sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

A Cronica de Walmir Rosário

 

O RESULTADO DE 7X1 DA ALEMANHA NO BRASIL É FICHINHA

A goleada lendária com 7 gols de Florizel

Por Walmir Rosário*

Digo e repito que a vergonhosa derrota do Brasil para a Alemanha na Copa do Mundo, em 8 de julho de 2014, pelo placar de 7X1, no estádio Mineirão, ainda é vista pelos futebolistas como o fim do mundo. Não nego que foi humilhante, mas nada que abalasse a estrutura do futebol. Em Itabuna foram registrados dois feitos bem maiores e melhores que esse dos alemães, e com pioneirismo.

Bastava uma simples consulta aos anais do futebol de Itabuna – para comparar os feitos –, que a diferença favorece os grapiúnas por larga vantagem. E isso é só o começo. No dia 21 de abril de 1963, data em que se homenageia Tiradentes, o Janízaros goleou o Flamengo (ambos itabunenses) pelo expressivo placar de 7X1, feito considerado marcante no futebol.

Mas aí o distinto leitor pergunta: Qual a diferença nos dois 7X1? Elementar, os 7 gols foram marcados pelo atacante Florizel, façanha considerável, mesmo num jogo amistoso em que as duas equipes itabunenses pretendiam apresentar seus novos jogadores para o campeonato de 1963. Já a Alemanha precisou de cinco jogadores para marcar: Müller, Klose, Kroos (2), Khedira, e Schürrle (2).

Humberto, Luiz Carlos, Ronaldo, Valdemir,
Santinho e Albérico; Gagé, Zequinha Carmo,
FLORIZEL, Tombinho e Fernando Riela.

Na partida em Itabuna, para não perder de zero, o capitão do Flamengo, Zequinha Carmo marcou o gol de consolação. E para a Seleção Brasileira marcou o único tento o jogador Oscar, no finzinho do jogo. Do que fica registrado nas duas partidas, está por mais evidenciada a superioridade do time e jogador itabunense, que marcou sozinho todos os gols da partida.

Na semana que antecedeu ao jogo, a imprensa promoveu a partida com entrevistas dos jogadores e dirigentes, cada qual prometendo demolir seu adversário. Assim que o árbitro Pedro Mangabeira iniciou a partida os dois times evitaram partir para o ataque, estudando atentamente o adversário. Até os primeiros 15 minutos, apenas uma bola foi chutada no gol do Janízaros.

A partir de então, o Janízaros cresceu no jogo e um petardo desferido pelo centroavante Florizel derrubou a casa do Flamengo. A torcida ainda comemorava quando Florizel marca o segundo gol, que valeu como uma ducha fria nos flamenguistas. No segundo tempo o Janízaros se impõe em campo e esmorece a turma rubro-negra.

A partir daí foi uma sequência de cinco gols de Florizel para completar a “conta do mentiroso”, embora todos os 7 gols tenha sido de verdade. E as novas contrações do Janízaros – Zé Hamilton, Santinho, Albérico, Fernando Euvaldo e o goleiro Luiz Carlos, que sequer entrou na partida – mostraram que não chegaram para brincar. Já no Flamengo estrearam o ponteiro Valter, o zagueiro Petito e o meia Arevaldo, que tomaram ciência da responsabilidade.

O Janízaros jogou com Toinho, Zé Hamilton, Alfredo e Almir; Aranha (Albérico) e Santinho; Fernando Euvaldo, Rochinha, Florizel, Xavier (Vitório) e Evaristo. Já o Flamengo atuou com Asclepíades (Zé Carlos), Péricles, Petito e Nélson; Odiel e Abiezer; Valter (Carrapeta), Arevaldo, Zequinha Carmo, Tombinho e Codinho. A renda somou 15 mil Cruzeiros.

Bel passou a ser conhecido como
"Seu Sete da Lira" pelos 7 gols 
Mas não pensem que as retumbantes goleadas pararam por ai. Em 1972, o Itabuna, já profissional, jogou uma partida amistosa com o Selecionado de Itajuípe, que ficou na história. Embora o resultado final tenha sido 9X2, os torcedores e a imprensa passaram a nomear o jogador Bel como “Seu 7 da Lira”, numa referência às reportagens da revista Cruzeiro sobre esse personagem da vida carioca.

Explicando melhor, é que 7 dos 9 gols do Itabuna foram marcados por um só jogador, o meio campista Bel (Abelardo Brandão Moreira, de origem itajuipense). Para os que não conheceram, a cidade de Itajuípe era pródiga em exportar bons jogadores amadores, mas deram azar de jogar contra o Itabuna profissional, cheio de craques e técnicas táticas e físicas. Depois, só a espetacular comemoração no Bar de Carcará.

Então, daqui pra frente é bom que fique registrada a superioridade de Itabuna sobre a Seleção Brasileira, e que o feito alemão em solo mineiro não campeie como sendo um fato histórico único neste Brasil brasileiro. Nada mais justo do que registrar essas duas partidas como consagrados e reconhecidos atos memoráveis do futebol itabunense.


*Radialista, jornalista e Advogado.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

De armazéns a palcos: antigos trapiches revivem noite do Comércio com cultura

De armazéns a palcos: antigos trapiches revivem noite do Comércio com cultura

 


Espaços que transformaram o Comércio em polo de eventos culturais

Por Divo Araújo/A Tarde - O Comércio vem fortalecendo sua vocação cultural ao transformar antigos espaços portuários em grandes casas de shows e eventos. Dois desses endereços carregam essa história no próprio DNA: o Trapiche Barnabé e o Cais Dourado, que já funcionaram como trapiches e hoje abrigam uma programação cultural variada, além de ajudarem a movimentar o bairro durante a noite, período em que a região tradicionalmente fica mais vazia.


À frente do Trapiche Barnabé, o empresário francês Bernard Attal (Foto), diz que o calendário varia conforme a época do ano. “Esse período geralmente é mais tranquilo, porque, como tem muitos shows na cidade toda, a gente faz pouca coisa”, afirma. Ainda assim, a programação segue ativa. “No último sábado tivemos um evento de samba, chamado Terreiro de Crioulo”, destaca.

O evento reuniu nomes como Nelson Rufino, Serginho Meriti e Sibi Dudu para celebrar a cultura negra, as matrizes africanas e a ancestralidade, marca do festival que já passou por Rio de Janeiro e São Paulo e fez sua primeira edição na Bahia.

Ao longo do ano, alguns projetos já viraram tradição no espaço. “Temos o Festival Sangue Novo”, conta Bernard. Segundo ele, o evento já teve várias edições e a maioria passou pelo Trapiche Barnabé. Outro destaque é o Zona Mundi, festival que conecta música, arte e inovação e que realiza parte de sua programação no trapiche.

O espaço também abriu portas para o teatro. Em 2025, Wagner Moura estreou em Salvador o espetáculo “Um Julgamento — Depois do Inimigo do Povo”, dirigido por Christiane Jatahy. “A gente está trabalhando para fazer outra temporada de teatro. Vamos divulgar em abril, mas vai ser teatro de novo”, adianta.

Outro evento querido do público é o Biergarten Salvador, inspirado nos jardins de cerveja alemães, que também integra a programação do Barnabé. O local ainda recebeu, no fim do ano passado, uma edição especial do Som de Jorge, ensaio de verão da banda Filhos de Jorge, com participações de Mamacita, Ara Ketu e Durval Lelys.

Próximo dali outro antigo trapiche segue a mesma vocação cultural. O Cais Dourado, próximo ao Mercado do Ouro e à área portuária, é hoje um dos maiores espaços para eventos do Comércio.

“O importante é a história. Essa casa inaugurou com a gente e fez mais de duas ou três dezenas de grandes shows com grandes artistas”, afirma o responsável pelo espaço, Valter Aquino. Ele relembra que o local passou por uma reforma recente e chegou a ser rebatizado, mas retomou o nome original. “A gente tirou o Casarão e botou de novo o Cais Dourado. Hoje é Cais Dourado.”

Com cerca de 3 mil metros quadrados e capacidade para até 4 mil pessoas, a casa aposta na estrutura para atrair produtores. “Trata-se de uma casa de eventos. Pela metragem e pelo espaço, é uma alternativa de casas de shows em Salvador, que nós somos um pouco carentes, sobretudo naquela região”, avalia.

O modelo de funcionamento é baseado em parcerias com produtores. “O cara produz um evento dentro da nossa casa e nós fazemos um compartilhamento com ele. Nós temos o imóvel e toda a logística”, explica. Ele detalha os serviços oferecidos: “Ambulância, segurança, limpeza, banheiros. Lá a gente tem toda a infraestrutura.”

Aquino diz que o objetivo é elevar o padrão do espaço. “A ideia é ter a melhor casa da Bahia. Já temos banheiros bons, mas queremos melhorar. Vamos ter o nosso palco fixo”, afirma.

Outro ponto que ele destaca é a localização. “A casa pode ficar durante a noite toda tocando, porque tem uma acústica muito boa e a região não é residencial”, diz. “Lá não temos limite de horário. Você pode ir até duas, três, quatro da manhã, amanhecer o dia, e não perturba ninguém.”

Ao longo dos anos, o Cais Dourado já recebeu artistas como Caetano Veloso, Daniela Mercury, Jorge Ben Jor, Maria Rita, Seu Jorge, Paralamas do Sucesso, Paula Toller e Beth Carvalho, entre muitos outros nomes da música brasileira.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

REDUTO DO SAMBA – O MAIOR BLOCO DO MUNDO - A Cronica de Walmir Rosário

 

REDUTO DO SAMBA – O MAIOR BLOCO DO MUNDO

Newton Dias, presidente do Reduto
do Samba. A paixão pelo Carnaval

Por Walmir Rosário*

O Reduto do Samba, de Salvador, pretende se tornar o maior bloco carnavalesco do mundo e não mede distância para que esse acontecimento seja o mais breve possível. Neste Carnaval de 2026 desfilará no circuito Campo Grande (Osmar) e traz Filipe Escandurras como principal atração, empurrando seus mais de quatro mil componentes.

A venda das fantasias anima a diretoria da agremiação e elas podem ser encontradas na sede do Bloco, plataformas digitais e Balcão Samba Vivo. Fundado em 13 de junho de 2003, a cada ano o Reduto do Samba promove uma festa à parte no Carnaval de Salvador, graças ao empenho de sua diretoria e componentes.

O Reduto do Samba tem como presidente Newton Ferreira Dias, desde sua fundação, e que se dedica quase que integralmente à gestão da agremiação, cuja diretoria e componentes empreendem todos os esforços para brilhar em todos os carnavais. E o presidente revela que o bloco é a paixão de todos os participantes, que se esmeram a cada desfile, após muitos ensaios.

Reduto do Samba desfila

E não é pra menos. Sem falsa modéstia, o Reduto do Samba construiu sua história em anos sucessivos ao levar para o Carnaval de Salvador as grandes atrações nacionais do samba. E não economizou: por eles desfilaram Arlindo Cruz, Dudu Nobre, Fundo de Quintal, Xande de Pilares, Psirico, dentre outros. E esse trabalho é responsável por colecionar troféus.

Todo esse entusiasmo é liderado por Newton Dias, que tem o samba como o oxigênio de sua vida, paixão da infância, de quando via e participava dos ensaios da Escola de Samba Filhos do Tororó, pertinho de sua casa. E esse amor cresceu exponencialmente em seu coração com a convivência de Ederaldo Gentil, Nelson Rufino, Salvador Oliveira, Bira Gentil, Paulinho do Reco e outros grandes mestres do samba.

E como na Bahia o samba convive de pertinho com outras manifestações culturais, no sangue de Newton Dias também estão entranhados o futebol, a capoeira, os movimentos afros, todos de passadas largas em terras baianas. E o menino rapaz do Tororó não desgrudou dos seus costumes desde que deixou Salvador para enfrentar a vida acadêmica e os afazeres profissionais.

Cursou engenharia agronômica em Cruz das Almas sem desgrudar da cultura ao mesmo tempo em que aprendeu a ciência, descobriu a botânica, da semeadura a cuidar das plantas, calculando a adubação para produzir mais, corrigindo as deformidades, curando as doenças, produzindo. Com diploma e anel no dedo, afastou-se de Salvador, do Recôncavo, para o Sul da Bahia.

Na Ceplac foi labutar com a cacauicultura, enfrentando os morros e a Mata Atlântica, num esforço fenomenal integrado para alcançar altos índices de produção do cacau. Alcançou postos de direção, como a chefia da importante Divisão de Itabuna, atuando como líder, influenciando comportamentos, inspirando colegas e produtores a aplicarem a técnica de forma correta, sem estresse.

De volta a Salvador assume novos empreendimentos em grandes empresas, sendo o mesmo Newton Dias de Salvador, o menino do Tororó, o acadêmico de da Faculdade de Cruz das Almas, o engenheiro agrônomo da Ceplac. Recusou o ócio da aposentadoria e foi cuidar daquela paixão desde menino, o samba. E fez da melhor forma. Como diz o ditado: quem é bom já nasce feito.


*Radialista, jornalista e advogado.