terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Zuzu Angel a busca não acabou


Zuzu Angel


O amor de uma mãe talvez seja a força mais inexplicável que exista. Ele não tem forma, não tem lógica, não tem limite. É o tipo de amor que levanta peso que nem existe no mundo físico, que atravessa portas fechadas, que resiste a governos, que desobedece a qualquer ordem. E é exatamente por isso que a história de Zuzu Angel não cabe numa palavra pequena. Ela é enorme porque começou com o que há de mais simples: uma mãe tentando proteger os filhos.

Zuzu nasceu em 1921, em Curvelo, Minas Gerais, cercada de agulhas, bordados e do trabalho das mãos femininas. Cresceu vendo mulheres criarem beleza com paciência e fibra. Mais tarde, já jovem, mudou-se primeiro para Belo Horizonte e depois para o Rio de Janeiro. Foi no Rio que conheceu Norman Angel Jones, um mecânico de aviões americano. Os dois se apaixonaram, casaram, tiveram três filhos: Hildegard, Ana Cristina e o primogênito, Stuart. O casamento acabou, e Zuzu ficou sozinha com três crianças num país desigual, caro e difícil.

E é aqui que a história dela começa a se tornar gigante, muito antes de qualquer fama.

Zuzu costurava para sobreviver. Costurava para colocar comida na mesa. Costurava para pagar escola. Costurava para não deixar faltar nada. Montava peças em casa, vendia na vizinhança, fazia roupa sob encomenda para conseguir pagar as contas. Era o Brasil das mulheres anônimas que sustentam o mundo com trabalho invisível. E Zuzu era uma delas.

Só que, daquelas linhas, começou a nascer outra coisa.

Um estilo.

Uma identidade.

Uma estética brasileira que ninguém tinha visto antes.

Flores, rendas, cores, pássaros, bordados que respiravam o nosso país.

A costureira virou estilista.

A estilista virou referência.

A referência virou exportação.

E, num salto impossível, Zuzu Angel se tornou uma das primeiras brasileiras reconhecidas internacionalmente na moda. Ela abriu uma loja própria. Desfilou em Nova York. Virou nome em revistas. Criou uma marca. Se tornou símbolo. Mas nenhuma dessas conquistas preparou Zuzu para o que estava por vir.

Porque essa não é a história de uma artista.

É a história de uma mãe.

Stuart, seu filho mais velho, cresceu inteligente, sensível, inconformado com injustiças. Nos anos 60, quando o Brasil mergulhou em repressão, censura e violência de Estado, ele se aproximou dos grupos de resistência. Entrou para o MR-8. Eram tempos em que escolhas políticas não eram teoria: eram risco de vida. Stuart acreditava na liberdade e acreditava que o país precisava enfrentar o autoritarismo. E essa escolha custou tudo.

Em 1971, Stuart foi preso pelo DOI-CODI, no Rio de Janeiro. Não houve direito, não houve defesa. Houve tortura. Há testemunhos de que ele foi amarrado à traseira de um jipe, com a boca presa ao cano de escapamento, e arrastado enquanto aspirava gás tóxico até morrer. É uma crueldade que desmonta até quem só lê sobre ela. Imagine a mãe.

O corpo nunca foi devolvido.

Nunca teve certidão.

Nunca teve túmulo.

Foi apagado, como se desaparecimento fosse solução para crime.

E esse foi o momento exato em que Zuzu deixou de ser apenas uma estilista e se tornou uma força que nenhum regime conseguiu conter.

Zuzu buscou o filho de forma obsessiva. Bateu em quartéis, gabinetes, embaixadas, jornais, igrejas. Levou o nome de Stuart ao Senado dos Estados Unidos, à imprensa internacional, a organizações de direitos humanos. Escreveu cartas. Guardou provas. Reuniu depoimentos. Resgatou testemunhas. E fez o impensável: transformou sua moda em denúncia. Em 1971, apresentou um desfile histórico em Nova York onde suas roupas carregavam tanques, anjos caídos, gaiolas, manchas de sangue, pássaros aprisionados. Era arte, moda e grito. Era dor transformada em tecido.

O Brasil tentou calar.

Zuzu não parou.

E quando uma mãe não recua, o Estado treme.

Em 14 de abril de 1976, Zuzu dirigia seu Karmann-Ghia pela Estrada da Gávea. Um carro a perseguiu. Houve um impacto. Zuzu morreu na hora. O regime chamou de “acidente”. Mas documentos e testemunhos revelados décadas depois mostraram o que todo mundo já sabia: Zuzu Angel foi assassinada pela ditadura militar brasileira, assim como seu filho.

O corpo de Stuart nunca apareceu.

O corpo de Zuzu foi silenciado.

Mas a história dos dois continua falando.

No fim, Zuzu Angel nos deixa uma verdade que não envelhece: nenhum governo, por mais cruel que seja, é maior que o amor de uma mãe. O que fizeram com ela e com Stuart não é política. É humanidade quebrada. É o retrato de um tempo em que falar podia custar a vida, e amar custou duas.

Zuzu enfrentou o Estado com linha, agulha, coragem e dor. E pagou com a própria vida, porque algumas mães não aceitam o silêncio. E silenciam quem ama quando não conseguem apagar quem morreu.

Essa é a história real dela, inteira, pesada, humana e impossível de esquecer.

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A Cronica de Walmir Rosário

 

AS ARTIMANHAS DE TYRONE PERRUCHO E AS NOVELAS DA GLOBO

Tyrone Perrucho prova novo óculos (foto -Júnior Trajano) 

Por Walmir Rosário*

Na sede da Ceplac, na rodovia Ilhéus – Itabuna, Tyrone – ou melhor, Perrucho – era um “boa praça”, sempre disposto a contar uma boa piada, ou simplesmente produzir situações inusitadas, sempre de forma discreta, disfarçada ou dissimulada. Nada que comprometesse ou que tivesse a intenção de prejudicar um colega, e sim a finalidade de alegrar o ambiente. E não foram poucas as vezes em que arquitetou boas safadezas, no bom sentido.

Certa feita, um ceplaqueano se apaixonou pelas novelas da Globo e iniciou a produção de várias, enviando os roteiros para o departamento da Vênus Platinada. Grandes pacotes com as sinopses eram postados nos Correios à vista de todos. Entretanto, não chegava uma simples resposta, nenhuma avaliação, um pedido de mudança, ou que parasse de mandá-las por falta de interesse da emissora.

E esse tratamento indelicado, beirando ao desprezo, começou a afetar o pretenso famoso novelista da Global, que passou a sofrer com a solidão que sentia em seu mundo intelectual. Centenas de páginas eram enviadas, e mesmo com o custo elevado cobrado pelos Correios, e nenhuma reposta. E isso passou a afetar o trabalho do colega, que foi diagnosticado como depressivo.

Certo dia, sem qualquer aviso-prévio, eis que chega um envelope postado no Rio de Janeiro e entregue pelos Correios ao nosso promissor autor de novelas, tendo como remetente o Departamento de Novelas da Rede Globo. Nosso colega escritor quase morre de emoção e, com as mãos trêmulas, abre o envelope, e não acredita no que vê: uma correspondência analisando, meticulosamente, sua última obra.

E mais, muitos elogios pelos trabalhos enviados e os pedidos de desculpas diante da demora do contato, culpa da monumental quantidade de sinopses recebida diariamente e que levavam tempo na análise. Sim, eles eram criteriosos e cada proposta era lida por três profissionais gabaritados, o que levava muito tempo na observação. Mas teria valido a pena, pensou, e já se via fazendo parte da galeria de brilhantes intelectuais televisivos brasileiros.

Em tempo, finalmente, o sucesso tinha chegado. Agora, bastava arregaçar as mangas, pedir a antecipação das férias vencidas à Ceplac e estender noites a dentro para fazer uma criteriosa revisão, conforme solicitavam os dirigentes da Globo. Após longos 45 dias de trabalho, nosso colega novelista envia um novo pacote pelos Correios, com as recomendações de rapidez, pagando uma verba extra ao novo serviço lançado: o Sedex.

Agora era só aguardar a aprovação. Planos para o futuro davam voltas com a rapidez de um avião supersônico em seu cérebro. Em determinados momentos pensava solicitar uma licença sem vencimentos à Ceplac, quem sabe se desligar de vez, pois sabia que não daria conta dos afazeres na instituição e na Rede Globo. Teria que chefiar um grupo de redatores para dar conta da nova novela global.

Enquanto imaginava o sucesso de sua obra em todo o Brasil e, quem sabe, no exterior, chegou a consultar amigos e chefes sobre a possibilidade de sua saída da Ceplac, seus novos planos, mas tudo com muito cuidado. E como o tempo não para, nosso colega começa a se impacientar com a demora da contratação. Três meses e nenhuma correspondência, nenhum contato, sequer as informações pessoais para o envio da passagem aérea para o Rio de Janeiro.

Mas como nesse mundo de meu Deus nada fica permanentemente em segredo, algumas pessoas tomam conhecimento que as correspondências da Rede Globo, apesar do carimbo de postagem do Rio de Janeiro, teria sido realizada em Itabuna, parte dela na sede regional da Ceplac. Mas como explicar o carimbo dos Correios numa agência de uma das grandes avenidas do centro do Rio de Janeiro?

Amarrando as pontas, os colegas chegaram à conclusão de que tudo não passava de uma singela brincadeira de Perrucho (Tyrone), que teria resolvido dar um empurrãozinho no sentido de recuperar a autoestima do colega ceplaqueano. Aproveitando a viagem de outro colega ao escritório de compras da Ceplac, no Rio de Janeiro, teria pedido para que fizesse a postagem. Na verdade, a intenção era tornar a correspondência um medicamento eficaz no combate à depressão do colega.

Apesar de alguns colegas explicarem ao futuro novelista que a correspondência teria sido uma simples molecagem de uma pessoa que o admirava, o “intelectual” ceplaqueano nunca acreditou nessa versão, pois possuía todas as provas materiais enviadas pelos dirigentes da Vênus Platinada. E ele não perdeu a esperança e continuou a dedicar parte de suas noites às novelas que fariam retumbante sucesso.

De forma dissimulada, (Tyrone) Perrucho sempre lhe perguntava quando suas novelas iriam ao ar, mas elas nunca apareceram na telinha da Globo.


*Radialista, jornalista e advogado

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Franca Viola

Ela tinha apenas 17 anos, e a legislação da época a obrigava a se casar com seu e*tupr4dor ou carregar uma “desonra” para o resto da vida.

Ela recusou.

Em 1965, Franca Viola era uma jovem vivendo em Alcamo, na Sicília, quando tomou uma decisão que mudaria o rumo da história da Itália. Antes disso, porém, ela precisou sobreviver ao que veio pela frente.

Franca havia rompido um namoro com Filippo Melodia, um homem ligado à máfia que não aceitava ser rejeitado. No dia 26 de dezembro de 1965, Melodia e um grupo de homens 4rmados invadiram a casa da família dela. Eles agrediram sua mãe. Levaram Franca à força — e também seu irmão, Mariano, de apenas oito anos, que tentou defendê-la.

Mariano acabou solto. Franca não.

Ela passou oito dias em cativeiro. Foi est#pr4da, ameaçada e pressionada repetidas vezes a aceitar se casar com o agressor.

Porque, na Itália de 1965, essa era considerada a “solução”. Era o que dizia a lei.

O Artigo 544 do Código Penal Italiano permitia que um est*pr4dor escapasse de qualquer punição caso se casasse com a vítima. Esse pacto era chamado de “matrimonio riparatore” — o “casamento reparador”.

A ideia por trás disso era que a união “restituísse” a honra da mulher, supostamente perdida após o est#pro.

A honra dela — não o crime cometido por ele.

Isso não pertencia a um passado distante. Era 1965 — o ano em que os Beatles lançaram “Yesterday” e em que os EUA enviaram tropas ao Vietnã.

Na Itália daquela época, esperava-se que vítimas de est#pro se casassem com seus est*pr4dores ou passassem a vida como mulheres consideradas “manchadas” e indignas de casamento.

Quando Franca finalmente voltou para casa após os oito dias de sequestro, praticamente todos — a comunidade, a sociedade e até alguns de seus parentes — acreditavam que ela faria o que sempre se esperava de uma mulher: aceitar o casamento e seguir a vida carregando a marca da violência.

Franca Viola disse não.

Com o apoio de seu pai, ela rejeitou a proposta de se casar com Filippo Melodia. E fez algo inédito: registrou a denúncia e decidiu levá-lo à justiça.

A retaliação foi imediata e violenta. Sua família foi isolada, suas terras foram incendiadas e seu nome virou sinônimo de “vergonha”. Na Sicília, onde os códigos de honra eram rígidos e a máfia tinha forte influência, desafiar essa tradição significava correr riscos reais.

Mesmo assim, Franca não desistiu.

O julgamento virou um acontecimento nacional. Pela primeira vez, os italianos foram obrigados a encarar a realidade de uma lei que protegia est*pr4dores e punia vítimas. Os jornais acompanharam cada detalhe. O país se dividiu entre quem apoiava a coragem da jovem e quem a atacava por “trazer vergonha” à própria família.

Em 1966, Filippo Melodia foi condenado a onze anos de prisão.

Franca Viola tornou-se a primeira mulher na Itália a rejeitar publicamente o “casamento reparador” e a levar seu est*pr4dor aos tribunais com sucesso.

A repercussão provocou uma transformação profunda. O presidente italiano, Giuseppe Saragat, recebeu Franca oficialmente.

O Papa Paulo VI também a encontrou — um gesto discreto, mas significativo, que mostrava que até a Igreja reconhecia que algo estava mudando.

Em 1968, Franca se casou com Giuseppe Ruisi, um amigo de infância que a amava sem preconceitos, que a via como alguém inteira — e não como uma mulher supostamente “desonrada”. A união deles se tornou um símbolo poderoso: vítimas de violência merecem carinho, respeito e uma vida comum.

Mas a lei demorou a mudar. O Artigo 544 continuou existindo.

Foram necessários mais quinze anos. Quinze anos de mobilização, avanços culturais e outras mulheres encontrando força no exemplo de Franca. Finalmente, em 1981, quando ela tinha 34 anos, o Parlamento Italiano extinguiu de vez o “casamento reparador”.

Estpr4dors deixaram de ter o direito de escapar da punição casando-se com suas vítimas.

Franca Viola — uma jovem de 17 anos que simplesmente disse “não” — ajudou a transformar a legislação de um país inteiro.

Ela nunca buscou os holofotes. Levou uma vida tranquila ao lado de Giuseppe, dos filhos e dos netos. Raramente dá entrevistas. Nunca quis ser símbolo de nada — apenas queria justiça pelo que sofreu.

Mas a história, inevitavelmente, a transformou em símbolo.

Porque, às vezes, a recusa de uma única pessoa em aceitar a injustiça é capaz de abalar estruturas inteiras. Às vezes, a coragem de uma adolescente é suficiente para obrigar uma nação a encarar leis baseadas em vergonha e controle patriarcal.

Franca Viola mostrou que a honra de uma mulher não é definida pelo que fazem com ela — mas pela forma como ela reage.

Ela tinha 17 anos. A lei, o medo, a comunidade e a tradição diziam para ela aceitar.

Ela disse não!

A Cronica de Walmir Rosário

 

IRREVERÊNCIA NA LAVAGEM DO BECO DO FUXICO

Blocos Maria Rosa e Dez Casados, com os fundadores da lavagem

Por Walmir Rosário*

Pense aí num evento que você agenda e se entrega à vontade: é a folia de Momo, na tradicional Lavagem do Beco do Fuxico, reduto da boemia itabunense, bem no centro da cidade. E o mais importante são os custos reduzidos da festa, investimentos pífios para beber a batida do Caboclo Alencar, a cerveja da Fuxicaria, do bar Artigos para Beber e nos ambulantes.

Fora dos blocos, nem mesmo a fantasia é indumentária obrigatória para quem quer se esbaldar à vontade. Apesar do forte calor e enorme quantidade de pessoas o folião não precisa se preocupar, pois a prefeitura cumpre à risca, todos os anos, em dar um banho nos foliões, pois a vassoura, ferramenta necessária para a lavagem já caiu de moda.

O esperado é o carro-pipa aspergindo água em profusão nos distintos carnavalescos, que segundo dizem, serve para confortá-los durante a bebedeira. Já foi o tempo em que os frequentadores da Lavagem do Beco do Fuxico eram mais exigentes e faziam questão de dançar, se esbaldar, no ritmo das marchinhas. Hoje os tempos são outros e o que tocar eles pulam e sambam.

A Lavagem do Beco do Fuxico teve início em 1980, de forma simples, como o eram seus criadores e frequentadores do conceituado Beco. Um caminhão pipa emprestado, uma espalhadeira de betume asfáltico, que quebraram na primeira lavagem, embora esse insucesso não tenha sido suficiente para desmotivar os frequentadores do Beco.

Com o passar dos anos, a Lavagem do Beco do Fuxico toma fôlego na programação da prefeitura e a participação de blocos, entre eles, o longevo Maria Rosa, Casados I... Responsáveis, Mendigos e Gravata, Os Dez Casados, e uma dezena de outros. E a festa está rolando com todas as músicas e fantasias, aliadas à irreverência dos participantes.

Neste sábado, 17 de janeiro do ano de 2026, a ausência notada com todas as letras foi o Casados I...Responsáveis, o mais irreverente deles, e com a missão de abrir Lavagem do Beco. Sucesso garantido em sua participação em todo o Carnaval de Itabuna, o bloco sofreu com a perda de muitos fundadores, mas já começa a se reorganizar para 2027, como garante um dos seus dirigentes, Nérope Martinelli.

E como alegria não tem segredo, os foliões dos blocos irreverentes têm a obrigação de levar para as ruas a descontração estampada no rosto, também conhecida por felicidade. Além dos desfiles nas ruas de Itabuna, na manhã de domingo de Carnaval, “os Casados I...Responsáveis” promoviam uma visita à Santa Casa de Misericórdia para alegrar os enfermos.

Mas enquanto o bloco “Casados” se encontra em descanso, os Dez Casados não poupam esforços em promover um Carnaval com todos os requintes. Este ano, o presidente Sandoval Benevides repetiu a dose e na Lavagem apresentou sua nova música e o bar móvel, com figuras da criação da Lavagem do Beco do Fuxico, a exemplo de Bebeto Elmo, Paulo Nunes Neto, Abelardo Moreira (Bel), dentre outros carnavalescos. Sucesso Garantido.

Beco do Fuxico lavado, a folia continuou na praça Adami, centro dos festejos de Itabuna até perto da meia-noite. Com este evento, o Carnaval de Itabuna foi aberto oficialmente e os carnavalescos têm até a próxima quinta-feira (22) para descansar e entrar na folia, comemorando a festa de Momo até o raiar da próxima segunda-feira.


*Radialista, jornalista e advogado.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

A Cronica de Walmir Rosário

 

O SUL DA BAHIA TEM QUE BEBER CONHECIMENTO NA ORIGEM

 
Milho plantado em Poço Verde em local de plena caatinga

Por Walmir Rosário*

Rever os conceitos faz um bem danado para quem quer se manter na onda, auferindo resultados positivos. Por mais que façamos certo, sempre tem algo em nossa vida ou nossos negócios que precisa ser acertado. Afinal, como diz a piada, relógio que adianta não atrasa. É o tal de adiantar o passo após as reflexões, já transformadas em ações presentes e futuras.

Num simples apanhado, o Sul da Bahia não vai mal: o cacau se recuperando em genética, sanidade e preço de comercialização; o comércio se mantém estável, passando pelas mudanças de sempre, resistindo bravamente; os serviços a mil por hora, principalmente na área da saúde privada, com profissionais qualificados e equipamentos de ponta.

Não sei se estaria sendo coerente comigo mesmo se afirmasse que estamos apenas a um pontinho acima da mesmice, tendo em vista que grandes investimentos não são direcionados para o Sul da Bahia. Prova disse é a população estável, com índices bem abaixo de outras regiões da Bahia, mesmo possuindo terras férteis, chuvas em abundância e infraestrutura considerável.

Não nos faltam faculdades e universidades, embora, em minha opinião, ainda um pouco distantes dos setores produtivos, sem dar régua e compasso para fazer a economia prosperar. Como se tal não bastasse, nossa antiga fonte de desenvolvimento científico – devidamente comprovada – a Ceplac, é hoje carta fora do baralho.

Nossa tão sonhada indústria de informática, implantada em Ilhéus, não prosperou como planejada, embora ainda contribua para o crescimento – e quem sabe –, um dia para o desenvolvimento. Não conseguimos implantar um aeroporto internacional (gargalo para informática) e somos sobressaltados constantemente com a paralisação da construção da Ferrovia Oeste-leste (Fiol).

A Fiol e o Porto Sul – irmãos siameses –, e atual esperança nossa de desenvolvimento, sofrem com as paralisações decorrentes da política governamental e das empresas mães. Os motivos são os mais díspares possíveis, que vão desde as dificuldades econômicas do mercado internacional, as mudanças societárias e até desconfiança na política governamental.

E nós sul-baianos, já acostumados às dificuldades, simplesmente aguardamos que as bênçãos dos céus desçam por aqui para solucionar problemas que não foram criados pelos religiosos ou nossos santos padroeiros. Esperar por ações de nossos representantes políticos é tarefa impossível, pois não os colecionamos nas muitas eleições por décadas passadas.

Se olharmos para o passado, quem sabe poderíamos nos espelhar em nossos ancestrais, os sergipanos, que há mais de um século deixaram suas cidades assoladas pela seca para construir a civilização cacaueira, grapiúna. Aqui enfrentaram as matas fechadas e inóspitas, enriqueceram, criaram praticamente toda a infraestrutura de uma nova região.

Não custa lembrar que a economia da região cacaueira prosperou em níveis cada vez mais crescentes, apesar das dificuldades de então. Criaram um mercado forte, cujo produto por eles comercializado era pago ao produtor mesmo antes de entregá-lo. Comércio bem diferente do restante da atividade agrícola, cuja liquidez inicia geralmente após os 30 dias da entrega.

Como bons descendentes de sergipanos – caatingueiros dos bons –, visitamos nossos parentes, passamos férias em Aracaju, local em que encontramos sul-baianos nas ruas como se em Ilhéus ou Itabuna estivéssemos. Só que desprezávamos o campo, há anos em plena transformação. Pois bem, aos poucos começamos enxergar as mudanças, realizadas de forma silenciosa.

Há muito os sergipanos descobriram que, se tinham capacidade de fazer crescer negócios em outras regiões, também poderiam prosperar em sua própria terra, já bastante conhecida. No campo, resistiram às secas, criaram tecnologias para conviver e superar as dificuldades. Nas cidades, desenvolveram pequenas indústrias, notadamente de confecções, redes e o turismo.

Hoje todo o Brasil está perplexo com a capacidade de superação do sergipano, na cidade ou no campo. Silenciosamente, desenvolveram gado de leite e corte de alta qualidade, animais criados com comida de qualidade; e todas as espécies de produtos agrícolas, com produtividade de fazer inveja aos centros mais avançados.

Se antes se deslocavam em cima de caminhões pau-de-arara para se livrar da seca e ganhar a vida no Sul da Bahia, hoje plantam cacau numa região antes impensável. Não acredito que essa virada histórica saiu apenas de um papel num gabinete qualquer, mas sim da vontade de viver bem na sua própria terra, construindo sua própria e nova história.

Se antes o Sul da Bahia “importava” os sergipanos como simples mão de obra para implantar a cacauicultura, bom seria fazermos o caminho inverso, desta vez para beber da sabedoria dos nossos parentes em todas as áreas da economia. Por certo, voltaríamos com um novo cabedal de conhecimento para impulsionarmos nossa região. Também aproveitem o passeio, pois o sergipano continua sendo um excelente anfitrião.


*Radialista, jornalista e advogado.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

RETROSPECTIVA PARA MANTER A MEMÓRIA ATIVA E LEMBRAR PARA SEMPRE*

 

RETROSPECTIVA PARA MANTER A MEMÓRIA ATIVA

E LEMBRAR PARA SEMPRE* - SEMPRE OS EE.UU

 


2001 -

A queda das Torres Gêmeas nos EUA;

 

2003 -

EUA invadem o Iraque sob a alegação de que o Iraque desenvolve armas químicas e nucleares;

 

2006 -

EUA capturam e executam Saddam Hussein. Tomam 100% dos poços de petróleo do país;

 

2008 -

EUA mergulham na maior crise imobiliária e econômica dos últimos 50 anos. Milhares de norte-americanos perdem as casas por falta de pagamento, indo morar em trailers e nas ruas;

 

2009 -

EUA invadem a Líbia e matam Muhamar Gadafi. Usam o mesmo argumento que usaram contra o Iraque e tomam 100% do petróleo líbio;

 

2009 -

Brasil descobre o pré sal, segunda maior reserva de petróleo da América;

 

2010 -

Embargo econômico imposto pelos EUA à Venezuela que se negou a entregar o domínio do petróleo às petrolíferas norte-americanas;

 

2011 -

Brasil assume o protagonismo nos Brics, com o maior crescimento do PIB ultrapassando o Reino Unido, assumindo a 6a. posição mundial na economia;

 

2012 -

Europa derrete, sob o efeito da crise iniciada nos EUA. De cada 3 europeus, 1 estava desempregado;

 

2013 -

Brasil apresenta o menor índice de desemprego do mundo, 4,3%. Milhares de estrangeiros migram para o Brasil em busca de emprego;

 

2013 -

O vice-presidente dos EUA, Joe Biden vem ao Brasil para abrir o pré-sal às petrolíferas estadunidenses e recebe um "não" da presidente Dilma. Na mesma semana se reúne a sós com Temer!

 

2013 -

Biden retorna aos EUA e em apenas 1 mês e meio começam as manifestações contra Dilma, as "Jornadas de Junho";

 

2014 -

Sérgio Moro começa a viajar para a sede da CIA e no Depto de Estado dos EUA sob o pretexto de fazer cursos. Faz 14 viagens aos EUA em dois anos;

 

2014 -

Aécio estava em 3° lugar nas pesquisas presidenciáveis e de repente o superjato biturbinado Cessna cai, mata Eduardo Campos e a vice da chapa passa a apoiar Aécio que vai ao 2° turno;

 

2014 -

Dilma Rousseff é reeleita e Aécio faz discurso inflamado ao país dizendo que iriam paralisar o governo Dilma;

 

2015 -

Temer viaja aos EUA no final do ano pra combinar o golpe;

 

2015 -

José Serra (PSDB) entra com o PL-131/2015 pra tirar o pré-sal da Petrobrás e do Brasil fazendo a abertura que Biden havia tentado em 2013;

 

2015 -

Dilma Rousseff não aceita aliança com o centrão para se proteger do impeachment e para barrar as investigações contra Eduardo Cunha;

 

2016 -

Vazam as gravações reveladoras da trama do golpe entre Jucá, Calheiros, Sarney (MDB) e Sérgio Machado (PSDB) onde falaram a famosa frase: "Vamos tirar a Dilma e colocar o Michel para estancar a sangria. Num grande acordo, com o Supremo com tudo. E combinado com a imprensa"!

 

2016 -

Dilma Rousseff é afastada sob o falso argumento de "pedalada fiscal" e dois anos depois foi absolvida por falta de elementos legais;

 

2016 -

Na sessão do impeachment de Dilma, vários deputados exaltam suas famílias e Deus, Bolsonaro faz menção ao torturador carniceiro da ditadura Brilhante Ustra;

 

2016 -

Temer assume e o Projeto de Lei que propunha abertura do pré-sal aos estrangeiros é logo aprovado com relatoria de Jucá;

 

2016 -

Temer nomeia o tucano Pedro Parente na Petrobras (processado no STF por corrupção no governo FHC);

 

2017 -

A Petrobrás começa a paralisar refinarias e passa exportar o óleo cru;

 

2017 -

Temer, com MDB, PSDB, DEM, PP etc, aprovam a Medida Provisória do Trilhão, isentando as petrolíferas estrangeiras em R$ 1 trilhão de impostos ao Brasil;

 

2017 -

Michel Temer entrega 2 dos 3 maiores poços de petróleo aos EUA. Shell e Esso assumem a exploração e o refino de petróleo;

 

2017 -

Os preços dos combustíveis disparam subindo 212 vezes em 2 anos;

 

2017 -

Temer aprova a Reforma Trabalhista retirando uma centena de direito dos trabalhadores;

 

2018 -

Sérgio Moro condena Lula sob o argumento de ato indeterminado, ou seja, sem provas.

 

2018 -

A chapa Bolsonaro/Mourão faz a maior campanha eleitoral de fakenews espalhando milhares de mentiras pelas redes sociais na internet e o TSE aprova essa enorme corrupção Eleitoral;

 

2018 -

Sérgio Moro é nomeado ministro da Justiça;

 

2018 -

Governo passa a liberar mais agrotóxicos importados e já passam de 800 novos;

 

2019 -

Governo aprova a maldita Reforma da Previdência condenando os brasileiros a trabalharem até a morte (ficam de fora: juízes, militares e políticos);

 

2019 -

Algumas reservas subterrâneas de água doce do Brasil são entregues à Coca Cola norte- americana;

 

O Brasil cai de 6a. para 14a. economia. O papel dos BRICS é enfraquecido. A Lavajato de Dallagnoll, Moro e CIA-EUA paralisam as grandes empreiteiras brasileiras que ganhavam concorrência de obras no exterior.

 

O desemprego explode.

 

O Brasil perde os estaleiros de construção de navios petroleiros. Nosso projeto do inédito submarino nuclear é fechado. Governo [do golpe] vende distribuição de gás.

Governo [do golpe] tenta entregar a Embraer, 2a maior do mundo em jatos comerciais, à Boeing dos EUA.

 

Governo [do golpe] planeja entregar Eletrobras, Correios, BB, Serpro, Datasus, Dataprev, CeasaMinas, Ceagesp etc. As demais áreas do pré-sal seguem sendo entregues aos EUA, voltamos a ser quintal deles.

 

2021 -

Moro confirma ser político [politiqueiro] e vai disputar a eleição de 2022.

 

2022 -

Moro eleito senador. E no primeiro debate do 2° turno já assessora Bolsonaro.

 

 ISSO TUDO SÃO FATOS, NÃO SÃO BOATOS!

Não vamos esquecer jamais, não temos amnésia.

Não à anistia!

 

(Material compartilhado por Professor Alfonso, Filosofia - Unioeste! No contexto inserido ao Grupo de Estudos por ele ministrado, que teve sua aula Inaugural no dia 08/08, no Campus da Unioeste, com participação de convidados à mesa (entre estes, Ualid Rabah, presidente da Fepal) e tratou da Conjuntura Nacional e Internacional, com ênfase à geopolític, pautas democráticas, de direitos e o Genocídio na Palestina/Gaza).