sexta-feira, 6 de setembro de 2024

A Crônica de Walmir Rosário - A Estreia do Itabuna No Campeonato de Profissionais

 

A ESTREIA DO ITABUNA NO CAMPEONATO DE PROFISSIONAIS

 
O início do Itabuna no velho Campo da Desportiva

Por Walmir Rosário*

No início do ano de 1967 os homens que comandavam o futebol amador de Itabuna são convencidos pelos dirigentes da Federação Bahiana de Futebol e dos clubes de Salvador e Feira de Santana a disputar o futebol profissional. Após dezenas de reuniões, em que a tônica era elevar o nome de Itabuna ao cenário nacional esportivo com o que existia de craques na cidade, aceitaram o desafio.

Em 23 de maio de 1967, finalmente, o Itabuna Esporte Clube é fundado e estava pronto para disputar o Campeonato Baiano daquele ano como um dos 14 participantes. Agora se encontrava de igual para igual com o Bahia, Vitória, Botafogo, São Cristóvão, Leônico, Ypiranga e Galícia (Salvador), além do Fluminense, Bahia (Feira de Santana), Conquista Esporte Clube (V. da Conquista), Flamengo, Colo-Colo e Vitória (Ilhéus).

E finalmente o Itabuna estreia no Campeonato Baiano de Futebol Profissional no dia 4 de junho de 1967, com a vitória de 1X0 contra o São Cristóvão, gol de Nélson, no campo da Desportiva. No próximo domingo (11), torcida entusiasmada, o time volta ao campo da Desportiva para enfrentar o Botafogo, com mais uma vitória em casa, pelo placar de 1X0, gol de Bal.

Na quinta-feira (15-06) enfrentou o Flamengo de Ilhéus no Mário Pessoa e sofreu a primeira derrota como profissional por 3X1, gols de Jurandi, Clemente e Zé Pequeno, para os ilheenses, e Bal para o Itabuna. Em seguida (06-07) ganhou para o Bahia de Feira na casa do adversário por 2X1, gols de Carlos Riela e Déri (Ita) e Almir (BF); e venceu o Vitória da capital por 2x1, em Itabuna (20-07), com gols de Neném e Nélson (Ita) e Itamar (V).

No próximo jogo (27-07) o Itabuna volta a vencer, e desta vez a vítima foi o Conquista, que levou 3X1, no campo da Desportiva, com gols de Danielzão, Déri e Bal (Ita), e Piolho (Conq). Em 3 de agosto, o Itabuna vai a Feira de Santana e empata com o Fluminense em 0X0. Em pleno estádio Mário Pessoa o Itabuna vence o Vitória ilheense pelo placar de 1x0, gol de Batuqueiro. Em 20 de agosto empata com o Ypiranga no campo da Desportiva por 1x1, com gols de Batuqueiro (Ita) e André Catimba (Ypi).

No próximo jogo (31-08), contra o Colo-Colo, em Ilhéus, o Itabuna não teve sorte e perdeu por 1X0, gol de Ronaldo (CC). No dia 7 de setembro, em Salvador, empata com o Galícia por 2X2, com gols de Florizel e Déri (Ita) e Nélson e Enaldo (Gal). Ainda na capital baiana, no dia 10 de setembro perde para o Bahia por 3X1, gols de Zé Eduardo, Manezinho e Canhoteiro (Ba) e Florizel (Ita). No último jogo do primeiro turno (01-10) empata com o Leônico em 2X2, com gols de Itajaí (contra) e Gajé (Leo), e Maranhão (Ita).

Com esses resultados o Itabuna estreia no profissionalismo e termina o primeiro turno na quinta colocação, com 16 pontos, sendo seis vitórias, quatro empates e três derrotas. Nos 13 jogos disputados marcou 17 gols, sofreu 15 e manteve saldo de apenas dois gols. Foi um resultado bastante positivo, pois encerrou o primeiro turno como a equipe do interior melhor colocada.

Nos jogos de volta do segundo turno, o Itabuna inicia bem aplicando 2X0 no Flamengo de Ilhéus (08-10), gols de Maranhão; empata com o Leônico por 1X1, também no campo da Desportiva (15-10), gols de Carlos Riela (Ita) e Catu (Leo). Em casa, torna a empatar com o Bahia de Feira por 1X1, gols de Fernando Riela (Ita) e Maromba (BF); e perde para o Bahia da capital por 2X0, em 5 de novembro, com gols de Elizeu e Alencar. Já em 12 de novembro, em jogo com mando de campo invertido, aplica 3X1 no São Cristóvão, na Desportiva, com 3 gols de Florizel (Ita) e Iaúca (SC).

Outro placar favorável ao Itabuna em frente sua torcida foi contra o Vitória de Ilhéus, pelo placar de 3X0, 2 gols de Maranhão e 1 de Carlos Riela. Jogando em Salvador empata com o Botafogo em 2X2 (01-12), com 2 gols de Florizel (Ita), Nílson e Ronaldo (Bot). Em Vitória da Conquista perde por 2X1 para o Conquista (17-12), gols de Durvalino e Dão (Conq) e Fernando Riela (Ita). Em 28 de janeiro de 1968, valendo pelo mesmo campeonato, empata com o Ypiranga, por 0X0, em Salvador; e em 11 de fevereiro cai diante do Galícia por 2X0, no campo da Desportiva, gols de Santinho (contra) e Carlinhos Gonsálves (Gal).

Ainda no campo da Desportiva, no dia 18 de fevereiro, o Itabuna enfrenta o Vitória e empata em 1X1, com gols de Danielzão e Arcângelo (contra); e no jogo seguinte (03-03) perde para o Fluminense de Feira por 1X0. No segundo turno o Itabuna não obteve o mesmo resultado positivo do primeiro e fica na sétima classificação (duas abaixo), com 12 pontos, sendo seis vitórias, seis empates e quatro derrotas. Marcou 16 gols, sofreu 15, com apenas um de saldo positivo.

Apesar da queda do rendimento no segundo turno, o Itabuna manteve a quinta colocação no campeonato de 1967, o primeiro que disputou, embora tenha perdido na classificação dos times do interior, liderada pelo Flamengo de Ilhéus, em quarto lugar, com um ponto a mais que o escrete itabunense. Entre os artilheiros do campeonato, Florizel marcou 7 gols; Maranhão, 5; Carlos Riela, Bal e Déri, 3 gols; Fernando Riela, Danielzão, Batuqueiro e Nélson, 2; Neném 1 gol. Itajaí, Santinho e Arcângelo marcaram 1 gol contra, cada.

E a direção do Itabuna Esporte Clube colocou um time em campo, formado basicamente pelos jogadores oriundos da seleção amadora, com alguns reforços: Goleiros – Luiz Carlos, Betinho; lat. dir. – De Aço, Neném, Roberto, Miltinho e Nocha; zag. – Itajaí, Ivan, Santinho, Ronaldo e Clésio; lat. Esq. – Caxinguelê, Leto e Zito; meio-campistas - Arcângelo, Déri, Carlos Riela, Lua Riela, Nélson e Bel; atacantes - Neves, Maranhão, Raimundo, Vandinho, Fernando Jorge, Firmino, Fernando Riela, Batuqueiro, Danielzão, Pinga e Florizel; técnicos – Luiz Negreiros e Tombinho.

*Radialista, jornalista e advogado


quarta-feira, 4 de setembro de 2024

F. Scott Fitzgerald em "O Grande Gatsby"

 F. Scott Fitzgerald em "O Grande Gatsby"

"A vida é uma série de experiências que nos levam a uma única conclusão: o passado nunca é morto. Ele nem mesmo é passado"

F. Scott Fitzgerald em "O Grande Gatsby"
Esse trecho de Fitzgerald ressoa de maneira contundente, revelando a complexa relação entre o tempo, a memória e a identidade. Essa reflexão nos convida a considerar como o passado molda não apenas nossas experiências individuais, mas também a totalidade da nossa existência.
Ao longo da vida, cada experiência vivida se inscreve em nossa memória, criando um mosaico complexo que compõe quem somos. O que entendemos como passado não é uma entidade distante, morta e sepultada, mas sim um elemento vivo e pulsante que continua a influenciar nossas decisões, emoções e interações. Este conceito se desdobra em múltiplas dimensões: desde as lembranças que nos assombram até as lições aprendidas que nos guiam.
Fitzgerald, ao explorar a vida de Jay Gatsby, ilustra essa dinâmica de forma magistral. Gatsby está preso a um ideal romântico e nostálgico que se origina de um passado que ele não consegue deixar para trás. Sua incessante busca por Daisy Buchanan não é apenas uma tentativa de recuperar um amor perdido, mas também de reaver uma versão de si mesmo que foi moldada por experiências passadas. Nesse sentido, o passado não é um mero registro cronológico; é um tecido que permeia o presente, influenciando nossas aspirações e anseios.
A reflexão sobre o passado nos leva, inevitavelmente, à questão da identidade. Quem somos senão a soma de nossas experiências? Cada decisão que tomamos, cada caminho que escolhemos, é, em última análise, uma manifestação dos ecos de nosso passado. Os traumas não resolvidos, as alegrias efêmeras e as experiências marcantes se entrelaçam em uma teia complexa que nos define, tornando o presente um campo de batalha onde lutamos com as sombras do que já fomos.
Além disso, a ideia de que o passado "nem mesmo é passado" sugere que a linearidade do tempo é, em muitos aspectos, uma ilusão. O nosso presente é frequentemente invadido por recordações que emergem em momentos de reflexão, alegria ou dor. O que vivemos não se desintegra; em vez disso, permanece como um espectro que assombra ou ilumina nossos dias. Isso pode se manifestar em formas tão diversas quanto o arrependimento por decisões tomadas, a nostalgia por tempos mais simples ou até mesmo a saudade de relações que já não existem.
Assim, a vida se revela como um ciclo constante de revisitação e reinterpretação. À medida que avançamos, somos convocados a confrontar as experiências passadas, a revisitar os lugares que habitamos em nosso ser. Essa interação entre o presente e o passado não deve ser vista apenas como um fardo, mas também como uma oportunidade de crescimento e autoconhecimento. Na medida em que nos tornamos conscientes dos padrões que emergem de nossas experiências, temos a chance de transformar a dor em sabedoria e a nostalgia em inspiração.
Portanto, ao refletir sobre a afirmação de Fitzgerald, vislumbramos a condição de abraçar a complexidade de nossa própria existência. O passado, longe de ser um obstáculo, é um componente essencial de nossa jornada. Ele nos ensina, nos molda e, por fim, nos revela a essência da condição humana: a luta constante entre o que fomos, o que somos e o que aspiramos a ser. Essa interação é, por fim, o que confere profundidade e significado à nossa experiência de vida.
Oliver Harden
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sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Itajuípe minha Pátria

 


Meu nome é Cláudio Marcelo da Luz Souza, nome poético "Cláudio Luz".

Nasci em Itajuípe-Bahia, sul da Bahia, terra dos sem fim como denominou Jorge Amado em uma de suas obras.

Por profissão sou Contabilista aposentado, poeta e blogueiro, sou historiador do meu município Itajuípe (antes Pirangi), que significa Em tupi, "rio vermelho".

Minha cidade é banhada pelo Rio Almada e temos dois lagos naturais na entrada da mesma.

Esta é uma das minhas poesias:

Logo, existo

 


Teceste-me às margens do Almada.

Fizeste-me Ser.

Cobriste-me com o calor do meio-dia,

Amamentando-me com os seios

Da própria terra-mater que criastes.

Já não sou Eu, somos Nós,

Alegres, como em contínuas farras de felicidade,

Embriagando-nos de alegria e bem-querer.

Logo, existo.

Uno, no sentido que o Almada escoa

Em noites de paz, não de insônias.

E, ao contemplar o dia raiando que nos atrai

Para a doce Itajuípe banhada, penso

Agora existo...

Fiz-me poeta no início da década de 70, tendo hoje em meu catalogo + ou – 1.500, poesias.

Participei de várias antologias regionais e tive inúmeras poesias publicadas em jornais de grande circulação da região cacaueira.

Sou também conterrâneo do imortal Adonias Filho cuja cronologia dele Descrevo abaixo:

 Cronologia do escritor Itajuipense Adonias Filho

 1915 - Nasce Adonias Filho em 27 de novembro, em Itajuípe, antigo Pirangi, vila que pertencia ao município de Ilhéus, no sul da Bahia. Filho de Adonias Aguiar e Rachel Bastos de Aguiar. 1934 - Conclui o curso secundário no Ginásio Ipiranga, em Salvador. 1936 - Muda-se para o Rio de Janeiro e inicia a carreira de jornalista no ano seguinte, colaborando no Correio da Manhã. 1938 - Assume a crítica literária de os Cadernos da Hora Presente, de São Paulo. Colabora em O Jornal, dos Diários Associados (Rio), e traduz O Pântano do Diabo, de George Sand, A Família Bronte, de Robert de Traz, e trabalha na tradução de três romances de Jacob Wassermann: Galovin, Gaspar Hauser e O Processo Maurizius, em colaboração com Otávio de Faria. 1944 - Exerce a crítica literária no jornal A Manhã e colabora no Jornal do Comércio, do Rio, e Estado de São Paulo e Folha da Manhã, de São Paulo. 8 1945 - Casa-se com Rosa Galeano. 1946 - Designado para dirigir a editora A Noite, onde permanece até 1950. Faz sua estreia como romancista com Os Servos da Morte, publicado pela José Olympio. 1948 - Nasce a filha Raquel. 1950 - Nasce o filho Adonias Neto. 1952 - As Edições O Cruzeiro publica Memórias de Lázaro, romance. 1954 - É nomeado diretor do Serviço Nacional do Teatro. 1955 - É designado para diretor substituto do Instituto Nacional do Livro. 1956 - Retorna em nova nomeação ao cargo de diretor do Serviço Nacional do Teatro. No mesmo ano pede demissão. 1957 - Faz crítica literária no Jornal de Letras, de Elysio Condé, e no Diário de Notícias, do Rio. 1961 - Nomeado como diretor geral da Biblioteca Nacional. 1962 - Publica pela Editora Civilização Brasileira seu terceiro romance, Corpo Vivo, sucesso de crítica, despertando os primeiros estudos sobre a sua obra. 1964 - É designado para, como diretor da Biblioteca Nacional, responder pelo expediente da Agência Nacional, do Ministério da Justiça. 1965 - Publica O Forte, romance. No dia 14 de janeiro é eleito para a cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras. Agraciado com a Ordem do Mérito Militar, no grau de Comendador, no Corpo de Graduados Especiais. 1966 - Eleito vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa. 1967 - Participa do II Congresso das Comunidades de Cultura Portuguesa, em Moçambique, na África, como convidado do governo português. 9 Visita os Estados Unidos. A Universidade do Texas adquire os direitos autorais de Memórias de Lázaro, já traduzido por Fred Ellison. Curt Mayer Clason traduz e a editora alemã Econ-Claassen publica O Forte. A editora Europa-América, de Lisboa, adquire os direitos autorais para este mesmo romance. É designado como membro do Conselho Federal de Cultura. 1968 - Com Léguas da Promissão, novelas, recebe o Prêmio Paula Brito. Conquista o Golfinho de Ouro de Literatura, prêmio patrocinado pelo Museu da Imagem e do Som da Guanabara. 1969 - Conquista com Léguas da Promissão o prêmio da Fundação Educacional do Paraná. Publica O Romance Brasileiro, livro de ensaios. 1971 - Publica Luanda Beira Bahia, primeiro romance em nossas letras com o cenário caracterizado em três latitudes. 1973 - Publica Uma Nota de Cem, seu primeiro livro para crianças. 1975 - Lança As Velhas, considerado obra-prima pela crítica, e que lhe rende o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, São Paulo. 1976 - Publica o ensaio Sul da Bahia: Chão do Cacau. 1978 - A Civilização Brasileira edita Fora da Pista, novela para o público juvenil. 1981 - Publica o Auto dos Ilhéus, edição para comemorar o Centenário da Cidade sul baiana, e O Largo da Palma, contos e novelas. 1983 - Publica Noite sem Madrugada, romance policial, com cenas, situações e episódios que acontecem no Rio. Recebe o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia. 1985 - Permanece residindo no Rio, mas visita mais vezes sua fazenda Aliança, perto de Itajuípe. Publica Um Coquinho de Dendê, destinado ao leitor infantil. 1987 - Publica O Homem de Branco, biografia romanceada de Jean-Henri Dumont, o suíço fundador da Cruz Vermelha. 1990 - Vende, em definitivo, os direitos autorais de Os Bonecos de Seu Pope, livro infantil, às Edições de Ouro, para custear a doença da esposa Rosa Galeano, que vem a falecer. Na sua fazenda Aliança falece, em 2 de agosto do mesmo ano. 1993 - A novela O Menino e o Cedro, juvenil, é publicada pela Editora FTD, em edição póstuma.

Aqui na minha cidade aconteceram as locações dos filmes "Os Deuses e os Mortos, de Ruy Guerra, Os Magníficos e A Coleção Invisível, do renomado cineasta francês, Bernard Attal.

Tivemos no primeiro as presenças de Othon Bastos, Dina Sfat, Norma Benguell, Milton Nascimento entre outros. Na Coleção Invisível, tivemos como ator principal Wladimir Britcha,

e de Walmor Chagas e Paulo Cesar Pereio, em suas últimas aparições antes de falecer.

História de Pirangi/Itajuípe


O atual município de Itajuípe tem suas origens na região do Sequeiro do Espinho, que pertencia a Ilhéus e se estendia até o município de Iguaí. O povoamento do território iniciou-se no final do século XIX, com a chegada dos primeiros pioneiros, que iniciaram o desmatamento e a formação de fazendas de cacau. Por volta de 1918, outras famílias se estabeleceram à margem direita do Rio Almada, iniciando o povoado Pirangi.

Em 1930, instalou-se uma subprefeitura no arraial de Pirangi, subordinada ao município de Ilhéus. O nome foi alterado em 1943 para Itajuípe, vocábulo tupi que significa rio das pedras. O município foi desmembrado em 1962 para formar o a cidade de Barro Preto.

Formação Administrativa

Distrito criado com a denominação de Pirangi, pelo Decreto Estadual n.º 8678, de 13-10-1933, subordinado ao município de Ilhéus.
Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o distrito de Pirangi, figura no município de Ilhéus.
Assim permanecendo em divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937.
Pelo Decreto-lei Estadual n.º 141, de 31-12-1943, confirmado pelo Decreto Estadual n.º 12978, de 01-06-1944, o distrito de Pirangi tomou a denominação de Itajuípe.
Em divisão territorial datada de 1-VII-1950, o distrito de Itajuípe (ex-Pirangi), figura no município de Ilhéus.
Elevado à categoria de município com a denominação de Itajuípe, pela Lei Estadual n.º 507, de 12-12-1952, desmembrado de Ilhéus. Sede no antigo distrito de Itajuípe. Constituído de 3 distritos: Itajuípe e Barro Preto, ambos desmembrados de Ilhéus.
Pela Lei Estadual n.º 628, de 30-12-1953, o município de Itajuípe adquiriu do município de Ilhéus o distrito de Bandeira do Almada (ex-União Queimada), alterado pela mesma lei acima citada.
Em divisão territorial datada de 1-VII-1955, o município é constituído de 3 distritos: Itajuípe, Bandeira do Almada e Barro Preto.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 1-VII-1960.
Pela Lei Estadual n.º 1678, de 17-04-1962, desmembra do município de Itajuípe o distrito de Barro Preto. Elevado à categoria de município.
Em divisão territorial datada de 31-XII-1963, o município é constituído de 2 distritos: Itajuípe e Bandeira do Almada.
Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2015.

Pirangi/Itajuípe

pirangiense


1. Indivíduo nascido ou que vive em Pirangi.
2. De Pirangi; típico dessa cidade ou de seu poi (Ba)vo.

 

Itajuipense pirangiense


(Ita-ju-i-pense)


1. Indivíduo nascido ou que vive em Itajuípe (Ba).

a2g.

2. De Itajuipe; típico dessa cidade ou de seu povo.

 

Itajuípe (Pirangi) é assim, e essa é a minha história.

Topônimo

O topónimo Itajuípe é de origem indígena e significa "caminho das águas entre pedras e espinhos". A palavra é composta por: 

  • Ita: Significa "pedra" 
  • Ju: Significa "espinho" 
  • Y: Significa "água" 
  • Pè: Significa "caminho" 

O nome representa a região do rio Almada, que era cheia de pedras e espinhos e servia como caminho de saída da cidade. 

A história do município de Itajuípe é a seguinte: 

  • O povoado Sequeiro do Espinho, que pertencia a Ilhéus, foi estabelecido no final do século XIX 
  • Em 1918, o povoado Sequeiro do Espinho passou a ser chamado de Pirangi 
  • Em 1930, Ilhéus instalou uma subprefeitura em Pirangi 
  • Em 1943, o município passou a ser chamado de Itajuípe 
  • Em 1952, o município foi desmembrado de Ilhéus e emancipado politicamente e administrativamente 

Cronologia do escritor Itajuipense Adonias Filho

Cronologia do escritor Itajuipense Adonias Filho

 

1915 - Nasce Adonias Filho em 27 de novembro, em Itajuípe, antigo Pirangi, vila que pertencia ao município de Ilhéus, no sul da Bahia. Filho de Adonias Aguiar e Rachel Bastos de Aguiar. 1934 - Conclui o curso secundário no Ginásio Ipiranga, em Salvador. 1936 - Muda-se para o Rio de Janeiro e inicia a carreira de jornalista no ano seguinte, colaborando no Correio da Manhã. 1938 - Assume a crítica literária de os Cadernos da Hora Presente, de São Paulo. Colabora em O Jornal, dos Diários Associados (Rio), e traduz O Pântano do Diabo, de George Sand, A Família Bronte, de Robert de Traz, e trabalha na tradução de três romances de Jacob Wassermann: Galovin, Gaspar Hauser e O Processo Maurizius, em colaboração com Otávio de Faria. 1944 - Exerce a crítica literária no jornal A Manhã e colabora no Jornal do Comércio, do Rio, e Estado de São Paulo e Folha da Manhã, de São Paulo. 8 1945 - Casa-se com Rosa Galeano. 1946 - Designado para dirigir a editora A Noite, onde permanece até 1950. Faz sua estréia como romancista com Os Servos da Morte, publicado pela José Olympio. 1948 - Nasce a filha Raquel. 1950 - Nasce o filho Adonias Neto. 1952 - As Edições O Cruzeiro publica Memórias de Lázaro


, romance. 1954 - É nomeado diretor do Serviço Nacional do Teatro. 1955 - É designado para diretor substituto do Instituto Nacional do Livro. 1956 - Retorna em nova nomeação ao cargo de diretor do Serviço Nacional do Teatro. No mesmo ano pede demissão. 1957 - Faz crítica literária no Jornal de Letras, de Elysio Condé, e no Diário de Notícias, do Rio. 1961 - Nomeado como diretor geral da Biblioteca Nacional. 1962 - Publica pela Editora Civilização Brasileira seu terceiro romance, Corpo Vivo

, sucesso de crítica, despertando os primeiros estudos sobre a sua obra. 1964 - É designado para, como diretor da Biblioteca Nacional, responder pelo expediente da Agência Nacional, do Ministério da Justiça. 1965 - Publica O Forte, romance. No dia 14 de janeiro é eleito para a cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras

. Agraciado com a Ordem do Mérito Militar, no grau de Comendador, no Corpo de Graduados Especiais. 1966 - Eleito vice-presidente da Associação Brasileira de Imprensa. 1967 - Participa do II Congresso das Comunidades de Cultura Portuguesa, em Moçambique, na África, como convidado do governo português. 9 Visita os Estados Unidos. A Universidade do Texas adquire os direitos autorais de Memórias de Lázaro, já traduzido por Fred Ellison. Curt Mayer Clason traduz e a editora alemã Econ-Claassen publica O Forte. A editora Europa-América, de Lisboa, adquire os direitos autorais para este mesmo romance. É designado como membro do Conselho Federal de Cultura. 1968 - Com Léguas da Promissão, novelas, recebe o Prêmio Paula Brito. Conquista o Golfi nho de Ouro de Literatura, prêmio patrocinado pelo Museu da Imagem e do Som da Guanabara. 1969 - Conquista com Léguas da Promissão o prêmio da Fundação Educacional do Paraná. Publica O Romance Brasileiro, livro de ensaios. 1971 - Publica Luanda Beira Bahia, primeiro romance em nossas letras com o cenário caracterizado em três latitudes. 1973 - Publica Uma Nota de Cem, seu primeiro livro para crianças. 1975 - Lança As Velhas, considerado obra-prima pela crítica, e que lhe rende o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, São Paulo. 1976 - Publica o ensaio Sul da Bahia: Chão do Cacau. 1978 - A Civilização Brasileira edita Fora da Pista, novela para o público juvenil. 1981 - Publica o Auto dos Ilhéus, edição para comemorar o Centenário da Cidade sul baiana, e O Largo da Palma, contos e novelas. 1983 - Publica Noite sem Madrugada, romance policial, com cenas, situações e episódios que acontecem no Rio. Recebe o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia. 1985 - Permanece residindo no Rio, mas visita mais vezes sua fazenda Alian 10 ça, perto de Itajuípe. Publica Um Coquinho de Dendê, destinado ao leitor infantil. 1987 - Publica O Homem de Branco, biografi a romanceada de Jean-Henri Dumont, o suíço fundador da Cruz Vermelha. 1990 - Vende, em defi nitivo, os direitos autorais de Os Bonecos de Seu Pope, livro infantil, às Edições de Ouro, para custear a doença da esposa Rosa Galeano, que vem a falecer. Na sua fazenda Aliança falece, em 2 de agosto do mesmo ano. 1993 - A novela O Menino e o Cedro, juvenil, é publicada pela Editora FTD, em edição póstuma.

Os conterrâneos de AdoniasFilho: Manoel Leal, Helio Nunes e Jorge Amado
Horarias recebidas por Adonias Filho




quinta-feira, 29 de agosto de 2024

NA CONFRARIA D’O BERIMBAU ERA ASSIM

 

NA CONFRARIA D’O BERIMBAU ERA ASSIM

Turrão e Tolé, ídolos do passado na Confraria d'O Berimbau 

 Por Walmir Rosário*

Reafirmo que muito já foi dito, contado e recontado sobre a Confraria d’O Berimbau, instituição recreativa, etílica e cultura da vida mundana de Canavieiras. Porém, consta dos anais que os frequentadores jamais abandonam o recinto, a não ser por causa mortis, embora digam alguns dos mais exaltados confrades, que eles continuam a povoar o local, agora meramente em espírito.

Mas esse é um assunto que não costumo discutir por não ter habilidade, competência, especialização ou comprometimento com temas que envolvam o plano espiritual. Reconheço que me faltam essas e outras características, mas não deixo de meter minha colher em temas quase tão relevantes como esses, e jamais me furtarei em discorrer sobre frequentadores ainda lépidos e faceiros, mas reconhecidamente fora das atividades etílicas.

E posso falar de cátedra, pois tenho amigos tantos que após muita labuta na parte de fora dos balcões dos botequins, hoje se encontram ausente das pelejas, afastados pelos mais diversos motivos. Posso até comparar com o futebol, em que alguns pedem para sair, enquanto outros são retirados pelos técnicos, por não se comportarem bem em campo.

É uma questão individual, bem sei, embora não me conforme em perder parceiros de uma vida inteira, que mais que de repente, aplicam um drible da vaca nos parceiros e se retiram do boteco. Conheço mais que uma dúzia de seduzidos pela religião, obrigados pelos discursos das lideranças espirituais a se afastarem, definitivamente, desse nosso restrito convívio.

Outros tomaram essas tresloucadas atitudes por vontade própria, quem sabe com os aconselhamentos de pé de orelha da patroa, com toda a razão. Mas existem outros tantos que ainda não consegui identificar quais os motivos que os levaram a romper com as coisas boas da vida, deixadas por Deus para todos os filhos, sem distinção, acredito eu.

Desses últimos, alguns, sem mais nem menos, sequer se esforçaram em fazer uma visita aos amigos nos locais de costume, que no caso da Confraria d’O Berimbau, aos sábados, preferencialmente ao meio-dia em pino. Festejo aqui outros nessa mesma classe que não se fazem rogados em comparecer em datas festivas, cumprimentam jogam uma conversa fora e vão embora.

Não pretendo impingir a alguns a pecha de algum defeito ou vício, e até acredito que alguns cometam essas ausências por simples bizarria ou excentricidade. Dos desaparecidos nas atividades etílicas da Confraria d’O Berimbau, mereceram distinção e louvor alguns desses valorosos quadros retirados dos campos etílicos os cunhados Turrão (José Albertino Bonfim de Lima) e Tolé (Antônio Amorim Tolentino).

Convidados para alguma efeméride ou simples data comemorativa não se furtavam em dar o ar da graça com suas presenças. Com inteligência, levam algumas latas de cerveja sem álcool e não se fazem de rogados em abri-las com aquele conhecido barulho ao retirar os lacres. Mais que isso, Turrão e Tolé participavam ativamente da degustação do filé mal assado preparado com esmero por Zé do Gás.

Com toda e serenidade, cumprimentavam a todos os ex-colegas de copo, buscavam assento à mesa ou cadeiras que melhor lhes convinham e faziam de conta que nada mudou. Contavam histórias e estórias, fiscalizavam o velho e surrado caderno de contas e o livro de atas, tudo na mais perfeita sintonia, como se os velhos costumes estivessem mortos e enterrados.

Até hoje não faltam os efusivos convites à dupla (Turrão e Tolé) para retornar às atividades etílicas, por serem considerados quadros valorosos, daqueles bastantes disputados em convites, escolhidos de primeira como na escolha “dos babas” de antigamente. Apenas gracejam das propostas e garantem ser fruto de um passado que não volta mais, bananeira que deu cacho.

Como no futebol, são aposentadorias sentidas, consideradas precoces que não se coadunam com a qualidade de cada um deles. Mas assim é a vida, mudam os costumes, não apenas os relegam como sendo uma atividade a esconder, mas acreditam que o presente é outro. Para tanto, dão uma olhada no retrovisor para garantir as ações do futuro. Sem traumas.

Turão e Tolé, dois ídolos da boemia do passado em Canavieiras.

*Radialista, jornalista e advogado.

quinta-feira, 22 de agosto de 2024

A HONRA DA SELEÇÃO DE ITABUNA LAVADA A CERVEJA - Por Walmir Rosário

 

A HONRA DA SELEÇÃO DE ITABUNA LAVADA A CERVEJA

Uma das formações da Seleção de Itabuna da época. 
Luiz Carlos, Abiezer, Zé David, Carlos Alberto, Leto e
Ronaldo; Jonga, Santinho, Gajé, Carlos Riela e Fernando Riela.

Por Walmir Rosário*

A cada jogo da Seleção Amadora de Itabuna a torcida comemorava em duas festas: a vitória dentro de campo e as intermináveis festanças pelas ruas das cidades, tanto em Itabuna ou nas casas adversárias. Não importava o local, os efusivos festejos eram garantidos pelos resultados positivos. Nos terreiros alheios Itabuna sempre “cantava de galo”.

E esses rituais eram sagrados e garantidos pela força da torcida que acompanhava o escrete alvianil. Um substancial exemplo foi a festança em comemoração à conquista do Hexacampeonato Baiano de Futebol Amador, em Alagoinhas. Embora a festa tivesse sido preparada pelo adversário, os itabunense festejaram até o dia raiar como se estivesse em casa.

E dentre a grande comitiva que acompanhava a Seleção de Itabuna, dirigentes e torcedores dos mais diferentes níveis sociais, o que fazia a diferença. Como queria o escritor francês Alexandre Dumas em Os Três Mosqueteiros, era “um por todos, e todos por um”. E assim as festas rolavam até que voltassem a Itabuna, onde a comemoração continuava sem horário para encerrar.

No Campeonato Baiano de 1964, a Seleção de Itabuna disputou a final com a Seleção de Feira de Santana. No primeiro jogo, realizado em Itabuna, Feira de Santana foi goleada pelo placar de 4X0, três gols de Gajé e um de Santinho. Foi um passeio completo. Para ficar com a taça, poderia até perder para o selecionado da Princesa do Sertão por um placar menor.

Afrânio Souza Lima
E em Feira de Santana Itabuna perde para o selecionado local por 1X0, após o árbitro, caprichosamente, anular três gols do craque Fernando Riela. Como o regulamento do campeonato foi modificado, as duas equipes teriam que disputar uma terceira partida, justamente no estádio Joia da Princesa. Mais um osso duro de roer. Menos para Afrânio Souza Lima, que não jogava conversa fora e acreditava no penta.

Para os craques itabunense a mudança não faria diferença e o que somente importava era ganhar o jogo e levar mais uma taça para Itabuna. No terceiro jogo, Itabuna entra em campo para ganhar e pouco se importou com a pressão dos feirenses que lotavam o estádio. Apesar de pequena, a torcida itabunense era barulhenta e incentivava a seleção em mais uma brilhante vitória por 3X1.

Se em campo a guerra era intensa, nas arquibancadas não era diferente e os itabunenses confiavam na vitória. Um deles era Afrânio Lima, cacauicultor e pecuarista que acompanhava a Seleção de Itabuna em todos os jogos. Mais do que a simples presença, gostava de desafiar os adversários, os chamando para apostar. E ainda oferecia vantagem.

E neste dia Afrânio Lima estava possesso, pois tinha perdido algumas apostas no jogo anterior (manipulado, dizia), inclusive uma joia com um brilhante caríssimo. Mas Afrânio estava confiante na vitória e não regateou: apostou todo o dinheiro que carregava numa pequena maleta. Saiu do estádio com a maleta e os bolsos entupidos de dinheiro dos torcedores feirenses. “Patos”, dizia.

Era chegada a hora da festa e ninguém sabia comemorar mais que Afrânio Lima. Saiu do estádio e foi o primeiro a chegar à boate contratada para a comemoração da vitória da Seleção de Itabuna. E entre as primeiras providências tomadas, o fechamento da casa e lavá-la por inteiro com a melhor e mais gelada cerveja. Estava tudo pronto para comemorar o Pentacampeonato Baiano de Amadores.

Assim que os jogadores e comissão técnica iam entrando, passavam pelo banho de cerveja. A festa na boate feirense atravessou a madrugada. Cedo, embarcaram no ônibus da Sulba, especialmente fretado, e uma nova parada para o café da manhã em Sapeaçu. E assim as comemorações continuavam nas sucessivas e providenciais paradas. Festas das boas.

Em Itabuna a multidão aguardava a Seleção Pentacampeã Baiana, em plena segunda-feira, transformada em feriado pelo prefeito Félix Mendonça. Mas os vitoriosos jogadores ainda tinham uma obrigação, entrar na vizinha cidade de Itajuípe e participar do banquete promovido pelo presidente do Bahia local, Oswaldo Gigante. E assim foi feito.

Em Itabuna uma multidão, com charangas a postos para batucar no desfile pelas ruas da cidade, aguardavam os jogadores e torcida na praça Adami. Carro de Bombeiros a postos, os itabunenses se rendiam aos eternos campeões. Já Afrânio Lima, assim que chegou, se despediu dos jogadores e rumou para se encontrar com os amigos no Bar Avenida, de Olímpio, e comemorar. Na farra, abriu a valise e mostrou a vultosa aposta que ganhara dos “patos” feirenses.

Radialista, jornalista e advogado.

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

A Crônica de Walmir Rosário - Direto de Canavieiras

 

RAMON FERNANDES ESTREIA NO ROMANCE COM PEDRA BRANCA

O romance de Ramon Fernandes
(Ramon Foto Charles Kitan)
 

Por Walmir Rosário*

Em apenas duas sentadas – com muito fôlego – li o novíssimo romance “Pedra Branca, sangue e poder”, lançado no último sábado (10-08-24), no restaurante Porto dos Milagres, em Canavieiras, por Ramon Fernandes. O livro marca a estreia do autor na literatura, com uma obra bem engendrada e que contribui para o enriquecimento da intelectualidade regional.

A história é ambientada na fictícia Pedra Branca, pequena cidade interiorana fincada nas barrancas do rio Jequitinhonha, bem na divisa dos estados da Bahia e Minas Gerais. Como todo o romance que busca prender o leitor, já no início nos apresenta um personagem que morre cedo, mas deixa um imenso legado.

A história é bem fiel ao estilo de vida interiorano, com fortes raízes fincadas na família campestre e na pachorra das pequenas cidades, com a predominância dos seus personagens marcantes. E todos estão bem situados, cada um com seus destaques: o padre, os coronéis, os comerciantes, os políticos, o delegado, a dona do bordel, ou casa de conveniência, como queiram.

Ramon Fernandes é formado em Filosofia pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), professor na rede particular de ensino, servidor público municipal da Prefeitura de Canavieiras e ex-secretário de Cultura. Embora com vida fincada em Canavieiras, conhece e viveu em outras cidades regionais, algumas bastante parecidas como a descrita no romance.

Daí é que após a leitura de Pedra Branca, sangue e poder tomei a liberdade e indiscrição ao perguntar ao autor se o livro era oriundo de uma história verdadeira e por ele romanceada. Respondeu que era apenas fruto de sua imaginação – criativa, digo eu, diante do bom argumento, desenvolvimento e ambientação.

Os personagens com vida breve na história saem com dignidade e os longevos sempre aparecem em bons momentos. Não sei se é redundante observar que nas cidades pequenas – no estilo Pedra Branca – as ocorrências são sempre monótonas, contrastando com os fuxicos e brigas normalmente resolvidas entre as partes, no estilo mais agressivo.

As diferenças menores são resolvidas por meio dos conselhos do delegado, que a todos conhece e há muito se tornou amigo. Mas só que mora ou morou em pequenas cidades interioranas, notadamente nas divisas de estados, conhecem de perto as rusgas entre as pessoas influentes e seus apaniguados, que vão desde as questões de terras e as políticas.

E em Pedra Branca as guerras não acontecem somente entre as diversas famílias, mas também dentre um mesmo clã, geralmente derivadas por ciúmes, posição social e riqueza. E essa questão está presente no romance com briga fraticida entre coronéis, sem faltar motivação para a expropriação de terras com o apoio dos revólveres e rifles dos jagunços.

A personalidade feminina aparece com muita distinção e força, desde a coronela, senhora de si e que comanda com mão-de-ferro suas propriedades e família. Com a ajuda de bons jagunços, defende seus bens contra pessoas da própria família; resolve sua vida conjugal de uma hora pra outra após a viuvez; ajuda seus protegidos. Uma mulher resolvida.

Também aparece com altivez e se torna personagem marcante a figura meiga da senhora do delegado, com ares de professorinha, que assume o protagonismo de uma hora pra outra, sem que alguém esperasse. Outra personagem, esposa de um coronel, vítima de maus-tratos, resolve se libertar do jugo do marido, toma uma atitude inesperada e vai viver nova relação. Esta proibida pelas leis dos homens e de Deus.

Não poderia faltar na trama os forasteiros que chegam, encontram oportunidades e as aproveitam. Alguns metem os pés pelas mãos, mas conseguem se segurar devido às habilidades no relacionamento social e político. Mas como sempre nessa vida terrena, a avareza, a inveja e soberba promovem a própria destruição.

Como no juízo final, os personagens ganham o lugar que merecem na história, sem atropelos, de acordo com seus procedimentos. Os maus geralmente acabam na cadeia ou cemitério, os bons continuam distribuindo felicidade, os menos atrevidos sem destaque. Cada qual no seu quadrado, como determina Ramon Fernandes, com minha posterior aprovação. Recomendo.

*Radialista, jornalista e advogado.


Lançamento do romance de Ramon Fernandes