sexta-feira, 18 de novembro de 2022

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PINTADINHO, HOMEM DOS 7 INSTRUMENTOS E DA BOLA

Em pé: Patuca, Vilson, Paim, Dal (Tarzan) João Bocar e Vitor Baú;
Agachados: Jonga, Pedrinha, Pintadinho, Afrânio e Esquerdinha


Por Walmir Rosário*

Concordo plenamente com os que defendem a tese de que há muita proximidade entre o futebol e outras artes, a exemplo da música. Certifico e dou fé – se é que assim posso proceder – que muitos dos meus conhecidos fazem dessas artes “gato e sapato”, com a maior intimidade. E para provar, apresento aqui Zé Pintadinho, Pintadinho Alfaiate ou simplesmente Pintadinho, como exemplo.

Habilidade na música e no futebol não lhe faltava. Para ele, tanto fazia jogar na ponta-esquerda, ponta-direita ou como centroavante. O que importava mesmo era fazer gols para seu time ganhar o jogo. E tudo isso pode ser comprovado por quem o viu jogar ou pelos livros de registro da Liga Desportiva de Itabuna (Lida), onde está tudo anotado para dar conhecimento à posteridade.

Na música não era diferente. Era considerado o homem dos sete instrumentos: cantava, tocava surdo, pandeiro, reco-reco, e agogô e ainda fez incursões por alguns instrumentos de sopro, principalmente o trombone, que o considerava um dos mais sublimes da música e que fazia tocar a alma das pessoas. Deixou o instrumento aconselhado pelo maestro, que o avisou dos riscos de ficar com a “papada” grande. E ele obedeceu.

Zé Pintadinho já fez de tudo em Itabuna assim que chegou de Sergipe, em 1944, aos 16 anos de idade. Trabalhou em sorveteria, feira livre, enveredou pela música, onde se sentia bem, e pelo futebol. Porém, aconselhados pelos amigos mais velhos, buscou aprender um ofício mais seguro, como o de alfaiate, profissão que exerceu até o final de sua vida, e que lhe proporcionou criar uma numerosa família.



Pintadinho na profissão de alfaiate

Pintadinho jogou futebol em Itabuna em apenas duas equipes: o Botafogo do bairro da Conceição e no Bahia de Álvaro Barbeiro, o esquadrão de aço do sul da Bahia. Pelo Botafogo, atuou nas célebres partidas contra o Brasil de Buerarema e o Bahia de Itajuípe, ganhando as duas. Esta última para decidir uma aposta firmada por Sílvio Sepúlveda – jogador e cartola do Botafogo – e Oswaldo Gigante, do Bahia.

Outras partidas memoráveis jogadas por Pintadinho – já no Bahia – tiveram como palco Belmonte, na festa para comemorar o aniversário da cidade. No sábado, venceu por 3X2 e no domingo 2X1. Àquela época, diante da dificuldade de viajar pelas estradas ruins, embarcaram num avião em Itabuna e fizeram valer a supremacia do futebol itabunense, para o desgosto dos belmontenses, que não aceitavam fácil as derrotas.

Na década de 1950 sete times disputavam o campeonato amador de Itabuna – Corinthians, Grêmio, Janízaros, Flamengo, Fluminense, Itabuna e Botafogo – numa disputa ferrenha pelo título. Jogador que decidia partidas com os inúmeros gols que marcava, Pintadinho jogava cadenciado, com estilo, embora soubesse impor seu ritmo de jogo para não ser incomodado pelos zagueiros adversários.

Com toda essa habilidade e determinação, em campo atuava com humildade e sabia respeitar os adversários para também ser respeitado, gostava de dizer Pintadinho, para não ser visto como um jogador boçal. Além do respeito em campo, Pintadinho era uma pessoa muito querida na sociedade, além de ser um profissional da alfaiataria de conceito, haja vista as encomendas que recebia.

Soube parar o futebol quando as pernas e o fôlego já não conseguiam ter o mesmo rendimento de antes. Parou na hora exata, para que os amigos e torcedores lembrassem dele como o excepcional e implacável atacante. Se deixou de entrar em campo, continuou fora dele, torcendo para o magnífico futebol de Itabuna, levando seus filhos ao campo da Desportiva nas tardes de domingo.

Fora de campo, continuou fiel à máquina de costura, sua inseparável companheira de anos a fio na antessala de sua residência, onde recebia clientes e amigos para desempenhar seu trabalho, ou simplesmente ter uma boa prosa. E ali conversa sobre tudo, principalmente seus feitos no futebol e na música, atividade que continuou a exercer até os últimos dias de sua vida.

Na música, além de cantor, ensinava os colegas a cantar, principalmente boleros e sambas. Com sua charanga animava os comícios de seus candidatos ou eventos políticos de prefeitos nas inaugurações de obras em toda a cidade. Nos domingos, participava dos programas de auditório ou externos, realizados nos bairros da cidade pelos radialistas Titio Brandão e Germano da Silva.

O Carnaval era seu forte e desfilava nas baterias de blocos e escolas de samba de Itabuna. Cantou e tocou nas escolas Império Serrano, Salgueiro e Nova Mangueira, esta fazendo parte da diretoria. Perto de completar os 80 anos, Pintadinho surgia garbosamente na bateria do Bloco Casados I...Responsáveis, no qual participou ativamente desde o a sua fundação. Homem de variados instrumentos, Pintadinho recebeu certificado da Sociedade Montepio dos Artistas de Itabuna como percussionista pelos instrumentos que tocava.

Mesmo após ter sofrido duas cirurgias: próstata e hérnia, Pintadinho continuou trabalhando como alfaiate, já não mais com as encomendas de ternos, calças e camisas, mas sobretudo de consertos, com a mesma dedicação. Pintadinho não abria mão de no fim do dia descer até a praça dos Capuchinhos para comprar os pães e trocar uns leros com os amigos.

José Pintadinho, ou José Alves da Silva, nos deixou num sábado, 13 de agosto de 2011, aos 83 anos.

*Radialista, jornalista e advogado

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

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UMA VIAGEM A BUERAREMA COM ANTÔNIO LOPES

As duas últimas obras do escritor Antônio Lopes

Por Walmir Rosário*

O prezado e estimado leitor conhece Buerarema desde quando? Se a resposta do distinto for de uns tempos pra cá, passo a ter dó e piedade dele, pois na verdade, pouco ou quase nada viu do seu povo e de sua história. E bote História (com H maiúsculo) nisso, daquelas de cair o queixo, acontecidas desde o tempo que a aconchegante Macuco (seu nome enquanto distrito de Itabuna) reunia os melhores personagens num só local.

Pois fiquem os senhores sabendo que aquele pedacinho de terra cercada de matas e cacaueiros por todos os lados, entrecortados por pequenos riachos e rios caudalosos em busca da praia de Ilhéus têm muito a ser contado. Ponha sua cabeça pra pensar naquele amontoado de gente, vinda de todos os cantos do mundo, e que acabou formando um arruamento, vila e depois cidade, com essa gente mandando neles mesmos.


Estás curioso! Pois não perdes por esperar! Basta sentar com uns cinco livros de autoria do professor, jornalista e escritor Antônio Lopes, um pernambucano que se fez macuquense e bueraremense por obra e graça de sua mais legítima vontade. Pense numa viagem (há quem chame de imersão) voltando no tempo e conhecendo histórias, estórias e causas cometidos pelos seus personagens, inclusive o próprio.

Mas agora vamos nos ater aos dois últimos livros publicados, do contrário vamos perder muito tempo nessa leitura e passar dos “entretantos aos finalmentes”. Em “A Bela Assustada”, uma antologia pessoal, alguns textos inéditos, Antônio Lopes não se conteve e apresenta Manuel Vitorino, Zé Mijão, Mundinho Cangalha, João Baié, Léo Briglia, Dr. Elias, o padre Granja, o pastor Freitas, Manuel Lins, Clarindo Corno Preto, Zeca de Agripino, Vilson Cordier, e muitos outros brilhantes personagens.

E o menino trazido de Triunfo, no Pernambuco, pelo seu irmão mais velho, João Lopes, estudou o primário e o ginásio, fez jornalismo estudantil e formou seu caráter em Buerarema. Mais tarde, foi estudar em Ilhéus, trabalhar em Itabuna, até chegar a São Paulo escrevendo para a Última Hora, do lendário Samuel Wainer. Foi seguir o caminho e aportou na Academia de Letras de Ilhéus e Academia de Letras da Bahia.

Não sei se essas incursões mundo afora fixaram na memória do autor os causos vividos em tempos idos. O que sei mesmo é que são contados com simplicidade e o humor daquela gente e daquela época. Quem melhor narraria – a posteriori – um jogo do Brasil Esporte Clube, o BEC, do que o sapateiro Zé Vitorino? Que os senhores saibam o delírio da plateia com seus lances, tornando Galvão Bueno um simples fichinha. E nem tínhamos TV.

A Buerarema dos cines Cabral e Maracanã, à época em que não sofriam a concorrência das redes de televisão e era ponto de fixo para a troca de gibis e o encontro de namorados trocarem juras de amor, enquanto bandidos e mocinhos de digladiavam na tela. Uma boa pedida são os banhos no Poço da Pedra, onde o autor aprendeu a nadar, boiar e distribuir cangapés e quase se afogar.

Da minha lembrança não sai o causo de Agripino Vieira, fazendeiro de 15 mil arrobas de cacau, cliente assíduo do Bar Pingo de Ouro, que deu um drible no médico Dr. Elias, após o conhecido esculápio proibir suas incursões aos bares. Sem qualquer peso na consciência chegou na Farmácia Maria e decretou ao balconista Afonso que lhe desse o um vidro de Biotônico Fontoura, o maior que tivesse na referida botica.

Em “A vida Refletida”, Antônio Lopes conta que na sua adolescência quem não tinha habilidade para coisa nenhuma ia para a Marinha. Mas ele quis fazer diferente, por não levar jeito. Não estudou medicina, engenharia ou direito, mas trabalhou em rádio, televisão, assessoria, escritório, deu aulas, vendeu remédios. Profissões essas que lhe garantiram o uísque de cada dia. E as histórias, acrescento eu.

Em “Um Tabaréu em Paris” (pgs. 101/103), o autor conta que se encontrava na cidade luz quando um cara branco, vestido à classe média, lhe dá um encontrão. Desculpou-se (todo cheio de “pardon”, monsiseur, e continuou puxando conversa. Procurou se livrar dele, afinal estava em Paris, o melhor lugar do mundo, depois de Buerarema. Na manhã seguinte, ao dar pela falta do cartão de crédito, percebeu ter sido vítima de um legítimo vigarista parisiense. Fazer o quê?

Sobre o livro de Lopes, Joaci Góes escreveu: “Antônio Lopes é um autodidata que atingiu elevado patamar como humanista, polindo seu crescimento com as aulas que deu de português, matemática, história e redação, sem falar em suas experiências como animador de comícios e redator de discursos políticos, de festas carnavalescas, comentarista de futebol, vendedor, gestor de recursos humanos, fez tudo isso para sobreviver e ter as condições mínimas de se dedicar à leitura dos grandes autores, na geografia do tempo, experiências que contribuíram para torná-lo um dos mais refinados escritores brasileiros da atualidade”.

E prossegue Joaci...“Provavelmente, se Antônio Lopes tivesse produzido sua surpreendente obra de Paris, Londres, Roma ou New York, não faltasse quem dissesse que só a partir de domicílios tão cosmopolitas seria possível produzir literatura de conteúdo e forma tão marcadamente universais”.

A vida refletida/Antônio Lopes – Ilhéus, Ba: Editus, 2019.

A bela assustada : antologia pessoal + inéditos/ Antônio Lopes. - Itabuna, BA : A5 Editora, 2021.

*Radialista, jornalista e advogado


quinta-feira, 10 de novembro de 2022

Morre Gal Costa, uma das maiores vozes da música brasileira, aos 77 anos

 alhos & bugalhos

Morre Gal Costa, uma das maiores vozes da música brasileira, aos 77 anos



Yahoo - Gal Costa, uma das maiores vozes da música popular brasileira, morreu na manhã desta quarta-feira (9), aos 77 anos. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa da artista e até o momento, a causa da morte é desconhecida. Ainda não há detalhes a respeito do velório e do sepultamento da cantora.

A cantora, autora e intérprete de grandes sucessos nos 50 anos de carreira, era uma das atrações do festival Primavera Sound, que aconteceu em São Paulo no último fim de semana, mas teve sua participação cancelada de última hora.

Gal estava em São Paulo e não estava internada, segundo apuração preliminar. De acordo com a equipe da própria Gal Costa, ela precisava se recuperar após a retirada de um nódulo na fossa nasal direita e ficaria fora dos palcos até o final de novembro, seguindo recomendações médicas.

A cirurgia ocorreu em setembro, pouco após sua apresentação em outro festival de música em São Paulo, o Coala. De lá para cá, ela não havia voltado a se apresentar, mas já tinha datas de shows da turnê "As Várias Pontas de uma Estrela" marcadas para dezembro e janeiro.

Em 2011, ela venceu o Grammy Latino à Excelência Musical na categoria "conjunto da obra"".

Ao todo, Gal produziu 31 álbuns de estúdio desde 1967, quando estreou na cena musical com o disco "Domingo", ao lado de Caetano Veloso.

Ela também gravou nove DVDs, o último deles em 2018, com Gilberto Gil e Nando Reis.

Quem foi Gal Costa?

Nascida Maria da Graça Costa Penna Burgos em Salvador, na Bahia, em 1945, Gal Costa sempre foi incentivada pela mãe a seguir carreira na música. Já o pai, morto em sua adolescência, foi uma figura ausente.

No começo da vida adulta, ela trabalhou como balconista de uma loja de discos na capital baiana, a Roni Discos, uma das principais da cidade. No início dos anos 1960, foi apresentada a Caetano Veloso, encontro a partir do qual foi criado um vínculo pessoal a artístico que perduraria até sua morte.

Gal foi uma revolução das vozes e dos costumes na música brasileira desde seu surgimento na cena nacional, nessa mesma década

Aproximou-se ainda adolescente aos também baianos Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gilberto Gil, com quem integraria o grupo conhecido como Doces Bárbaros, responsável mais tarde por um disco definidor da década de 1970.

Tinha ainda pouco mais de 20 anos quando participou do álbum "Tropicália ou Panis et Circencis", pedra fundamental do movimento tropicalista. Logo depois, em 1971, fez um dos espetáculos de maior repercussão da história da MPB, "Fa-Tal", que viraria também um álbum cultuado.

Em 1977, o LP "Caras e bocas", que incluiu a canção "Tigresa", do cantor Caetano Veloso, marcou sua carreira pelas excelentes críticas. Em 1980, ganhou seu terceiro Disco de Ouro, com o LP "Aquarela do Brasil", no qual gravou somente músicas de Ary Barroso.

A partir da segunda metade dos anos 1990, Gal Costa passou a reler suas antigas gravações e sua voz foi se tornando cada vez mais popular por canções como "Modinha para Gabriela", sucesso estrondoso de Dorival Caymmi que abria a novela da Globo inspirada em Jorge Amado, e por hits reunidos no álbum "Água Viva", de 1978, como "Folhetim", de Chico Buarque, e "Paula e Bebeto", de Milton Nascimento e Caetano.

Foi nesta fase que a cantora se incorporou mais ao mainstream das grandes redes e rádios, começando a se descolar da imagem de ícone da subversão tropicalista. A parceria com Caetano nunca esmoreceu, mas Gal passou a tirar seus hits de compositores de correntes diversas, como Chico — "A História de Lily Braun", "Futuros Amantes"— , Djavan, de "Azul" e "Nuvem Negra", e Moraes Moreira, de "Festa do Interior".

Nos últimos anos, a cantora quebrou um jejum que usara para se dedicar à família para lançar álbuns elogiados como "Recanto", de 2012, a homenagem a Lupicínio Rodrigues, uma de suas grandes influências, em 2014, e "Estratosférica", de 2016.

Mais recentemente ela vinha se unindo a vozes em ascensão como maneira de redescobrir sua música e prestar homenagem às novas gerações. Gravou o sucesso "Cuidando de Longe" com a sertaneja Marília Mendonça, morta há um ano, e o álbum "Nenhuma Dor", em que cantava alguns dos maiores sucessos de sua vida ao lado de nomes com Tim Bernardes, Seu Jorge, Criolo e Jorge Drexler.

Priskas Eras



Pensamento do Dia



 Charge do Dia


Por hoje é só... Vou guardar a linha, a agulha e o dedal. Vou bater o martelo: Ponto Final.

Publicação simultânea: correioitajuipense.blogspot.com – academiaalcooldeitajuipe.blogspot.com e correioitajuipensedenoticias.blogspot.com *Redação o Bolso do Alfaiate.

 

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

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JOÃO XAVIER, ATÉ HOJE À BEIRA DO GRAMADO

Xavier (penúltimo à direita, em pé) na Seleção de Itabuna

Por Walmir Rosário*

Como todo o menino nascido nas décadas de 1940 e 50, João Xavier cresceu jogando babas nos muitos campinhos de Itapetinga, e desde cedo demonstrava sua intimidade com a bola. Àquela época o futebol era visto como uma brincadeira, mas diversas famílias não queriam, em hipótese alguma, que seus filhos seguissem a carreira futebolística, vista como uma coisa sem futuro. Coisa de moleques, embora isso tenha mudado com o passar dos anos.

E o menino João Xavier cresceu ouvindo esse mantra, no qual não acreditava e dava suas escapadas do pai para jogar futebol. Com um físico leve, bom de gingado, se tornou um maestro no meio de campo, sendo um dos primeiros a ser escolhido nos jogos do bairro. Daí para os times de camisa foi natural. Se não poderia se mostrar como jogador de futebol em Itapetinga, foi jogar na vizinha cidade de Macarani.

Mas como as notícias correm, e com muita velocidade, Xavier recebe o ultimato do pai para parar, de uma vez por todas, de jogar futebol. Naqueles velhos tempos não era costume o filho desobedecer ao pai, mas que Xavier aplicou uns dois dribles desconcertantes no velho, não restam dúvidas. Mas nada de grave que alguma religião pudesse recriminar como um pecado. Pelo contrário, todos sabem que esporte é saúde.

Ao ingressar no Banco Econômico, foi trabalhar em Canavieiras, à época um celeiro de craques. E João Xavier era mais um bem chegado naquela turma de boleiros sabidos, a exemplo de Boaventura Cavaquinho, Talminho, Bené, o Canavieira, que ganhou o mundo jogando futebol. Passou a ter a vida que pediu a Deus: trabalhando e jogando futebol no meio de craques como ele.

Em Canavieiras, João Xavier ajudou a quebrar o tabu dos 10 anos em que o selecionado local não ganhava uma partida para a aguerrida Seleção de Belmonte. No retorno, a comemoração corria solta nas lanchas. Nesse dia, o garoto Bené, depois o craque Canavieira, gostou tanto da vitória e da festa, que acompanhou os colegas na farra, fumando e bebendo pela primeira vez.

Mas novos horizontes se abriam para o bancário e jogador de futebol João Xavier. Ao passar em novo concurso, desta vez para badalada Ceplac, que expandia sua atuação, se transferiu para Itabuna, o maior “templo sagrado” do futebol do Sul da Bahia. Chegou e se sentiu em casa, ao lado de jogadores considerados verdadeiros “monstros sagrados”. Resultado: se tornou um deles, sem qualquer favorecimento.

Era 1960, o ano da graça e do bom futebol praticado em todo o Brasil, mas este com sede no Campo da Desportiva. Ali, ele desfilava no gramado ao lado de Santinho, Zé Reis, Gajé, Florizel, Ivanildo, Pires, Luiz Carlos, Valdemir Chicão, Humberto, Ronaldo Dantas, Piaba, Humberto César, os quatro irmãos Riela, Fernando Barrão, Plínio, Itajaí, Abieser, França, Betinho, Jonga Preto, Tombinho, Albérico Toba, Pinga e um sem-número de craques.

No Janízaros, chegou ao posto de capitão e comandava o time com maestria, o que lhe valeu várias convocações para integrar a Seleção Amadora de Itabuna, que não tinha receio de jogar de igual para igual com qualquer time profissional. E de logo vou avisando, naquela época os jogadores de Itabuna ainda não passavam por treinamentos físicos regulares, limitando-se a pequenas corridas e outros exercícios corriqueiros.

Se dentro de campo tudo corria a mil maravilhas naquele espetacular time do Janízaros, fora das quatro linhas, melhor ainda. João Xavier presta concurso para o Banco do Brasil, considerado um dos empregos mais importantes do país e volta para Itapetinga, sua cidade natal, onde toma posse na nova função profissional. Mas fica lá por pouco tempo e retorna a Itabuna, sua casa esportiva.

Xavier relata, sem medo de errar, que a Seleção de Itabuna que chegou ao hexacampeonato jogava porque gostava e por isso era uma equipe que poderia ser comparada com qualquer grande time profissional do Brasil. E não economiza elogios quando cita os times de Itabuna com os melhores goleiros, melhores zagueiros, laterais, meio campistas e atacantes.

João Xavier na Seleção de Veteranos de Itabuna
(agachado, quinto da esquerda para a direita)

E João Xavier destaca o alto padrão dos jogadores de Ilhéus, Alagoinhas, Feira de Santana, Cachoeira, São Félix e Santo Amaro, o que justifica todos os elogios feitos até hoje aos atletas itabunenses das décadas de 1950 e 60. E ele arremata dizendo que, enquanto os profissionais recebiam bons treinamentos físicos e técnicos, os jogadores amadores tinham a malandragem do futebol, principalmente os atacantes.

E o craque João Xavier encerra sua carreira dentro dos campos de futebol mas não abandona as beiradas das quatro linhas. Se dedica aos esportes amadores mantidos pela Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) e o Banco do Brasil – onde trabalhava. Cruzava o país constantemente trazendo para Itabuna numerosos troféus, conquistados nas mais diversas modalidades esportivas pelos atletas.

O Itabuna Esporte Clube se tornou uma verdadeira obsessão para João Xavier, que participou de sua diretoria e presidência por anos a fio, passando o bastão para os filhos, que continuam na ativa até hoje. Como jogador da bola sabida, não se afasta dos campos de futebol e da AABB, administrando e participando dos babas jogados pelos veteranos. É aquela história, quem sabe, sabe, jamais esquece.

*Radialista, jornalista e advogado


sexta-feira, 28 de outubro de 2022

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O GURGEL DE TYRONE; A LENDA REAPARECE EM CANAVIEIRAS

 

Eliomar e Dione ao lado do Gurgel nos trinques

Por Walmir Rosário*

Eu nem acreditei no que vi! E olha que estava avisado que o sumido  velho Gurgel do saudoso jornalista desocupado Tyrone Perrucho estaria de volta. Naturalmente que fui convidado para a apresentação do tinhoso veículo pelos seus novos e felizes proprietários Eliomar Tesbita e sua esposa Dione. E na efeméride, muita cerveja e churrasco, próprios para receber os convidados na tarde de domingo (23-10).

Assim que chegamos próximo ao porto da rua da Prata, em Canavieiras, à sombra das frondosas amendoeiras e outras árvores, lá estava o velho Gurgel todo repaginado, vistoso nas novas cores, vermelho e preto. De cara, questionei Eliomar Tesbita, artista plástico de conceito internacional, o motivo de tão tresloucado gesto: E me responde que soube ter sido em vida Tyrone Perrucho um flamenguista enrustido, agora, assumido, além do mais que sua esposa Dione também é torcedora do time da Gávea.

E não foi mole chegar ao ponto em que chegou, todo nos trinques. Muita pajelança foi feita para deixá-lo, digamos, seminovo. De cara, uma decepção, o mestre Wilson, mecânico responsável pela penúltima pajelança do jipinho, não aceitou o convite de Tesbita – sabe-se lá qual o motivo – para ser o responsável pela empreitada em deixar o Gurgel como era há 30 bons anos.

E aí Eliomar Tesbita iniciou um planejamento administrativo – como fazia nos seus velhos tempos de Banespa – apropriado ao jipinho, iniciando como seria a pintura, contando com Luciano, para riscar as cores na cabine, pintada por Régis. Para cuidar da lataria, ou melhor, fibra de vidro, Jarbas foi escolhido a dedo. Na eletricidade, o mestre Dino partiu do zero e refez todos os chicotes e demais fiações.

Já as fechaduras e elevadores de vidros esteve a cargo do conceituado João Neto, e a tapeçaria ficou por conta de José Carlos e a mecânica foi entregue a Luiz Feitosa. Com essa plêiade de oficiais da funilaria, mecânica e pintura, tapeçaria, seria apenas dar início ao processo de restauração e partir para o abraço. Mas, ainda foram onde começaram a aparecer os problemas.

As conceituadas casa de peças das redondezas não mais se ocupam em oferecer os equipamentos e apetrechos para o velho Gurgel, o que rendeu mais trabalho diferenciado, sob os auspícios da internet. Uma simples pecinha responsável pelo movimento do limpador de para-brisa não existia no mercado e teve que ser feita numa fundição, criando, antes um molde nas mesmas dimensões da anterior.

Porém, o que mesmo preocupou o nosso artista plástico foi o veredito passado pelo mecânico de quatro costados, Luiz Feitosa, após revisar e recuperar toda a parte mecânica, incluindo, aí, motor, câmbio e suspensão. É que pelo olhar clínico de Eliomar Tesbita, acostumado aos traços e formas de suas telas, o velho, agora novo Gurgel, lhe parecia tombado para um lado. Por preocupante, para o lado esquerdo.

Após um novo exame do ressuscitado bólide urbano e rural, Luiz Feitosa reconheceu que não tinha os recursos necessários para deixá-lo aprumado como Tesbita queria, sem pender pra qualquer lado. E foi taxativo. “O problema é estrutural, terá que mexer no chassi, um trabalho difícil e especializado, nada fácil.” E o jeito foi deixá-lo do jeito que se encontra, como se ainda carregasse o peso do velho Tyrone ao volante.

Uma coisa é certa, daqui pra frente os profissionais que se ocuparam de colocar o velho Gurgel nos prumos saíram da empreitada com mais conhecimento do que antes. Se não de mecânica automotiva, de internet e até de fundição. Com celular à mão, qualquer um deles discute sobre telemática, logística, como no prazo de entregas e finanças, a exemplo das condições de pagamento e autenticidade das lojas.

Assim que a notícia sobre a reforma vazou, Raimundo Ribeiro, de lá do Belém do Pará, se assanhou em passar uma vistoria nas fotos, por conhecer o jipinho nas suas andanças em Canavieiras durante as visitas a Tyrone. Sem mais delongas, disse no Whatsapp: “Eu e a Sandra, minha coligada, pegamos muitas caronas no famoso Gurgel, cheio de histórias e estripulias”, exigiu com a reconhecida autoridade.

E não era de ontem que Eliomar Tesbita cobiçava o jipinho, estacionado desde a morte de Tyrone, verdadeiramente triste e acabrunhado com o sumiço repentino do seu inseparável companheiro. Após umas três rodadas de negociações do casal Eliomar e Dione com Edmo, batem o martelo e o jipinho passa para os novos proprietários. Antes, do padre Alfredo Niedermaier, Wallace Perrucho, Tyrone Perrucho e Edmo.

E o famosíssimo Gurgel, conhecido por estacionar próximos aos bares e congêneres, voltará a circular com desenvoltura por Canavieiras e, quem sabe, assim que o Detran mudar a cor nos documentos, fará uma breve viagem ao Pelourinho, em Salvador, no conceituado ateliê do artista plástico Eliomar Tesbita. Do jeito que se encontra, com certeza viajará lépido, sem qualquer perigo de amuar num bar qualquer das rodovias.

E o generoso gesto de Eliomar mostra no que é capaz um homem apaixonado, ao dar um presente tão simbólico à mulher amada. A lenda está de volta!

*Radialista, jornalista e advogado


Dione, Vilma, Walmir, Eliomar e Panela de Barro

 

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

POr Walmir Rosário - PIRES, AOS 81 ANOS, UM CRAQUE AINDA EM FORMA

 

PIRES, AOS 81 ANOS, UM CRAQUE AINDA EM FORMA

O Goleiro Pires campeão pelo Bahia B de Itajuípe

Por Walmir Rosário*

Craque do passado uma ova! Aos 81 anos ele continua jogando três babas por semana – às terças e quintas-feiras na AABB de Itabuna, aos domingos na AABB de Itajuípe – e aos sábados ainda treina no caiaque para fortalecer a musculatura. Essa façanha é fichinha para Antônio Pires, que ainda fuma, embora parou de beber, administra sua empresa de compra de cacau, não dispensa um bate-papo com amigos, inclusive sobre política, pois já exerceu o mandato de vereador e presidente da Câmara de Itajuípe.

Desde cedo Pires iniciou sua vida de peladeiro, no meio da rua Joana Angélica (hoje Montival Lucas), descalço e sobre o calçamento de pedras. Pela sua habilidade na lateral-esquerda foi convidado por Virgílio Gomes para integrar o Vasco da Gama de Itajuípe e aceitou sem pestanejar, já que era um vascaíno de primeira. Não deu outra, se destacou e passou a ser conhecido no meio futebolístico.

Não estranhe os senhores quando digo meio futebolístico, pois mesmo sendo Itajuípe uma cidade de pequeno porte, sobravam craques nos vários times da cidade, muitos deles “exportados” para as grandes equipes amadoras de Ilhéus, Itabuna e profissionais de Salvador. Somente o Bahia local mantinha dois times – o A e o B – em que eram páreos duríssimos entre eles durante os treinamentos, constantemente chamados de seleções.

Pires, aos 81 anos

E foi justamente um dos diretores desse incrível Bahia, o barbeiro José Marques, que descobriu Pires no Vasco da Gama, ainda menino crescido, na linguagem de antigamente. Como somente jogava com a perna esquerda, foi aconselhado por José Marques a tentar outra posição. E a escolhida foi a de goleiro, na qual gostava de se divertir nos treinos, por sair nas bolas com bastante segurança.

Aprovado, passou imediatamente para a titularidade do segundo quadro do Bahia de Itajuípe, no qual foi campeão em 1957 e passou a ser o substituto imediato de Tirson, um dos maiores goleiros da Bahia nas décadas de 1950 e 60. Assim que Tirson viajava – e fazia isso com frequência – lá estava Pires em baixo dos três paus do magnífico time do Bahia, que não era acostumado a perder para outras equipes.

Uma certa feita, a seleção de Ilhéus convidou o Madureira, do Rio de Janeiro, à época qualificado como o “demolidor de campeões” para jogar uma partida no estádio Mário Pessoa, e por motivos extras, não poderia entrar em campo. Os cartolas ilheenses não perderam tempo e convidaram o Bahia para representar a Seleção. Um jogo brilhante para os que presenciaram e viram o Madureira vencer o Bahia de Itajuípe pelo magro placar de 1X0, apesar do show dado pelo goleiro Tirson.

Em 1959, ao saber que Pires tinha assinado com o Bahia de Itabuna, é convencido pelo conterrâneo Hemetério Moreira a cancelar o contrato e fechar com o Janízaros. Ele não pensou duas vezes e aportou com seu colega Nocha numa das melhores equipes de Itabuna. Nem chegou a sentir a mudança, pois outros cinco itajuipenses já jogavam no Janízaros, a exemplo de Marujo, Hidelbrando, Abel, Edson e Sinval. Pois bem, Pires passou mais de dois anos e meio sendo o goleiro titular e nunca foi substituído num jogo.

Quem gosta e acompanha o futebol sabe a importância do goleiro numa equipe, principalmente pela segurança que transmite à equipe. E Pires, apesar do físico um pouco franzino, não tinha medo de chutes fortes, apesar da antiga bola oficial pesada e traiçoeira nos jogos em dias de chuva. Ele já defendeu pênaltis cobrados por Danielzão, dentre outros jogadores considerados fura redes, sem a menor preocupação.

Em 1960, a Liga de Itajuípe se filia à Federação Bahiana de Futebol e no ano seguinte Pires retorna à sua cidade natal. No retorno assume a titularidade do Bahia e da Seleção de Itajuípe. E uma das primeiras partidas que disputou foi justamente contra a seleção de Ilhéus. Superiores em campo, marcam um gol e terminam o primeiro tempo à frente no placar. Só que no segundo tempo o técnico ilheense faz algumas mudanças inesperadas.

Entre os que entraram no tempo final estava Armandinho, ainda desconhecido e que estraçalhou na partida. Logo o placar vira para 3X1, todos os três marcados por Armandinho. No final da partida, o conceituado comentarista Yedo Nogueira, numa atitude inusitada, desce da cabine, pede o microfone ao repórter de campo e faz uma longa entrevista com Armandinho e o goleiro Pires. Na semana seguinte o craque Armandinho estreava no Palmeiras de São Paulo.

Ao término do Campeonato Baiano, equipes como o Galícia e Leônico faziam excursões pelo interior do estado, a exemplo do Sul da Bahia. Jogavam contra times e seleções de várias cidades, como Ilhéus, Itabuna, Itajuípe, dentre outras. E aqui descobriam os bons atletas e convidavam para se transferir para Salvador. Nesses amistosos, muitas vezes esses jogadores eram emprestados e participavam das partidas pelas equipes da capital.

E em seguida vinham as propostas de contratações, nem sempre vantajosas para os atletas que já trabalhavam. Certa feita, tanto o Galícia quanto o Leônico ofereceram a Pires um salário-mínimo e alojamento em Salvador, além de promessas futuras. Pires, que ganhava três vezes mais como contínuo no Banco Econômico e ainda morava com a mãe, declinou do convite e seguiu jogando pelo Bahia e Seleção de Itajuípe.

Na década de 1980 Pires deixa oficialmente o futebol amador, mas não abandona a bola e continua jogando os babas. Nessa época se transfere para Eunápolis – ainda conhecido como 64, o maior povoado do mundo – e sente falta dos campinhos de bairros. Não conta conversa, pede autorização ao prefeito de Porto Seguro. Aí foi só comprar um fusquinha, colocá-lo numa rifa e construir o Itamarzão.

O goleiro Antônio Pires ocupa lugar de destaque no hall dos grandes craques de Itajuípe, a exemplo de Zequinha Preto, Parrilha, Piaba, Francisquinho, Sinval, Gérson, Lourinho, Marujo, Caburé, Julinho, Hidelbrando e tantos outros. De logo, vou avisando: não tente marcar compromisso com Pires nos dias de reunião da Loja Maçônica Acácia do Sul, em que é membro há 55 anos; dos seus três babas semanais ou do treino no caiaque, muito menos nos jogos do Vasco da Gama.

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

Itabuna- A Lavagem do Beco do Fuxico Agora é Patrimônio Histórico e Cultural - nachapaquente

 

Itabuna- A Lavagem do Beco do Fuxico Agora é Patrimônio Histórico e Cultural


A partir de agora a tradicional Lavagem do Beco do Fuxico de Itabuna, passa à imortalidade. Por meio da sanção à Lei Municipal nº 2.606 publicada no Diário Oficial eletrônico desta terça-feira, dia 18, o prefeito Augusto Castro faz saber que a Câmara Municipal de Vereadores aprovou projeto da vereadora Wilmacy Oliveira. Por conta disso, a Lavagem do Beco do Fuxico fica declarada como patrimônio histórico e cultural, de natureza imaterial do Município de Itabuna, 

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devendo ser registrado, através da Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania – FICC, em livro próprio. As despesas decorrentes da execução desta Lei ocorrerão por conta de dotações orçamentarias próprias, suplementadas se necessário. 



O empresário e carnavalesco Nérope Martinelli escreveu artigo em que relatou que no início da década de 1980, o  despachante e ex-jogador de futebol Abelardo Moreira, Bel,  no seu escritório na Travessa Adolfo Leite (Beco do Fuxico), recebeu a visita do amigo engenheiro Roberto Carlos Godygrover Bezerra (Malaca), morador de Salvador, que lhe relatou a lavagem do Beco Maria da Paz, o que evoluiu para a  criação da Lavagem do Beco do Fuxico.



Reduto da boemia itabunense, a Adolfo Leite concentra o ABC da Noite,  do lendário Caboclo Alencar, e outros bares que ao meio-dia e aos finais de tarde de segunda a sábado, se enchem de amigos e clientes para o papo, a cervejinha, a batida de sabores de frutas tropicais e claro, a resenha diária sobre variados assuntos, incluindo futebol e casos prosaicos da cidade.  



Para a realização inicial da Lavagem, com o fechamento do Beco, vassouras, carros-pipa e a cal para pichamento do pisos da travessa, foram decisivas as contribuições dos ex-secretários municipais Fernando Teixeira Barreto e Cláudio Macedo, Esportes e Turismo e Administração, respectivamente. 


Como conta Martinelli no texto publicado em fevereiro de 2019, um  encontro no bar do Batuta  reuniu Cambão, Dudu, Giru, Pinguim, Peru pintor, Claudir, Manoel Estia, Alemão, Geraldo Caçolinha (bloco Maria Rosa), Nilton Ramos (Jega  Preta) e ele próprio, ambos do bloco carnavalesco Casados I…Responsáveis. “A primeira rodada de cerveja foi paga por Nelito Carvalho e Caboclo Alencar que, além do apoio à ideia, contribuiu com um litro de batida”, escreveu.


O projeto  da vereadora Wilmaci Oliveira foi sugestão ao mandato do presidente do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Itabuna (CMPCI), Egnaldo Ferreira França, tendo recebido apoio de comerciários, mestres capoeiristas, artistas, jornalistas, professores, intelectuais, advogados, médicos e outros profissionais que no dia a dia descarregam ansiedades, interagem com as pessoas e curtem o contato no ABC da Noite e barzinhos da artéria agora imortalizada.

TBTs do Beco do Fuxico