quarta-feira, 8 de julho de 2026

Julho de 1994. - O voo da Muamba

 Julho de 1994.


O Brasil acabara de conquistar o tetracampeonato mundial nos Estados Unidos.

A Seleção embarcou de volta ao país como heroína.

Só que o avião não trazia apenas a taça.

A aeronave tinha deixado o Brasil com cerca de 3,4 toneladas de bagagem.

Retornou com quase 15 toneladas.

Jogadores, comissão técnica e dirigentes aproveitaram a viagem para fazer compras nos Estados Unidos.

Eletrodomésticos, eletrônicos, até equipamento de choperia.

O lateral Branco, por exemplo, trouxe geladeira, forno, máquina de lavar, esteira e duas televisões.

Ao pousar no Rio de Janeiro, era esperado que a delegação passasse pela fiscalização normal da Receita Federal.

Ricardo Teixeira, então presidente da CBF, não aceitou.

Ameaçou cancelar o desfile do tetra se a bagagem fosse revistada.

Fez ligações para autoridades em Brasília.

Conseguiu.

A fiscalização foi dispensada, sob a justificativa de falta de condições operacionais no momento.

O problema é que a exceção não passou despercebida.

A Procuradoria Federal descobriu a discrepância entre o peso declarado na saída e o peso do retorno.

O episódio ganhou as manchetes como "voo da muamba".

O secretário da Receita Federal da época, que discordava do benefício concedido à delegação, deixou o cargo.

Outros servidores da fiscalização o seguiram.

O caso virou processo judicial e se arrastou por anos.

Em 2009, Ricardo Teixeira acabou condenado em primeira instância pela liberação irregular das bagagens.

A pena incluiu suspensão de direitos políticos e proibição de contratos com o poder público por três anos.

No fim, a CBF teve que pagar os impostos referentes à bagagem completa da delegação.

Um voo de volta ao país como campeão do mundo virou, anos depois, um dos maiores símbolos de uso de prestígio esportivo para escapar da lei.

Fonte: CNN Brasil — O Jogo — Fernando Vitolo

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