Julho de 1994.
O Brasil acabara de conquistar o tetracampeonato mundial nos Estados Unidos.
A Seleção embarcou de volta ao país como heroína.
Só que o avião não trazia apenas a taça.
A aeronave tinha deixado o Brasil com cerca de 3,4
toneladas de bagagem.
Retornou com quase 15 toneladas.
Jogadores, comissão técnica e dirigentes
aproveitaram a viagem para fazer compras nos Estados Unidos.
Eletrodomésticos, eletrônicos, até equipamento de
choperia.
O lateral Branco, por exemplo, trouxe geladeira,
forno, máquina de lavar, esteira e duas televisões.
Ao pousar no Rio de Janeiro, era esperado que a
delegação passasse pela fiscalização normal da Receita Federal.
Ricardo Teixeira, então presidente da CBF, não
aceitou.
Ameaçou cancelar o desfile do tetra se a bagagem
fosse revistada.
Fez ligações para autoridades em Brasília.
Conseguiu.
A fiscalização foi dispensada, sob a justificativa
de falta de condições operacionais no momento.
O problema é que a exceção não passou despercebida.
A Procuradoria Federal descobriu a discrepância
entre o peso declarado na saída e o peso do retorno.
O episódio ganhou as manchetes como "voo da
muamba".
O secretário da Receita Federal da época, que
discordava do benefício concedido à delegação, deixou o cargo.
Outros servidores da fiscalização o seguiram.
O caso virou processo judicial e se arrastou por
anos.
Em 2009, Ricardo Teixeira acabou condenado em
primeira instância pela liberação irregular das bagagens.
A pena incluiu suspensão de direitos políticos e
proibição de contratos com o poder público por três anos.
No fim, a CBF teve que pagar os impostos referentes
à bagagem completa da delegação.
Um voo de volta ao país como campeão do mundo
virou, anos depois, um dos maiores símbolos de uso de prestígio esportivo para
escapar da lei.
Fonte: CNN Brasil — O Jogo — Fernando Vitolo
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