para não ficarmos falando só do passado, isso existe até hoje, não pela simples rivalidade entre as duas equipes, a exemplo de Itabuna e Ilhéus, que perdura aos dias atuais e não tem prazo para encerrar. Com as equipes profissionais convencionou-se dizer que nos seus domínios o adversário tem que agir com muita cautela, chegando a afirmar que o touro em pasto alheio não passa de bezerro. E os velhos alçapões estão aí.

Para não dizer que não saí da cozinha de casa, lembro bem das partidas entre os times brasileiros e argentinos nos estádios dos hermanos, que não respeitam a torcida, os árbitros e muito menos os adversários. Quando o resultado não já estava encomendado, eles o fabricavam, sem qualquer cerimônia ou receio das consequências legais que poderiam ser tomadas.

Não tenho base legal ou conhecimento para afirmar que os antigos dirigentes e torcedores da Seleção Amadora de Belmonte, no Sul da Bahia, herdaram esses costumes dos argentinos, mas que agiam parecido, isto é fato e não se pode negar. Que digam os atletas, dirigentes e torcedores das seleções amadoras de Canavieiras, Ilhéus, Itabuna nos velhos tempos do Campeonato Baiano de Amadores.

Pra início de conversa, assim que a seleção adversária chegava era recepcionada por uma comissão que tinha como objetivo atingir moralmente os adversários com palavras difamantes, ultrajantes e tudo o mais que a valha. Mas não ficava por aí, essas comissões se revezavam em frente a pensão que hospedava a delegação, e fazia muito barulho noite a dentro, evitando que dormissem o sono dos justos.

Uma solução encontrada por Itabuna foi viajar para Belmonte em aviões, os famosos teco-tecos, com a finalidade de chegar um pouco antes da partida. Os que se aventuravam ir de ônibus comiam o pão que o diabo amassou. Tinham que chacoalhar nas velhas “marinetes” da Sulba por quase 200 quilômetros. Aguentar a poeira os atoleiros, a depender da estação do ano.

No começo da década de 1960, a Seleção de Itajuípe tinha um compromisso com o selecionado de Belmonte pelo Campeonato Baiano de Amadores. Os dirigentes alugam um ônibus e saem no sábado bem cedo (um dia antes). No caminho desceram para empurrar o veículo várias vezes e conseguiram chegar com o sol caindo no horizonte. Foram ao estádio reconhecer o gramado e dali se dirigiram à pensão.

Por recomendação do presidente Jackson Hage e dos diretores Fernando Mansur e Tuffik, os jogadores não saíram da pensão para conhecer a cidade, por motivos óbvios. Mas não conseguiram dormir com a batucada na praça em frente, sob o comando da apaixonada torcida belmontense. E Itajuípe tinha que sair de Belmonte, no mínimo, com um empate, para disputar com a Seleção de Ilhéus. Mas o pensamento do grupo era ganhar o jogo.

E a partida não saia do 0X0. Mais ou menos aos 35 minutos do segundo tempo, o árbitro, do meio de campo, marcou um pênalti contra a Seleção de Itajuípe, sem qualquer motivo e fora de qualquer jogada. Não adiantaram as reclamações. O árbitro estava irredutível. Atrás do gol de Itajuípe, uma pessoa chegou para perto do goleiro Antônio Pires, tirou o revólver da cintura e disse: “Se você se mexer na área eu lhe encho de chumbo”.

Ao presenciarem a cena, os jogadores da Seleção de Itajuípe comunicaram o fato à diretoria, que por sua vez chamou a polícia, que confirmou a arma e a estranha ameaça. Não se sabe o motivo e o poder do agressor, já que os policiais não o prenderam. Apenas se dividiram em dois grupos, um junto ao ameaçador e outro ao lado da trave, no sentido de evitar que o crime se consumasse, caso o goleiro Pires pegasse o pênalti.

Confusão amainada, o jogador do selecionado belmontense chuta a bola e o goleiro Pires a encaixa com segurança. Mesmo com a proteção dos policiais, o ameaçador continua prometendo transformar Pires numa tábua de pirulito, pelos tiros que prometia dar. O árbitro é obrigado a interromper o jogo, pois todos os jogadores formaram um cordão de isolamento para proteger o goleiro ameaçado.

A única solução encontrada pelos dirigentes foi fretar um avião teco-teco e transferir Pires para Ilhéus. Embarcaram Pires em um jipe, na companhia de Fernando Mansur e Tuffik, além dos policiais, para levá-los ao avião, enquanto em outro jipe ficou o agressor cercado de policiais. Assim que o teco-teco levanta voo, o jogo é retomado, com o goleiro reserva no lugar de Pires, e o placar de 0X0 foi mantido, apesar do desespero dos itajuipenses.

Pires prometeu que nunca mais jogaria em Belmonte e abandonaria o futebol se tivesse que fazer outra partida naquela cidade. E não se falou mais nisso.

*Radialista, jornalista e advogado

terça-feira, 12 de setembro de 2023

TEMAS E TEMPOS DIVERSOS, NOVO LIVRO DE DURVAL em setembro 11, 2023

 

TEMAS E TEMPOS DIVERSOS, NOVO LIVRO DE DURVAL

Textos de Durval marcados pelo esmero 

Por Walmir Rosário*

Costumo dizer que tempo é coisa séria e o ser humano deveria ter mais cuidado, carinho, dedicação e precaução. Do contrário, ele passa e perdemos nós grandes oportunidades. Se não nos ligarmos no tempo estaremos inertes, amorfos, longe do mundo que nos cerca. É preciso que saibamos planejá-lo, administrá-lo, vivê-lo, aproveitá-lo, do contrário não recuperaremos o tempo perdido.

Na semana passada experimentei os efeitos do descaso com o tempo. O telefone toca, do outro lado o professor Durval Pereira da França Filho reclama minha presença para uns dois dedos de prosa, oportunidade perdida há tempos, que nem sei precisar quanto. E olha que nossa distância abissal é separada apenas por um muro, uma parede, se bem que as portas de entrada estão localizadas em ruas diferentes, paralelas.

Era hora de repararmos o sumiço e sentarmos para um bate-papo, lembrança dos amigos, do andamento da literatura produzida ao nosso redor. E por falar nisso, ambos publicamos recentemente livros novos. Bom nos vermos e contar as novidades. Dou a volta na rua e vou visitar o amigo Durval, conhecer o seu novo livro, “Temas e Tempos Diversos” recém-saído da impressora, um privilégio estar à frente nessa honrosa fila.

No novo livro, 17 trabalhos sobre temas diversos, publicados no extinto jornal Tabu e em outros veículos – alguns de circulação nacional –, versando sobre assuntos dos mais diversos. Como bem diz o texto de apresentação, “Trata-se de uma temática variada produzia ao longo do tempo, momento em que a mente do escritor estava a refletir os mais diferentes temas”.

E os textos estão longe do academicismo e numa linguagem agradável – longe do rebuscamento –, convida gentilmente o leitor a continuar atento às páginas seguintes e se deliciar com as histórias contadas. O professor Durval trata temas históricos internacionais, políticos, religiosos, esportivos, sociológicos, ficcionais e da vivência, sempre com a leveza da boa língua portuguesa, sem sobrar nem faltar.

Em “Temas e Tempos Diversos”, Durval conta passagens de sua vida em “Em Nenhum Homem é uma Ilha”; em Tyrone Perrucho – Múltiplo e Singular, analisa a figura icônica do seu grande amigo. Já o texto “Humanus em prosa e verso”, tece comentários ao livro escrito por Antônio Pereira e Cláudio Zumaeta, uma construção poético filosófica, que lhe chamou a atenção. Este é um texto inédito.

No terceiro capítulo, a ficção “A Revolta dos Caranguejos”, chama a atenção para o texto em que o autor denuncia a destruição do meio ambiente, notadamente nos extensos manguezais de Canavieiras, modificando os costumes de sua população. Neste texto, Durval constrói um “poema” em prosa, numa linguagem ferina (mordaz) sem ser densa ou espalhafatosa, e conta a caminhada do poeta em suas divagações, noite adentro de Canavieiras. Quando o texto termina ficamos com o gostinho de quero mais.

O canavieirense Durval Pereira da França Filho é um intelectual de invejável currículo: professor do Colégio Estadual Osmário Batista, do Colégio Presbiteriano João Calvino, da Faculdade Santo Agostinho, em Ipiaú, cursinhos, secretário de Cultura de Canavieiras, diretor da Biblioteca Municipal Afrânio Peixoto, por 50 anos colaborador do jornal Tabu, escritor de vários livros publicados.

Graduado em História pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), é pós-graduado em História Regional; Mestre em Cultura e Turismo pela Uesc, em parceria com a Universidade Federal da Bahia (Ufba). Na dissertação do mestrado apresentou o trabalho Belmonte, Memória, Cultura e Turismo: numa (re)visão de Iararana de Sosígenes Costa. É, também funcionário aposentado do Banco do Brasil.

Assumi o compromisso de declinar qual o texto que mais me chamou a atenção. Li todos com atenção, alguns deles conhecidos, mas como não poderia de deixar de ser não poderia expressar minha admiração por “A Revolta dos Caranguejos”, na qual o autor expressa toda a sua verve de poeta, mesmo quando nos apresenta um trabalho em prosa, na qual a rima, a métrica e o ritmo estão nas palavras que descreve, em forma de texto.

E o professor Durval Pereira da França Filho surpreende seus leitores a cada obra publicada, embora todos saibam e conheçam sua intelectualidade e o esmero com que trata seus textos. Poeta desde a juventude, renega esse estilo e qualidade, tomando atitudes como não apenas amassar uma poesia cometida, mas rasgá-la, exterminá-la, deixando atônitos os leitores.

Mas, enfim, essa é uma licença que poeta se autoconcede, transferindo o lirismo e a linguagem figurada para a prosa, como em “Temas e Tempos Diversos”.

*Radialista, jornalista e advogado

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

ORLANDO CARDOSO, NASCIDO E PERPETUADO PARA O RÁDIO - A Cronica de Walmir Rosário

 

ORLANDO CARDOSO, NASCIDO E PERPETUADO PARA O RÁDIO

Orlando Cardoso entrevista Jorge Braga, da CDL
de Itabuna (foto da Internet, sem o devido crédito)

Por Walmir Rosário*

Dizem os estudiosos em física e matemática que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Até que poderia, mas as probabilidades seriam remotas, ínfimas. Não concordo, mesmo tendo consciência de que sou, cientificamente, um ignorante nesses assuntos. E rebato essa tese apresentando prova em contrário, reconhecida e testada em todos os lugares em que as ondas do rádio de Itabuna alcançaram e fizeram sucesso.

E minha tese, como disse, tem nome e sobrenome, Orlando Cardoso Melo, com 62 anos dedicados ao rádio. Pelas minhas contas, seriam 63, mas como ele não coloca sua primeira experiência no currículo, acato a idade radiofônica em questão. E Orlando desempenha, ainda, com maestria tudo o que criou e fez no rádio, como transmissões esportivas, apresentação de resenhas, programas musicais, informativos e o que mais apareça.

E ele chegou ao rádio por acaso. A primeira vez em que o raio (do rádio) caiu foi em 1960, na antiga Rádio Clube de Itabuna, por obra e graça de Cristóvão Colombo Crispim de Carvalho, o CCCC, que solicita para que Orlando Cardoso gravasse um jogo imaginário em seu gravador (de Crispim). Feito o teste, aprovado, foi convidado a narrar uma partida preliminar do Campeonato de Itabuna. Perfeito para a primeira vez.

Foi convidado a fazer parte da equipe comandada por José Maria Gottschalk, com Gérson Souza, Crispim, dentre outros. Aceitou. A emissora estava ampliando o quadro do esporte, com Leovaldo Almeida, Edson Almeida, Geraldo Santos, e Leovaldo e o designou para a redação da resenha. Perguntou se “batia a máquina”, como a resposta foi negativa, ordenou que se matriculasse numa escola de datilografia.

Orlando não deu as caras na emissora e continuou seu trabalho na Loja Osgonçalves, esqueceu a quase nova profissão de radialista, para desgosto de Crispim. Vida que segue, em 1961 inicia o serviço militar no Tiro de Guerra, sob o comando do então sargento Paulo. Num desses domingos, ao encerrar a instrução, o sargento anuncia que o radialista Romilton Teles teria convidado a todos para participarem do programa Show da Alegria, na Rádio Difusora.

E o raio tornou a cair no mesmo lugar. Romilton Teles anuncia que os atiradores podem se apresentar com o que sabem fazer de melhor: cantar, dançar, recitar poesia. Um colega engrena a música Esmeralda e incentiva a apresentação dos demais. Para surpresa da plateia, Orlando Cardoso se candidata a narrar um jogo entre o Vasco da Gama e o Real Madri, pois tinha escutado esse jogo no meio da semana, com o gol de Delem.

Assim que recebeu o microfone das mãos de Romilton, Orlando pede a ajuda da galera e botou o tom fora, até anunciar o gol do Vasco. Se junta aos demais e em seguida é convocado para voltar à emissora na quarta-feira, para se encontrar com o diretor-geral Hercílio Nunes. Se apresenta, mas como o diretor estava numa reunião, pede que ele vá no domingo ao Campo da Desportiva e que chegue mais cedo, pois narrará uma partida.

Chega cedo como aprazado e Hercílio abre a transmissão, anuncia o novo contratado, que narrará o jogo em conjunto com o titular, Luiz Alves. E cada um narraria o jogo numa metade do campo, como faziam Jorge Curi e Antônio Cordeiro na Rádio Nacional. Era 26 de fevereiro de 1961. Em meados de abril, o diretor de Broadcast da Rádio Difusora, Lourival Ferreira, o convoca para assumir o comando das narrações, e sozinho.

No próximo domingo já estreou no Estádio Mário Pessoa, em Ilhéus, transmitindo Seleção de Ilhéus e Bonsucesso, do Rio de Janeiro. E não parou mais. Apresentou resenhas e inovou ao criar e apresentar um programa com músicas de Carnaval, só que fora do Carnaval. Mesmo contra a opinião de Hercílio Nunes, apresentava aos domingos, das 7 às 9 horas, “Carnaval Toda a Vida”, e a primeira música tocada foi “Roubei a mulher do rei”.

Enquanto isso, fazia de tudo para continuar nas duas ocupações, a Osgonçalves e a Difusora, até quando não deu mais e deixou a loja. Assim que avisou a Hercílio que estava “desempregado” da loja, recebeu a proposta para apresentar um novo programa, à tarde. Descansou merecidos 15 dias e passou a apresentar o programa “Discoteca Jovem de Ontem”, com músicas passadas, que caiu, imediatamente, no gosto dos ouvintes.

E Orlando Cardoso se consolidou no rádio itabunense e regional pela alegria em que narrava as partidas de futebol e as apresentações dos programas musicais, contando piadas e mandando os alôs para os ouvintes. Nas ruas e estádios era cumprimentado com os bordões que criava, era convidado a ir às casas dos ouvintes, e sempre chegava com a mesma alegria do rádio.

No futebol, criou bordões que fizeram muito sucesso e são lembrados e imitados até hoje. E os ouvintes iam ao delírio quando ouviam Orlando gritar: “Abrem-se as cortinas e começa o espetáculo do futebol”, subtraído da ideia de Fiori Gigliotti; “Gol itabunense, torcida grapiúna”; “O barbante estufou, o escore mudou”; “Ora, ora, ora, agora, (para informar o horário,”, dentre outros. “Eles apareciam e eu incorporava ao repertório”, conta.

Após vários anos na Rádio Difusora, passa pela Rádio Nacional (ex-Clube) e Rádio Jornal de Itabuna, até retornar à Difusora, onde até hoje lidera a audiência com o Programa Panorama 640 (meia quatro zero). Comentam os colegas radialistas, que o programa não tem mais espaço algum para novas publicidades, o que configura o estrondoso sucesso de Orlando na Difusora e nas emissoras em que passou.

Em 1984 Orlando Cardoso finaliza sua participação como narrador esportivo, apesar dos constantes apelos dos ouvintes e colegas para que permanecesse por mais tempo. Narrou grandes partidas da Seleção Brasileira no Maracanã e no Maranhão; do Flamengo (3) na decisão do Campeonato Brasileiro contra o Atlético Mineiro (1); e em Campinas, na vitória do Guarani sobre o Itabuna por 7X1.

E Orlando Cardoso, torcedor do América carioca, sempre foi um eterno apaixonado pelo bom futebol da Seleção de Itabuna. Foi eleito vereador para dois mandatos de seis anos (cada) e é uma das pessoas mais populares de Itabuna e região. Aos 81 anos de idade e 62 de radialismo (63 se contar com a pequena passagem pela Rádio Clube), se considera um homem feliz e realizado com sua família.

Um homem com grandes histórias e que aqui serão contadas em muito breve.

*Radialista, jornalista e advogado


quinta-feira, 31 de agosto de 2023

A Cronica de Walmir Rosário direto de Canavieiras - 31/08/2023

 

A CARÊNCIA DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O ESPORTE

Campeonato Interbairros de Itabuna - Foto Pedro Augusto

Por Walmir Rosário*

Pouquíssimos municípios brasileiros podem se orgulhar de planejar e executar políticas públicas para o setor esportivo. Os programas, por si só não bastam: precisam ser eficientes e eficazes para contemplar uma população de jovens cada vez mais longe do direito consagrado no artigo 217 da Constituição Federal: "É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, como direito de cada um…”.

E no quesito desporto não há como comparar o antes e o depois da chamada Constituição Cidadã. Desde antes os colégios públicos mais equipados conseguiam formar atletas nas diversas especialidades na disciplina educação física em suas quadras poliesportivas. Nada mais que isso. As prefeituras auxiliavam, quando muito, com um trator na abertura de um campinho nos muitos terrenos baldios existentes nos bairros.

Fora disso, a população se virava aproveitando a ausência do boom imobiliário. Era costume uma turma de garotos e homens formados pegar no pesado para dar forma a um campinho de pelada, ou babas, como queiram. Jogavam descalços, sem uniformes, como queriam e dava tempo. Era voltar da escola, colocar um calção, chegar ao campo e bater o par ou ímpar para escolher os times. Um jogava com camisas, outro com torso nu.

Mas o crescimento das cidades deu um basta na brincadeira dos meninos. Os bem mais aquinhoados financeiramente e que eram associados a clubes continuaram praticando o esporte, bem como os participantes dos times amadores. Os excluídos mudaram de esporte ou deixaram de praticá-los. Outra solução eram os campos que alugavam horário para as partidas.

Em Itabuna, lá pelo ano 1993, o desportista João Xavier – jogador e dirigente esportivo –, eleito vice-prefeito, tomou a incumbência de proporcionar à população os benefícios do esporte, como mandava a Constituição Cidadã. De pronto, escalou José Maria (Nininho, o Sputnik), ex-jogador profissional e ex-supervisor do Itabuna Esporte Clube para pilotar importante projeto desportivo.

De início implantaram diversas escolinhas esportivas nos bairros de Itabuna, cujos alunos participavam das atividades no contraturno da escola formal. Em pouquíssimo tempo, cerca de 700 crianças já se beneficiavam do projeto nos bairros, orientados por profissionais oriundos de diversas modalidades esportivas e supervisionados pelos profissionais de Educação Física do quadro da prefeitura.

E o sucesso do projeto ultrapassou limites e divisas geográficas, chegando em Brasília. De imediato, a então secretaria federal dos Esportes destacou um técnico para conhecer a ação. De cara, destinou R$ 600 mil (à época recursos consideráveis) para o desenvolvimento do projeto. Até hoje as escolinhas dos bairros Santa Inês, São Pedro, Daniel Gomes, Núcleo Habitacional da Ceplac e Ferradas não viram a cor do dinheiro.

Recentemente, o radialista e advogado Geraldo Borges Santos elaborou um projeto que poderia resgatar a formação de jovens nos diversos bairros da cidade. De acordo com o projeto, a prefeitura executaria as ações em parceria com as faculdades e universidades instaladas em Itabuna e empresas privadas. Para tanto, bastaria recuperar alguns equipamentos públicos esportivos, a exemplo de quadras e o complexo esportivo que reúne o Estádio Fernando Gomes e a Vila Olímpica professor Everaldo Cardoso.

Conclui-se, portanto, que a cidade tem uma estrutura básica de equipamentos públicos voltados para o esporte, grande contingente de jovens ávidos para envolvimento em atividades esportivas e de atletismo. Tudo isso aliado a uma população que gosta de esportes, com histórica tradição de sucesso, restando ao Executivo e Legislativo estabelecerem uma política pública que possa beneficiar a comunidade.

Obstinado, João Xavier apresenta e executa outro projeto esportivo de fôlego: o Campeonato Interbairros de Itabuna, considerado o maior certame do gênero no Brasil. De cunho social, mexia positivamente na educação dos jovens e adultos e na economia desses locais onde os jogos eram disputados. Fortalecia o comércio formal e informal nos dias dos jogos e autoestima da população, que se unia em torno de suas comunidades.

O Interbairros também atuou na mudança do comportamento das pessoas, que antes deixavam Itabuna aos domingos para curtir o lazer nas praias de Ilhéus, um verdadeiro êxodo de pessoas e recursos dispendidos nas viagens. Com a implantação do campeonato, os times jogavam nos campos de bairro e disputavam a final no Estádio Itabunão. Praticamente todos os jogos eram transmitidos pelas emissoras de rádio e com cobertura nas TVs locais. O domingo era, realmente, um dia de festa.

Em 28 julho de 2023 o Campeonato Interbairros de Itabuna completou 30 anos. Criado para se tornar uma fonte inesgotável do descobrimento de craques, que poderiam ter chances de jogar em grandes equipes profissionais do Brasil e do exterior, não possui o mesmo glamour. Apesar de estar em atividade, não chega a movimentar toda a comunidade dos bairros itabunenses. Quem sabe mereça um upgrade?

Por si só, o Campeonato Interbairros não forma atletas cidadãos, pois seu público-alvo é formado por jovens formados e adultos. Lembrando do ditado: É de menino que se torce o pepino”, os poderes executivo e legislativo deveriam ter maturidade suficiente para evoluir e privilegiar as políticas públicas e não as políticas de governo. Enquanto isso, os jovens ficam à mercê da sorte, enquanto a marginalidade campeia livremente.

*Radialista, jornalista e advogado