De armazéns a palcos: antigos trapiches revivem noite do Comércio com cultura
Espaços que transformaram o Comércio
em polo de eventos culturais
Por Divo
Araújo/A Tarde - O Comércio vem fortalecendo sua vocação cultural
ao transformar antigos espaços portuários em grandes casas de shows e eventos.
Dois desses endereços carregam essa história no próprio DNA: o Trapiche Barnabé
e o Cais Dourado, que já funcionaram como trapiches e hoje abrigam uma
programação cultural variada, além de ajudarem a movimentar o bairro durante a
noite, período em que a região tradicionalmente fica mais vazia.
À frente do Trapiche Barnabé, o empresário francês Bernard Attal (Foto), diz que o calendário varia conforme a época do ano. “Esse período geralmente é mais tranquilo, porque, como tem muitos shows na cidade toda, a gente faz pouca coisa”, afirma. Ainda assim, a programação segue ativa. “No último sábado tivemos um evento de samba, chamado Terreiro de Crioulo”, destaca.
O evento reuniu nomes como Nelson
Rufino, Serginho Meriti e Sibi Dudu para celebrar a cultura negra, as matrizes
africanas e a ancestralidade, marca do festival que já passou por Rio de
Janeiro e São Paulo e fez sua primeira edição na Bahia.
Ao longo do ano, alguns projetos já
viraram tradição no espaço. “Temos o Festival Sangue Novo”, conta Bernard.
Segundo ele, o evento já teve várias edições e a maioria passou pelo Trapiche
Barnabé. Outro destaque é o Zona Mundi, festival que conecta música, arte e inovação
e que realiza parte de sua programação no trapiche.
O espaço também abriu portas para o
teatro. Em 2025, Wagner Moura estreou em Salvador o espetáculo “Um Julgamento —
Depois do Inimigo do Povo”, dirigido por Christiane Jatahy. “A gente está
trabalhando para fazer outra temporada de teatro. Vamos divulgar em abril, mas
vai ser teatro de novo”, adianta.
Outro evento querido do público é o
Biergarten Salvador, inspirado nos jardins de cerveja alemães, que também
integra a programação do Barnabé. O local ainda recebeu, no fim do ano passado,
uma edição especial do Som de Jorge, ensaio de verão da banda Filhos de Jorge,
com participações de Mamacita, Ara Ketu e Durval Lelys.
Próximo dali outro antigo trapiche
segue a mesma vocação cultural. O Cais Dourado, próximo ao Mercado do Ouro e à
área portuária, é hoje um dos maiores espaços para eventos do Comércio.
“O importante é a história. Essa casa
inaugurou com a gente e fez mais de duas ou três dezenas de grandes shows com
grandes artistas”, afirma o responsável pelo espaço, Valter Aquino. Ele
relembra que o local passou por uma reforma recente e chegou a ser rebatizado,
mas retomou o nome original. “A gente tirou o Casarão e botou de novo o Cais
Dourado. Hoje é Cais Dourado.”
Com cerca de 3 mil metros quadrados e
capacidade para até 4 mil pessoas, a casa aposta na estrutura para atrair
produtores. “Trata-se de uma casa de eventos. Pela metragem e pelo espaço, é
uma alternativa de casas de shows em Salvador, que nós somos um pouco carentes,
sobretudo naquela região”, avalia.
O modelo de funcionamento é baseado
em parcerias com produtores. “O cara produz um evento dentro da nossa casa e
nós fazemos um compartilhamento com ele. Nós temos o imóvel e toda a
logística”, explica. Ele detalha os serviços oferecidos: “Ambulância,
segurança, limpeza, banheiros. Lá a gente tem toda a infraestrutura.”
Aquino diz que o objetivo é elevar o
padrão do espaço. “A ideia é ter a melhor casa da Bahia. Já temos banheiros
bons, mas queremos melhorar. Vamos ter o nosso palco fixo”, afirma.
Outro ponto que ele destaca é a
localização. “A casa pode ficar durante a noite toda tocando, porque tem uma
acústica muito boa e a região não é residencial”, diz. “Lá não temos limite de
horário. Você pode ir até duas, três, quatro da manhã, amanhecer o dia, e não
perturba ninguém.”
Ao longo dos anos, o Cais Dourado já
recebeu artistas como Caetano Veloso, Daniela Mercury, Jorge Ben Jor, Maria
Rita, Seu Jorge, Paralamas do Sucesso, Paula Toller e Beth Carvalho, entre
muitos outros nomes da música brasileira.
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